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Delegado diz que Agnelo deixará cargo em camburão

03/02/2012

Chefe da Polícia Civil se demite após declaração sobre governador do DF

Conversa foi gravada pelo mesmo jornalista que foi pivô de uma operação que levou ex-governador à prisão

FILIPE COUTINHO
DE BRASÍLIA
O diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, Onofre Moraes, pediu demissão ontem e disse que iria se aposentar, após ser flagrado em vídeo dizendo que o governador Agnelo Queiroz (PT) deixaria o cargo de "camburão da Polícia Federal".

A saída de Moraes é mais um capítulo da crise que o governo Agnelo sofre desde que o policial militar João Dias Ferreira delatou no ano passado um esquema de desvios no Ministério do Esporte, que ocorreria quando a pasta era comandada pelo petista.

Agnelo passou a ser investigado pela PF e demitiu a cúpula da Polícia Civil após vazamento de áudio no qual chamava Ferreira de "meu mestre". Moraes assumiu a direção da Polícia em novembro, com o objetivo de estancar a crise.

Em junho de 2011, porém, ele reclamava da então chefe da Polícia e de Agnelo em conversa com um empresário e o jornalista Edson Sombra, que filmou o encontro.

"Quando o seu governador estiver saindo do camburão da Polícia Federal e eu estiver aposentado e vendo, eu só vou falar: "pede à diretora para tirar ele"", disse Moraes.

O jornalista é o mesmo que foi testemunha na Operação Caixa de Pandora, que levou o ex-governador José Roberto Arruda à prisão por tentativa de suborno.

Segundo Moraes, a conversa era entre amigos, como "galhofas de botequim", mas pediu desculpas aos citados.

Agnelo afirmou que aceitou a demissão para "garantir a normalidade administrativa" da Polícia Civil. Disse, contudo, que Moraes fez um "bom trabalho técnico".

Ontem, o delegado disse que Brasília não pode ficar mais "à mercê de um Big Brother". "Esse vídeo estava na geladeira esperando para me fazer de defunto."

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