Polícia descobre o esquema do lobista
» Isabella Souto
A Polícia Civil mineira revelou ontem o mecanismo usado pelo lobista Nilton Monteiro — mentor da Lista de Furnas — para falsificar documentos e cobrar dívidas de R$ 300 milhões por meio de um programa de computador, ele escaneava assinaturas, logotipos de empresas e selos de cartórios. Também foi apresentada pela Polícia cópia de documento em que ele cobra uma dívida do deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) por supostos serviços prestados ao parlamentar. Correia é acusado de ter encomendado a listagem com o nome de 156 políticos da oposição ao governo petista que teriam recebido recursos ilegalmente de Furnas na campanha eleitoral de 2002. Monteiro responde hoje a 97 processos por estelionato, falsidade ideológica e de documentos públicos e formação de quadrilha nos tribunais de Justiça de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Distrito Federal, no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF).
O delegado-geral da Polícia Civil, Márcio Simões Nabak, que conduziu dois inquéritos envolvendo o lobista, disse ontem nunca ter visto uma falsificação usando a técnica, que é "apurada" e "de alto nível". O mecanismo foi descoberto pela perícia da Polícia Civil ao analisar um nota promissória assinada supostamente por Carlos Felipe Amodeo, falecido em 2006. Ele foi advogado do então diretor de Furnas, Dimas Fabiano Toledo. O documento apresenta uma dívida de R$ 3 milhões do advogado por uma assessoria prestada por Monteiro — sem especificar qual seria o serviço. Em documento de setembro do ano passado, as peritas Heliane Anghinetti e Flávia da Cunha Moretzsohn Quintão alegam que a assinatura de Amadeo é falsa. Com base nesse resultado, em dezembro a Polícia encaminhou à Justiça uma ação contra o lobista.
Ainda está em investigação outras notas apresentadas por Nilton Monteiro, preso em outubro, contra alguns nomes expressivos da política mineira: R$ 650 mil seriam devidos pelo deputado Federal Eduardo Azeredo (PSDB); R$ 190,6 milhões pelo ex-deputado Federal Vitório Mediolli; R$ 1,86 milhão por Cláudio Mourão, ex-secretário do governo Azeredo; R$ 50 mil por Walfrido dos Mares Guia, ex-ministro do Turismo e ex-vice-governador de Eduardo Azeredo; e R$ 14 milhões por Dimas Fabiano.
Esses documentos são contestados judicialmente pelos políticos e, de acordo com a Polícia Civil, são falsos. Um relatório com as conclusões foi encaminhado para a 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte, onde tramita uma ação contra Nilton Monteiro, com a sugestão de que seja enviado à Polícia Federal, responsável pela investigação da Lista de Furnas.

