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WEBCLIPPING – 04/11/2003 - SEGUNDA EDIÇÃO |
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CIDADANIA |
Nilmário
promete mais proteção para testemunhas
Nilmário
quer mais proteção a testemunhas
Anistiados
ficam isentos de pagar imposto de renda
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CONCORRÊNCIA |
Poder
escolher
Anatel
prorroga prazo para escolha de operadora
TIM
vence licitação para fornecer SMP à sede da Anatel
Ligação
local ainda responde por 72% da receita das fixas
Lula
anuncia mais crédito para Angola
Anatel
prorroga prazo para o uso de DDD em ligações
R.E.S.P.I.N.G.O.S
DDD via
celular
Compra
dividida
Coutinho
diz que fusão é solução para Varig e TAM
DDD de
celular só mudará em 2004
Anatel
dá mais 60 dias para o novo DDD via celular
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CONSUMIDOR |
Transgênicos
e segurança alimentar
Teste
aponta excesso de água em frango
Alunos
representam contra a universidade
Florianópolis
tem água e luz, mas o trânsito continua caótico na cidade
Entrega
de lista
Procon
vai analisar ofertas
Porto já
transfere a soja transgênica
Novidade
Aliados
já falam em mudanças no projeto de lei
Começa
fiscalização de carga de soja
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EXECUÇÃO PENAL |
Presídio
terá unidade de saúde
País do
faroeste
Educação
de presos
Cadeia
de Floriano ganhará uma indústria de calçados
Rosinha
afasta Pinaud da Corregedoria das Polícias
Polícia
não têm onde colocar mais presos
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EXPLORAÇÃO SEXUAL |
Vereadores
acusados renunciam a mandato
Justiça
condena subdelegado por manter índios como escravo
Vereadores
renunciam após acusações
Petit
acompanha casos de prostituição infantil
Mira na
exploração infantil
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INSTITUCIONAL |
Alagoas
espera liberação de R$ 5 milhões para Segurança
Nilmário
cobra maior proteção
Ministro
chama de 'ruído' desavenças com Corrêa
Bastos
convence delegado a ficar no comando em SP
Para
Bastos, celeuma com Corrêa é "ruído"
Genoino
admite que PT vai perder espaço para PMDB
Benedito
Mariano é cotado para a Secretaria Nacional de Segurança
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POVOS INDÍGENAS |
Índios e
Funasa chegam a um acordo
Aldeias
terão novo modelo de saúde
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REFORMA DO JUDICIÁRIO |
PT
decide ‘assumir’ reforma do Judiciário
PT
assume reforma do Judiciário
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SEGURANÇA PÚBLICA |
FAB
bombardeia pista utilizada pelas Farc
A
enfadonha repetição
Justiça
com rapidez exemplar
'Rocha
Mattos é quem rouba'
No
relatório, a hierarquia do crime
Mattos e
irmãos Mazloum, 'no topo' da organização
Bastos
tenta esvaziar revolta na PF paulista
CPI da
Pirataria vai convocar
PF e FAB
fazem ação para destruir pista clandestina
PF ouve
acusados de extermínio
PF já
apreendeu 231 quilos de cocaína no Ceará
Relatório
aponta a ‘hierarquia’ do crime
A cobra
vai fumar...
Buracos
na BR-116
Polícia
deve concluir perícia em 15 dias
PF:
cocaína apreendida pesava 6kg
Termina
a rebelião no presídio de Águas Lindas
PF
apreende em avião US$ 50 mil
Corrupção
Mototaxista
pode ter sido morto por vingança
Procuradoria
pede prorrogação de prisão
PF põe
juízes federais no topo de quadrilha
MP pede
prorrogação da prisão de envolvidos em fraude
Doleiro
será interrogado amanhã
Operação
no Rio contra o tráfico reúne 780 policiais
Juízes:
PF desconfia de contas no exterior
Gerente
do tráfico é morto no Rio em troca de tiros com PMs
Cobertura
total
Anaconda
Comissão
federal avalia PF/RS
Estudantes
fecham BR durante 15 minutos
Relatório
da PF descreve método de ação de bando
Recuo
contra a paz social
Juiz
acusado de fraude decide se aposentar
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CIDADANIA |
O ESTADO DE S. PAULO | CIDADES | 04/11/2003
Nilmário promete mais proteção para testemunhas
DEMÉTRIO WEBER
BRASÍLIA – O secretário especial dos Direitos Humanos, NilmárioMiranda, disse
ontem que o governo federal vai ficar mais atento cobrar mais empenho dos
Estados na proteção de testemunhas. O objetivo é evitar casos como o
assassinato de duas pessoas que prestaram depoimentos à relatora da Organização
das Nações Unidas (ONU) sobre Execuções Extrajudiciais, Sumárias e Arbitrárias,
Asma Jahangir, no mês passado.
Nilmário esteve com o relator especial da Comissão de Direitos Humanos das
Nações Unidas para o Tráfico de Crianças, Prostituição e Pornografia Infantis,
Juan Miguel Petit, que visitará quatro Estados e o Distrito Federal até dia 14.
Hoje, Petit tem encontro marcado com o presidente do Supremo Tribunal Federal,
ministro Maurício Corrêa. Asma sugeriu que a ONU envie um relator para
inspecionar o Judiciário brasileiro e Corrêa reagiu de forma contundente à
proposta, dizendo que seria uma espécie de intervenção da ONU. Petit terá
encontros com o ministro da Justiça, Márcio
Thomaz Bastos, além de deputados, senadores e organizções
não-governamentais. Nilmário disse que a morte das testemunhas evidencia falhas
dos programas de proteção. " Vamos chamar a atenção dos Estados para atuar
preventivamente e não negligenciar quando houver pedido de proteção",
disse o secretário.
O POVO - CE | BRASIL | 04/11/2003
Nilmário quer mais proteção a testemunhas
O
secretário especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, disse ontem, em
Brasília, que o Governo federal vai ficar mais atento e cobrar mais empenho dos
estados na proteção de testemunhas para evitar casos como o assassinato de duas
pessoas que prestaram depoimentos à relatora da Organização das Nações Unidas
(ONU) sobre Execuções Extrajudiciais, Sumárias e Arbitrárias, Asma Jahangir, em
sua visita ao País no mês passado.
Nilmário Miranda esteve ontem com o relator especial da Comissão de Direitos
Humanos das Nações Unidas para o Tráfico de Crianças, Prostituição e
Pornografia Infantis, Juan Miguel Petit, que visitará quatro estados e o
Distrito Federal até o dia 14.
Ainda no rastro da polêmica provocada pela sugestão de Asma de que a ONU envie
um relator para inspecionar o Judiciário brasileiro, Petit terá encontro hoje
com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Maurício Corrêa. Foi
Corrêa quem reagiu de forma mais contundente à proposta da relatora,
argumentando que isso seria uma espécie de intervenção da ONU no Brasil. Petit
deve encontrar-se também com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, além de deputados,
senadores, organizações não-governamentais e entidades ligadas ao combate à
prostituição infantil. (das agências)
CORREIO DO POVO - RS | POLÍTICA | 04/11/2003
Anistiados ficam isentos de pagar imposto de renda
A
Comissão de Anistia do Ministério da Justiça
aprovou ontem processo que isentará do pagamento de Imposto de Renda 32
ex-líderes sindicais do ABC paulista, que são anistiados. Os sindicalistas,
ex-companheiros do presidente Lula e presos por liderarem greves de
metalúrgicos na década de 70, foram recebidos pela comissão. A decisão
beneficia o Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Diadema.
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CONCORRÊNCIA |
JORNAL DO BRASIL | OPINIÃO | 04/11/2003
Poder escolher
Jorge
Rodriguez
Empresário
Vivemos a expectativa de que se cumpra mais uma importante etapa da evolução
das comunicações do país, consolidando a livre concorrência para todas as
modalidades de serviços de telecomunicações. Acreditamos que em breve os
resultados obtidos na competição instituída a partir de 1999 para os serviços
de longa distância nacional e internacional chegarão ao serviço de telefonia
local, trazendo grandes benefícios para toda a população brasileira.
Sem dúvidas, a competição para toda a telefonia, já prevista na Lei Geral das
Telecomunicações, é uma reafirmação da busca permanente de melhores resultados
para o povo e para o país. A concorrência gera benefícios diretos para os
usuários. Outros grandes objetivos dessa prática são o desenvolvimento
tecnológico e a inclusão social, com o acesso de contingentes cada vez maiores
da sociedade aos serviços da internet.
Não se pode esquecer o papel dos serviços de telecomunicações, em particular
dos serviços de telefonia, na sociedade atual. Graças a um extraordinário
crescimento ocorrido a partir da privatização, com a introdução da telefonia
celular e a expansão da oferta de serviços, o Brasil tem hoje cerca de 90
milhões de telefones, sendo 41,3 milhões fixos e 48,5 milhões de celulares.
Antes da privatização, a telefonia era considerada um serviço elitizado, ao
qual só tinham acesso aqueles que podiam pagar pelas poucas linhas disponíveis.
Símbolo dessa época eram as ''bolsas de telefones'', já apagadas pelo tempo.
Hoje, os serviços telefônicos estão disponíveis e são facilmente utilizados por
empresas e por cidadãos brasileiros nos seus contatos pessoais, nos seus
negócios, no seu lazer. A expansão dos serviços de telefonia em todo o país,
além de democratizar-se, permitiu que milhares de pequenos empresários e
prestadores de serviços agilizassem o processo de comunicação com seus
clientes, trazendo por conseqüência mais negócios, movimentando a economia e
gerando empregos e desenvolvimento. Por isso, a telefonia deixou hoje de ser um
serviço público para se tornar um bem público.
Todo esse fantástico crescimento foi financiado pela própria sociedade
brasileira, já que os investimentos estimados para essa finalidade foram
considerados nos preços estabelecidos para a venda das empresas privatizadas.
Os méritos dessas realizações, portanto, são de todos os brasileiros, que têm o
direito de exigir qualidade e preços para os todos os serviços de
telecomunicações prestados no país.
A revolução que ocorreu na telefonia brasileira em 1999, com a privatização do
setor e a implantação da livre concorrência nos serviços de longa distância,
ainda está bem viva em nossas mentes. Ela proporcionou uma queda brutal nos
preços das ligações telefônicas DDD e DDI, trazendo um extraordinário benefício
para a sociedade brasileira. Agora, depois de cinco anos, outro grande passo
está para ser dado.
Prevista no contexto da Lei Geral das Telecomunicações e nos princípios que
nortearam a privatização, a concorrência no serviço de telefonia local pode e
deve chegar de verdade. Ela é necessária, possível e desejada por toda a
sociedade, a fim de garantir para a telefonia local os mesmos benefícios de
redução de preços da telefonia de longa distância nacional e internacional. Na
telefonia local, nesses últimos cinco anos, a falta de concorrência gerou um
efeito totalmente inverso. Ou seja, aumentaram os preços do serviço para os
usuários, e a instalação de telefones fixos, por isso mesmo, está praticamente
paralisada.
E é com o sentido de preservar e expandir esse bem público que devemos estar
conscientes - empresas, autoridades e usuários - da necessidade de serem
estabelecidos critérios mais justos na utilização das redes locais, com o
objetivo de permitir a competição total para o setor de telefonia do país.
É exatamente na questão do estímulo à competição que os princípios da Lei Geral
das Telecomunicações não podem ser esquecidos. Ao prever a desagregação das
redes - o que permite o compartilhamento, a custos razoáveis, do uso das redes,
cuja concessão é dada às operadoras locais -, a legislação abre espaço para que
efetivamente se estabeleça a concorrência entre as empresas, prevalecendo então
a qualificação, a competência e a eficiência de cada uma para oferecer ao
mercado serviços de maior qualidade e a preços mais baixos.
A Embratel, que opera em todo o território brasileiro e que se orgulha de estar
entre as empresas de ponta, detentora das mais avançadas tecnologias do setor,
sempre esteve pronta para o desafio e para dar a sua contribuição à sociedade
brasileira. O que a Embratel deseja - e acredita que todos os que atuam no
setor também desejam - é que os serviços de telefonia se expandam cada vez
mais, beneficiem um número cada vez maior de brasileiros e que, dentro de pouco
tempo, o Brasil dobre o número de telefones que possui hoje, para satisfação de
todos - governo, usuários, empresas.
A Embratel acredita firmemente que os reais benefícios a serem usufruídos pela
sociedade brasileira serão resultado, antes de tudo, de uma competição justa e
saudável na oferta dos serviços de telecomunicações.
Jorge Rodriguez é presidente da Embratel
O POPULAR - GO | ECONOMIA | 04/11/2003
Anatel prorroga prazo para escolha de operadora
Os usuários de telefone celular
terão mais 60 dias para fazer ligações de longa distância nacional sem escolher
a prestadora de serviço. A decisão da Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel) está publicada no Diário Oficial desta segunda-feira. O prazo
terminava nesta semana, mas foi prrorrogado até 1º de janeiro de 2004.
Nos primeiros 30 dias, uma gravação vai interceptar as ligações feitas sem
escolha da prestadora, mas todas elas serão completadas. Nos trinta dias
seguintes, 50% das chamadas interceptadas serão completadas.
O POPULAR - GO | ECONOMIA | 04/11/2003
TIM vence licitação para fornecer SMP à sede da Anatel
A TIM Celular venceu a licitação
do Lote 1 para fornecer o serviço móvel pessoal (SMP), incluindo a facilidade
de roaming nacional à sede da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O
resultado do pregão foi publicado no Diário Oficial da União desta
segunda-feira.
A sessão para recebimento e abertura dos envelopes contendo propostas de preços
para a contratação dos 200 acessos individuais para a prestação do serviço foi
feita no dia 9 de outubro. A contratação foi homologada com valor anual
estimado de R$ 178.120,44 e vigência de doze meses, podendo ser prorrogada por
igual período até o limite de 60 meses.
O POPULAR - GO | ECONOMIA | 04/11/2003
Ligação local ainda responde por 72% da receita das fixas
Um estudo do International Data
Corporation (IDC) revelou que, dos R$ 44 bilhões movimentados pelas operadoras
de telefonia fixa do país em 2002, 72% ainda foram gerados pelas ligações
locais. Dos 28% restantes, 25% foram chamadas de longa distância nacional e 3%,
internacionais.
Trafegaram, ao longo do ano passado, 168 bilhões de minutos entre as operadoras
locais em 2002, dos quais 56,6% (95 bilhões de minutos) foram utilizados para
ligações fixo-fixo e o restante distribuído entre ligações destinadas a
telefones móveis e utilização de pulsos para conexão à internet.
Apesar das recentes quedas no número de assinantes da telefonia fixa, geradas
voluntariamente pelo assinante _ que sofreu queda no poder aquisitivo _ e pela
própria operadora, em função da inadimplência, o instituto acredita em uma
estabilização no número de linhas ativas a partir de 2004, gerada tanto pela
retomada da economia como pela criação de linhas especiais para a população de
mais baixa renda (exigência da Anatel nos contratos que entram em vigor a
partir de 2006).
De acordo com o IDC, o mercado brasileiro chegou ao final de 2002 com 38,8
milhões de linhas fixas em operação, das quais 77% pertencentes ao segmento
residencial, 19,3% corporativas e 3,7% representadas por linhas de telefones
públicos e as para uso de teste.
O POPULAR - GO | POLÍTICA | 04/11/2003
Lula anuncia
mais crédito para Angola
Presidente brasileiro
também manifestou, na Assembléia Nacional angolana, intenção de acabar com
impostos de
Luanda – Em dois discursos
emocionais em Angola, enfatizando o resgate da “dívida política, moral e
histórica do Brasil com a África”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
anunciou ontem a intenção de acabar com os impostos de importação e de aumentar
as linhas de crédito oficiais para financiar empreendimentos brasileiros em
países pobres. “Vamos estudar fórmulas compatíveis com as regras da Organização
Mundial do Comércio (OMC), que permitam aos produtos dos países mais pobres a
entrada desimpedida no mercado brasileiro”, disse Lula na Assembléia Nacional
de Angola.
Ainda no discurso, Lula acrescentou que já há um “arcabouço jurídico” para isso
e citou o Sistema Geral de Preferências da OMC para países em desenvolvimento.
Esse sistema permite que países pobres façam concessões comerciais entre si sem
ter de estendê-las aos ricos.
O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, especificou mais tarde que
a expressão “entrada desimpedida”, usada por Lula, significa “tarifa zero” para
os produtos angolanos. Só não soube dizer que tipo de produto o país africano,
que acaba de sair de décadas de guerras, seria ou será capaz de exportar para o
Brasil. A economia angolana é toda baseada no petróleo.
O Brasil exportou para Angola em 2002 um total de US$ 199,4 milhões, o que
corresponde a menos de 5% das importações angolanas. Mas só importou US$ 11,6
milhões. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, acrescentou que,
além da OMC, o Brasil precisará também consultar o Mercosul (Argentina, Uruguai
e Paraguai), por causa da Tarifa Externa Comum do bloco.
Portanto o que Lula anunciou não foi mais do que “manifestação política”.
Furlan deu a dimensão estratégica da concessão de facilidades para os
angolanos: “Levar adiante o projeto político definido pelo presidente – de
aproximação com a África – exige fundamentos econômicos que precisam ser
cumpridos”. Amorim acrescentou: “É um olhar novo, uma ótica generosa do Brasil
para a África”.
Infra-estrutura
Quanto às linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), Lula disse, sem especificar valores, que o objetivo é ajudar a
financiar a construção ou melhoria de obras de infra-estrutura física, como portos,
ferrovias, estradas e hidrovias.
São setores que foram destruídos ou fortemente afetados pelas guerras, uma pela
independência de Portugal, afinal conquistada em 1975, e a outra a civil, que
só terminou no ano passado. Lula foi bastante aplaudido na Assembléia Nacional,
que tem 220 deputados, dos quais 36 mulheres. Pelo menos 20 delas se destacavam
ontem no plenário pelos trajes típicos muito coloridos, com turbantes.
Os aplausos foram principalmente quando ele conclamou os países pobres a se
unirem contra o protecionismo dos ricos e defendeu “regras mais justas para o
comércio internacional”. “É fundamental que os países em desenvolvimento se
unam e se coordenem no campo das negociações comerciais, como na OMC.”
Lula falou da escravatura no Brasil: “O primeiro elo entre meu país e este
continente não foi a liberdade, mas a escravidão. Esse fato deixou cicatrizes
profundas em nossa sociedade”. O segundo discurso de Lula foi no “Encontro
Empresarial Brasil-Angola: Comércio e Investimentos”, quando ele também usou o
tom do “resgate da dívida” do Brasil com a África. (Agência Folha)
O ESTADO DO MARANHÃO | GUIA DO CONSUMIDOR | 04/11/2003
Anatel prorroga prazo para o uso de DDD em ligações
Brasília
- A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu prorrogar até o dia
1º de janeiro de 2004 o prazo para que os usuários de telefone celular se
adaptem ao uso da operadora para fazer ligações interurbanas nacionais (DDD). A
decisão foi publicada hoje no Diário Oficial da União.
Os usuários tinham até esta semana para se adaptar, mas, com a prorrogação, vão
ganhar 60 dias. De acordo com a decisão da Anatel, as ligações de longa
distância nacional que forem feitas sem a escolha da prestadora vão continuar a
ser atendidas por uma gravação que vai completá-las.
Neste mês, todas as ligações vão ser atendidas desta forma, enquanto em
dezembro, segundo mês da prorrogação do prazo, apenas 50% vão passar por esse
processo. A idéia é forçar o usuário a escolher a prestadora na próxima vez.
DIÁRIO DE CUIABÁ | COLUNISTAS | 04/11/2003
R.E.S.P.I.N.G.O.S
* TIM – Viver Sem Fronteira – A
Diretoria territorial da telefônica celular TIM apresenta amanhã no buffet
Oásis, às 19.30hs as últimas novidades da TIM, com a tecnologia GSM. As
oportunidades e vantagens desta multinacional de comunicação estão à disposição
dos cuiabanos e brasileiros que aqui residem.
Informação: Os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Brasilía,
Rondônia e Tocantins formam o bloco Centro Oeste Norte, atendidos pela TIM.
* A frente deste grande trabalho de divulgação e expansão da TIM telefonia
celular na nossa região a maravilhosa Carlina Jacob, que demonstra assim a
competência e o dinamismo da mulher cuiabana.
ESTADO DE MINAS | ECONOMIA | 04/11/2003
DDD via celular
A
Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu que os usuários de
telefonia móvel poderão fazer interurbanos e telefonemas internacionais até o
final deste ano sem escolher a empresa que fará as ligações. O prazo de 120
dias de convivência dos dois sistemas terminava no domingo passado, mas a
agência resolveu prorrogá-lo. Somente a partir de 1o. de janeiro do próximo ano
o novo sistema começa a valer para todas as ligações.
celular
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu que os usuários de
telefonia móvel poderão fazer interurbanos e telefonemas internacionais até o
final deste ano sem escolher a empresa que fará as ligações. O prazo de 120
dias de convivência dos dois sistemas terminava no domingo passado, mas a
agência resolveu prorrogá-lo. Somente a partir de 1o. de janeiro do próximo ano
o novo sistema começa a valer para todas as ligações.
J. DO COMMERCIO - PE | JC NEGÓCIOS | 04/11/2003
Compra dividida
A disputa entre o grupo americano Wal-Mart e o brasileiro Pão de Açúcar pelo Bompreço, que inclui a rede G Barbosa, poderá caminhar para uma solução salomônica. O Wal-Mart ficaria com o Bompreço e o Pão de Açúcar, com o G Barbosa. A solução não seria a que os grupos querem, mas atenderia às exigências do Cade, uma vez que a compra do conjunto, por um dois, criaria problemas de concorrência.
J. DO COMMERCIO - RJ | EMPRESAS | 04/11/2003
Coutinho diz que fusão é solução para Varig e TAM
O
economista Luciano Coutinho, negociador do acordo operacional entre Varig e
TAM, defendeu ontem a fusão das duas empresas. ''é o melhor caminho, o mais
racional'', disse o consultor, após reunir-se com o secretário de Direito
Econômico (SDE) do Ministério da Justiça,
Daniel Goldberg. Ele afirmou, no entanto, que foi tratar de outro assunto com o
secretário, mas não quis informar o objeto da audiência.
Para Coutinho, a melhora nas finançcas das duas empresas aéreas após o acordo
operacional que assinaram não substitui a fusão. ''Isso não resolve, é uma
situação paliativa'', avaliou. Os bons resultados, segundo ele, são prova de
que a fusão é o caminho adequado.
''A melhoria é apenas a demonstração cabal de que o projeto tem consistência,
porque a implementação de uma das suas premissas, que é a integração da malha,
resultou em ganhos'', argumentou.
Carta-consulta vai demorar pelo menos MAIS 45 dias
As negociações entre a equipe responsável pelo projeto da fusão e o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda estão em
andamento. As empresas somente apresentarão carta-consulta ao banco, solicitando
financiamento para a nova empresa, quando o modelo da fusão for aprovado pelo
BNDES. Essa apresentação não deverá ser feita em menos de 45 dias, segundo um
dos participantes das negociações.
O presidente do BNDES, Carlos Lessa, já reclamou da demora na conclusão do
processo de fusão e alega que o banco de fomento não pode ter definição sobre o
assunto porque não recebeu a carta-consulta necessária para a liberação de
recursos.
O documento estaria sendo elaborado em reuniões com técnicos do BNDES, de acordo
com fontes próximas à negociação. O objetivo é que seja feito nos moldes ideais
para se conseguir o aval do banco.
Até agora, foram apresentados o contrato de compromisso das empresas com a
fusão, o modelo jurídico, o plano de negócios e a modelagem financeira, que
inclui a patrimonial.
Uma fonte próxima às negociações classificou o modelo como "muito
poderoso, muito sofisticado", porque permite que sejam feitos ajustes
finos, como flexibilização nas participações das companhias na nova empresa.
A participação da Varig não deve sair dos 5%, mas a da TAM ainda está em
discussão. "A parte da TAM depende de quanto vai haver de conversão de
dívida e quanto o BNDES participa no capital ou via debêntures", afirmou
uma fonte.
CORREIO DO POVO - RS | ECONOMIA | 04/11/2003
DDD de celular só mudará em 2004
Brasília
- Os usuários de telefone celular poderão fazer interurbanos e ligações
internacionais sem escolher a operadora até o dia 1º de janeiro de 2004. A Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou ontem a prorrogação do prazo,
que terminaria no domingo passado. Segundo a Anatel, mais de 85% dos clientes
de telefonia móvel já escolhem a operadora nas ligações.
DIÁRIO CATARINENSE | ECONOMIA | 04/11/2003
Anatel dá mais 60 dias para o novo DDD via celular
A
Anatel decidiu prorrogar por mais 60 dias o prazo para que os usuários e as
empresas de telefonia celular se adaptem ao novo sistema de discagem de ligações
interurbanas (DDD) com a escolha da operadora de longa distância.
Segundo resolução publicada ontem no Diário Oficial da União, as chamadas
realizadas sem a escolha da prestadora de DDD continuarão a ser atendidas por
uma gravação antes de serem completadas. A partir do dia 3 de dezembro, metade
das ligações sem a escolha da prestadora não será mais completada.
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CONSUMIDOR |
JORNAL DO BRASIL | OPINIÃO | 04/11/2003
Transgênicos e segurança alimentar
Solange
de Andrade e Fábio Gelape Faleiro
Pesquisadores
Nos últimos 25 anos, houve uma queda de 5% ao ano no preço da cesta básica no
Brasil, principalmente devido à crescente elevação da produtividade no campo. A
transformação genética surgiu como uma ferramenta extremamente útil ao
melhoramento, pois permite a introdução de gene de interesse diretamente em
cultivares melhoradas, gerando um organismo transgênico.
Por meio da transformação genética foram obtidas diversas cultivares com novas
características anteriormente impossíveis. Bons exemplos são o milho e o
algodão Bt, resistentes aos insetos, e o ''arroz dourado'', que produz em seu
endosperma o b-caroteno, precursor da vitamina A. O desenvolvimento desse arroz
abriu possibilidades para ajudar a diminuir os problemas de deficiência de
vitamina A e de doenças decorrentes dessa deficiência.
Existem grandes dúvidas sobre a segurança dos transgênicos para a alimentação
humana. É importante salientar que alimentos transgênicos, antes da liberação
para a alimentação humana, são submetidos a uma bateria de testes, como os de
caracterização da proteína expressada, de digestibilidade in vitro e de
avaliação de toxicidade aguda oral em camundongos, de homologia estrutural da
proteína com toxinas protéicas conhecidas e do potencial alergênico e
equivalência nutricional. Essa bateria de testes é extremamente rigorosa e
somente os organismos transgênicos estão sujeitos a ela.
Quais são os verdadeiros riscos dos transgênicos para a saúde humana?
Logicamente, não se pode generalizar uma resposta; entretanto, pode-se dizer
que o risco é menor do que o de outro tipo de alimento liberado para consumo
humano que não passou por testes tão rigorosos quanto os transgênicos. Em 2002
a OMS divulgou documento no qual afirma que alimentos transgênicos liberados no
mercado internacional passaram por diversos testes e não apresentam riscos para
a saúde humana. Nenhum efeito foi detectado na saúde da população dos países
nos quais foram liberados.
No Brasil, a situação está um pouco mais confusa, pois existem várias agências
que regulamentam a liberação de transgênicos, tanto para a pesquisa quanto para
a comercialização, não existindo um consenso. Em março de 2003 foi publicada a
MP 113/03, liberando a comercialização da soja transgênica produzida no Sul,
mas proibindo o plantio na próxima safra. Essa MP foi convertida na Lei nº
10.688, em junho de 2003. No entanto, em setembro de 2003, uma nova MP, a
MP131/03, foi publicada, permitindo o plantio, para a safra 2003/2004, das
sementes reservadas pelos agricultores para uso próprio, mas vedando a
comercialização dessas sementes. Ambas as MPs geraram apoio de vários setores
da produção agrícola e protestos dos ambientalistas. Sob essa pressão, o
governo redigiu e enviou ao Congresso uma nova lei de biossegurança.
Essas incoerências da legislação brasileira estão respingando nas pesquisas e
dificultando a realização de estudos de impacto ambiental e alimentar. Com
isso, o desenvolvimento de transgênicos nacionais, como o feijão resistente ao
vírus do mosaico dourado, o mamão resistente ao vírus da mancha anelar e a
batata resistente ao vírus Y, estão altamente comprometidos. As discussões
sobre a segurança são salutares; no entanto os debates e as ações devem ser
baseadas em dados técnicos científicos, evitadas as discussões ideológicas. As
metodologias de pesquisa para estudos de alimentos transgênicos estão cada vez
mais sofisticadas, o que tem subsidiado as tomadas de decisão sobre a liberação
comercial ou não dos transgênicos. Importante salientar que essas decisões são
feitas caso a caso e que, mesmo após a liberação, um acompanhamento do
transgênico é feito ao longo dos anos, como garantia de segurança.
Solange de Andrade e Fábio Gelape Faleiro são pesquisadores da Embrapa Cerrados
O POPULAR - GO | ECONOMIA | 04/11/2003
Teste aponta excesso de água em frango
Duas das marcas analisadas
apresentaram índice de
até 10% de água, enquanto o porcentual permitido
pelo Ministério da Agricultura é de no máximo 6%
Mariza Santana
Amostra de duas marcas de frango congelado - Nhô Bento, produzido em Veríssimo,
no Triângulo Mineiro, e Bom Gosto, de abatedouro de Nova Veneza - apresentaram
porcentual de água acima do limite de 6% permitido pelo Ministério da
Agricultura. Outras duas (Super Frango e Copacol) serão submetidas a novos
testes, enquanto Sadia e Só Frango estavam dentro das especificações de
hidratação. Esse é o primeiro balanço da Operação Frango D’Água, deflagrada
pela Superintendência de Proteção aos Direitos do Consumidor (Procon-GO) no dia
20 de outubro.
Foram divulgados ontem os resultados dos exames periciais das amostras de seis
marcas de frango congelado recolhidas por fiscais do Procon-GO em supermercados
de Goiânia e realizados por técnicos da Delegacia Regional de Goiás do
Ministério da Agricultura. Segundo o órgão, o frango congelado Nhô Bento
apresentou índice de 8,5%, e o Bom Gosto, de 10%, ficando ambos superiores ao
limite fixado em resolução e portaria do Ministério. As amostras foram
submetidas a teste de gotejamento, que verifica a quantidade de água absorvida
em carcaças de aves congeladas.
Multas
De acordo com o superintendente do Procon, Antônio Carlos de Lima, os
abatedouros serão notificados e terão dez dias para apresentarem a defesa. Eles
estão sujeitos a multas que variam de R$ 213,00 a R$ 3 milhões. As empresas
podem ainda ser processadas por crime contra as relações de consumo, que prevê
pena de dois a cinco anos de prisão.
“Queremos inibir essa fraude contra o consumidor, por isso desencadeamos a
Operação Frango D’Água”, diz Antônio Carlos. Segundo ele, antes da fiscalização
do Procon, o quilo do frango congelado custava em torno de R$ 2,55. Agora subiu
para R$ 3,55, fato que por si só confirma a suspeita de que retiraram o excesso
de água do produto. O próximo alvo do Procon-GO será o frango resfriado. O
órgão recebeu denúncias de que na linha de produção dos abatedouros é utilizado
equipamento que insere diretamente na carne das aves um tipo de proteína láctea
que hidrata o frango em até 15%.
Antônio Carlos de Lima pretende contratar os serviços do Centro de Pesquisa de
Alimentos da Faculdade de Veterinária da Universidade Federal de Goiás (UFG)
para detectar a fraude. “Além do desrespeito ao consumidor, trata-se de um
problema de saúde pública, pois existem pessoas que são alérgicas a derivados
do leite e podem estar consumindo lactose no frango”, afirma.
A GAZETA - MT | CIDADES | 04/11/2003
Alunos representam contra a universidade
Débora
Siqueira
Especial para A Gazeta
Estudantes do curso modular de pedagogia da Univag ingressaram com uma ação no
Ministério Público Estadual (MPE) contra a instituição. Ele cobram que a
universidade cumpra com a carga horária de 3.200 horas como consta no folder do
cursos emergenciais apresentados aos alunos antes de se matricularem no ano
letivo de 2001.
No próximo sábado, a partir das 8 horas, estudantes de outros cursos modulares,
como Biologia e Letras, vão se unir aos futuros pedagogos num protesto em
frente à instituição. "Além de cometer crime contra o consumidor e fraude,
a Univag ainda colocou catracas eletrônicas na portaria", diz a estudante
do 5º semestre de pedagogia, Rose Arlete Oliveira.
Tanto ela quanto os colegas estão "estarrecidos" com a decisão da
direção da Univag em acrescentar um semestre para a conclusão dos cursos
modulares. A estudante conta que a previsão da formatura era para maio de 2004.
Em janeiro deste ano sua turma foi informada do aumento da carga horária.
"Em nenhum momento a professora Renata Neves, coordenadora do curso,
informou que, para isso, pagaríamos um semestre a mais. No próximo ano tem
aumento da mensalidade", afirma Rose.
De acordo com a superintendente do Procon, Vanessa Rosin, a universidade feriu
o artigo 6º do Código de Proteção e Defesa do Consumidor, que assegura a
informação adequada e clara sobre os serviços prestados. "Se houve
assinatura de contrato, não pode mudá-lo unilateralmente sem que seja feito um
outro. O consumidor não é obrigado a pagar valores a mais", explica. O
estudante que se sentir lesado pode procurar o Procon para que seja montado um
processo.
A pró-reitora acadêmica da Univag, Elisabet Aguirre, lamenta a atitude dos
estudantes de pedagogia. "Eles só pensam na mensalidade e esquecem a
qualidade do ensino". A pró-reitora diz que o Ministério da Educação
ampliou de 300 para 400 horas a grade do curso no final de 2001. "Por isso
o aumento de um semestre".
GAZETA DO POVO – PR | BRASIL | 04/11/2003
Florianópolis
tem água e luz, mas o trânsito continua caótico na cidade
Duas pistas da ponte que
liga a ilha ao continente estão fechadas e as outras duas só recebem veículos
leves
Florianópolis,
(AE) – Depois de uma semana marcada por interrupções no fornecimento de energia
elétrica, a parte insular de Florianópolis ainda enfrenta problemas. No
primeiro dia útil após os blecautes, os 300 mil moradores atingidos já têm água
e luz nas residências, mas continuam sofrendo com o caos no trânsito entre a
ilha e o continente, provocado pelo fechamento de duas pistas da Ponte Colombo
Salles, onde ocorreu o incêndio que rompeu as duas linhas de transmissão de
energia, que passavam por um único local.
As duas pistas mantidas abertas na Colombo Salles recebem somente veículos
leves. A maior parte do trânsito que sai da ilha flui por duas pistas da Ponte
Pedro Ivo, com apenas duas pistas para o sentido contrário.
A travessia de um lado ao outro continuará complicada até que o Departamento de
Infra-estrutura do Estado (Deinfra) conclua o laudo sobre a real situação da
ponte e realize os trabalhos de reparo da parte afetada. É preciso também
aguardar até que os técnicos da Pirelli e da Centrais Elétricas de Santa Catarina
(Celesc) reconstituam os cabos rompidos, o que deve demorar duas semanas.
A diretoria da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) vai contratar uma
auditoria para realizar um laudo independente, e recebeu ontem três
representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que estão na
cidade em busca de mais informações para concluir a análise do caso e
determinar as possíveis penalidades, que parecem inevitáveis. "A
informação que temos é que a Celesc fez uma manutenção bastante arriscada na
linha, usando liquinho e solda em ambiente onde essa prática não é recomendada;
a demora no restabelecimento da energia também nos causa estranheza",
disse ontem a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff.
O primeiro apagão começou perto das 13 horas de quarta-feira e o fornecimento
foi retomado a partir das 11 horas de sexta-feira. Às 19 horas de sábado,
fortes ventos causaram uma descarga elétrica na linha instalada provisoriamente
e um novo blecaute, contornado quatro horas depois. Os moradores da ilha
ficaram mais uma vez sem energia na manhã de domingo, para que afastadores
fossem colocados entre os cabos dessa linha provisória.
Promotores e procuradores de Justiça querem viabilizar um ajustamento de
conduta para que a Celesc se responsabilize pelos danos provocados à população
durante os blecautes. Os apagões causaram prejuízos a diversos setores. Os
cálculos ainda não foram fechados. A Câmara dos Dirigentes Lojistas estima
perdas de R$ 30 milhões.
"A partir do inquérito civil público que abrimos, checaremos as
responsabilidades dos incidentes e as conseqüências que tiveram. Também
verificaremos se a solução encontrada pela empresa para a volta da luz é
segura. Antes que o procedimento se torne uma ação, nos esforçaremos para que a
Celesc assine um ajustamento de conduta, que beneficiará a população mais
rapidamente", disse o promotor Jacson Correa, coordenador-geral do Centro
de Apoio Operacional do Consumidor.
GAZETA DO POVO – PR | CONSUMIDOR | 04/11/2003
Entrega de lista
Gostaria
de denunciar a Telepar Brasil Telecom por descumprir o parágrafo segundo do
artigo 213 da lei 9.472 de 16/07/1997 (é obrigatório e gratuito o fornecimento,
pela prestadora, de listas telefônicas aos assinantes dos serviços), e ainda o
artigo nono da resolução 66, de novembro de 1998 da Anatel (a edição e
distribuição da lista terá a periodicidade de doze meses).
Nos meses de abril e junho de 2003 solicitei formalmente à Brasil Telecom a
entrega de tal lista, porém em ambas as vezes as respostas foram negativas. De
acordo com a lista do ano de 2002, a vigência desta seria até o mês de março do
ano de 2003.
Visto a negativa em cumprir o determinado por lei pela Brasil Telecom
encaminhei em 1 de setembro de 2003 à Anatel correspondência solicitando seu
cumprimento. Como era de se esperar, a Anatel delegou à Brasil Telecom a função
de estabelecer as justificativas e as comprovações pertinentes e deu como
resolvida a reclamação, mesmo sem que a lista tenha sido entregue ao usuário e
sem ter informado a abertura de qualquer procedimento de apuração de
descumprimento de obrigação.
Vágner Gonçalves Leitão
Resposta
A Brasil Telecom informa que já iniciou o processo de distribuição da lista
telefônica de Curitiba e região metropolitana. A lista solicitada por Vágner
Gonçalves Leitão foi enviada no dia 27 de outubro de 2003.
O consumidor confirma ter recebido a lista telefônica no dia 28 de outubro.
O ESTADO DO PARANÁ | ECONOMIA | 04/11/2003
Procon vai analisar ofertas
Redação/O
Estado do Paraná
Técnicos do Procon-PR começam a analisar nos próximos dias, a publicidade de
promoções e ofertas de supermercados de Curitiba, veiculada em redes televisão
e encartes distribuídos à população. O objetivo é a verificação do cumprimento
do Código de Defesa do Consumidor quanto a informação clara, ostensiva e
precisa relativa ao preço, condições de pagamento, duração da oferta,
quantidade disponível, entre outros itens.
O coordenador estadual Algaci Túlio explica que alguns anúncios podem induzir a
erro. "A informação ao consumidor deve ter o mesmo destaque da promoção,
isto é, deve ser escrita em caracteres legíveis, o que, no entanto, não
acontece. Muitas vezes, o consumidor se dirige ao supermercado e não encontra
mais o produto ainda dentro do prazo estabelecido, em razão de uma quantidade
mínima ofertada, sendo a informação a este respeito colocada em segundo plano.
Nesses casos, pelo CDC, as empresas, que deveriam ter um estoque condizente com
a promoção anunciada, estão obrigadas a colocar à disposição do consumidor
produto similar da mesma qualidade."
Outro exemplo citado pelo coordenador diz respeito a parcelamentos sem juros.
"Há várias ofertas desse tipo, mas que valem apenas para alguns itens de
uma seção do supermercado. A forma com que este material é colocado ao público,
leva o consumidor a acreditar que pode adquirir todos os produtos daquela seção
nas mesmas condições, o que, porém, não é real."
Após a análise dos anúncios e encartes, o Procon convocará os representantes
das empresas que não estiverem cumprindo o disposto no CDC para que se
enquadrem na legislação, sob pena de multas que podem chegar a cerca de 3
milhões de reais.
Ainda em relação a promoções, o Procon-PR, por meio do seu Coordenador, e a
Apras - Associação Paranaense de Supermercados - representada pelo seu
presidente, Joanir Zonta, reformularam o termo de compromisso firmado no ano
passado, visando solucionar a questão da limitação de ofertas. Assim, os
supermercados afiliados a entidade comprometem-se, quando da oferta de produtos
por preço especial, a não limitá-los em quantidade inferior a doze unidades por
cliente, sendo que a unidade passou a ser definida, conforme a alteração
realizada, como a embalagem individual de apresentação do produto, quilo e
litro.
O ESTADO DO PARANÁ | ECONOMIA | 04/11/2003
Porto já transfere a soja transgênica
Olavo
Pesch
A soja transgênica estocada em armazéns privados do Porto de Paranaguá começou
a ser transferida ontem para o silo público (silão), conforme acordo firmado na
sexta-feira entre a direção do porto e os operadores. A transferência iniciou
com a retirada das 5 mil toneladas de soja armazenadas na retaguarda, ou seja,
fora da área primária do porto. O maior volume de soja geneticamente modificada
foi encontrado nos terminais da ADM e da Cargill (cerca de 20 mil toneladas em
cada um) e no silo público.
Por causa da entressafra e da suspensão das exportações de transgênicos por
Paranaguá, o número de caminhões para descarregar está reduzido. Na
sexta-feira, havia cerca de 300 veículos aguardando no pátio de triagem. Ontem
à tarde, apenas 30. O trabalho de transferência da soja e de limpeza dos
armazéns a serem desocupados deve estar concluído até o dia 15. O silão será
lacrado pela Claspar e aberto somente no dia 24. Os operadores terão dois dias
para embarcar o produto em dois ou três navios. Caso não consigam compradores
até o dia 25, a carga será retirada por via rodoviária.
Na medida em que cada armazém estiver vazio e descontaminado, caminhões com
soja convencional começarão a desembarcar seus produtos no porto para a
retomada das exportações. Testes realizados pela Claspar em três terminais
portuários apontaram que das cerca de 65 mil toneladas de soja amostradas, 98%
apresentaram resultado positivo de transgenia. Neste ano, o porto embarcou 5,6
milhões de toneladas de soja, contra 5 milhões em todo o ano de 2002.
A reunião entre o vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti,
o superintendente da Appa, Eduardo Requião, e o presidente do Paraguai, Nicanor
Duarte, que sairia hoje, deve ficar para amanhã. O objetivo é discutir as
questões paraguaias envolvendo o Porto de Paranaguá, entre elas a soja transgênica.
Área livre
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) solicitou mais
informações ao governo do Paraná para emitir a declaração de área livre de
transgênicos. O Paraná foi o primeiro Estado a pedir o reconhecimento, previsto
na instrução normativa n.º 14/03 do Mapa, de outubro. O diretor do Departamento
de Fiscalização Agropecuária da Secretaria Estadual de Agricultura e
Abastecimento, Felisberto Baptista, informou que os dados adicionais serão
encaminhados nesta semana. "Não dá para estimar um prazo, mas em poucos
dias sai o reconhecimento", declarou.
Baptista retornou ontem de Brasília, onde junto com a procuradora do Estado Ana
Cláudia Gras esteve na Secretaria da Defesa Agropecuária. "Vamos
demonstrar ao Ministério que aqueles grãos apreendidos no início do ano e no
ano passado estão seqüestrados, isolados, portanto não tem risco e podemos
assegurar que o Estado é livre", explicou. "O que tem de transgênico
já foi apreendido e não está em circulação, não foi plantado nem comercializado."
Neste ano, a Seab apreendeu a produção de soja transgênica em 51 hectares de
áreas pertencentes a três proprietários. Todos os grãos geneticamente
modificados estão em armazéns, ficando os proprietários como fiéis
depositários. Entre os dados que serão enviados ao Mapa, estão as 20 mil
amostras negativas de transgenia realizadas nos últimos 12 meses, sendo 8 mil
só no plantio da última safra. Isso, segundo Baptista, representa que pelo
menos 95% da safra colhida não é transgênica. "Aquilo que porventura for
encontrado, será retirado do Estado, como está sendo feito no Porto de
Paranaguá".
MEIO NORTE - PI | GERAL | 04/11/2003
Novidade
O medicamento Fortéo (teriparatida injetável derivada de ADN recombinante) começa a ser comercializado este mês no Brasil e na Europa. Aprovado pelo FDA, órgão regulador norte-americano de medicamentos e alimentos, em novembro de 2002, é o primeiro medicamento capaz de estimular a formação óssea aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em março último, para o tratamento de osteoporose em mulheres na pós-menopausa e em homens.
J. DO COMMERCIO - RJ | PAÍS | 04/11/2003
Aliados já falam em mudanças no projeto de lei
A batalha que definirá as regras
para plantio e a venda de organismos geneticamente modificados, os
transgênicos, no Brasil começa hoje na Câmara dos Deputados, com a criação da
comissão especial encarregada de examinar o projeto de Lei de Biossegurança. De
iniciativa do governo, a proposta está em regime de urgência e terá de ser
votada em 45 dias, ou seja, até 14 de dezembro.
O líder do PC do B, deputado Aldo Rebelo (SP), tido como neutro na disputa
entre ambientalistas e ruralistas, deve ser o relator da comissão. A escolha
agrada aos líderes na Câmara, mas não ao presidente do PT, José Genoino, que
preferia ter alguém de seu partido no posto.
Como o tema divide os petistas, sendo difícil achar entre eles alguém neutro, a
relatoria deve ficar mesmo com Rebelo, um aliado de total confiança do
Planalto. O PMDB deve ficar com a presidência dos trabalhos.
Embora seja um assunto polêmico, o Planalto conta com o apoio de pelo menos 20
dos 31 integrantes da comissão, com partidos representados da seguinte forma:
PT (6), PFL (5), PMDB (4), PSDB (4), PP (3), PTB (2), PL (2), PSB (2) e PPS,
PDT e PC do B cada um com um único deputado.
Genoino defende a aprovação do projeto original. Mas mesmo os parlamentares
mais simpáticos ao texto, como o ex-ministro do Meio Ambiente, deputado Sarney
Filho (PV-MA), acham que há falhas. Sarney Filho cita a falta de medidas mais
rígidas para obrigar a avaliação do impacto ambiental nos locais em que houver plantio
de transgênicos.
Fiscalização
O deputado Fernando Gabeira (sem partido-RJ) questionou a falta de
financiamento para bancar as inovações e da própria estrutura de fiscalização e
de avaliação dos produtos.
Já a bancada ruralista, quer reformular totalmente a proposta. De acordo com o
deputado Leonardo Vilela (PP-GO), essas mudanças deverão ocorrer já na comissão
especial.
- As mudanças vão agradar boa parte do governo. Eles sabem que é preciso fazer
uma faxina nesse projeto, um verdadeiro Frankeinstein.
O bloco ruralista, formado por cerca de 180 deputados, deve concentrar seus
esforços para mudar a composição e as atribuições da Comissão Técnica Nacional
de Biossegurança (CTNBio). No projeto de lei, a representação da sociedade
civil foi ampliada significativamente. Passou de três para oito integrantes. Já
a comunidade científica terá dez integrantes na comissão.
CORREIO DO POVO - RS | RURAL | 04/11/2003
Começa
fiscalização de carga de soja
Secretário Klein reafirma
que será impedida saída ou entrada de sementes geneticamente modificadas
Iniciou-se
ontem a fiscalização de cargas de soja determinada semana passada pelo governo
estadual. A intenção é impedir o trânsito de sementes transgênicas, proibido pela
MP 131, que autorizou plantio e venda da atual safra em todo o país. Onze
técnicos do Departamento de Produção Vegetal(DPV) estão nos Postos de
Fiscalização do ICMs de Vacaria, Barracão, Marcelino Ramos, Nonoai e Iraí,
rotas para outros Estados.
No primeiro dia, a inspeção limitou-se a documentação fiscal e de procedência,
pois o material comprado para o teste de detecção de transgênia nas sementes
não chegou a tempo. Segundo o diretor técnico da Emater, Ricardo Schwarz, os
equipamentos serão entregues nas barreiras nos próximos três dias. Conforme o
secretário de Agricultura, Odacir Klein, quando o produto for semente serão
retiradas amostras no local. Klein reafirmou que será impedida saída ou entrada
das que contenham organismos geneticamente modificados.
A rede para entrega do Termo de Responsabilidade, Compromisso e Ajustamento, a
ser assinado pelos sojicultores, foi ampliada. Desde ontem, as 483 unidades da
Emater no RS estão recebendo o documento, somando-se aos demais órgãos,
instituições e sindicatos ligados ao setor. 'Todas as unidades estão orientadas
a receber o termo. é mais uma oportunidade para o produtor legalizar sua
produção', assinala Schwarz.
Conforme o delegado federal do Mapa/RS, Francisco Signor, após o prazo final
para entrega, de 9 de dezembro, a fiscalização será 'implacável'. Signor
planeja o deslocamente de técnicos do Mapa de outros estados para vistorias
propriedades no Rio Grande do Sul. Ele garante que haverá atuação conjunta com Polícia Federal e Ministério Público.
|
EXECUÇÃO PENAL |
A GAZETA - MT | CIDADES | 04/11/2003
Presídio terá unidade de saúde
Janã
Pinheiro
Da Redação
No prazo máximo de dez dias começa a funcionar a Unidade de Saúde Mental no
Presídio Pascoal Ramos, em Cuiabá. Com 18 leitos o local vai atender presos e
pacientes que estão sob custódia judicial e que têm distúrbios mentais.
A unidade, construída em anexo ao presídio, vai atender detentos de todo o
sistema prisional do Estado, tanto feminino quanto masculino. Ficarão no local,
porém, apenas os detentos que oferecerem risco e não puderem ser tratados em
outra unidade de saúde.
A abertura da unidade é resultado de uma parceria firmada ontem entre as
Secretarias Estadual de Saúde e Justiça e Segurança Pública.
Com a inauguração desta unidade, os presos com problemas mentais que hoje ficam
internados no Hospital Adauto Botelho serão transferidos para o centro médico
do Pascoal Ramos.
"O ideal é que pudéssemos atender nessa unidade todos os detentos que têm
problemas mentais. Como a capacidade é limitada, vão ficar no Pascoal Ramos
apenas os presos que oferecem risco, os demais continuarão fazendo tratamento
no Adauto Botelho", explica o secretário estadual de Saúde, Marcos Henrique
Machado.
O Adauto Botelho tem capacidade para 70 leitos. Ontem, 13 presos estavam
internados na unidade.
A Secretaria Estadual de Saúde também entregou duas Unidades de Terapia
Intensiva (UTI"s) móveis para o Corpo de Bombeiros. Os veículos vão
atender Cuiabá e Várzea Grande.
HOJE EM DIA - MG | ARTIGOS | 04/11/2003
País do faroeste
São três metrópoles, as
principais do Brasil. Juntas, somam mais de 26 milhões de habitantes. Homens da
lei há em todas, mas a organização dos bandidos parece mais eficiente em
algumas. Não se trata aqui de nenhuma região do velho Oeste norte-americano ou
alguma superprodução cinematográfica de Hollywood, mas a triste realidade de um
final de semana, infelizmente habitual no país, com a violência predominando
sobre a paz e o descanso familiar do cidadão nos domingos de folga.
Em São Paulo, os atos violentos e de coação se espalharam quase simultaneamente
pelos principais bairros da capital, tendo como alvo dez bases da Polícia
Militar e uma da Guarda Civil Metropolitana, resultando, após os duelos entre
mocinhos e bandidos, na morte de dois PMs e outros cinco policiais e guardas
civis feridos. Foi mais uma operação planejada e executada com precisão, a
exemplo de outra, coordenada há dois anos pela organização criminosa PCC, na
qual promoveram rebeliões simultâneas em 19 penitenciárias do interior e
capital paulista.
No Rio, a Secretaria de Segurança Pública espalhou 800 homens fardados e à
paisana pelas favelas e pontos de drogas, da capital e interior, para manobras
de ocupação e enfrentamento, ao mesmo tempo em que procedia a um rodízio
constante de prestação de serviços em quartéis, para evitar que a força militar
se contamine com as facções criminosas, formando a chamada 'banda podre' da
segurança pública.
Na Grande-BH, embora o número de assassinatos tenha caído de 47, há uma semana,
para 15, em plena luz do dia os marginais assaltaram um banco, em episódio que
culminou, em Contagem, com um deles morto no hospital, após sofrer cirurgia, e
seus três comparsas presos com armas, celulares e o dinheiro roubado. Louve-se
a aplicação da Secretaria de Defesa Social nas providências para diminuição dos
assassinatos em massa, envolvendo traficantes de drogas, viciados, brigas de
bar e de vizinhança, como no final de semana anterior. Mas a ousadia do
banditismo não pára de crescer, a ponto de aterrorizar pontos da Região
Metropolitana em pleno horário de trabalho, como se se tratasse de alguma rua
do velho Oeste.
DIÁRIO DO PARÁ | REPÓRTER DIÁRIO | 04/11/2003
Educação de presos
Seduc e Susipe assinaram convênio, para implantação do ensino de alfabetização e supletivo fundamental e médio em oito casas penais. Um convênio assinado em 1999 beneficiava somente presos do antigo Presídio São José, Casa do Albergado, Penitenciária de Americano e Colônia Agrícola Heleno Fragoso. Agora foram incluídos também os centros de recuperação feminino e masculino, Centro de Recuperação Regional de Castanhal, Americano I e II, Centro de Recuperação Especial Coronel Anastácio Neves e Presídio Estadual Metropolitano.
MEIO NORTE - PI | CIDADES | 04/11/2003
Cadeia de Floriano ganhará uma indústria de calçados
A Penitenciária Gonçalo de Castro Lima, a Vereda Grande, em Floriano, irá ganhar uma indústria de calçados. Convênio neste sentido será assinado hoje, às 15h, entre o secretário da Justiça e de Direitos Humanos, Henrique Rebelo, e o empresário José Ivan Alves da Silva. Para fabricação dos calçados será utilizada a da mão-de-obra dos detentos. Eles irão executar trabalhos como corte, costura, colagem e bordagem de calçados. Para isso, serão treinados e qualificados. Os detentos escolhidos serão selecionados entre os internos treinados. Pelo trabalho, cada interno receberá uma remuneração. Eles irão receber por hora trabalhada ou por produção. Os detentos selecionados participaram do programa de remissão de penas, que prevê um dia a menos na pena a cada três trabalhados. Os calçados produzidos pela indústria deverão abastecer o comércio local, além de regiões próximas. A diretoria do presídio irá fiscalizar o trabalho dos detentos. Pelo convênio, cada detento irá trabalhar durante um turno de quatro horas por dia. Eles deverão possuir aptidão física e mental para a função. As recomendações acerca das medidas de segurança serão respeitadas. “Nosso objetivo é melhorar a formação profissional do detento, afim de que, ao deixar a prisão, ele possa obter uma forma de renda a altura das necessidades do mercado”, enfatiza o secretário Henrique Rebêlo. Após a assinatura do convênio, o secretário Henrique Rebelo irá dar posse ao novo diretor da Penitenciária Vereda Grande, o advogado Gilberto Carvalho Guerra.
J. DO COMMERCIO - RJ | RIO DE JANEIRO | 04/11/2003
Rosinha afasta Pinaud da Corregedoria das Polícias
A governadora Rosinha Garotinho
(PMDB) afastou ontem o secretário estadual de Direitos Humanos, João Luiz
Pinaud, do comando da Corregedoria Geral das Polícias Unificadas e do Corpo de
Bombeiros. O nome do novo corregedor ainda não foi anunciado.
O estopim para o afastamento de Pinaud da corregedoria teria sido a instauração
de uma sindicância, no último dia 13, para apurar o desaparecimento do preso
André Luiz da Silva, no presídio Vicente Piragibe, em Bangu, em setembro.
Pinaud investigava outros casos de repercussão, como o assassinato do
comerciante sino-brasileiro Chan Kim Chang, espancado no presídio Ary Franco,
supostamente por agentes penitenciários, e a morte de quatro jovens no morro do
Borel, no dia 16 de abril, supostamente por PMs.
O decreto da governadora, publicado ontem no Diário Oficial, determinou a
transferência da corregedoria da Secretaria de Direitos Humanos para a
Governadoria do Estado. Pinaud acumulava os cargos de secretário e corregedor
desde 10 de junho, quando a secretaria foi criada.
Para membros do governo, a decisão da governadora representa uma derrota
política de Pinaud, desgastado por crises recentes com o secretário de
Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos. Segundo o
subsecretário de Administração Penitenciária, Aldney Peixoto, quando Pinaud
instaurou a comissão que apuraria o desaparecimento do preso, Santos reclamou
com a governadora, a quem enviou ofício. Ele teria considerado o decreto
"uma ingerência da Secretaria de Direitos Humanos na de Administração
Penitenciária".
A secretária de Pinaud disse que ele não poderia falar em obediência a
recomendações médicas, pois há duas semanas foi hospitalizado devido ao
estresse causado pelos atritos com Santos. Essa não foi a primeira vez que os
dois se enfrentaram. Pinaud foi a primeira autoridade a reconhecer que Chan
teria sido torturado no presídio. Até então, os agentes penitenciários
sustentavam a hipótese de que o sino-brasileiro teria se autoflagelado.
TRIBUNA DO NORTE - RN | NATAL | 04/11/2003
Polícia não
têm onde colocar mais presos
COLETIVA - Gladson
anunciou que todas a 22 delegacias com presos estarão interditadas por
condições insalubres
Augusto
César Bezerra
Augusto César Bezerra - Repórter
O delegado geral da Polícia Civil, Gladson Araújo, convocou uma entrevista
coletiva na manhã de ontem para anunciar que a instituição não tem celas nas
delegacias para colocar mais presos. A falta de vagas não decorre das
interdições das carceragens pela Coordenadoria de Vigilância Sanitária e
Ministério Público Estadual, mas do grande número de prisões em flagrante ocorridas
este ano, cerca de cem por mês, enquanto não surgem vagas nos presídios no
mesmo ritmo. "A gente vinha segurando a barra, mas chegou a um ponto que
não tem solução. Os flagrantes estão chegando e eu não tenho como receber mais
presos por questão de espaço. É fisicamente impossível abrir novas vagas",
advertiu Gladson Araújo.
O delegado disse que todas as 22 delegacias com presos da Grande Natal estão
interditadas por causa das condições insalubres das celas. Nessas delegacias
estão custodiados cerca de 575 presos. "Com esse quadro não tenho onde
colocar os presos", afirmou.
Gladson Araújo convidou a Covisa e o MPE para uma reunião hoje pela manhã para
discutir soluções para o caso. Ele vai tentar convencer as instituições que
algumas delegacias podem receber presos. "A Covisa às vezes maximiza a
situação porque muitas delegacias já foram reparadas, tem como continuar com
presos, mas continuam interditadas", disse.
Ele vai propor que o secretário de Interior e Justiça, Leonardo Arruda, receba
emergencialmente os presos das delegacias no Presídio da Zona Norte e no
Presídio de Parnamirim, ainda ocioso, mesmo tendo sido erguido no ano passado.
"Minha proposta é dividir o caos com os presídios. A solução técnica, no
meu entendimento, seria reforçar o presídio provisório e colocar os presos por
lá. Infelizmente não é uma boa solução, porque tira a polícia da rua, mas é a
única possível", falou. Para assumir o presídio provisório, segundo o
delegado, seria necessário retirar parte do efetivo que trabalha no atendimento
à população.
A transferência, no entanto, seria apenas uma media paliativa. Isso porque a
polícia prende cerca de 150 pessoas todos os meses, numa média de três autos de
prisão em flagrante por dia, enquanto a liberação dos presos do sistema
penitenciário acontece de forma lenta. "Seria o tempo necessário para o
governo construir outros presídios e reformar as delegacias", disse o
delegado.
Gladson Araújo teme que os delegados façam corpo mole para realizar novas
prisões em flagrante alegando a impossibilidade de outro tipo de conduta, uma
vez que não há vaga para colocar o novo preso. "É uma possibilidade
triste, apocalíptica, mas pode vir a acontecer sim", avaliou.
A cúpula da Polícia Civil, presente na entrevista coletiva, confirmou que vem
solicitando, há três meses, a transferência de presos para os presídios,
obtendo sempre respostas negativas. "Se um presídio com dois mil metros
quadrados abriga duzentos presos e está superlotado, imagine uma delegacia com
setenta e cinco metros quadrados com setenta e cinco presos. O sistema
penitenciário tem que fazer um esforço para abrigar mais presos", disse o
delegado.
A diretora de Polícia da Grande Natal, Suerda Cruz, explicou que a Polícia
Civil realizou 1.023 procedimentos em flagrante de janeiro até sexta-feira
passada. "Vai chegar o momento que a população vai ser prejudicada, porque
não temos mais onde colocar os presos", disse.
A Polícia Civil, onde à tarde, enviou ofícios ao secretário Leonardo Arruda,
Tribunal de Justiça, Ouvidoria da Polícia, Controladoria do Estado, Ordem dos
Advogados do Brasil, e Procuradoria de Justiça, alertando sobre o caso.
Leonardo Arruda vai receber o documento com pedido de transferência imediata de
300 presos para o Presídio Provisório da Zona Norte. "A Lei de Execuções
Penais é obedecida com um certo rigor no Sistema Penitenciário, enquanto nas
delegacias fica impossível de se cumprir", disse Gladson Araújo.
Secretário desconhece proposta de delegado
O secretário de Interior e Justiça, Leonardo Arruda, ficou sabendo da proposta
do delegado Gladson Araújo pela imprensa. Ele estava na manhã de ontem em João
Pessoa, acompanhando a reunião entre a governadora Wilma de Faria com o
governador Cássio Cunha Lima. "Não houve contato comigo e também não tenho
uma vara de condão para resolver em sete dias um problema que se arrasta há
vários anos. O prazo para a conclusão do Presídio de Parnamirim ainda está
sendo perseguido para minimizar o problema", disse. O prazo a que se
refere o secretário é de 45 dias.
Leonardo Arruda assumiu a pasta do sistema penitenciário há apenas uma semana.
Os presídios, nos dez últimos meses, vinham sendo administrados pela Secretaria
de Defesa Social com assessoria direta da Secretaria de Interior e Justiça.
Leonardo Arruda, ao assumir o comando, se comprometeu a fazer as reformas
necessárias no Presídio de Parnamirim para que ele entre em funcionamento.
O secretário quer construir uma cerca de arrame farpado e serpentina de aço
envolta do presídio, inaugurado no ano passado sem qualquer muro de proteção.
"A cerca é menos onerosa e mais rápida de ser erguida", disse.
Ele acha inviável aceitar a proposta de colocar mais presos nos presídios, já
com a capacidade limite atingida, também por causa da dificuldade de aprovação
das transferências pelos juizes das execuções penais. "O problema é que em
todo estado só existem duas cadeias para presos provisórios, aqueles que ainda
não foram condenados pela justiça", disse. Leonardo Arruda acha impossível
transferir 300 detentos para o presídio provisório, que abriga atualmente cerca
de 200 apenados.
Promotora critica falta de ação do governo
A promotora dos Direitos Humanos, Moema de Andrade Pinheiro, acredita que o
governo não está tratando do problema com a seriedade devida. Ela, pessoalmente,
acompanhou as interdições da Coordenadoria de Vigilância Sanitária em todas as
delegacias com presos da capital e determinou a transferência dos apenados para
os presídios. "A polícia não transferiu os presos e ainda recebeu
mais", disse. A promotora está movendo uma ação penal por causa do
descumprimento das interdições com pedido de pagamento de multa de dez mil
reais por preso diariamente até a remoção deles das delegacias.
Moema Andrade constatou algumas aberrações no trato com os presos durante as
fiscalizações ocorridas este ano. Ela citou que a delegacia de plantão da
avenida Ayrton Senna, por exemplo, só abre às 14 horas, mas tem vários presos
na carceragem. "Eles ficam abandonados e sem comer até a chegada dos
policiais", disse.
Na Delegacia do Alecrim, segundo a promotora, foram encontrados presos já
condenados, que deveriam por lei estar em um presídio. "Na delegacia de
plantão eu vi um preso algemado na grade, como um bicho, porque ele não poderia
ser colocado na cela", disse.
A promotora sugere que os presos da capital sejam transferidos imediatamente ao
Presídio de Parnamirim. "Quase mil policiais militares estão a disposição
de outros órgãos como Assembléia Legislativa, Tribunal de Justiça e no próprio
Ministério Público. Bastava cem para colocar o presídio para funcionar. Quanto
ao muro, alegação usada contra transferência, poderia ser feito em dois ou três
dias. Não consigo vislumbrar, sinceramente, qual a dificuldade para realizar a
obra", criticou.
Moema Andrade disse que as reformas nas delegacias, ao contrário do anunciando
pelo governo, não trouxeram melhoria nas condições de vida dos presos. "A
reforma está sendo só de maquiagem e a Delegacia das Quintas, por exemplo,
continua sem condições adequadas de salubridade. Pintar delegacia não resolve o
problema", falou.
Novos presos são transferidos
A falta de vaga nas delegacias da capital e no presídio provisório está
obrigando a polícia a transferir os novos presos detidos na capital para
cidades da Grande Natal. Ontem cinco pessoas presas em flagrante na Zona Sul
acusadas de seqüestro foram levadas para as delegacias de Macaíba e Parnamirim.
No sábado o estudante universitário P.R.F.S., 27 anos, tentava comprar crack na
localidade conhecida como Beco da Vaca, em Lagoa Nova, quando foi detido pelos
próprios traficantes. O jovem foi mantido refém dos bandidos e agredido
violentamente por várias pessoas. Os traficantes roubaram o carro dele e o
mandaram ligar para a família pedindo resgate de R$ 800,00.
O jovem foi amarrado com cordas numa cadeira de balanço até às 23 horas do
domingo. Os seqüestradores, com medo da polícia, libertaram o refém na avenida
Bernardo Vieira, próximo ao antigo Cantinho da Gia. A polícia, acionada, montou
uma grande operação de buscas envolvendo as equipes de operações especiais das
polícias Civil e Militar.
Os policias localizaram o cativeiro e prenderam em flagrante Elaine Cristina
Martins da Silva, 20 anos, Kerginaldo Francisco de Oliveira, 23 anos, Erivaldo
Gomes de Oliveira, 29 anos, Fagner Alexsandro Filgueira, 24 anos, e Nilvan
Barbosa Vidal, 41 anos.
Todos os acusados negaram participação no caso, mas acabaram autuados em
flagrante delito pelo delegado de plantão, Fernando Antônio Alves, por
seqüestro, formação de quadrilha e roubo de veículo. A polícia encontrou em
poder deles o celular e a carteira da vítima, além de uma corda e uma madeira
que teriam sido usados para machucar o jovem. A vítima disse à polícia que é
dependente químico de droga há um ano e meio e que está procurando tratamento
especializado. Ele faz direito numa universidade em Recife, mas os pais moram
em Natal.
Os cinco acusados foram transferidos para Macaíba e Parnamirim por falta de
vagas nas delegacias de Natal. Na delegacia de plantão, onde aconteceu o
registro do flagrante, os acusados tiveram de permanecer no corredor, por causa
da interdição das celas.
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EXPLORAÇÃO SEXUAL |
JORNAL DO BRASIL | RESUMO | 04/11/2003
Vereadores acusados renunciam a mandato
CAMPO
GRANDE
Os vereadores de Campo Grande César Disney (PT) e Robson Martins (PSDB),
acusados de exploração sexual de adolescentes e crianças, estupro e atentado
violento ao pudor, renunciaram ontem para evitar a cassação dos mandatos e a
perda dos direitos políticos. A cassação dos vereadores seria votada ontem à
tarde, quando houve as renúncias.
A GAZETA - AC | POLÍCIA | 04/11/2003
Justiça condena subdelegado por manter índios como escravo
A
Justiça do Trabalho condenou o subdelegado da Polícia Civil no município de
Marechal Thaumaturgo, Getúlio Ferreira do Vale, a pagar salários e outras
obrigações trabalhistas a dois índios que trabalharam em sua propriedade em
condições análogas à de escravo. Com o vínculo de emprego reconhecido em
sentença da Vara do Trabalho de Cruzeiro do Sul, os indígenas receberão
salários, FGTS, férias integrais em dobro e indenizações, entre outras verbas
trabalhistas. O subdelegado terá que assinar as carteiras de Trabalho dos
indígenas e pagar multa em favor do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) por
dia de atraso no cumprimento da sentença.
Consta no processo que no ano de 1995 os dois índios conhecidos como Ruela e
Colombiano - que pertenciam à aldeia Apitxa, na Área Indígena do Rio da Amônia
(divisa com o Peru) - foram à fazenda Jardim da Palma, de propriedade do
subdelegado da Polícia Civil. Eles reclamaram do furto de galinhas e de alguns
objetos e Getúlio do Vale teria dito aos índios: “Se vocês ficarem aqui,
ninguém vai lhes incomodar”. Os índios aceitaram o convite, ocuparam uma área
da propriedade com suas famílias e lá permaneceram por três anos. Eles
trabalharam na queimada, desmatamento e roçado, plantando milho, capim e
mandioca das 7h às 17h, com exceção dos domingos.
Quando Ruela e Colombiano cobravam dinheiro pelo trabalho prestado, o
proprietário alegava que eles é que deviam pelo fornecimento de carne de porco,
farinha, cachaça e às vezes um quilo de sal e um litro de gasolina que lhes era
fornecido na fazenda. No processo, constam depoimentos de testemunhas que
afirmaram que, enquanto os índios saíam para trabalhar, o fazendeiro abusava
sexualmente das mulheres dos indígenas, sob a ameaça de punição.
Durante fiscalização realizada pelo Ministério do Trabalho e a Polícia Federal, os ín-dios foram flagrados
preparando uma plantação de capim, “roçando o local com facões”, no regime de
trabalho escravo. Depois de confirmada a denúncia, o Ministério Público do
Trabalho de Rondônia e Acre (14ª Região) ajuizou ação civil pública em nome dos
índios.
J. DO COMMERCIO - PE | BRASIL | 04/11/2003
Vereadores renunciam após acusações
CAMPO
GRANDE – Os vereadores de Campo Grande César Disney (PT), 43 anos, e Robson
Martins (PSDB), 40, acusados de exploração sexual de adolescentes e crianças,
estupro e atentado violento ao pudor, renunciaram ontem para evitar a cassação
dos mandatos e a perda dos direitos políticos. As acusações também envolvem o ex-campeão
mundial de atletismo José Luiz Barbosa, o Zequinha Barbosa, 42. O juiz da 2ª
Vara Criminal da Campo Grande, Luiz Carlos de Souza Ataíde, acatou ontem a
denúncia contra Zequinha.
Ataíde negou o pedido de prisão preventiva feito há pelo menos 20 dias pela
Polícia Civil contra o ex-atleta e seu assessor Luiz Otávio Flores da
Anunciação, 40. O Ministério Público Estadual os denunciou por exploração
sexual na semana passada, mas não pediu a prisão preventiva.
A Câmara Municipal de Campo Grande criou, em agosto, uma comissão para
investigar se houve quebra de decoro dos vereadores envolvidos. Na semana
passada, decidiu pela cassação de Disney e Martins. O relatório iria a votação
ontem à tarde, mas os vereadores renunciaram antes.
Os advogados dos políticos informaram que os dois alegam inocência. Segundo
Renê Siufi, que defende Disney, ele renunciou por acreditar que sua cassação já
tinha sido definida.
Zequinha também afirma ser inocente. Segundo o advogado Renato da Rocha
Ferreira, o ex-campeão nega ter mantido relação sexual com três adolescentes de
13, 14 e 15 anos, como denuncia o MPE. Anunciação, assessor de Zequinha,
confessa o crime, mas alega que não sabia que as meninas eram menores de idade.
PROTEÇÃO – Durante a visita, ontem, do relator especial da Comissão de Direitos
Humanos da ONU para o Tráfico de Crianças, Prostituição e Pornografia Infantis,
Juan Miguel Petit, que visitará quatro Estados e o Distrito Federal até o dia
14, o secretário especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, disse que o
Governo Federal vai ficar mais atento e cobrar mais empenho na proteção de
testemunhas. Ele se referiu a casos como o assassinato de duas pessoas que
prestaram depoimentos à relatora da ONU sobre Execuções Extrajudiciais,
Sumárias e Arbitrárias, Asma Jahangir, em sua visita ao País no mês passado.
J. DO COMMERCIO - RJ | PAÍS | 04/11/2003
Petit
acompanha casos de prostituição infantil
Relator visitará Corrêa
hoje
O
presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Maurício Corrêa, recebe hoje à
tarde o relator especial da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas
sobre Venda de Crianças, Prostituição e Pornografia Infantil, Juan Miguel
Petit. Tanto o presidente do STF como o presidente em exercício do Superior
Tribunal de Justiça, ministro Edson Vidigal, confirmaram ao Itamaraty a
disposição de receber o relator da ONU. Em visita de observação, Petit agenda
encontros com diversas autoridades de todos os Poderes, nos níveis federal e
estadual, até o dia 14.
A recente missão ao Brasil da relatora da Comissão de Direitos Humanos da ONU
sobre Execuções Sumárias, Asma Jahangir, acirrou a crise entre o Judiciário e o
Executivo, por ter o ministro da Justiça, Márcio
Thomaz Bastos, considerado boa idéia uma espécie de inspeçãoo da
organização internacional no Poder Judiciário. O presidente do STF chegou a
dizer, na ocasião, que não receberia nenhum enviado da ONU para ôinspecionaro o
Poder.
Corrêa, contudo, explicou que estará sempre disposto a receber representantes
de organizações internacionais e não-governamentais que procurem informações
sobre o funcionamento e a competência do Judiciário sobre qualquer assunto,
sobretudo na área dos direitos humanos.
É o caso de Petit, cuja agenda começa hoje por Brasília e prossegue na Bahia,
Pará, São Paulo e Rio de Janeiro. Petit visitou ontem o secretário Nacional de Direitos Humanos,
Nilmário Miranda, e o Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, na
capital federal.
Nilmário entregou ao relator pesquisa de rotas de tráfico de mulheres e
crianças, divulgada no ano passado. Afirmou existirem pelo menos 100 mil
meninos e meninas envolvidos em esquemas de exploração sexual no país, dados
com os quais trabalham agências internacionais de cooperação.
Em entrevista, Petit assegurou que não é detetive, inspetor ou policial.
- Montamos informes, a partir do levantamento de informações - explicou.
Nilmário afirmou que o Governo federal adotou uma postura preventiva para que,
durante a visita ao Brasil do relator da ONU não se repitam assassinatos de
pessoas que prestaram depoimento à Justiça.
ZERO HORA - RS | POLÍTICA | 04/11/2003
Mira na exploração infantil
O
Brasil adotará uma postura preventiva em relação à proteção de pessoas que
prestarem depoimentos durante os 13 dias em que o relator da Organização das
Nações Unidas (ONU) sobre Exploração Infantil, Juan Miguel Petit, estiver no
país. O uruguaio Petit (foto) chegou ontem ao Brasil.
Segundo o secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, a morte de
duas testemunhas ouvidas pela relatora da ONU para Execuções Sumárias, Asma
Jahangir, no mês passado, preocuparam o governo. O Planalto ficará mais atento
à proteção a vítimas e testemunhas de crimes que prestarem depoimentos. Equipes
do Itamaraty e da Secretaria de Direitos Humanos farão acompanhamento dos
trabalhos no Distrito Federal, Pará, Bahia, Rio e São Paulo.
Petit, que se reuniu com o secretário ontem, recebeu uma pesquisa mostrando que
há no país 214 rotas nacionais e internacionais de tráfico de crianças,
adolescentes e mulheres para exploração sexual. O relator disse que irá dar
prioridade à investigação da prostituição infanto-juvenil e a construção de
redes sociais de prevenção para jovens que se encontrem em situação de risco.
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INSTITUCIONAL |
GAZETA DE ALAGOAS | POLÍTICA | 04/11/2003
Alagoas espera liberação de R$ 5 milhões para Segurança
Alagoas
deve receber, ainda este ano, do Ministério da
Justiça, recursos da ordem R$ 5 milhões. Os recursos são das
metas traçadas pelo Plano do Plano Estadual de Segurança e que foi enviado para
a Secretaria Nacional de Segurança Pública.
O Plano está sob análise do Ministério da
Justiça desde agosto, mas o Estado deverá recebê-lo por dois
motivos: primeiro porque traçou um plano de segurança obedecendo a orientações
do ministério; segundo, porque Alagoas ficou 40 dias com o narcotraficante Luiz
Fernando da Costa - “Fernandinho Beira Mar” -, entre os meses de maio e junho,
quando ninguém no País queria guardá-lo.
Ontem, o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, confirmou que os
recursos do Plano de Segurança para o exercício de 2003 podem chegar a qualquer
momento. “Conforme consta no nosso plano, os recursos serão aplicados em
capacitação e qualificação dos policiais e nos equipamentos como
radiocomunicação, coletes”.
Presídios
Para acabar com carceragens ilegais nas delegacias, o Estado precisaria
construir pelo menos quatro presídios.
Como não há recursos para este projeto, o secretário de Defesa Social revelou
que estuda a possibilidade de transformar 11 delegacias regionais em
minipresídios com vagas para 100 presos. “Se o projeto evoluir, teremos mais
1.100 vagas que desafogariam as delegacias e os presídios. Além de cumprir a
lei das execuções penais, que estabelece que preso cumpra pena em
estabelecimento próximo da família”, frisou Davino. (AF)
A GAZETA - MT | NACIONAL | 04/11/2003
Nilmário cobra maior proteção
Brasília/AE
O secretário especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, disse ontem que o
governo federal vai ficar mais atento e cobrar mais empenho dos Estados na
proteção de testemunhas para evitar casos como o assassinato de duas pessoas
que prestaram depoimentos à relatora da Organização das Nações Unidas (ONU)
sobre Execuções Extrajudiciais, Sumárias e Arbitrárias, Asma Jahangir, em sua
visita ao País no mês passado. Nilmário Miranda esteve com o relator especial
da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas para o Tráfico de Crianças,
Prostituição e Pornografia Infantis, Juan Miguel Petit que visitará quatro
Estados e o Distrito Federal até o dia 14.
Ainda no rastro da polêmica provocada pela sugestão de Asma de que a ONU envie
um relator para inspecionar o Judiciário brasileiro, Petit terá encontro hoje
com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Maurício Corrêa. Foi
Corrêa quem reagiu de forma mais contundente à proposta da relatora,
argumentando que isso seria uma espécie de intervenção da ONU no Brasil. Petit
deve encontrar-se também com o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, além de deputados,
senadores, organizações não-governamentais e entidades ligadas ao combate à
prostituição infantil.
Miranda disse que o assassinato de duas testemunhas que falaram com Asma
evidenciou falhas dos programas de proteção. "Vamos chamar a atenção dos
Estados também para atuar preventivamente e não negligenciar quando houver um
pedido de prevenção", disse o secretário.
"Com certeza aquelas duas mortes tornaram as pessoas mais sensíveis e mais
atentas para a necessidade proteger quem presta depoimentos". Petit disse
ter conversado com Miranda sobre o assunto e afirmou estar seguro de que o
governo brasileiro tomará as medidas necessárias para garantir a integridade de
quem se dispuser a fazer denúncias durante sua visita.
CORREIO DO POVO - RS | POLÍTICA | 04/11/2003
Ministro chama de 'ruído' desavenças com Corrêa
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, classificou ontem como 'ruído' as desavenças existentes entre o presidente Lula e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Maurício Corrêa. Para ele, não atrapalha em nada a relação entre os dois poderes a polêmica envolvendo o convite de Corrêa para Lula visitá-lo. Thomaz Bastos comentou que iria se encontrar com o presidente do Supremo a qualquer momento, pois o conhece há mais de 30 anos.
ZERO HORA - RS | POLÍTICA | 04/11/2003
Bastos convence delegado a ficar no comando em SP
Em
reunião ao meio-dia de ontem, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, conseguiu convencer o
superintendente da Polícia Federal (PF)
em São Paulo, delegado Francisco Baltazar, a permanecer no cargo.
Baltazar tinha decidido na sexta-feira deixar a função por se opor à chamada
Operação Anaconda, deflagrada na quinta-feira passada, em São Paulo. A ação
resultou na prisão de 11 pessoas, acusadas de envolvimento em esquema de venda
de sentenças judiciais e esvaziamento de inquéritos.
O delegado é amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o escolheu para
o cargo. Em seu currículo, consta a participação na escolta pessoal de Lula em
quatro campanhas presidenciais.
Em solenidade de hasteamento da Bandeira Nacional realizada ontem no pátio da
PF, Baltazar chorou diante de mais de cem agentes e delegados. Ele defendeu as
investigações de corrupção:
- Não somos contra a depuração da Polícia Federal.
Oficialmente, Bastos diz não acreditar que haja mal-estar na corporação:
- Creio que não existe uma crise na PF.
DIÁRIO CATARINENSE | POLÍTICA | 04/11/2003
Para Bastos, celeuma com Corrêa é "ruído"
O ministro
da Justiça, Márcio Thomaz Bastos,
classificou ontem, em São Paulo, de "um ruído" as desavenças
existentes entre o presidente Lula e o presidente do Supremo Tribunal Federal
(STF), Maurício Corrêa. Para o ministro, a celeuma envolvendo um convite feito
pelo presidente do STF a Lula "não atrapalha em nada a relação entre os
dois poderes".
Mas, questionado se considerava inadequados os termos do convite, ele não se
pronunciou.
DIÁRIO DE S. PAULO | BRASIL | 04/11/2003
Genoino admite que PT vai perder espaço para PMDB
Presidente nacional do PT não
disse quando serão feitas as mudanças no Ministério, mas afirmou que é preciso
demonstrar generosidade, sem traumas
Brasília - O presidente nacional do PT, José Genoino, disse ontem que o partido
está disposto a abrir mão de alguns ministérios para que o PMDB seja acomodado
na base do Governo. “Como o PT é o partido que tem mais força no Governo, tem
que demonstrar generosidade porque esse é o Governo conduzido pelo PT, e o PT
considera que é fundamental a presença do PMDB em um ministério. Não vai ter
trauma”, disse Genoino após reunião da Executiva Nacional do PT.
Novas reformas
Na tentativa de evitar um desgaste entre os poderes, Genoino argumentou que o
debate sobre a reforma do Judiciário no Congresso será uma iniciativa do
Partido dos Trabalhadores. Genoino informou que o partido pretende discutir
temas como o controle externo do Judiciário e a agilidade da Justiça nos
julgamentos. “Será uma iniciativa do partido agindo em consonância com o Ministério da Justiça”, explicou o
presidente do PT.
Na reunião com o chefe da Casa Civil, José Dirceu, segundo Genoino, foi feito
um “debate político” sobre a política econômica do Governo. “Com Dirceu fizemos
um debate político colocando a geração de empregos como tarefa central para o
próximo ano”, explicou.
De acordo com Genoino, o partido deve participar também do debate sobre a
reforma política. Segundo ele, o PT defende a fidelidade partidária e a mudança
para que as eleições parlamentares sejam feitas em lista. Mas o presidente do
partido defende que o modelo seja 'misto: metade dos candidatos escolhidos na
lista e metade de forma direta.
Insatisfeitos
O deputado federal Chico Alencar (RJ) e outros parlamentares e dirigentes do PT
lançaram ontem o “Movimento por Democracia Interna e Novos Rumos do Governo
Lula”. O objetivo, de acordo com o deputado, que desistiu de ser pré-candidato
a prefeito do Rio, é aglutinar e organizar os petistas insatisfeitos com os rumos
do Governo. Os petistas também tentarão evitar que os chamados parlamentares
rebeldes sejam expulsos do PT.
DIÁRIO DE S. PAULO | BRASIL | 04/11/2003
Benedito Mariano é cotado para a Secretaria Nacional de Segurança
EDUARDO
REINA
Secretário de Segurança de São Paulo já conversou com o ministro da Justiça
O secretário de Segurança Urbana da prefeita Marta Suplicy, Benedito Mariano,
deve ocupar a Secretaria Nacional de Segurança do Governo federal, em
substituição a Luiz Eduardo Soares, que deixou o posto na semana passada após
surgimento de denúncias de nepotismo. Mariano evitou o assunto e, por meio de
sua assessoria, disse que não iria se pronunciar.
Ontem, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz
Bastos, não quis revelar o nome do futuro titular da pasta, mas
admitiu que já teve uma conversa com o secretário de Marta. “Tem alguns nomes
que estamos cogitando. Já estive com ele (Mariano)”, revelou o ministro.
Thomaz Bastos disse ainda que as
atividades da secretaria não foram interrompidas desde a saída de Soares. “A Secretaria Nacional de Segurança Pública não
parou com a saída do eminente professor Luiz Eduardo Soares. Estamos assinando
convênios, implantando os gabinetes de gestão integrada, enfim, ela tem uma
atividade normal porque esse é um setor prioritário do Governo”, afirmou o
ministro, que pretende conversar com outras pessoas em São Paulo sobre a
indicação do novo titular. “Hoje (ontem) vou conversar com algumas pessoas para
formar uma opinião. Não quero decidir com muita pressa, até porque a Secretaria
não sofreu solução de continuidade. Ela continua trabalhando”, contou.
Benedito Domingos Mariano tem 44 anos, é casado, formado em sociologia e sempre
esteve ligado aos movimentos de defesa dos direitos humanos, principalmente em
Osasco, onde ajudou a fundar o PT. Tem forte ligação com o vice-prefeito de São
Paulo, Hélio Bicudo, e com o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).
Já foi Ouvidor da polícia do Estado de São Paulo por indicação do então
cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns.
Mariano é coordenador nacional do Fórum de Ouvidores da Polícia e membro do
Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo. Mariano
também foi um dos quatro coordenadores do plano de segurança pública para a
candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva junto com Luiz Eduardo Soares. Com
Adauri Antunes Barbosa
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POVOS INDÍGENAS |
O ESTADO DO MARANHÃO | CIDADE | 04/11/2003
Índios e
Funasa chegam a um acordo
Coordenador regional
deverá ser afastado e indígenas desistem de interditar rodovias e derrubar
linhões
Após
três horas de reunião, representantes dos índios das tribos Krikati, Guajajara,
Gavião e Timbira, e o presidente da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), Valdi
Camarcio, além de representantes do Ministério Público Federal, chegaram a um
acordo quanto à política de saúde dos povos indígenas. As partes envolvidas
assinaram um termo de ajustamento de conduta que formalizou os avanços
conseguidos e com isso ficou afastado o perigo de interrupção de rodovias e
ferrovias e de derrubada de linhões de eletricidade que cruzam as 17 reservas
indígenas do Maranhão.
Os índios conseguiram a promessa de afastamento dentro de 10 dias do
coordenador regional da Funasa no Maranhão, Zenildo Oliveira dos Santos, e
mudanças no modelo de assistência ao índio, que incluem o fim do convênio com a
Pró-Vida, que administra a Casa de Apoio ao Índio, no Turu, e é acusada pelas
lideranças de não prestar contas dos recursos que recebeu do Governo Federal. O
encontro aconteceu na sede da Procuradoria da República, no Centro. Ontem,
completaram-se oito dias da ocupação dos índios na sede da Funasa, no Apicum.
O ponto de maior entrave na reunião foi a questão do afastamento do coordenador
regional da Funasa no Maranhão, Zenildo Oliveira dos Santos. O diretor do
Departamento de Saúde Indígena (Desai), Ricardo Chagas, que também veio de
Brasília, propôs aos índios o deslocamento de uma espécie de interventor para
tratar das questões de saúde nas aldeias no Maranhão, sem retirar Zenildo dos
Santos do cargo, algo que não agradou aos manifestantes.
AMEAÇAS - As negociações foram intermediadas pelo procurador-chefe da
Procuradoria da República no Maranhão, Sergei Medeiros Araújo. Como as
conversas não avançaram a respeito da exoneração de Zenildo Santos, os índios
continuaram a fazer ameaças.
“Se esta pessoa que não entende nada sobre saúde pública não deixar o cargo,
nós não nos responsabilizaremos pelas conseqüências”, ressaltou um dos
representantes dos povos indígenas na reunião, Lourenço Krikati.
No final da tarde, as lideranças indígenas conseguiram o afastamento de Zenildo
dos Santos e a nomeação de um interino para fazer a gestão do órgão, até que
uma solução definitiva fosse encontrada. “Este ponto era imprescindível para
chegarmos a um acordo. Conseguimos avançar em todos os pontos e resolvemos
assinar o acordo”, afirmou o cacique Raimundo Guajajara, um dos líderes dos quase
200 índios que estavam em São Luís.
Logo após a reunião, os índios repassaram as informações às tribos no interior
do estado.
O ESTADO DO MARANHÃO | CIDADE | 04/11/2003
Aldeias terão
novo modelo de saúde
O presidente da Funasa,
Valdi Camarcio, informou aos índios que, desde o início do governo Lula, o
órgão federal tem buscado identificar os problemas nas aldeias e resolvê-los.
Valdi Camarcio veio a São Luís
para discutir com os índios, entre outras coisas, o repasse de verbas para as
aldeias, a situação da organização não-governamental Pró-Vida, além buscar
soluções para as reclamações da falta de medicamentos nas aldeias. Ele ouviu do
líder Josemir Guajajara que o grande problema é que, em Brasília, os dirigentes
não sabem o que se passa com os índios no Maranhão.
No novo modelo ora em implantação pela Funasa, as 10 ONGs, hoje responsáveis
pela prestação dos serviços na área de saúde, serão apenas parceiras. Neste
contexto, os distritos indígenas assumirão a gestão, com o apoio dos conselhos
distritais e locais. Os conselhos distritais teriam autonomia
administrativo-financeira e definiriam as políticas públicas para a área.
“Para acabar com esses convênios, no entanto, será necessário um tempo. Até julho
do próximo ano, já estarão todos concluídos. Enquanto isso não acontece, vamos
reativar os conselhos até dezembro, com a devida capacitação de todos os
membros”, contou Camarcio.
O presidente da Funasa informou ainda que os convênios somam-se mais de R$ 7
milhões.
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REFORMA DO JUDICIÁRIO |
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 04/11/2003
PT decide
‘assumir’ reforma do Judiciário
Partido entende que fórum
do assunto deve ser o Congresso e ignora convite de Corrêa
CIDA
FONTES
BRASÍLIA – Para evitar novos confrontos entre o Executivo e o Judiciário e
preservar o presidenteLuiz Inácio Lula da Silva, o
PTdecidiu assumir as negociações da reforma do Judiciário, que tramita no
Senado. Com essa atitude, anunciada ontem
pelo presidente do PT, José Genoino, o governo dá mais um lance na tentativa de
esvaziar a pretensão do presidente do
Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Corrêa, de liderar as negociações em
torno da reforma, como sugeriu em carta a Lula e aos presidentes do Senado,
José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP).
Depois de se reunir por quase três horas com oministro da Casa Civil, José
Dirceu, Genoino deixou claro que considera
necessário os partidos discutirem a reforma com os representantes do
Judiciário. “É melhor o Congresso negociar com o Judiciário do que deixar esse
assunto entre Executivo.”
Além de retirar o governo do centro da discussão, o PT quer evitar o viés
corporativista da reforma do Judiciário, sobretudo
depois da experiência com a reforma da Previdência. As pressões dos juízes e do
próprio Corrêa em defesa da manutenção
dos privilégios de magistrados serviram para acirrar as relações entre o
governo e o Judiciário. “Temos de negociar com o Judiciário uma proposta que
não pode ser conduzida de forma corporativista”, afirmou Genoino. Ele avalia
que a reforma
do Judiciário se tornou mais necessária com as sucessivas denúncias de
envolvimento de juízes em irregularidades.
O petista preferiu não comentar o convite feito por Corrêa a Lula para discutir
a reforma. “É uma iniciativa do presidente
e eu não posso opinar sobre uma atribuição dessa. Não sou porta-voz do governo
nem represento o governo”, afirmou. “O PT quer fazer uma discussão sobre a
reforma e vamos considerar essa questão prioritária
a partir deste momento.”
Opresidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Sepúlveda Pertence,
considerou positiva a iniciativa do PT. “Essa é uma boa notícia, até mesmo
porque o andamento da questão estava muito morno”, disse, referindo-se à
proposta que está há três anos no Senado. Para ele, o Judiciário deve
participar das discussões: “O Judiciário tem memória e uma experiência que não
podem ser desprezadas neste momento.”
Ruído – O ministro da Justiça, Márcio Thomaz
Bastos, classificou ontem de “ruído” as desavenças entre Lula e
Corrêa. Para oministro, a celeuma envolvendo o convite feito pelo presidente do
STF “não atrapalha em nada a relação entre os dois Poderes”. Indagado se
considerava inadequados os termos do convite, Bastos não se pronunciou. O
ministro disse que não tem nenhum encontro marcado com Corrêa, “mas iria a um
encontro com ele a qualquer momento”. “Sou muito amigo de Corrêa, com quem
tenho uma relação de mais de 30 anos.” (Colaborou Elizabeth Lopes)
DIÁRIO DO PARÁ | BRASIL HOJE | 04/11/2003
PT assume
reforma do Judiciário
Com decisão, governo
preserva Lula e tenta esvaziar pretensão de Corrêa de liderar negociações
BRASÍLIA
- Para evitar novos confrontos entre o Executivo e o Judiciário e preservar o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT decidiu assumir as negociações da
reforma do Judiciário, que tramita no Senado. Com essa atitude, anunciada ontem
pelo presidente do PT, José Genoino, o governo dá mais um lance na tentativa de
esvaziar a pretensão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício
Corrêa, de liderar as negociações em torno da reforma, como sugeriu em carta a
Lula e aos presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, João
Paulo Cunha (PT-SP).
Depois de se reunir por quase três horas com o ministro-chefe da Casa Civil,
José Dirceu, Genoino deixou claro que considera necessário os partidos
discutirem a reforma com os representantes do Judiciário. "É melhor o
Congresso negociar com o Judiciário do que deixar esse assunto entre Executivo
e Judiciário", disse.
Corporativismo
Além de retirar o governo do centro da discussão, o PT quer evitar o viés
corporativista da reforma do Judiciário, sobretudo depois da experiência com a
reforma da Previdência. As pressões dos juízes e do próprio Maurício Corrêa em
defesa da manutenção dos privilégios de magistrados serviram para acirrar as
relações entre o governo e o Judiciário. "Temos de negociar com o
Judiciário uma proposta que não pode ser conduzida de forma
corporativista", afirmou Genoino. Ele avalia que a reforma do Judiciário
tornou-se mais necessária com as sucessivas denúncias de envolvimento de juízes
em irregularidades.
O petista preferiu não comentar o convite feito por Corrêa a Lula para discutir
a reforma. "É uma iniciativa do presidente da República e eu não posso
opinar sobre uma atribuição dessa. Não sou porta-voz do governo nem represento
o governo", afirmou. "O PT quer fazer uma discussão sobre a reforma
do Judiciário e vamos considerar essa questão prioritária a partir deste
momento."
Transparência
Ao assumir a negociação sobre a reforma do Judiciário, o PT pretende procurar
os mais diversos setores e articular-se com outros partidos, aliados ou não ao
governo. Segundo Genoino, a idéia é resgatar e valorizar o Poder Judiciário,
dando prioridade à discussão de temas como controle externo, agilidade e
transparência nas decisões.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Sepúlveda Pertence,
considerou positiva a iniciativa do PT de assumir o encaminhamento da reforma.
"Essa é uma boa notícia, até mesmo porque o andamento da questão estava
muito morno", disse, referindo-se à proposta que está há três anos no
Senado. Para ele, o Judiciário deve participar das discussões, opinando e
discutindo: "O Judiciário tem uma memória e uma experiência que não podem
ser desprezadas neste momento." (AE)
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SEGURANÇA PÚBLICA |
JORNAL DO BRASIL | RESUMO | 04/11/2003
FAB bombardeia pista utilizada pelas Farc
MANAUS
Em uma operação conjunta com a Polícia Federal,
a Força Aérea Brasileira mobilizou ontem 10 aviões de combate para bombardear
uma das principais pistas de pouso de narcotraficantes e guerrilheiros das Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia, na Amazônia. Localizada a 2km da fronteira
com a Colômbia, em São Gabriel da Cachoeira, a pista fora destruída
anteriormente, mas logo foi reativada, em agosto.
O ESTADO DE S. PAULO | ESPAÇO ABERTO | 04/11/2003
A enfadonha repetição
Jarbas Passarinho
É infalível, na vida política, a queixa do sucessor acusando o antecessor,
prefeito,Governador ou presidente da República, de haver-lhe deixado uma
“herança maldita”, de prefeitura, governo ou Presidência comprometidas com
vultosos déficits decorrentes de desordem administrativa. Já certa feita
comentei que só Tomé de Souza não se queixou, já que foi o primeiro
governador-geral da colônia. Ainda assim, para originar o hábito do queixume,
corre em tradição oral que se queixou dos caciques da Bahia, contrastando com o
retrato que séculos depois dela fez Jorge Amado: “A Bahia é a pátria da
convivência e do comedimento.”
Não é de estranhar, pois, que o poderoso ministro José Dirceu iterativamente
reclame da “herança maldita” que proveio do governo tucano e que o presidente
Lula haja chegado a chamar seus antecessores de covardes, por não terem feito o
dever de casa. É tão comum a lamentação que já não lhe damos o devido crédito. No
fundo, é uma luta entre postulantes da fama, aquela fama que Luís Vaz de Camões
cantou na fala do velho do Restelo: “Ó glória de mandar, ó vã cobiça/ desta
vaidade a que chamamos fama!”
O Brasil tomou conhecimento, perplexo, da corrupção no Judiciário e na Polícia Federal. Há quem aponte a origem de
corrupção no fato de ter Portugal nos remetido para povoar o Brasil os ladrões
desterrados. Não me parece que isso se
ajuste com as Raízes do Brasil que nos deixou Sérgio Buarque de Holanda. Se a
colonização fosse responsável pela ladroagem atual, a Austrália não seria hoje
o admirável país que é, povoada como foi pelo lixo da sociedade civil e
clerical da Grã-Bretanha, assim descrito por um dos seus maiores romancistas
contemporâneos. O padre Vieira, que tornou tão conhecida sua revolta contra os
que conjugavam em diversos tempos e modos o verbo surrupiar, denunciou
autoridades que vinham de Portugal. Pregando perante o vice-rei, em 1641, na
Bahia, ousou: “Perde-se o Brasil, senhor marquês – digamo- lo em uma palavra –,
porque alguns ministros de Sua Majestade não vêm cá buscar nosso bem; vêm
buscar nossos bens. El-rei manda- os tomar Pernambuco e eles contentam-se com o
tomar. Este tomar o alheio é a origem da doença. Toma nesta terra o ministro da
Justiça? Sim, toma. Toma o ministro da república? Sim, toma. O da Fazenda? Sim,
toma. O ministro do Estado? Sim, toma. E como tantos sintomas lhe sobrevêm ao
pobre enfermo, milagre é que não tenha expirado.”
Trezentos e cinqüenta anos depois, é tal a desfaçatez com que se surrupia no
Brasil que também só por milagre ainda estejamos classificados no julgamento da
ONU apenas uns tantos 50 lugares atrás da incorruptível Finlândia, em boa hora
governada pelas mulheres. Furtam os que a Nação nomeia para defendê-la da corrupção.
O que se publicou nos dias recentes chega a ultrapassar tudo o que o mais
pessimista poderia prever. Fiscais da Receita Federal, auditores inclusive, que
são “os príncipes da República”, dado o alto salário que recebem – até para
vaciná-los contra a tentação –, ficam ricos lesando o Estado e as empresas que
fiscalizam. Os fiscais da Receita lotados no Rio de Janeiro, em boa hora presos
e condenados, mandaram milhões de dólares mal havidos para os bancos suíços.
São um exemplo de modo algum isolado, mas apenas dos que foram apanhados na
tessitura da malha da Justiça, e ainda assim devido a uma denúncia vinda das
Alagoas.
Antes já haviam sido identificados os fraudadores da Previdência Social, onde o
advogada Jorgina não é um exemplar singular. Furtaram milhões de reais, com a
conivência de um desembargador. Advogados foram flagrados levando armas para os
traficantes de drogas, presos, de quem são patronos. Mas o inacreditável veio
agora: o envolvimento de juízes e de delegados da Polícia
Federal. Ainda que descabida uma generalização, que atinja toda a
magistratura e os policiais, é contundente tomar conhecimento de um ilícito em
áreas tidas como garantes da defesa dos direitos fundamentais, num caso, e da
proteção da sociedade, no outro. É um abalo na imagem do Judiciário, disse o
ministro Maurício Corrêa, presidente do Supremo. A última coisa que um povo
pode perder é a confiança nas instituições.
Uma ferida no Judiciário e a mácula no topo hierárquico da Polícia Federal sugerem sintomas de enfermidade
grave nos Tribunais de Justiça e na Segurança Pública, que exigem enérgica
apuração e adequadas conseqüências. Não porque desde logo impliquem a suposição
da existência da “caixa-preta da Justiça” e o descrédito da Polícia Federal como um todo, generalizações
injuriosas, mas porque, se não forem rapidamente punidas de modo exemplar,
permitirão conviver
a Nação com o tumor da existência de juízes a vender impunemente suas
sentenças, organizados em quadrilhas, e de policiais que, em vez de assegurarem
a incolumidade das pessoas e do patrimônio público, a uns e ao outro assaltam
impunemente. Diante disso, os deslizes praticados por membros do governo atual
serão virtudes ou meros pecados veniais.
Volto ao padre Vieira. Escrevendo da Bahia em 1697, descreveu o Brasil de então
em terrível verrina de que seleciono esta passagem: “O brasileiro que
atravessar a fase atual terá de testemunhar à descendência, com as cãs
envergonhadas, uma longa página de amargura e vilipêndio, a magistratura,
atirada fora a toga da justiça, a ostentar deslavadamente o escândalo das mais
delirantes e indecentes paixões.” Não faço o julgamento analógico, pois creio
nos magistrados íntegros e em policiais honestos, que os ímprobos e os
corruptos atingem ao serem maus servidores de ambas. Do contrário, perdida a fé
– que não perderei –, teria de reler Rui Barbosa e com ele concordar: “De tanto
ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, o homem chega a
desanimar da virtude e a ter vergonha de ser honesto.”
Jarbas Passarinho, ex-presidente da Fundação Milton Campos, foi senador
(PPB-PA) e ministro de Estado
O ESTADO DE S. PAULO | NOTAS E INFORMAÇÕES | 04/11/2003
Justiça com rapidez exemplar
Foi
em janeiro que veio a público o escândalo do “Propinoduto”. Graças à
circunstância de uma instituição financeira do Exterior ter comprado outra – a
Union Bancaire Privé (UBP), que comprou o Discount Bank and Trust Company
(DBTC) –, a uma auditoria feita no banco comprado e a uma nova legislação
suíça, que pune os responsáveis por bancos que mantenham recursos de origem
suspeita, a UBP, não se convencendo com as explicações dos donos de depósitos
milionários – de origem brasileira, somando a quantia de U$$ 33,4 milhões –,
encaminhou o caso a autoridades suíças, pelo que as respectivas contas foram
congeladas em julho de 2002.
As autoridades brasileiras foram avisadas, a Polícia
Federal abriu inquérito no ano passado, em janeiro houve a quebra de
sigilo, a denúncia do Ministério Público e, na última sexta-feira, a condenação
do ex-subsecretário de Administração Tributária no governo Anthony Garotinho
(1999 – abril de 2002), Rodrigo Silveirinha Corrêa e outros 21 réus, com penas
que, somadas, chegam a 248 anos de prisão.
Vê-se, pois, que se levando em conta o tempo médio de decurso dos processos
judiciais brasileiros, e especialmente os casos em que há remessas de dinheiro
ilícito para o Exterior, o caso do “Propinoduto” do Rio de Janeiro foi
resolvido com uma rapidez excepcional. Seria o caso de dizer: quando a Justiça
quer, julga rápido? O juiz Lafredo Lisbôa, da 3.ª Vara Criminal Federal,
condenou Silveirinha a 15 anos de reclusão, mem regime fechado.
Também foram condenados dois fiscais a penas maiores, de 17 anos – Carlos
Eduardo Pereira Ramos, ex-chefe da Inspetoria de Contribuintes de Grande Porte,
e Rômulo Gonçalves. O ex-chefe de gabinete da Secretaria da Fazenda do Estado
do Rio de Janeiro Lúcio Picanço pegou 14 anos e meio de reclusão, também em
regime fechado. Em sua maioria, os funcionários públicos – cinco fiscais
estaduais e sete auditores da Receita Federal – foram condenados por lavagem de
dinheiro, operação de câmbio não autorizada, declaração falsa à Receita
Federal, tentativa de extorsão e falsidade ideológica. Pereira Ramos e Rômulo
Gonçalves, além desses delitos, também foram condenados por corrupção passiva.
De todos, só houve absolvição para a auditora Márcia Rodrigues.
O juiz baseou-se em relatório da Corregedoria-Geral da Receita Federal, que
apontava irregularidades em fiscalizações de 16 empresas e mencionava a
tentativa de extorsão contra a Light, em 1999. A penas de 14 a 17 anos foram
condenados o fiscal Júlio César Nogueira e os auditores Hélio Lucena, Sérgio de
Lucena, Amaury Franklin Nogueira, Filho, Marcos Bonfim, Axel Hamer, Roberto
Vommaro e Heraldo Braga.A11 anos foram condenados os empresários Reinaldo Pitta
e Alexandre Martins, procuradores de mais de 100 atletas – entre os quais o
atacante Ronaldo, do Real Madrid.
Os réus condenados, além de perderem o cargo público, também perderão para o
Estado os bens, direitos e valores já seqüestrados pela Justiça. Há quem
considere que as sentenças condenatórias foram até brandas. Mas, se as
avaliarmos levando em conta o comum das penas impostas em território nacional, por
crimes equivalentes – e se, em grau de recurso, tais penas não vierem a ser
substancialmente minoradas –, podemos considerar que a Justiça está sendo
feita, e em tempo bem razoável. Recorde-se que o “caso Silveirinha” entrou para
a discussão política porque o exsubsecretário do ex-governador Garotinho, que
fora assessor de campanha da governadora Rosinha Garotinho, assumira o cargo de
presidente da Companhia de DesenvolvimentoIndustrial do Rio – e teve que ser
exonerado, quando foi aberta a investigação.
E também pelo fato de a CPI dos Fiscais ter sido aberta, na Assembléia
Legislativa Fluminense – em que o então governador Garotinho tinha maioria –,
mas não ter tido resultado algum, quanto ao aprofundamento das investigações.
Isso valoriza ainda mais os trabalhos da Polícia
Federal, do Ministério Público – e do próprio Judiciário, pela
rapidez do julgamento a que nos referimos. O fato de alguns réus já terem
obtido habeas-corpus para recorrer de suas sentenças em liberdade não reduz os
méritos do Judiciário.
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 04/11/2003
'Rocha Mattos
é quem rouba'
Em gravações feitas pela
PF, ex-mulher responsabiliza o juiz por esquema de corrupção
FAUSTO MACEDO e FÁBIO DIAMANTE
Relatório secreto da Diretoria de Inteligência da Polícia
Federal revela que a auditora do Tesouro Norma Regina Emílio Cunha
foi flagrada em escuta telefônica na qual afirma que seu ex-marido, o juiz
federal João Carlos da Rocha Mattos, “é quem rouba”.
Na ligação grampeada, ocorrida em outubro, Norma conversa com o agente da PF
César Herman Rodriguez – ambos estão presos desde quinta-feira, apontados como
integrantes deumaquadrilha envolvida na venda de sentenças judiciais no Fórum
Federal em São Paulo.
“João Carlos faz as c... e quem é ameaçada de morte sou eu”, reclama Norma. Ela
fala sobre uma pessoa conhecida por Tucci, que seria parente de Rocha Mattos.
“A Tucci vai continuar roubando, ela tem um patrimônio de US$ 5 milhões.”
Segundo Norma, o juiz defende Tucci, alegando que ela tem apenas US$ 15 mil.
“Com a ajuda do tio (Rocha Mattos), eles fazem milagres”, comenta a auditora.
César retruca, referindo-se ao juiz: “Como é que o tio dela nunca me ajudou a
fazer milagre?” Referindo-se a políticos e empresários envolvidos em corrupção
e fraudes contra o Tesouro, Norma respondeu: “É porque você não se chama Luiz
Estevão, Wagner Batista Ramos, Fausto Solano ou Enrico.”
“Eu não consigo dormir e tenho um filho com o nome desse cafajeste”, desabafou
Norma, falando sobre o ex-marido.
Para a Polícia Federal, o teor da
conversa entre Norma e César é um exemplo dos métodos de atuação do grupo. “A
ameaça e a demonstração de força permeiam os níveis hierárquicos”, sustenta o
relatório da PF. “Nesse diapasão se percebe que alguns integrantes da
organização criminosa fazem questão de demonstrar que seus ‘tentáculos’ já
atingiram em parte as instituições (...) tudo com o fito de conseguir
facilidade ou de imporem a lei do silêncio.
” Suíça – Em outra gravação, Norma falou com o filho. Eram 6h51, dia 22 de
outubro. Normaestava na Suíça. Rocha Mattos atendeu à ligação e perguntou
quando Norma retornaria ao Brasil. “Não sei”, respondeu ‘ ela.Em seguida, falou
com o filho: “Estou em uma montanha na Suíça, em frente para oMont Blanc, curtindo
a paisagem maravilhosa e uma rosa
vermelha no jardim.”
Norma foi detida na manhã de quinta-feira, em São Paulo, no apartamento onde
mora, na Praça da República. Com ela,
os federais encontraram US$ 550 mil em dinheiro vivo, 2 quilos de ouro e cópias
das 42 fitas dos grampos relativos ao caso
Santo André – corrupção na administração do prefeito Celso Daniel (PT),
seqüestrado e morto em janeiro de 2002.
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 04/11/2003
No relatório, a hierarquia do crime
O
documento da Polícia Federal, com 16
páginas, relata a ação da “organização criminosa” que estaria envolvida em
tráfico de influência, facilitação de contrabando, corrupção e venda de
sentenças. O relatório foi entregue à Procuradoria da República em 23 de
outubro. Segundo a Diretoria de Inteligência da PF, o grupo “conta com grande
número de pessoas nas mais variadas funções e atividades, sendo certo que
podemos divisar um primeiro nível hierárquico, do qual fazem parte os investigados”.
São citados, como integrantes do “primeiro nível”, dez agentes e delegados
federais e advogados de São Paulo e Brasília. “São encarregados pela execução
direta do crime-meio, corrupção ativa e tráfico de influência e a divisão dos
lucros auferidos com os crimes”, destaca o relatório secreto da PF. Também
aparece nessa relação o empresário Wagner Rocha, o Peru, que dirigeumescritório
no Edifício Itália, centro de São Paulo.
Rocha estaria envolvido com o esquema de fraudes de R$ 100 milhões na Receita.
Há dois meses, aPF apreendeu um computador na empresa dele, a Agilis
Participações. Em uma agenda do empresário estão os telefones pessoais do juiz
João Carlos da Rocha Mattos e da superintendência regional da Receita.
A Inteligência da PF informa,ainda, que o grupo “oferece seus serviços a
empresários e outros envolvidos em inquéritos
policiais, cobrando os valores devidos pela ‘intermediação’ e ‘propina’ paga
aos servidores públicos em troca de proteção
para atividades ilícitas, liberação de mercadorias apreendidas, recebimento de
benefícios em caso de processos judiciais ou inquéritos”.
Infiltrados – Segundo o relatório, “os intermediários contam com a colaboração
de informantes e laranjas que integram um subgrupo do primeiro nível”. “Os
informantes possuem a função de se infiltrar em companhias telefônicas, órgãos
da Justiça, Ministério Público, polícia e outras instituições, para que os
intermediadores tenham acesso a dados cadastrais de pessoa física ou jurídica,
alvarás de autorização de monitoramento, dados de procedimentos criminais,
inquéritos e outros procedimentos administrativos.”
Nesse capítulo, são citadas 11 pessoas, entre agentes federais, policiais civis
e o funcionário de uma companhia telefônica. São apontadas como laranjas seis
pessoas, entre elas o empresário Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho
Barcelona, tido
como o doleiro do esquema. “Eles são responsáveis pela ocultação, dissimulação
e lavagem do dinheiro”, atesta o delegado
Elzio Vicente da Silva, em ofício à procuradora Janice Agostinho Barreto
Ascari.
“Os elementos relacionados no primeiro nível hierárquico exercem a função de
intermediadores entre os empresários que figuram no segundo nível e os
servidores públicos que integram o terceiro nível”, diz o documento, apontando
20 nomes, entre eles o de Ari Natalino da Silva, dono do Grupo Petroforte,
acusado de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem dedinheiro. “São peças
igualmente importantes em toda a cadeia criminosa, já que são os responsáveis
pela prática de crimes como contrabando e descaminho, sonegação, fiscal,
lavagem de dinheiro, corrupção ativa ou eventualmente vítimas de concussão”,
diz o relatório da Inteligência. (F.M. e F.D.)
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 04/11/2003
Mattos e
irmãos Mazloum, 'no topo' da organização
Magistrados contestam
relatório da PF, que Casem classifica de “fruto da imaginação”
O
relatório da Diretoria de Inteligência da Polícia
Federal descreve que a participação do “terceiro nível de
hierarquia” do grupo, ou a cabeça da suposta organização, é formada pelos
juízes federais em São Paulo João Carlos da Rocha Mattos, Casem Mazloum e Ali
Mazloum.
Na página 4 do documento confidencial que a PF encaminhou à Procuradoria da
República está escrito: “O monitoramento
telefônico e diagramas de ligações comprovam seguramente a participação dos
servidores públicos que praticam condutas criminosas por ação ou omissão
(prevaricação, corrupção passiva, concussão, facilitação de contrabando e descaminho,
violação de sigilo funcional e outros) com o fito de proteger os
intermediadores ou servidores em procedimentos administrativos ou fornecerem
cobertura aos negócios ilícitos geridos por empresários.”
Tais empresários, segundo o relatório, “também pagam alto preço pela
interrupção de investigaçõesemandamento, conclusão pífia em inquéritos
policiais e até mesmo pela absolvição perante a Justiça, todos os atos
praticados com a chancela dos intermediadores”.
O relatório secreto da PF prossegue: “Nessa vertente figuram no terceiro nível
hierárquico, na Justiça Federal de São
Paulo os juízes João Carlos da Rocha Mattos, Casem Mazloum e Ali Mazloum”.
Casem, titular da 1.ª Vara Federal, reagiu com indignação: “Isso tudo é
fantasia, o delegado (Elzio Vicente) tem de apontar, especificar e fundamentar
os fatos, isso é uma irresponsabilidade.” Ele observou que seu irmão, Ali
Mazloum, decretou em setembro a prisão temporária do delegado-corregedor da PF,
Alexandre Crenite, apontado como integrante da suposta quadrilha. “Se o
delegado faz parte da organização, como é que Ali o mandou prender?”,
questionou Casem, que exigiu que o delegado “mostre qual sentença foi vendida”.
O juiz disse que já esperava “alguma coisa desse tipo, a opinião pessoal de
alguém que estivesse participando dessa apuração”. Para Casem, o relatório da
PF “não tem pé nem cabeça, é fruto de imaginação,um documento induzido,
manipulado, tendencioso, um absurdo”.
Ali Mazloum, titular da 7.ª Vara, foi categórico: “Desafio esse delegado e todos
os procuradores da República a indicar em um ato só meu que demonstre minha
participação nessa tal quadrilha.”Em seguida, ironizou: “O que não deve ser
difícil, já que foi usada nessa investigação o mais alto grau de inteligência
da PF.” Ele e Casem se consideram “vítimas de uma armação de procuradores”.
Férias – Rocha Mattos entrou ontem com pedido de quatro meses de férias e
licença-prêmio. Alegou não estaremcondições
de trabalhar. Ele nega envolvimento com a “organização criminosa” denunciada
pela Procuradoria. “Isso é umabsurdo.”
O juiz disse que está separado da auditora Norma Regina há quase cinco anos.
Sobre os US$ 550 mil encontrados no apartamento de Norma, o magistrado disse
que “ela é quem deve explicar”. (F.M. e F.D.)
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 04/11/2003
Bastos tenta
esvaziar revolta na PF paulista
Ministro consegue
convencer Baltazar a não renunciar ao comando regional
O chefe da Polícia Federal em São Paulo, delegado Francisco
Baltazar, decidiu renunciar ao cargo, mas foi convencido a recuar pelo ministro
da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Os dois se reuniram ontem, na hora do almoço. Baltazar não escondeu sua revolta
diante do que considera “uma indignidade”, referindo-se à Operação Anaconda –
que foi executada sob sigilo pela direção-geral da PF e resultou na prisão de
oito pessoas, inclusive dois delegados federais, todas supostamente envolvidas
em esquema de corrupção na Justiça Federal.
Amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o escolheu para o posto de
superintendente regional da PF em São Paulo, Baltazar estava decidido a pedir
exoneração desde sexta-feira. Com um currículo respeitado – do qual consta ter
feito a escolta pessoal de Lula nas quatro campanhas presidenciais, daí terem
ficado amigos –, o delegado não aceita ter sido “enganado”.
Amigo –Um grande efetivo de federais chegou a São Paulo sem que Baltazar fosse
avisado. As equipes ficaram hospedadas em local desconhecido e, na madrugada de
quinta-feira, partiram para uma operação simultânea em 15 endereços, onde
prenderam os acusados e recolheram documentos e computadores. Um dos
prisioneiros é o delegado José Augusto
Bellini, amigo de Baltazar.
Ontem cedo, na solenidade de hasteamento da Bandeira Nacional no pátio da PF,
Baltazar chorou diante de mais de 100 agentes e delegados. Ele defendeu as
investigações sobre corrupção. “Não somos contra a depuração do departamento”,
disse. Mas condenou a “cafajestagem” e métodos “indignos”. O superintendente
está aborrecido com a repercussão da operação, que colocou em xeque a
credibilidade de seu trabalho. Auxiliares de confiança estão na mira das
investigações comandadas pelo Ministério Público Federal.
Ao final da cerimônia, Baltazar dirigiu-se à platéia: “Sei que quando eu virar
as costas, alguns aqui vão correr para contar.” Depois, o delegado foi ao
encontro do ministro, que o convidou para um almoço.
Preocupação – Thomaz Bastos está
preocupado com a crise que abalou a PF. Ele foi informado sobre o protesto de
entidades
de classe dos federais que repudiaram a “invasão” dos colegas de Brasília.
Publicamente, no entanto, Thomaz Bastos
diz não acreditar que haja um mal-estar na corporação: “Eu creio que não existe
uma crise.” (Fausto Macedo e Fabio Diamante)
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 04/11/2003
CPI da
Pirataria vai convocar
Ex-delegado da PF acusa
irmãos Mazloum de atrapalhar investigações sobre crime organizado
A
Procuradoria da República pediu ontem a prorrogação, por mais cinco dias, da
prisão temporária dos oito acusados de integrar a quadrilha de corrupção na
Justiça Federal. O requerimento foi feito pela procuradora da República Janice
Agostinho Barreto Ascari, que despachou pessoalmente com a desembargadora Therezinha
Cazerta, do Tribunal
Regional Federal (TRF).
O Ministério Público Federal quer manter na cadeia os delegados federais José
Augusto Bellini e Jorge Luiz Bezerra da Silva (aposentado), os advogados
Affonso Passarelli Filho, Sérgio Chiamarelli Júnior e Carlos Alberto da Costa
Silva, o agente da
PF César Herman Rodriguez, além de Wagner Rocha – acusado de ser o
intermediário de empresários no esquema.
Ontem, a Comissão Parlamentar de Inquérito da Pirataria decidiu que vai
convocar para depor os juízes federais João Carlos da Rocha Mattos, Ali Mazloum
e Casem Mazloum – acusados de integrar o suposto esquema criminoso. “Não há
motivo para não atendermos ao chamado da CPI”, disse Casem ao Estado. A
convocação será feita por causa do depoimento prestado ontem em São Paulo pelo
ex-delegado federal Gilberto Américo. Ele procurou a CPI para dizer que é
vítimade uma conspiração comandada pelos irmãos Mazloum para barrar suas
investigações sobre contrabando de mercadorias e evasão de divisas.
Américo acusou os magistrados de manterem relações com o investidor Renato
Alencar Arraes e o doleiro Antonio Oliveira
Claramunt, o Toninho Barcelona – que esteve foragido até a semana passada,
quando o Supremo Tribunal Federal
(STF) suspendeu ordem de prisão contra ele. “Por que, após seis anos, esse
delegado vem fazer acusações a uma CPI? Por
que ele não nos representou na Corregedoria, na época que se disse
perseguido?”, questionou Casem. Segundo ele, Ali Mazloum condenou Arraes a 3
anos e 8 meses de prisão. Casem disse que ele ou irmão nunca julgaram nenhum
caso contra
Toninho Barcelona.
Antes de convocar os juízes, a CPI quer reunir evidências de possíveis
irregularidades. Para isso, vão requisitar todo o
inquérito envolvendo Toninho, além de ouvir outras testemunhas citadas no
depoimento de ontem. O presidente da comissão, deputado Luiz Antônio de
Medeiros (PL-SP), disse ainda que vai pedir ao presidente do Supremo, ministro
Maurício Corrêa, que interceda para afastar os três juízes.
No comando da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais
(Delecoie), Américo investigava, em 1998, as operações do investidor Arraes,
acusado de sumir com US$ 60 milhões de outros aplicadores. Durante a apuração,
Américo foi preso por ordem de Ali Mazloum, segundo o qual o então delegado
estaria sonegando documentos e adulterando provas. Américo ficou preso por 72
horas. “Fui vítima de conspiração.”
“A falta de elementos é tão vergonhosa, que agora estão ouvindo réus, pessoas
que condenei e que eu mandei prender no cumprimento de meu dever. Estão abrindo
um precedente perigoso para a Justiça brasileira”, disse AliMazloum. Em seu
depoimento, Américo disse ainda que os presos pela Operação Anaconda, da PF,
estavam ligados “direta ou indiretamente”à sua prisão. Sobrou também para os
desembargadores da Primeira Turma do TRF, que segundo o delegado, era conhecida
à época como “primeiro bando”. (Conrado Corsalette, Fabio Diamante e Fausto
Macedo)
O ESTADO DE S. PAULO | CIDADES | 04/11/2003
PF e FAB fazem ação para destruir pista clandestina
A Força Aérea Brasileira (FAB) e a Polícia Federal farão hoje uma operação conjunta na cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM), na fronteira com a Colômbia. O objetivo da ação é destruir uma pista de pouso clandestina, conhecida como Caparro, localizada na área da Cabeça do Cachorro. A pista vinha sendo usada em atividades ilícitas no Brasil. A Operação Princesa dos Pampas contará com dez aviões da FAB, um do Sivam e umhelicóptero, além de dois aviões de transporte.
A TARDE - BA | POLÍCIA | 04/11/2003
PF ouve
acusados de extermínio
Por determinação do
Ministério da Justiça, a Polícia Federal está apurando a suposta participação
dos militares
Carla Ferreira
Coincidência ou não o sargento da Polícia Militar Gilvan Pomponet da Silva
chegou a Santo Antônio de Jesus na véspera da morte do mecânico Gerson de Jesus
Bispo, numa moto de mesma cor (vermelha) da que os seus assassinos montavam no
momento do crime. Ele revelou isso ontem, durante depoimento na Polícia Federal, em Salvador, em que foi ouvido
pelo delegado Nelson Pires e pela promotora Ana Rita Cerqueira.
Segundo o delegado Pires, esta informação pode ser a chave que venha a confirmar
suposta ligação da morte de Gerson com a ação do grupo de extermínio no
município. Vinte dias antes de ser executado, na BR-101, a vítima foi ouvida
pela relatora da Organização das Nações Unidas (ONU) para execuções sumárias,
Asma Jahangir.
Na véspera do crime, Pomponet tinha ido a Santo Antônio de Jesus para uma
audiência em que foi ouvido numa denúncia de maus-tratos a um garoto. A ordem
superior do Corpo de Bombeiros de Salvador, onde está lotado, era que voltasse
logo após prestar depoimento, mas ele não retornou.
Dormiu na cidade, na casa de um amigo, e só retornou no dia seguinte, deixando
o local às 9 horas da manhã (Gerson foi morto às 7h30). O PM, inclusive, admite
que estava em situação irregular quando resolveu ficar. Alegando que não havia
disponibilidade de viatura para conduzi-lo, Pomponet veio no veículo de sua
propriedade: uma moto vermelha.
Ele chegou ontem à sede da Polícia Federal,
escoltado por policiais do Batalhão de Choque. Foi ouvido durante a manhã por
mais de quatro horas e negou que teria cometido ou planejado o assassinato.
Todas as acusações feitas na ação penal impetrada pela promotora Ana Rita em
agosto de 2002 também foram negadas. Elas incluem casos de tortura e morte,
formação de quadrilha e responsabilidade em alguns desaparecimentos.
O soldado Luís dos Santos Reis foi ouvido durante a tarde. De acordo com o
delegado Nelson Pires, ele também estava em Santo Antônio de Jesus no momento
do crime. O PM também nega envolvimento nos crimes.
Reis e Pomponet tiveram a prisão preventiva decretada pela juíza Rosemunda
Carvalho no último dia 20 de outubro, 11 dias após a morte de Gerson. Ambos
estão presos no Batalhão de Choque, em Lauro de Freitas, desde 22 de outubro.
Na visão do delegado, será necessário a PF retornar a Santo Antônio de Jesus e
esclarecer, também, a permanência de Pomponet na cidade na noite do crime. Nas
apurações feitas pela PF, moradores de uma invasão (próxima ao local onde
Gerson foi assassinado) descreveram que o condutor da moto estava todo de preto,
mas não souberam identificá-lo.
Duas outras pessoas também estão presas, por serem apontadas como suspeitas do
crime. Josivan Souza foi reconhecido por uma testemunha que passava pela BR-101
no momento da execução da vítima. Segundo ela, seria ele que estava na carona
da moto, o autor dos disparos. Josivan está detido na delegacia de Santo
Antônio de Jesus. O outro suspeito é Reginaldo de Souza, que se encontra preso
na PF. A prisão dos dois é justificada por indícios que foram levantados no
inquérito de que o crime do mecânico tenha ocorrido por vingança. Segundo o
delegado Nelson Pires, Gerson teria matado um tio de Reginaldo, identificado
por Amaroilton, em agosto último.
Por determinação do Ministério da Justiça,
a Polícia Federal passou a apurar o
caso da morte de Gerson, pois existem suspeitas de que teriam civis e militares
envolvidos no crime. O fato de seu assassinato ocorrer dias depois de ter sido
ouvido pela relatora da ONU, em meio às denúncias de extermínio por parte do
Fórum de Direitos Humanos do município, também foi fator decisivo para isso.
Gerson teria questionado a morte de seu irmão, Antônio Carlos Bispo, que
ocorreu em agosto de 2002, num suposto confronto com a polícia.
DIÁRIO DO NORDESTE | POLÍCIA | 04/11/2003
PF já apreendeu 231 quilos de cocaína no Ceará
De
janeiro até agora, 231 quilos de cocaína já foram apreendidos pela Polícia Federal (PF) no Ceará. A quantidade é
quase três vezes maior do que todas as apreensões realizadas pela PF durante
todo o ano passado, que somaram 80 quilos. Dessa droga, boa parte foi
descoberta no Aeroporto Internacional Pinto Martins, com pessoas que trazem a
‘mercadoria’ camuflada em malas de fundos falsos, borrifadas em peças de roupas
e até mesmo dentro do estômago, envolta em cápsulas plásticas.
O último caso registrado pela PF aconteceu durante esse final de semana, quando
a venezuelana Rafaela Carmen Piña Del Molero e o brasileiro Valeriano Batista
de Leite foram flagrados com três malas de fundo falso, que escondiam seis
quilos de ‘coca’. Os dois estavam no ‘Pinto Martins’ se preparando para o
embarque, quando os ‘federais’ os abordaram. Isso porque o cão farejador
‘Flyer’ já havia detectado a presença de cocaína nas malas, chamando a atenção
dos polciais da DRE-PF.
A droga vinha de Manaus e seria levada para a Ilha de Funchal, em Portugal.
“Ficou caracterizado que eles fariam apenas o transporte da ‘coca’, mas mesmo
assim vão responder por tráfico internacional de drogas, cuja pena varia de
quatro a 18 anos de prisão”, explicou o delegado Eliomar Lima Júnior, titular
da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da PF (DRE-PF).
Na delegacia, Valeriano disse que não sabia que as malas estavam ‘recheadas’
com a substância entorpecente. Afirmou que acompanhava a venezuelana como
intérprete. E receberia a quantia R$ 5 mil de uma mulher de nome ‘Maria’, para
ir com Rafaela a Portugal. “Nós nos conhecemos no garimpo, na Venezuela. Ela
era cozinheira. Eu não sabia que tinha droga nas malas”. A venezuelana disse
apenas que as malas lhe foram entregues por ‘Maria’ e deveria entregá-las em
Portugal.
O delegado Lima Júnior explica que Rafaela Carmen e Valeriano Batista deverão
ficar recolhidos à carceragem da Polícia Federal.
“Foram presos em flagrante”, ressalta ele, acrescentando também que as equipes
da PF estão averiguando os antecedentes dos dois envolvidos, a fim de descobrir
se eles praticaram tráfico de drogas anteriormente.
Esta, aliás, é uma das principais preocupações do superintendente da PF no
Ceará, delegado Bergson Toledo Silva, que assumiu no início deste ano.
DIÁRIO DO NORDESTE | POLÍCIA | 04/11/2003
Relatório aponta a ‘hierarquia’ do crime
São
Paulo - O documento da Polícia Federal
(PF) com 16 páginas, relata a ação da ‘organização criminosa’ que estaria
envolvida em tráfico de influência, facilitação de contrabando, corrupção e
venda de sentenças. O relatório foi entregue à Procuradoria da República dia
23. Segundo a Diretoria de Inteligência da PF, o grupo “conta com grande número
de pessoas nas mais variadas funções e atividades, sendo certo que podemos
divisar um primeiro nível hierárquico, do qual fazem parte os investigados”.
São citados, como integrantes do ‘primeiro nível’, dez agentes e delegados
federais e advogados de São Paulo e Brasília. “São encarregados pela execução
direta do crime-meio, corrupção ativa e tráfico de influência e a divisão dos
lucros auferidos com os crimes”, destaca o relatório secreto da PF. Também
aparece nessa relação o empresário Wagner Rocha, mais conhecido como ‘Peru’,
que dirige um escritório no Centro de São Paulo.
Rocha estaria envolvido com o esquema de fraudes de R$ 100 milhões na Receita.
Há dois meses, a PF apreendeu um computador na empresa dele, a Agilis Participações.
Numa agenda do empresário, estão os telefones do juiz João Carlos da Rocha
Mattos e da Superintendência Regional da Receita, em São Paulo.
DIÁRIO DO NORDESTE | COLUNA | 04/11/2003
A cobra vai fumar...
A operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal de investigação de vendas de sentenças judiciais não está restrita a Alagoas e São Paulo onde já prenderam alguns magistrados. O presidente Lula já foi informado de que estão previstas prisões em outros Estados. A operação foi chamada de Anaconda, nome de uma cobra lenta, mas de bote certeiro.
DIÁRIO DO NORDESTE | REGIONAL | 04/11/2003
Buracos na BR-116
Juazeiro do Norte (Sucursal) —
Excesso de buracos, acostamento destruído, falta de sinalização e animais
pastando livremente em alguns trechos. Esse é o estado em que se encontra a
BR-116, principalmente no trecho da rodovia que corta cidades do Cariri. Os
motoristas que por ela trafegam cobram urgentes reparos por parte do
Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER) lembrando a aproximação do
inverno.
Uma outra queixa contra órgão federal, surgiu esta semana. Proprietários de
ônibus que fazem lotações para excursões ou viagens especiais se queixam da
obrigatoriedade de ir até a Delegacia da Polícia
Rodoviária Federal de Icó conseguir licença.
São cerca de 200 quilômetros entre os municípios que formam o triângulo
Crajubar e àquela cidade onde fica a Delegacia da PRF. Ontem, o vereador Kléber
Lavor avisou que tem sido procurado por donos de ônibus os quais reclamam
contra a decisão.
Ele explica que, antes de uma viagem para estados como Piauí ou Pernambuco, por
exemplo, o responsável pela excursão fica obrigado a percorrer cerca de 400
quilômetros a mais (ida e volta) até Icó. “É uma perda de tempo e dinheiro para
conseguir a licença o que podia ser emitido no Dert de Crato ou até no posto da
PRF de Milagres”, reclama Kléber. Ele promete tratar do assunto na sessão
ordinária de hoje da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte.
Fiscalização mais rigorosa
O inspetor da Polícia Rodoviária Federal,
Moacir William Nogueira de Sá, confirma a necessidade de ir até Icó. “Não posso
ser responsabilizado a toa por algum problema que venha a ocorrer numa dessas
viagens.
Por isso, adoto toda a responsabilidade necessária na hora de autorizar”,
explicou o inspetor. Ele disse que faz questão de verificar e analisar
documentos pessoais do condutor, do veículo e estar informado do percurso.
Desde o dia 18 de março de 2003, quando assumiu a Delegacia Regional da PRF de
Icó, o inspetor Moacir tratou de efetuar as mudanças como forma de “melhorar
monitorar” essas viagens. Ele lembra que existe outras opções para conseguir a
licença junto às delegacias de Souza ou Patos (Paraíba).
O inspetor cita o caso de um problema ocorrido em determinada região da Bahia,
onde uma licença emitida via fax destoou da realidade do ônibus que
transportava passageiros.
O POVO - CE | POLÍTICA | 04/11/2003
Polícia deve concluir perícia em 15 dias
A Polícia Federal deve concluir nos próximos 15
dias a perícia dos 1.300 quilos de documentos e equipamentos apreendidos em 15
diligências na quinta-feira passada, em São Paulo e Maceió (AL), na chamada
Operação Anaconda. O conjunto mais avançado da análise da polícia está nas
apreensões relacionadas ao juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, apontado
pelo Ministério Público como o mentor de uma organização criminosa cujos
serviços seriam retardamento na condução de inquéritos e venda de sentenças
judiciais.
A prisão de Rocha Mattos foi pedida pelo Ministério Público, mas a medida ainda
não foi analisada pela Justiça. No final de semana, os peritos, responsáveis
pela análise do material no Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília,
fizeram cópias dos discos rígidos de pelos menos quatro computadores
apreendidos.
Em meio ao material recolhido que será analisado pela perícia estão US$
550.549,00 e dois quilos de ouro em barra, apreendidos na casa de Norma Regina
Emílio Cunha, ex-mulher do juiz Rocha Mattos, além de 200 quilos de armas e
munições e mais US$ 42 mil coletados em outras dependências. A perícia também
está analisando comprovantes de operações financeiras que revelariam a
existência de contas bancárias na Suíça e nas Ilhas Cayman em nome de empresas
ligadas a um magistrado paulista.
Além de Cunha, outras sete prisões foram realizadas no âmbito da operação
Anaconda. Dois delegados federais - um da ativa e outro aposentado - e um
agente também foram detidos. O funcionamento da suposta quadrilha, que seria
também integrada pelos juízes Casem e Ali Mazloum, conforme o Ministério
Público Federal, foi descrito em um relatório de inteligência de 178 páginas
entregue pela PF aos procuradores. Devido à relevância da operação, a PF
determinou sigilo absoluto sobre o caso em Brasília. Não são divulgados sequer
os nomes dos delegados responsáveis pela condução das investigações.
O POVO - CE | FORTALEZA | 04/11/2003
PF: cocaína apreendida pesava 6kg
A quantidade de droga apreendida
com o casal Rafaela Del Carmen Pinha e Valeriano Batista de Leite, preso no
último sábado, no Aeroporto Internacional Pinto Martins, é de seis quilos de
cocaína, e não dez, como foi publicado na edição de ontem do O POVO. A
venezuelana e o maranhense vinham de Manaus e iriam embarcar em um vôo para
Lisboa no mesmo dia, quando o cão farejador Flyer, na vistoria, percebeu a
presença de drogas na bagagem dos passageiros.
Segundo o titular da Delegacia de Repressão aos Entorpecentes da Polícia Federal, Eliomar Lima Júnior, em
depoimento, os acusados disseram que não sabiam o que havia nas malas e que
tinham sido contratados com a missão de levá-las para Lisboa.
Lima Júnior informou que, nesta semana, Rafaela e Valeriano deverão ser
transferidos para os presídios Auri Moura Costa e Instituto Presídio Professor
Olavo Oliveira (IPPOO), respectivamente. Segundo ele, o inquérito policial
sobre o caso tem dez dias para ser concluído, devendo ser enviado para a
Justiça Federal.
O POPULAR - GO | ÚLTIMAS | 04/11/2003
Termina a rebelião no presídio de Águas Lindas
Em um acordo firmado na tarde de hoje com o Diretor de Segurança da Agência Prisional, Tenente-coronel José Lino de Oliveira, ficou decidida a transferência de alguns presos e a mudança da direção do presídio. A rebelião começou na noite de ontem, quando os presos destruíram parte da estrutura física do presídio e fizeram quatro reeducandos reféns. Dentre os problemas levantados por eles estão a superlotação do presídio e a falta de infra-estrutura do prédio.
CORREIO DO ESTADO - MS | POLÍCIA | 04/11/2003
PF apreende em avião US$ 50 mil
Marcelo
Fernandes | Corumbá
A Polícia Federal apreendeu no último
sábado, a quantia de US$ 50 mil (cerca de R$ 143 mil). O dinheiro, que entrava
irregularmente no Brasil, estava escondido em um compartimento, na parte
traseira, dos bancos do avião monomotor, prefixo PT-VTV. A aeronave decolou em
Santa Cruz de La Sierra (Bolívia), com destino à cidade mato-grossense de
Rondonópolis, próximo a divisa com Mato Grosso do Sul.
O piloto, Giovani Samuel Giotto, foi ouvido e liberado em seguida. A aeronave
fez uma escala em Corumbá para reabastecimento e durante fiscalização, de
rotina, os agentes federais encontraram a quantia. Segundo a Polícia Federal a liberação do piloto aconteceu
porque a entrada de dinheiro, acima da cota permitida de R$ 10 mil, não
constitui crime, e sim uma infração.
ESTADO DE MINAS | NACIONAL | 04/11/2003
Corrupção
A Polícia Federal concluiu a perícia na casa do juiz João Carlos da Rocha Mattos, acusado de fazer parte de um esquema de venda de decisões judiciais. Entre os documentos encontrados, há uma escritura pública repassando um imóvel do empresário Afonso Passarelli para o juiz. Passarelli foi um dos detidos na Operação Anaconda. Foram encontradas também contas de luz da Cadivel Company, uma empresa offshore com sede no Uruguai, que, segundo a PF, pode fazer parte do esquema de envio de dinheiro para o exterior. Também foram apreendidas petições e cópias de petições de advogados. Entre eles, o que representa o doleiro Najum Turner. Na casa do empresário Sérgio Chiamarelli foram encontradas armas, munição e adesivos da Associação de Delegados da Polícia Federal de São Paulo. Esta associação criticou a operação que apreendeu documentos na casa do empresário. A Procuradoria da República pediu ontem a prorrogação, por mais cinco dias, da prisão temporária dos oito acusados de integrar a quadrilha de corrupção na Justiça Federal.
DIÁRIO DO PARÁ | REGIONAL | 04/11/2003
Mototaxista
pode ter sido morto por vingança
POLíCIA INVESTIGA SE O
ASSASSINATO OCORRIDO EM REDENçãO TEM LIGAçãO COM O ATROPELAMENTO E MORTE DE UMA
íNDIA DE 60 ANOS, NO MêS PASSADO
Nenhuma
das testemunhas intimadas para depor no inquérito que apura a morte do
mototaxista Eliomar Guedes, 36 anos, compareceu à Delegacia de Polícia Civil de
Redenção ontem, dia 3.
A polícia acredita que algumas pessoas devem ter presenciado o crime, ou pelo
menos podem colaborar nas investigações, mas temem represálias por parte dos
kaiapó, já que o principal suspeito é um índio.
O caso deveria estar sendo apurado pela Polícia
Federal, mas, apesar de uma portaria autorizando a instalação da
delegacia especializada desde agosto deste ano, os policiais ainda não
começaram a atuar.
Paulo César, delegado de Polícia Civil que está conduzindo o inquérito acredita
que o crime possa estar relacionado à morte da índia Kokopie Kaiapó, de 60
anos. Ela foi atropelada por um motoqueiro no último dia 23 de outubro.
O atropelador chegou a prestar socorro à vítima, mas ela veio a morrer horas
depois no hospital. Inconformados com o fato do motoqueiro não ter sido detido,
já que o crime é afiançável e o suspeito pode responder em liberdade, os oito
filhos de Kokopie foram até a delegacia por várias vezes exigir providências e
teriam prometido vingança.
Inicialmente, o delegado acredita que esta seja a hipótese mais provável para o
crime. “O índio teria sido visto entrando no matagal com o mototaxista e depois
a moto foi apreendida diante de uma residência que serve de apoio aos kaiapó no
município, o que me leva a acreditar que realmente seja um caso de vingança e
não latrocínio, mas não iremos descartar nenhuma hipótese”, pondera.
O delegado diz que as investigações irão continuar e se realmente ficar
comprovado o envolvimento de algum dos familiares da índia atropelada, ele
deverá ser submetido a um laudo antropológico que irá comprovar se está ou não
adaptado à sociedade e se possui conhecimento sobre o caráter delituoso do
fato.
Veridiana Veronese
De Redenção
DIÁRIO DO PARÁ | BRASIL HOJE | 04/11/2003
Procuradoria
pede prorrogação de prisão
Os acusados de corrupção
na Justiça Federal ficarão mais cinco dias na cadeia
SãO
PAULO - A Procuradoria da República pediu ontem a prorrogação, por mais cinco
dias, da prisão temporária dos oito acusados de integrar a quadrilha de
corrupção na Justiça Federal. O requerimento foi feito pela procuradora da
República Janice Agostinho Barreto Ascari, que despachou com a desembargadora
Therezinha Cazerta, do Tribunal Regional Federal (TRF). A decisão não havia
sido divulgada até às 20 horas de ontem.
O Ministério Público Federal (MPF) quer manter na cadeia os delegados federais
José Augusto Bellini e Jorge Luiz Bezerra da Silva (aposentado), os advogados
Affonso Passarelli Filho, Sérgio Chiamarelli Júnior e Carlos Alberto da Costa
Silva, o agente da PF César Herman Rodriguez, além de Wagner Rocha - acusado de
ser o intermediário de empresários no esquema.
Ontem, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pirataria decidiu que
convocará para depor os juízes federais João Carlos da Rocha Mattos, Ali
Mazloum e Casem Mazloum -acusados de integrar o suposto esquema criminoso.
"Não há motivo para não atendermos ao chamado da CPI", disse Casem. A
convocação será feita por causa do depoimento prestado ontem em São Paulo pelo
ex-delegado federal Gilberto Américo. Ele procurou a CPI para dizer que é
vítima de uma conspiração comandada pelos irmãos Mazloum para barrar as investigações
sobre contrabando de mercadorias e evasão de divisas.
Américo acusou os magistrados de manterem relações suspeitas com o investidor
Renato Alencar Arraes e o doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o "Toninho
Barcelona" - que esteve foragido até a semana passada, quando o Supremo
Tribunal Federal (STF) suspendeu uma ordem de prisão contra ele. "Por que,
após seis anos, esse delegado vem fazer acusações à uma CPI? Por que ele não
nos representou na Corregedoria, na época que se disse perseguido?" questionou
Casem.
Segundo ele, Ali Mazloum condenou Arraes a três anos e oito meses de prisão. Da
mesma forma, os irmão nunca julgaram nenhum caso contra "Toninho
Barcelona".
CPI quer mais evidências de irregularidades
Antes de convocar os juízes, a CPI quer reunir mais evidências de possíveis
irregularidades. Para isso, vão requisitar todo o inquérito envolvendo
"Toninho Barcelona", além de ouvir outras testemunhas citadas no
depoimento de ontem. O presidente da comissão, deputado Luiz Antônio de
Medeiros (PL-SP), disse ainda que pedirá ao presidente do STF, ministro
Maurício Corrêa, que interceda para afastar os três juízes.
No comando da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais
(Delecoie), Américo investigava, em 1998, as operações do investidor Arraes,
acusado de sumir com US$ 60 milhões de outros aplicadores. Em meio à apuração,
Américo foi preso por ordem do juiz Ali Mazloum, segundo o qual o então
delegado estaria sonegando documentos a adulterando provas. Américo ficou preso
por 72 horas. "Fui vítima de conspiração."
No depoimento, Américo lembrou ainda que os presos pela Operação Anaconda, da
PF, estavam ligados "direta ou indiretamente" à sua prisão. Sobrou
também para os desembargadores da primeira turma do Tribunal Regional Federal
(TRF), que, segundo ele, era conhecida à época como "primeiro bando".
Entre as inúmeras acusações, Américo sugeriu também que a quantidade de
inquéritos contra o crime organizado diminuiu após sua saída da PF.
Mattos e irmãos Mazloum, "no topo" da organização
O relatório da Diretoria de Inteligência da Polícia
Federal (PF) descreve que a participação do "terceiro nível de
hierarquia" do grupo, ou a cabeça da suposta quadrilha, é formada pelos
juízes federais de São Paulo João Carlos da Rocha Mattos, Casem Mazloum e Ali
Mazloum.
Na página 4 do documento confidencial que a PF encaminhou à Procuradoria da
República, está escrito: "O monitoramento telefônico e diagramas de
ligações comprovam, seguramente, a participação dos servidores públicos que praticam
condutas criminosas por ação ou omissão (prevaricação, corrupção passiva,
concussão, facilitação de contrabando e descaminho, violação de sigilo
funcional e outros) com o fito de proteger os intermediadores ou servidores em
procedimentos administrativos ou fornecerem cobertura aos negócios ilícitos
geridos por empresários."
Tais empresários, segundo o relatório da PF, "também pagam alto preço pela
interrupção de investigações em andamento, conclusão pífia em inquéritos
policiais e até mesmo pela absolvição perante a Justiça, todos os atos
praticados com a chancela dos intermediadores."
"Nessa vertente", prossegue o relatório, "figuram no terceiro
nível hierárquico, na Justiça Federal de São Paulo os juízes João Carlos da
Rocha Mattos, Casem Mazloum e Ali Mazloum". "Os diálogos (gravados)
servem para ilustrar a movimentação de integrantes do escritório de César
Herman (agente da PF), Jorge Luiz (delegado), Afonso Passarelli (advogado) e
Rocha Mattos, todos preocupados em apagar os vestígios do forte elo existente
entre os integrantes da organização", afirma a PF.
Destruição de vestígios ou provas comprometedoras
Segundo o relatório, "a preocupação com uma possível ação policial ou da
Justiça fomenta reuniões e encoraja os envolvidos a executarem a destruição de
vestígios ou provas que possam comprometê-los".
A PF faz um alerta: "O tráfico de influência ou “troca de favores
graciosos” continua a ser praticado, o que demonstra que a organização, dotada
de integrantes de alto poder de mando e influência, fazem da Operação Anaconda
a única esperança de colocar no eixo instituições que já gozaram de grande
prestígio perante a população, mas que hoje jazem no descrédito provocado pela
conduta de alguns de seus membros que tem a convicção da impunidade."
Os juízes Casem e Ali Mazloum consideram-se "vítimas de uma armação de
procuradores da República". Casem foi denunciado por tráfico de
influência, interceptação ilegal de telefone e quadrilha. Ali, que é seu irmão,
é acusado de abuso de poder e ameaça.
Rocha Mattos entrou ontem com pedido de férias. Alegou não estar em condições
de trabalhar. Ele nega envolvimento com a "organização criminosa"
denunciada pela Procuradoria. O juiz disse que está separado da auditora Norma
Regina, com quem tem um filho de 12 anos, há quase cinco anos. Sobre os US$ 550
mil encontrados no apartamento de Norma, o magistrado disse que "ela é
quem deve explicar". Rocha Mattos disse que as fitas do caso de Santo
André, no Grande ABC (SP), "são cópias que recebeu da Justiça
estadual".
"Mandei destruir as originais, mas depois chegaram as cópias e as
guardei", disse o juiz. "Pretendia enviar as cópias para o Ministério
Público Federal", garantiu. (AE)
O LIBERAL - PA | PAINEL | 04/11/2003
PF põe juízes federais no topo de quadrilha
São
Paulo (Agência Estado) - O relatório da Diretoria de Inteligência da Polícia Federal (PF) descreve que a participação
do “terceiro nível de hierarquia” do grupo, ou a cabeça da suposta quadrilha, é
formada pelos juízes federais de São Paulo João Carlos da Rocha Mattos, Casem
Mazloum e Ali Mazloum. Na página 4 do documento confidencial que a PF
encaminhou à Procuradoria da República, está escrito: “O monitoramento
telefônico e diagramas de ligações comprovam, seguramente, a participação dos
servidores públicos que praticam condutas criminosas por ação ou omissão
(prevaricação, corrupção passiva, concussão, facilitação de contrabando e
descaminho, violação de sigilo funcional e outros) com o fito de proteger os intermediadores
ou servidores em procedimentos administrativos ou fornecerem cobertura aos
negócios ilícitos geridos por empresários.”
Tais empresários, segundo o relatório da PF, “também pagam alto preço pela
interrupção de investigações em andamento, conclusão pífia em inquéritos
policiais e até mesmo pela absolvição perante a Justiça, todos os atos
praticados com a chancela dos intermediadores.” “Nessa vertente”, prossegue o
relatório, “figuram no terceiro nível hierárquico, na Justiça Federal de São Paulo
os juízes João Carlos da Rocha Mattos, Casem Mazloum e Ali Mazloum”. “Os
diálogos (gravados) servem para ilustrar a movimentação de integrantes do
escritório de César Herman (agente da PF), Jorge Luiz (delegado), Afonso
Passarelli (advogado) e Rocha Mattos, todos preocupados em apagar os vestígios
do forte elo existente entre os integrantes da organização”, afirma a PF.
Segundo o relatório, “a preocupação com uma possível ação policial ou da
Justiça fomenta reuniões e encoraja os envolvidos a executarem a destruição de
vestígios ou provas que possam comprometê-los”.
A PF faz um alerta: “O tráfico de influência ou ‘troca de favores graciosos’
continua a ser praticado, o que demonstra que a organização, dotada de
integrantes de alto poder de mando e influência, fazem da Operação Anaconda a
única esperança de colocar no eixo instituições que já gozaram de grande
prestígio perante a população, mas que hoje jazem no descrédito provocado pela
conduta de alguns de seus membros que tem a convicção da impunidade.”
Os juízes Casem e Ali Mazloum consideram-se “vítimas de uma armação de
procuradores da República”. Casem foi denunciado por tráfico de influência,
interceptação ilegal de telefone e quadrilha. Ali, que é seu irmão, é acusado
de abuso de poder e ameaça.
Rocha Mattos entrou ontem com pedido de férias. Alegou não estar em condições
de trabalhar. Ele nega envolvimento com a “organização criminosa” denunciada
pela Procuradoria. O juiz disse que está separado da auditora Norma Regina, com
quem tem um filho de 12 anos, há quase cinco anos. Sobre os US$ 550 mil
encontrados no apartamento de Norma, o magistrado disse que “ela é quem deve
explicar”. Rocha Mattos disse que as fitas do caso de Santo André, no Grande
ABC (SP), “são cópias que recebeu da Justiça estadual”. “Mandei destruir as
originais, mas depois chegaram as cópias e as guardei”, disse o juiz.
“Pretendia enviar as cópias para o Ministério Público Federal”, garantiu.
Ministério Público pede que prisão temporária seja prorrogada por cinco dias
São Paulo (Agência Estado) - A Procuradoria da República pediu ontem a
prorrogação, por mais cinco dias, da prisão temporária dos oito acusados de
integrar a quadrilha de corrupção na Justiça Federal. O requerimento foi feito
pela procuradora da República Janice Agostinho Barreto Ascari, que despachou
com a desembargadora Therezinha Cazerta, do Tribunal Regional Federal (TRF). A
decisão não havia sido divulgada até às 20 horas de ontem.
O Ministério Público Federal (MPF) quer manter na cadeia os delegados federais
José Augusto Bellini e Jorge Luiz Bezerra da Silva (aposentado), os advogados
Affonso Passarelli Filho, Sérgio Chiamarelli Júnior e Carlos Alberto da Costa
Silva, o agente da PF César Herman Rodriguez, além de Wagner Rocha - acusado de
ser o intermediário de empresários no esquema.
Ontem, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pirataria decidiu que
convocará para depor os juízes federais João Carlos da Rocha Mattos, Ali
Mazloum e Casem Mazloum -acusados de integrar o suposto esquema criminoso. “Não
há motivo para não atendermos ao chamado da CPI”, disse Casem. A convocação
será feita por causa do depoimento prestado hoje em São Paulo pelo ex-delegado
federal Gilberto Américo. Ele procurou a CPI para dizer que é vítima de uma
conspiração comandada pelos irmãos Mazloum para barrar as investigações sobre
contrabando de mercadorias e evasão de divisas.
Américo acusou os magistrados de manterem relações suspeitas com o investidor
Renato Alencar Arraes e o doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o “Toninho Barcelona”
- que esteve foragido até a semana passada, quando o Supremo Tribunal Federal
(STF) suspendeu uma ordem de prisão contra ele. “Por que, após seis anos, esse
delegado vem fazer acusações à uma CPI? Por que ele não nos representou na
Corregedoria, na época que se disse perseguido?” questionou Casem. Segundo ele,
Ali Mazloum condenou Arraes a três anos e oito meses de prisão. Da mesma forma,
os irmão nunca julgaram nenhum caso contra “Toninho Barcelona”. Antes de
convocar os juízes, a CPI quer reunir mais evidências de possíveis
irregularidades. Para isso, vão requisitar todo o inquérito envolvendo “Toninho
Barcelona”, além de ouvir outras testemunhas citadas no depoimento de hoje. No
comando da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais
(Delecoie), Américo investigava, em 1998, as operações do investidor Arraes,
acusado de sumir com US$ 60 milhões de outros aplicadores. Em meio à apuração,
Américo foi preso por ordem do juiz Ali Mazloum.
GAZETA DO POVO – PR | BRASIL | 04/11/2003
MP pede prorrogação da prisão de envolvidos em fraude
Polícia Federal deve concluir nos próximos 15 dias perícia de documentos apreendidos
São Paulo (AF) – O Ministério Público Federal pediu ontem à desembargadora
federal Therezinha Cazerta a prorrogação por mais cinco dias da prisão
temporária das oito pessoas que foram recolhidas à cadeia pela Polícia Federal na última quinta-feira, na
chamada Operação Anaconda.
O objetivo dos procuradores da República é evitar que essas pessoas sejam
soltas, já que a prisão temporária decretada na semana passada venceria no
início da madrugada de hoje.
Até as 21 horas de ontem, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 3.ª Região (em
São Paulo) não havia divulgado a decisão da desembargadora sobre o pedido.
A decisão sobre o pedido de prisão preventiva do juiz João Carlos da Rocha
Mattos somente será tomada pelo órgão especial do TRF (composto pelos 18
desembargadores mais antigos do tribunal), que também decidirá sobre a transformação
das demais prisões temporárias em preventivas.
Antes de o TRF decidir sobre o assunto, porém, Rocha Mattos terá um prazo de 15
dias úteis para apresentar uma defesa prévia. O prazo começa a ser contado da
data do recebimento da intimação, que deverá ocorrer amanhã.
O órgão especial também deverá apreciar as denúncias oferecidas pelo Ministério
Público Federal contra 12 pessoas, entre elas Rocha Mattos e os juízes Ali e
Casem Mazloum. Caso a denúncia seja recebida formalmente, eles passarão a ser
réus em processo penal. Mas os juízes também têm o prazo de 15 dias para
apresentar a defesa prévia.
A próxima reunião ordinária do órgão especial do TRF está marcada para 13 de
novembro, uma quinta-feira. Mas o Ministério Público espera que a presidência
do TRF convoque uma reunião extraordinária para discutir a eventual aplicação
de sanções administrativas contra os juízes. Rocha Mattos, por exemplo, poderá
ser afastado do cargo. Ele tem dito que pretende tirar férias e que, depois,
quer se aposentar.
Apesar de serem acusados de vender sentenças, os três juízes continuam
trabalhando. Eles proferem decisões sobre a prisão e a libertação de réus
federais.
Perícia
A Polícia Federal deve concluir nos
próximos 15 dias a perícia dos 1.300 quilos de documentos e equipamentos
apreendidos em 15 diligências na quinta-feira passada, em São Paulo e Maceió.
Em meio à matéria-prima de trabalho da perícia estão US$ 550.549 e dois quilos
de ouro em barra, apreendidos na casa de Norma Regina Emílio Cunha, ex-mulher do
juiz Rocha Mattos, além de 200 quilos de armas e munições e mais US$ 42 mil
coletados em outras dependências.
GAZETA DO POVO – PR | BRASIL | 04/11/2003
Doleiro será interrogado amanhã
Curitiba
– O juiz da 2.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, especializada em lavagem de
dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional, Sérgio Moro, marcou
para amanhã o interrogatório do doleiro Alberto Youssef, suspeito de movimentar
três contas milionárias na agência do Banestado em Nova Iorque. Ele foi preso
no domingo de Finados, quando visitava o túmulo da mãe num cemitério em
Londrina (Região Norte) e foi transferido para a carceragem da Superintendência
da Polícia Federal (PF), em Curitiba.
A Justiça Federal também decretou as prisões preventivas do cunhado do doleiro,
Eroni Miguel Peres, e de Paulo César Stinghen, a pedido do Ministério Público
Federal (MPF). Peres e Stinghen são sócios da Proserv Assessoria Empresarial
S/C Ltda, uma empresa de fachada que seria utilizada pelo doleiro para remessa
de divisas ao exterior.
Youssef, gestor da empresa Youssef Câmbio e Turismo Ltda, e os demais são
acusados de sonegação fiscal de mais de R$ 33 milhões entre 1996 e 1999, sem
contar multa e juros, conforme apuração feita pela Receita Federal, de evasão
ilegal de divisas e formação de quadrilha. Em outros processos, ele é acusado
de envolvimento em lavagem de dinheiro de corrupção, supostamente desviado das
prefeituras de Londrina e Maringá e da Copel – Companhia Paranaense de Energia
Elétrica, no caso Copel/ Olvepar.
Segundo o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que atua em
Curitiba, o MPF espera que ele colabore, porque caso isto ocorra é possível
oferecer algum tipo de benefício.
No entanto, isto seria quase impossível, pois é muito difícil oferecer
benefício sem algo relevante, segundo o procurador.
O advogado de Youssef em Curitiba, Antônio Augusto Figueiredo Basto, disse
ontem à Agência Estado que vai aguardar o interrogatório de Youssef para
decidir se entra com pedido de revogação da prisão na Vara Federal ou se vai ao
Tribunal Regional Federal (TRF) com um pedido de habeas-corpus.
Stephanes diz que balanço do Banestado era "maquiado"
Atual secretário de Administração do Paraná afirma que banco registrava
prejuízo diário de R$ 2 milhões
Reinhold Stephanes durante depoimento à CPI, ontem. (Aniele Nascimento/GP)
Curitiba – Sentado ao lado dos deputados que integram a Comissão Parlamentar de
Inquérito que investiga o Banestado (CPI do Banestado) na Assembléia
Legislativa, o ex-presidente do banco, Reinhold Stephanes – atual secretário de
Administração do Paraná –, afirmou ontem em depoimento que os balanços do banco
eram "maquiados e irregulares", além de apresentarem prejuízos diários.
De acordo com ele, os balanços não apresentavam a realidade da instituição
financeira.
Stephanes assumiu a presidência do banco em 1999, após ter sido convidado pela
segunda vez pelo então governador Jaime Lerner. "Registrei, em artigos
publicados pelos jornais, minha indignação quanto às fraudes e irregularidades
que ocorreram no banco. O desrespeito era geral, os funcionários tinham perdido
sua auto-estima e o balanço apresentava um prejuízo diário de cerca de R$ 2
milhões, isto só em operações inter-bancárias. Os balanços eram atrasados,
irregulares e maquiados."
O ex-presidente do banco completou a declaração afirmando que em seu período de
gestão nenhuma irregularidade foi cometida. "Quando entreguei o cargo, o
banco estava trabalhando em plena capacidade, apresentava lucro e perspectivas
futuras muito boas."
Reinhold Stephanes disse ainda aos deputados que não participou da comissão de
licitação que definiu a venda do Banestado e que não teve influência na
avaliação do banco. No entanto, o então vice-presidente, José Evangelista de
Souza, e o ex-diretor financeiro Waldemar Dante Borgado fizeram parte da
comissão, indicados por Stephanes.
O ex-presidente revelou que as relações que mantinha com o então governador,
Jaime Lerner, e o então secretário de Estado da Fazenda, Giovani Gionédis,
"eram relativamente tensas".
"Ao primeiro secretário de Lerner que foi fazer pedidos, eu disse que a
festa havia acabado. Também tivemos divergências quanto ao cronograma de
privatização. Eu defendia que fosse após a venda do Banespa (Banco do Estado de
São Paulo)."
Perguntado sobre a recomendação do Banco Central (BC) de que era necessário
fazer um ajuste no balanço do Banestado no valor de R$ 954 milhões, bem como de
que a situação do patrimônio líquido era negativa em R$ 1,431 bilhão, já em 31
de dezembro de 1997, Stephanes afirmou que os ajustes foram efetuados
"sempre com a mais absoluta concordância do Banco Central".
Mesmo sabendo que fazer alterações de resultado de exercício passado é crime,
Stephanes disse que nenhum lançamento foi feito antes de "exaustivas"
discussões com fiscais do BC e até mesmo com o Tribunal de Contas do Estado
(TC). Sobre se foi um bom negócio ter emprestado R$ 5,6 bilhões da União para
vender o banco por R$ 1,6 bilhão, o ex-presidente disse que acreditava que o
Banestado valia muito mais, mas quem definiu o preço foi o mercado. "Houve
o leilão e o banco não valeria mais do que isso, senão teriam pago mais."
A CPI quis saber se o Banestado foi bem avaliado, mas o ex-presidente disse que
não saberia. O Bradesco, segundo ele, ficou meses com um grupo de 30 a 40
pessoas analisando todo o Banestado.
"Coloco em dúvida até onde a avaliação teve influência no preço final
pago, uma vez que teve um ágio de mais de 300%. O preço mínimo era um valor de
referência."
A participação do Banco Central nesse processo foi criticada por Stephanes.
"O Banco Central agiu de forma burocrática. Se houvesse uma intervenção um
ano antes, o Banestado não teria chegado a essa situação." Ele disse que
chegou a falar para a diretoria do BC que todos eram culpados pela situação.
Ex-diretor nega participação em auditoria
A Comissão Parlamentar de Inquério do Banestado na Assembléia Legislativa (CPI
do Banestado) ouviu ontem o ex-diretor geral do Tribunal de Contas do Estado
(TC) Edgar Antônio Guimarães, que atualmente exerce o cargo de consultor do TC.
Guimarães disse que em momento algum teve ligação com o processo de auditoria e
fiscalização do Banestado. Ele foi diretor geral entre 1999 e 2000, a convite
do então presidente do Tribunal de Contas, Quielse Crisóstomo da Silva, mas era
um cargo apenas administrativo.
A competência para fiscalizar as contas do banco, nos anos de 1996 a 1999, era
da 7.ª Inspetoria do TC, comandada pelo conselheiro Henrique Naigeboren, atual
presidente do Tibunal. Guimarães disse que para fiscalizar o processo
licitatório do Banestado foi criada uma comissão mista, mas ele não lembrava
quem eram os integrantes.
Hoje, às 10 horas, no Plenarinho da Assembléia Legislativa do Paraná, os deputados
integrantes da CPI esperam ouvir o ex-secretario da Fazenda do governo Lerner
Giovani Gionédis.
GAZETA DO POVO – PR | BRASIL | 04/11/2003
Operação no Rio contra o tráfico reúne 780 policiais
Rio
(AE) – Setecentos e oitenta policiais participaram ontem de uma operação em 20
pontos diferentes do Rio para coibir o tráfico de drogas. Segundo a Secretaria
de Estado de Segurança do Rio de Janeiro, a operação deve prosseguir até o fim
do mês . Do total de policiais, 80 são agentes federais.
A previsão é de que no fim de novembro, 600 locais terão sido alvo da ação
policial, batizada de Pressão Máxima. Dessa vez, além de confiscar celulares
dos agentes, para garantir o sigilo da operação, o secretário Anthony Garotinho
transferiu cerca de 900 PMs de dois batalhões para "desarticular o
envolvimento da polícia com o tráfico", nas palavras do secretário.
"Não podemos prender porque não sabemos quem está envolvido. Por isso,
transferimos 900 homens", explicou.
O secretário Anthony Garotinho avisou que a intenção da megaoperação é sufocar
a atuação dos criminosos, mas a ação de ontem não mudou muito a rotina nos
locais patrulhados. Numa favela da zona norte (Morro do Encontro) e em dois
prédios da zona sul (Sollymar e Cruzada São Sebastião) em que a reportagem
acompanhou a operação, os policiais permaneceram por cerca de duas horas.
Também não foi cumprido à risca o efetivo prometido por Garotinho para cada
local – 15 PMs do Grupamento de Ação Tática (GAT), 10 do batalhão da área, um
oficial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e 13 policiais civis (quatro
agentes da Polícia Federal devem
integrar as equipes a partir de quinta-feira). No Edifício Sollymar, na Praia
de Botafogo, havia 20 policiais civis e quatro PMs. No Morro do Encontro, 15
PMs e 10 civis.
O ESTADO DO PARANÁ | NACIONAL | 04/11/2003
Juízes: PF desconfia de contas no exterior
Redação/O
Estado do Paraná
Brasília - A Polícia Federal encontrou
entre os documentos apreendidos em operação na quinta-feira em São Paulo
indícios da existência de contas no exterior do grupo acusado de montar um
esquema de venda de decisões judiciais e favorecimentos na PF em São Paulo. Os
documentos, que já estão sendo analisados pelo setor de inteligência da
corporação em Brasília, trazem indicações sobre transações bancárias no
exterior supostamente feitas por integrantes do esquema. Com base na análise
dos documentos, a PF e o Ministério Público Federal poderão requisitar quebra
de sigilo bancário e rastrear as contas.
J. DO COMMERCIO - PE | BRASIL | 04/11/2003
Gerente do tráfico é morto no Rio em troca de tiros com PMs
SÃO
PAULO – As polícias Civil e Militar do Rio iniciaram ontem a realização de uma
megaoperação na capital e na Região Metropolitana, com o objetivo de prender
traficantes e localizar armas e drogas. A ação, denominada Pressão Máxima,
conta com 880 policiais, segundo a Secretaria da Segurança Pública.
Ontem de manhã, um homem acusado de ser o gerente do tráfico no Morro dos
Prazeres (Zona Sul), conhecido como Fiel, foi morto durante uma troca de tiros
com a Polícia Militar.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, informações passadas ao
Disque-Denúncia apontam que Fiel teve envolvimento em um ataque ocorrido no dia
31 de março contra a estação de trem do Corcovado. As denúncias ocorreram após
a morte do acusado.
Ainda conforme a secretaria, a operação ocorrerá durante um mês, em 600 pontos
de favelas, que foram identificados como locais usados pelo tráfico. Serão
averiguados 20 pontos por dia.
A partir de amanhã, a Polícia Federal
(PF) também entrará na operação. Segundo o Governo do Rio, o secretário da
Segurança Pública, Anthony Garotinho, conversou com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, na última sexta-feira,
sobre a ação policial.
Ainda de acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o esquema já estava
pronto e a Polícia Federal precisará
obter informações sobre a ação. Por isso, integrará as investigações a partir
de amanhã.
RELATÓRIO – As equipes policiais enviarão no fim de cada dia um relatório para
a Secretaria da Segurança Pública contendo o resultado da megaoperação. Os
dados deverão ser divulgados à imprensa.
A polícia também pede aos moradores para passarem informações ao
Disque-Denúncia. O telefone é 0/xx/ 21/ 2253-1177. A pessoa não precisa se
identificar.
MEIO NORTE - PI | OPINIÃO | 04/11/2003
Cobertura total
Chegam, nesta quarta-feira, as provas do concurso para defensor público do Piauí. Serão recebidas por agentes da Polícia Federal que terão sua guarda até a realização das provas no próximo domingo.
MEIO NORTE - PI | GERAL | 04/11/2003
Anaconda
A senadora Serys Slhessarenko (PT-MS) elogiou a “Operação Anaconda”, da Polícia Federal, e criticou quem “só publica escândalos envolvendo o zé povinho”, citando cada os programas de TV tipo “Cidade Alerta”, da Record.
CORREIO DO POVO - RS | GERAL | 04/11/2003
Comissão federal avalia PF/RS
Uma
dívida de R$ 4 milhões e um quadro funcional em que 70% dos servidores atuam em
funções administrativas. Estas são algumas das realidades da Polícia Federal no Estado. Os dados foram
apresentados ontem pelos deputados do Grupo de Diligência (GD) da Comissão de
Segurança e Combate ao Crime Organizado e Narcotráfico, da Câmara Federal. Em
visita à Capital, eles se reuniram com o superintendente da PF no RS, Ruben
Fockinck, e com lideranças do Sindicato dos Policiais Federais (Sinpef/RS).
Conforme a deputada Perpétua Almeida (PCdoB/AC), a situação da PF gaúcha é de
penúria. 'Há falta de recursos humanos, as instalações são precárias e há muitas
dívidas', destacou, ao criticar a falta de um plano de carreira. Segundo o GD,
25% do total de 558 servidores são terceirizados e têm acesso a informações
confidenciais. Já o deputado Paulo Pimenta (PT/RS) frisou que um relatório de
medidas emergenciais para alavancar os trabalhos da PF será apresentado no dia
12 ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
Ontem, foi assinado um contrato de reconstrução de um prédio na avenida
Ipiranga, que será a nova sede da superintendência da PF.
CORREIO DO POVO - RS | INTERIOR | 04/11/2003
Estudantes
fecham BR durante 15 minutos
Alunos usaram troncos de
eucalipto para obstruir a via
Os
76 alunos da Escola Estadual Técnica Agrícola realizaram ontem um protesto na
BR 285. Eles bloquearam a via por 15 minutos, por volta das 14h, diante do
portão de acesso à instituição. Com a chegada da Polícia
Rodoviária Federal e da Brigada Militar, a BR foi liberada. Os
estudantes querem a saída de 12 famílias de pequenos agricultores que há 43
dias ocupam dois prédios da escola.
Segundo um dos líderes da manifestação, a invasão está comprometendo pesquisas
desenvolvidas pelos alunos. O líder dos agricultores, Cláudio Sziaekovski,
disse que, caso o governo não se manifeste até o meio-dia de hoje, será dado
início ao plantio de milho e soja em 120 dos 240 hectares da área cultivável da
instituição. O diretor da escola, Ademir Vargas, garantiu que ainda nesta
semana começará o plantio das lavouras de soja. 'Não podemos permitir que
outros cultivem terras que garantem a sustentação da instituição', disse.
Segundo Ademir Vargas, o secretário de Reforma Agrária e Cooperativismo, Vulmar
Leite, deverá se reunir hoje com a direção da escola e os agricultores.
ZERO HORA - RS | POLÍTICA | 04/11/2003
Relatório da
PF descreve método de ação de bando
Texto foi enviado ao
Ministério Público
Um relatório da Diretoria de
Inteligência da Polícia Federal (PF)
sobre a atuação da quadrilha de juízes, empresários e policiais federais de São
Paulo desbaratada pela Operação Anaconda afirma que a cúpula do grupo é formada
pelos magistrados João Carlos da Rocha Mattos, Casem Mazloum e Ali Mazloum, que
são irmãos.
Na página 4 do documento confidencial que a PF encaminhou à Procuradoria da
República, está escrito: "O monitoramento telefônico e diagramas de
ligações comprovam, seguramente, a participação dos servidores públicos que
praticam condutas criminosas por ação ou omissão (prevaricação, corrupção
passiva, concussão, facilitação de contrabando e descaminho, violação de sigilo
funcional e outros) com o fito de proteger os intermediadores ou servidores em
procedimentos administrativos ou fornecerem cobertura aos negócios ilícitos
geridos por empresários".
Os empresários, segundo o relatório da PF, "pagam alto preço pela
interrupção de investigações em andamento, conclusão pífia em inquéritos
policiais e até mesmo pela absolvição perante a Justiça, todos os atos
praticados com a chancela dos intermediadores."
"Nessa vertente", prossegue o relatório, "figuram no terceiro
nível hierárquico, na Justiça Federal de São Paulo, os juízes João Carlos da
Rocha Mattos, Casem Mazloum e Ali Mazloum".
Irmãos juízes se dizem vítimas de armação
Segundo o texto, "a preocupação com uma possível ação policial ou da
Justiça fomenta reuniões e encoraja os envolvidos a executarem a destruição de
vestígios ou provas que possam comprometê-los".
Os juízes Mazloum consideram-se "vítimas de uma armação de procuradores da
República". Casem foi denunciado por tráfico de influência, interceptação
ilegal de telefone e quadrilha. Ali é acusado de abuso de poder e ameaça.
Rocha Mattos pediu férias ontem, alegando que não tem condições de trabalhar. O
magistrado nega envolvimento com a organização investigada pela PF. O juiz
disse que sua ex-mulher, Norma Regina Cunha, em cujo apartamento foram
encontrados US$ 550 mil, é quem deve explicar a origem do dinheiro.
A investigação
O que é
Uma megaoperação com cem homens da Polícia Federal
(PF) de Brasília e de outros Estados foi deflagrada na quinta-feira, em São
Paulo, para prender 11 pessoas acusadas de envolvimento na venda de sentenças
judiciais.
No grupo havia dois delegados e um agente da PF, três advogados, empresários e
Norma Regina Emílio Cunha, ex-mulher do juiz federal João Carlos da Rocha
Mattos.
O Ministério Público Federal pediu a prisão preventiva de Rocha Mattos. Os
juízes Casem Mazloum e Ali Mazloum também foram denunciados.
O que foi apreendido
No apartamento de Norma Regina Emílio Cunha, ex-mulher do juiz João Carlos da
Rocha Mattos:
- US$ 550.549 (cerca de R$ 1,5 milhão)
- 100 mil euros (R$ 331 mil)
- Dois quilos de ouro em barra
- R$ 50 mil em ações
Num flat onde se hospedava o delegado Jorge Luiz Bezerra da Silva:
- R$ 42 mil
Em locais diversos
- 250 quilos de armas, algumas de grosso calibre, e munição
- Equipamentos de escuta clandestina
- 1,3 mil quilos de extratos bancários
e telefônicos, contratos, disquetes e computadores, entre outras peças
DIÁRIO DE S. PAULO | BRASIL | 04/11/2003
Recuo contra a paz social
CARLOS
MIGUEL AIDAR
O projeto do Estatuto do Desarmamento vem colocando em discussão a
possibilidade de as limitações ao uso, porte e venda de armas contribuírem para
a redução da criminalidade e a conquista da paz social. Hoje, a maioria dos
crimes é cometida com a utilização de armas de fogo e 60% dos homicídios são
praticados por pessoas sem antecedentes criminais, que matam, muitas vezes,
para resolver conflitos pessoais. São os chamados crimes por motivos fúteis e
torpes. Isto significa que há no Brasil uma verdadeira “cultura da bala” em
franco desenvolvimento, crescendo na falta de um controle mais efetivo da
comercialização das armas de fogo.
Em sua essência, o Estatuto do Desarmamento restringe o porte de armas a
integrantes das Forças Armadas, das polícias e outros agentes de segurança.
Pela lei aprovada na Câmara dos Deputados, o Ministério
da Justiça poderá celebrar convênio com estados para que as
policiais estaduais continuem concedendo portes.
Contudo, o grande avanço do Estatuto está na classificação do porte de armas
como crime inafiançável, um duro golpe no mercado ilegal de armas, que se
alimenta em grande parte de armamentos adquiridos legalmente pelos cidadãos e
que são roubados nos confrontos com delinqüentes. Estudos de especialistas em
desarmamentos comprovam que é falácia afirmar que a arma inibe a ação dos criminosos.
Pelo contrário, o cidadão armado corre mais riscos de morrer ao tentar revidar
do que ao optar por não reagir. A transformação do porte em crime inafiançável,
certamente, produzirá reflexos na queda dos índices de homicídios, ampliando o
caminho para a paz social no país.
O crime organizado e a “cultura da bala” deixam saldo nefasto de mortes por
arma de fogo. Dados apresentados pela Câmara indicam que em 2001 foram
registrados mais de 39 mil homicídios no país, sendo 12 mil em São Paulo. O
homicídio é a principal causa de morte entre jovens, principalmente nas
periferias das grandes cidades. Essa estatística coloca o Brasil, segundo a
Unesco, em terceiro lugar, num total de 60 países, em mortes por cem mil
habitantes na faixa dos 15 aos 24 anos. Em primeiro lugar vem a Colômbia,
seguida de Porto Rico. Circulam pelo país cerca de 30 milhões de armas ilegais
e 5 milhões de armas registradas, segundo o Ministério
da Justiça.
Até hoje, o Brasil possui uma legislação que qualifica e pune porte ilegal de armas.
A lei 9.437, de 20/2/97, é resultado de um debate patrocinado pela ONU, no
Cairo, há alguns anos. Pela lei, esse crime é punido com detenção de um a dois
anos e multa. O Estatuto do Desarmamento vai além. Aumenta as penas para posse
e porte ilegal, que podem chegar a seis anos nos casos de armas de uso
restrito. Quando se tratar de contrabando envolvendo armas ou munição de uso
proibido ou restrito às Forças Armadas, a pena torna-se mais pesada visando
inibir a violência perpetrada, principalmente, pelo crime organizado.
Porém, não basta a promulgação de uma lei para que caiam os índices de
violência e as cidades se tornem mais seguras. É preciso a adoção de medidas
que façam a lei sair do papel. Uma delas é a anunciada criação, pelo Governo,
da Rede Nacional de Desarmamento, formada por grupos especiais para
investigação e combate ao tráfico de armas. Unindo as polícias civil e federal,
em todos os estados, essa rede prevê o treinamento de policiais para o uso
correto de armas e abordagem de suspeitos. Técnicos do Governo acreditam que a
implantação da Rede Nacional de Desarmamento resultará numa significativa
redução no tráfico de armas.
É necessário, ainda, dar transparência ao destino das armas que saem das
fábricas brasileiras, determinando que as informações sobre produção,
exportação e comércio desse armamento sejam prestadas ao Ministério da Justiça. Hoje, elas estão
restritas ao Ministério da Defesa, como se envolvessem questão de segurança
nacional e não de segurança pública. Regras mais rígidas para a exportação,
especialmente para países fronteiriços ao Brasil, também deveriam ser adotadas.
É uma maneira de evitar que armas voltem clandestinamente para o território
brasileiro, abastecendo o crime organizado.
O desarmamento vai passar por referendo popular sem data fixada pela Câmara dos
Deputados, mas com data-limite imposta pelo Senado, onde tramita o texto. O
referendo será mais do que uma escolha entre “sim” ou “não” às armas, será a
possibilidade de a sociedade debater a “cultura da bala” e o Estado paralelo,
criado pelo crime organizado, que deixará bem claro que o desarmamento começa
no espírito dos brasileiros, únicos capazes de fazer dessa lei uma realidade.
Carlos Miguel Aidar é presidente da OAB/SP
DIÁRIO DE S. PAULO | SÃO PAULO | 04/11/2003
Juiz acusado de fraude decide se aposentar
SORAIA
AGEGÊ
Rocha Mattos chefiaria o esquema
Acusado pelo Ministério Público Federal e investigado pela Polícia Federal na Operação Anaconda por supostamente
liderar uma quadrilha de venda de sentenças judiciais a traficante e
contrabandistas, o juiz federal João Carlos da Rocha Mattos decidiu se
aposentar.
Ontem, pediu férias de 30 dias e pretende emendá-las com pedidos de licença nos
próximos seis meses. Ele tem 20 anos de carreira.
O juiz pretende montar um escritório de consultoria jurídica em São Paulo e
receber uma aposentadoria de, pelo menos, R$ 13 mil, enquanto espera o
julgamento de seu caso — que, segundo prevê, deve demorar pelo menos dez anos.
“Eu prevejo isso porque a Justiça é lenta e não funciona”.
Rocha Mattos afirmou que não está mais em condições de julgar, porque está
estressado com as acusações das quais vem sendo alvo, e pela prisão de sua
ex-mulher. Segundo ele, o pedido foi de apenas 30 dias de férias, mas que serão
prorrogáveis durante seis meses (que teria acumulado na carreira), quando
vencerá então o prazo para se aposentar definitivamente. “Não pretendo mais
atuar como juiz, pois estou muito apreensivo. Se for preciso, irei lá (ao
gabinete) nos próximos dias, mas já não vou assinar mais nada”, afirmou ele,
que se definiu como um “homem desiludido”.
Os planos do juiz Rocha Mattos são claros. Ele quer montar o escritório e se
dedicar mais aos “prazeres pessoais” “Eu gosto de outras coisas. Gosto de
música, de correr, ser magro, ter uma vida light”, disse. Ele também pretende
advogar em favor de colegas. Rocha Mattos negou a hipótese de estar recuando
diante das acusações ou se prevenindo contra um pedido de seu afastamento pelo
MPF. Até o final da semana deve ocorrer a sessão do Tribunal Regional Federal
que julgará seu afastamento.
Ontem, a CPI da Pirataria ouviu o depoimento do delegado aposentado da Polícia Federal Gilberto Aparecido Américo, que
disse ter sido vítima de conspiração tramada por dois juízes federais, os
irmãos Casem e Ali Mazloum, também acusados de participação no esquema da venda
de sentenças.
O MPF pediu a prorrogação da prisão preventiva dos oito acusados que estão sob
custódia da Polícia Federal — entre eles,
dois delegados e um agente da própria PF.
(colaborou Cristina Christiano)