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WEBCLIPPING – 10/12/2003 - PRIMEIRA EDIÇÃO |
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MJ-CIDADANIA |
· Direitos humanos - JORNAL DO BRASIL
· Governo já deve R$ 570 mi de indenização a anistiados - FOLHA DE S. PAULO
· João Paulo II e a atuação social da Igreja no Brasil - O ESTADO DE S. PAULO
· Anistiados vão receber R$ 1 bi em
três anos - O ESTADO DE S. PAULO
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MJ-COLUNAS |
· INFORME JB - JORNAL DO BRASIL
· BOECHAT - JORNAL DO BRASIL
· INFORME ECONÔMICO - JORNAL DO BRASIL
· PANORAMA POLÍTICO - O GLOBO
· PANORAMA ECONÔMICO - O GLOBO
· ANCELMO GOIS - O GLOBO
· PAINEL - FOLHA DE S. PAULO
· PAINEL S/A - FOLHA DE S. PAULO
· DORA KRAMER - O ESTADO DE S. PAULO
· BRASÍLIA - DF - CORREIO BRAZILIENSE
· CLÁUDIO HUMBERTO - JORNAL DE
BRASÍLIA
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MJ-CONCORRÊNCIA |
· Diniz: ''Rio é um Estado sonegador'' - JORNAL DO BRASIL
· O secretário que faltava - JORNAL DO BRASIL
· Um futuro para o Brasil - JORNAL DO BRASIL
· OMC mostra pessimismo sobre negociação comercial - JORNAL DO BRASIL
· Anatel: Senado aprova conselheiro - O GLOBO
· ‘Brasil deve fazer concessões aos mais pobres’ - O GLOBO
· UE fará proposta mais flexível ao G-20 - O GLOBO
· Mercosul prepara metas de 2006 - O GLOBO
· Os dois caminhos rumo à Alca - FOLHA DE S. PAULO
· Pós-Cancún, OMC já prevê novo fracasso - FOLHA DE S. PAULO
· Alca, da pressa à paciência - FOLHA DE S. PAULO
· Incompetência endêmica - FOLHA DE S. PAULO
· Escalada do euro beneficia exportador brasileiro - O ESTADO DE S. PAULO
· Telos pode precisar de sócio maior na Embratel - O ESTADO DE S. PAULO
· Assolan desiste de comprar a Bombril e lança novos produtos - O ESTADO DE S. PAULO
· Diniz denuncia concorrentes como sonegadores - O ESTADO DE S. PAULO
· Tendência é de mais parcerias nesse segmento - O ESTADO DE S. PAULO
· Projeto das agências pode ser mudado - O ESTADO DE S. PAULO
· Sessão quebra-gelos - O ESTADO DE S. PAULO
· Mercosul pode ter acordo com Egito até fim de 2004 - O ESTADO DE S. PAULO
· Telecom Italia diz que a BrT segue "estratégia equivocada" - GAZETA MERCANTIL
· A Telemar investe na banda larga sob demanda - GAZETA MERCANTIL
· A TIM busca clientes corporativos - GAZETA MERCANTIL
· Usiminas e CSN defendem fusão - GAZETA MERCANTIL
· Cresce venda de serviços na internet - GAZETA MERCANTIL
· Planos de outorga ficam a cargo das reguladoras - GAZETA MERCANTIL
· PPP & Regulação - GAZETA MERCANTIL
· G-20 e questão agrícola - GAZETA MERCANTIL
· OMC diz ser pouco provável negociação acabar em 2005 - GAZETA MERCANTIL
· Senado aprova Abdenur para EUA - VALOR ECONÔMICO
· Comissão do Senado aprova indicação para Anatel - VALOR ECONÔMICO
· Agências reguladoras - VALOR ECONÔMICO
· Lafer critica prioridades da política externa - VALOR ECONÔMICO
· Proex fecha o ano sem utilizar recursos - VALOR ECONÔMICO
· Anatel manda BrT desbloquear clientes da GVT - VALOR ECONÔMICO
· Assolan e Ceras Johnson investem em segmento de panos descartáveis - VALOR ECONÔMICO
· Atacado é o maior rival das grandes redes - VALOR ECONÔMICO
· CSN e Usiminas negociam para formar a múlti brasileira do aço - VALOR ECONÔMICO
· CVM quer melhor divulgação de agências - VALOR ECONÔMICO
· Diniz diz que mantém interesse no Bompreço - VALOR ECONÔMICO
· Executivos da Embratel negociam integrar-se ao consórcio da Telos - VALOR ECONÔMICO
· TIM quer ultrapassar Claro e ser vice-líder no Brasil em 2004 - VALOR ECONÔMICO
· Fraga ataca força dos bancos públicos - CORREIO BRAZILIENSE
· Fusão de gigantes - CORREIO BRAZILIENSE
· Gás de cozinha sobe 4,5% no DF
- JORNAL DE BRASÍLIA
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MJ-CONSUMIDOR |
· Defesa do consumidor: Olho na marca na hora de comprar o botijão - O GLOBO
· Maioria dos produtores de soja do RS não assina termo de compromisso - FOLHA DE S. PAULO
· Planos vão mesmo ficar mais caros - O ESTADO DE S. PAULO
· Marina Silva defende projeto - VALOR ECONÔMICO
· RS quer estender envio dos termos
de conduta - VALOR ECONÔMICO
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MJ-ELABORAÇÃO LEGISLATIVA |
· Senado aprova Estatuto do Desarmamento - O ESTADO DE S. PAULO
· Texto final do projeto recebeu elogio da maioria dos senadores - O ESTADO DE S. PAULO
· Prisão perpétua - O ESTADO DE S. PAULO
· Senado aprova Estatuto do Desarmamento - VALOR ECONÔMICO
· Senado aprova limite a uso de armas
- JORNAL DE BRASÍLIA
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MJ-EXECUÇÃO PENAL |
· Presos confessam fraude - JORNAL DO BRASIL
· Secretaria busca armas e drogas em Bangu IV - O GLOBO
· Polinter vai ganhar um sistema de refrigeração - O GLOBO
· Presidentes do STJ e do TST apóiam redução - FOLHA DE S. PAULO
· Parentes de detentos não deixam presídio - FOLHA DE S. PAULO
· Boi de piranha - FOLHA DE S. PAULO
· Esfiha do bem - O ESTADO DE S. PAULO
· Familiares ficam com rebelados
- JORNAL DE BRASÍLIA
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MJ-EXPLORAÇÃO SEXUAL |
· Médico é preso no escândalo dos
órgãos no Recife - O ESTADO DE S. PAULO
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MJ-INSTITUCIONAL |
· Uma rajada de números - O GLOBO
· Exército é contra promoção de Apolônio a general - O GLOBO
· Policiais federais fazem greve por melhores salários - O ESTADO DE S. PAULO
· Indenizações serão pagas até 2006 - GAZETA MERCANTIL
· Etco quer agir com países do Mercosul para inibir contrabando - GAZETA MERCANTIL
· Esporte atrai todas as classes sociais no combate às drogas - GAZETA MERCANTIL
· Os rumos da Fundação Odebrecht - GAZETA MERCANTIL
· A performance excepcional da balança - GAZETA MERCANTIL
· Baixaria e politicagem - CORREIO BRAZILIENSE
· Ops! - JORNAL DE
BRASÍLIA
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MJ-POVOS INDÍGENAS |
· Alencar não obtém acordo sobre disputa entre índios e posseiros - FOLHA DE S. PAULO
· Alencar não consegue acordo com
índios - O ESTADO DE S. PAULO
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MJ-SEGURANÇA PÚBLICA |
· Senado aprova em plenário o Estatuto do Desarmamento - JORNAL DO BRASIL
· PF desmonta esquema de contrabando na fronteira - JORNAL DO BRASIL
· PF pára na maioria do país - JORNAL DO BRASIL
· Polícia estoura depósito pirata - JORNAL DO BRASIL
· Diamante, Praga e Anaconda contra o crime - O GLOBO
· Contrabando faz Brasil perderR$ 1,8 bi ao ano - O GLOBO
· Corrupção fardada na fronteira - O GLOBO
· Estatuto das Armas agora vai à sanção de Lula - O GLOBO
· O plebiscito e o referendo - O GLOBO
· PF no Rio fará paralisação hoje e amanhã - O GLOBO
· Armas de fogo explicam crescimento do número de assassinatos no Brasil - O GLOBO
· Servidores da PF participarão de greve - FOLHA DE S. PAULO
· 38 policiais rodoviários são presos em Foz - FOLHA DE S. PAULO
· Entidade vê "forças econômicas" - FOLHA DE S. PAULO
· Preso médico acusado de integrar quadrilha - FOLHA DE S. PAULO
· Servidores da PF participarão de greve - FOLHA DE S. PAULO
· Juiz é amigo de doleiro que deveria julgar - FOLHA DE S. PAULO
· TST institui ouvidoria para acesso de cidadão - FOLHA DE S. PAULO
· Procuradoria fará nova denúncia contra juízes - FOLHA DE S. PAULO
· Não há provas de amizade, diz advogado - FOLHA DE S. PAULO
· Governistas do PT defenderão Flamarion - FOLHA DE S. PAULO
· Megaoperação prende 39 policiais em Foz - O ESTADO DE S. PAULO
· Polícia apreende 780 caça-níqueis irregulares em São José dos Campos - O ESTADO DE S. PAULO
· PF põe sob suspeita 12 sentenças de Rocha Mattos - O ESTADO DE S. PAULO
· Ex-empregada de Flamarion será investigada - O ESTADO DE S. PAULO
· Manual anti-crime previdenciário - GAZETA MERCANTIL
· Greve atinge todo o país - CORREIO BRAZILIENSE
· Desarme-se - CORREIO BRAZILIENSE
· Megaoperação da PF prende 39 policiais - CORREIO BRAZILIENSE
· Operação abafa CPI na Câmara - CORREIO BRAZILIENSE
· Márcio Passos fica livre - CORREIO BRAZILIENSE
· Otimismo na tormenta - CORREIO BRAZILIENSE
· Policiais federais entram em greve - JORNAL DE BRASÍLIA
· Operação prende 32 policiais coniventes com contrabando - JORNAL DE BRASÍLIA
· Médico é preso em Recife - JORNAL DE
BRASÍLIA
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MJ-CIDADANIA |
JORNAL DO BRASIL | GILBERTO AMARAL | 10/12/2003
Direitos humanos
O presidente em exercício José
Alencar preside hoje, às 10 horas, no Salão Nobre do Palácio do Planalto, a
cerimônia de entrega dos prêmios Direitos Humanos a 12 personalidades e 12
instituições, na presença do secretário especial de Direitos Humanos, Nilmário
Miranda.
Cada ganhador receberá uma obra de arte e um prêmio de R$ 10 mil.
FOLHA DE S. PAULO | BRASIL | 10/12/2003
Governo já deve R$ 570 mi de indenização a anistiados
O governo ainda não sabe como vai pagar cerca de R$ 570 milhões em indenizações atrasadas para os anistiados políticos. "Vamos administrar isso futuramente. Será pago de acordo com as possibilidades", disse o ministro do Planejamento, Guido Mantega. A conta inclui apenas os casos já julgados. Mas o próprio ministro acredita que a dívida total pode superar R$ 1 bilhão.
O ESTADO DE S. PAULO | ESPAÇO ABERTO | 10/12/2003
João Paulo II e a atuação social da Igreja no Brasil
DOM
CLÁUDIO HUMMES
Unindo-se às celebrações dos 25 anos de pontificado de João Paulo II, a
Embaixada da Itália no Brasil realizou ontem, 9 de dezembro, no Tuca, da PUC de
São Paulo, uma homenagem especial ao papa. Convidou-me a participar desse
evento e a prestar um testemunho sobre a influência que João Paulo II exerceu
nestes 25 anos sobre o compromisso social da Igreja no Brasil.
Sinteticamente, passo a referir esse testemunho.
Não há espaço suficiente para discorrer aqui sobre toda a doutrina social do
papa, que repercutiu fortemente na Igreja, também em nosso país. Basta lembrar
os principais documentos de João Paulo II referentes a assuntos sociais, como
são a encíclica sobre o trabalho humano, intitulada Laborem Exercens (1981), a
encíclica sobre a solicitude social da Igreja pelo desenvolvimento do homem e
da sociedade, intitulada Sollicitudo Rei Socialis (1987), e a denominada
Centesimus Annus (1991), marcada pela queda do comunismo no Leste da Europa.
Merecem também ser citados alguns memoráveis discursos do papa em suas três
visitas ao Brasil, nos quais tratou das questões mais candentes da realidade
brasileira, como a desigualdade social, a injusta e perversa distribuição de
renda, a reforma agrária, a situação dos trabalhadores urbanos e assalariados,
as favelas, as migrações internas, a miséria, o analfabetismo, a fome, o
racismo, a violência, os encarcerados, as crianças abandonadas, as famílias
desassistidas, a situação dos negros e dos indígenas. Dessas intervenções do
papa, que também inspiraram vários temas das anuais Campanhas da Fraternidade,
nasceram ou se alimentaram inúmeras Pastorais Sociais, que atuam até hoje.
Certamente, a questão da Teologia da Libertação foi uma oportunidade importante
e decisiva para o papa orientar a Igreja no Brasil em seu compromisso social.
João Paulo II deixou claro que, diante da pobreza que atingia grande parte do
povo brasileiro, era até necessária uma teologia da libertação baseada no
Evangelho de Jesus Cristo, mas que era inaceitável aquela teologia da
libertação que assumia a análise marxista como um dos eixos principais de sua
estrutura e de seu conteúdo. Foram, contudo, suas orientações positivas nas
várias áreas sociais problemáticas da realidade social brasileira que deram
forte impulso à atuação social da Igreja Católica no Brasil.
Bem no início de seu pontificado, este papa assumiu com coragem e lucidez a
defesa dos direitos dos trabalhadores, pois ele vinha da Polônia, então ainda
sob o regime comunista, onde sobressaía a atuação do sindicato Solidariedade,
do líder Lech Walesa, que o papa bem conheceu e sempre apoiou. Nessa mesma
época, aqui, no Brasil, surgia o líder sindical metalúrgico do ABC paulista
Lula, hoje notável presidente do nosso país.
Desse apoio do papa aos trabalhadores nasceu a Laborem Exercens, em 1981, um
ano após sua primeira visita ao Brasil, quando conheceu o que aqui acontecia na
luta dos trabalhadores. A repercussão desse documento foi grande e serviu de
orientação e encorajamento para a atuação da Igreja em apoio às enormes
mobilizações sindicais e greves dos metalúrgicos e de outras categorias do ABC
paulista, da cidade de São Paulo e pelo Brasil afora, na época. Disso resultou
forte impulso e desenvolvimento da Pastoral Operária brasileira.
Esta participou amplamente da mobilização operária da época, em vista da
redemocratização do nosso país, e na criação do novo sindicalismo, que nasceu
no ABC paulista, sob a liderança de Lula.
A solidariedade aos trabalhadores continua sendo prioridade da Igreja. Por
sinal, diante do flagelo imenso do desemprego hoje no Brasil e no mundo
inteiro, a Arquidiocese de São Paulo, há quase um ano, criou o Centro
Arquidiocesano do Trabalhador (Ceat), que é um serviço de inclusão social para
o reemprego dos desempregados.
Outra área social em que o papa impulsionou a Igreja no Brasil é a questão da
terra e a reforma agrária. Trata-se de uma bandeira que os bispos católicos
brasileiros há muito assumiram, defendendo a justa distribuição das terras e
melhores condições de vida para os agricultores. O papa apóia essa causa. Por
outro lado, conhecendo o que ocorre nesta luta pela terra no Brasil, em
especial a atuação dos movimentos sociais em favor da reforma, João Paulo II
tem desaprovado a invasão de propriedades rurais pelos sem-terra para
pressionar o governo, bem como a transformação do uso da energia - para evitar
invasões ou expulsar invasores - em violência desmedida e ilegal. Em 14 de
outubro de 1991, em São Luís, no Maranhão, falando das questões da terra, o
papa declarou: "Ao Estado cabe o dever principalíssimo de assegurar a
propriedade particular por meio de leis sábias, pois nem a justiça nem o bem
comum consentem danificar alguém nem invadir sua propriedade sob nenhum
pretexto. Mas cabe também à tutela do Estado assegurar um sistema justo de
distribuição das terras, garantindo, ao mesmo tempo, o direito de todos de que
se reconheça tanto a capacidade como o rendimento do próprio trabalho, dentro
de condições realisticamente acessíveis."
A urgência de uma reforma agrária, contudo, é vista pelo papa dentro do atual estágio
de modernização da agricultura. Por isso, no discurso citado ele fala de
modernizar as relações trabalhistas no campo, criar ocupações produtivas na
área rural, coibir as manifestações de violência, promover serviços de educação
e saúde, oferecer créditos financeiros, promover a cidadania dos agricultores.
Depois, aponta os resultados de uma tal política no sentido de menor êxodo
rural, maior produção agrícola e conseqüente normalização do abastecimento
urbano e oferta de alimentos básicos.
O papa ainda impulsionou a Pastoral da Criança e a Pastoral do Menor mediante
suas declarações em favor do direito da criança à vida, desde sua concepção, e
seus direitos à educação, a ter uma família e um lar. Denuncia o fato de haver
crianças abandonadas, meninos e meninas de rua, prostituição infantil, crianças
usadas por adultos para o tráfico de drogas e os problemas ainda mal resolvidos
da educação e reinserção social e familiar das crianças e dos adolescentes
infratores.
Essas são algumas das áreas em que a palavra de João Paulo II influiu no
compromisso social da Igreja no Brasil. A ele, nossa homenagem pelos 25 anos de
pontificado!
Dom Cláudio Hummes é cardeal-arcebispo Metropolitano de São Paulo
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 10/12/2003
Anistiados vão receber R$ 1 bi em três anos
O governo definiu ontem um plano
de pagamento de benefícios aos anistiados políticos que custará aos cofres
públicos cerca de R$ 1 bilhão até 2006.
Segundo o ministro do Planejamento, Guido Mantega, o governo reservará no
Orçamento de 2004 R$ 200 milhões para o pagamento de anistiados que têm à
receber indenização em cota única ou parcelas mensais e são incluídos na folha
de pagamento. Para 2005 o valor passará para R$ 300 milhões, chegando a R$ 400
milhões em 2006.
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MJ-COLUNAS |
JORNAL DO BRASIL | INFORME JB | 10/12/2003
Passagem à Índia
BELISA RIBEIRO
Maria da Conceição Tavares, do alto da condição de supermusa do PT nos idos
anos 80, surpreendia as platéias de suas vibrantes palestras ao afirmar que o
capital internacional só teria como saída a busca de mercados alternativos para
realizar seu objetivo mor de reprodução. Entre estes mercados, além da já então
óbvia China, citava o Brasil. E a Índia. Duas décadas depois, a história dá
razão à professora. A viagem que o presidente Lula faz ao país, no fim de
janeiro, consagra o reforço de uma aliança considerada prioritária em seu
discurso de posse.
Indira Gandhi esteve por aqui, em 1968, e FH esteve por lá em 1996, mas
políticas econômicas fechadas e até o teste de uma bomba atômica indiana
atrapalharam a aproximação. Ironicamente, foi através de visita do então
ministro da Saúde José Serra, em 2000, para conhecer genéricos contra a Aids,
que os dois países se aproximaram. A balança comercial saltou da faixa de US$
450 milhões para US$ 1,3 bilhão ano passado e a expectativa é de que, pós
visita presidencial, chegue aos US$ 5 bilhões. Exportação de aviões da Embraer,
que já vendeu Legacy para transportar autoridades e 175 para a empresa privada
Jet Airways, está na pauta, assim como parceria na área de informática em que a
Índia exporta US$ 5 bilhões por ano, enquanto o Brasil apenas US$ 400 milhões.
Biotecnologia também. Maiores exportadores de carne do mundo que somos,
precisamos renovar as bases genéticas do rebanho. Indiano não come carne mas
sabe tudo de nelore, gado predominante no nosso campo, chegado de lá nos anos
20.
Memória ultrajada
Na Comissão de Assuntos Exteriores e Defesa Nacional, cara a cara com o
ministro da Defesa, José Viegas, o deputado Jair Bolsonaro (PTB-RJ) indignou-se
ao saber que reajuste para a classe que representa, a militar, não é prioridade
do governo. Lembrou, na hora, a preocupação expressa por José Dirceu em
encontrar os ossos de mortos na ditadura. E atacou:
- Quem vai atrás de osso é cachorro - prometendo repetir a grosseria hoje, em
discurso na Câmara.
História apagada
Editada pelo Ministério da Assistência e Promoção Social, a cartilha
comemorativa dos dez anos da Lei Orgânica da Assistência Social melindrou o
tucanato. Quem conhece a história achou esquisito não ver o nome do deputado
Jutahy Magalhães Júnior (PSDB-BA), autor do projeto. Nem a informação de que a
lei foi criada no governo Itamar Franco e reabilitada por FH. Quem lê, pensa
que o pai é o PT.
Boas, mas nem tanto
Relatório do Unicef, a ser divulgado amanhã, mostra o Brasil em melhor posição
no ranking mundial de mortalidade de crianças de até cinco anos, apesar de
manter a taxa do ano passado - 36 mortes por mil. Ao lado de República
Dominicana, Filipinas, Vietnã e Armênia, estamos piores que os vizinhos
Argentina, Uruguai e Chile, com 19, 15 e 12, respectivamente. Sendo
determinante para a exclusão social do futuro adulto o grau de escolaridade da
mãe, o documento aponta como exemplo positivo o Bolsa-Escola. Ao lado de 14
outros programas, inclusive uma réplica do brasileiro, em uso no Equador.
Dois coelhos
Negociador da reforma tributária pelo PSDB, Tasso Jereissati (CE) conseguiu
dois feitos. Além de convencer o Planalto a adotar sua proposta de implantar as
mudanças no modelo tributário em três etapas, encaixou seu check up anual no
calendário das votações. Amanhã, horas depois de votar o primeiro turno,
embarca para Cleveland, Estados Unidos, onde dá uma geral nas safenas que
carrega no coração. Volta a tempo de participar do segundo turno da reforma,
previsto para quarta-feira que vem.
Muito cão
À frente de operação para detectar irregularidades na contratação de
funcionários, fiscais do Ministério do Trabalho deixaram a fazenda do
presidente do STF, Maurício Corrêa, rapidinho. No meio da batida, os agentes
quase morreram de susto quando avistaram um canil lotado por cães adultos da
raça pit bull. Corrêa cria verdadeira matilha.
LANÇAMENTO DO BAÚ
O ministro da Cultura deu canja em retribuição aos presentes que recebeu –
bonecos típicos e um quadro pintado pelo embaixador da Índia, Amitava Tropathi,
anfitrião ontem de almoço oferecido para o restritíssimo grupo de colegas sino-
asiáticos que se reúne todo mês na capital. De violão em punho, Gil cantou uma
inédita, encontrada pela ex, Sandrão, entre velhos papéis. Amor de carnaval sai
no mercado ano que vem. Para ir decorando a letra: "Eu não quero mais
chorar/ Por causa de um amor qualquer/ Minha dor tem que acabar/ No carnaval se
Deus quiser."
JOGO RÁPIDO
Começa hoje a última reunião do ano do Conselho de Desenvolvimento Econômico e
Social. Além de balanço econômico com o ministro Antonio Palocci e o presidente
do Banco Central, Henrique Meirelles, o evento inaugura discussão sobre
política industrial. Cerca de 200 pessoas são esperadas, incluindo os mais de
90 conselheiros.
Os Correios queremsuperar a marca de 47 mil cartas respondidas e 18.500 pedidos
atendidos no Natal do ano passado. O projeto realiza sonhos como bonecas e
bicicletas, dirigidos diretamente a Papai Noel por carta. Até ajuda para bancar
conta de luz aparece. Quem quiser “adotar uma cartinha” pode participar através
do telefone 0800-6422004.
Com Doca de Oliveira e Bruno Arruda
JORNAL DO BRASIL | BOECHAT | 10/12/2003
Às falas
Em nome das centrais sindicais,
que não têm representação jurídica para tal, a Confederação Nacional dos Trabalhadores
Metalúrgicos abre processo contra o ministro Antonio Palocci, hoje, na Justiça
Federal de Brasília.
A ação pede a correção da tabela do Imposto de Renda.
Cegonha
A notícia circula entre assessores do Palácio dos Bandeirantes.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, será vovô.
Seu filho Thomaz, de 20 anos, e a namorada, Fabíola, de 24, esperam a visita da
cegonha.
Barreiras
Caberá ao Comando do Exército assessorar o governo federal na regulamentação do
Estatuto do Desarmamento.
O processo será todo técnico e deverá classificar alguns artigos como
inexeqüíveis.
Entre eles, o que manda numerar toda a munição produzida no país.
Rapidinho
Se pedir vistas da Reforma Tributária, hoje, como está ameaçando, o líder do
PFL, Agripino Maia, poderá inviabilizar sua aprovação este ano.
Salvo se tiver que examinar o projeto a jato.
Caberá ao presidente da CCJ, senador Edison Lobão, fixar o prazo.
Que pode ser de uma hora, no mínimo, ou de cinco sessões, no máximo.
É bom Agripino se preparar para o pior.
Em Brasília
Há 15 anos diretor técnico do Dieese, onde responde por todas as pesquisas ali
produzidas, o economista Sérgio Mendonça está de mudança.
Será secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento.
Coordenará as negociações do governo com o funcionalismo público.
Tremendo abacaxi.
Frente única
CUT e Força Sindical anunciam, semana que vem, um acordo em torno da reforma
sindical.
Vão defender o mesmo projeto.
Entre outras coisas, as duas centrais apoiarão o fim da contribuição sindical
obrigatória.
Raça excluída
Membro do Comitê Intertribal, Marcos Terena representou o Brasil ontem, em
Genebra, na conferência da ONU sobre a sociedade da informação.
Disse em alto e bom som que a revolução tecnológica será folclore enquanto os
projetos de inclusão digital não contemplarem os índios.
Fim da linha
Melou a aquisição da Viação São Geraldo pela sua concorrente, a Gontijo.
A negociação terminou há 15 dias, quando a direção da São Geraldo, que declara
não estar fazendo leilão da empresa, considerou baixa a oferta da compradora.
No comando
Com quase 200 filiados, será criada, em janeiro, a Associação Brasileira das
Empresas de Pesquisa.
É pule de 10 para presidir a entidade o nome de Eduardo Schubert.
Tela quente
Diretor dos três únicos filmes estrelados pelo cantor, Roberto Faria anda
conversando com Roberto Carlos.
Eles discutem novas parcerias.
Se a idéia vingar, o Rei voltará ao cinema - inicialmente como produtor e, em
seguida, como ator.
Relíquia
O pesquisador Jorge Sanglard garimpou textos de Carlos Drummond de Andrade,
inéditos em livro, publicados na imprensa mineira nos anos 20.
Um deles, que completará 80 anos ano que vem, é a primeira crítica literária do
jovem Drummond, então com 21 anos, onde ele defende o modernismo.
Autorizado pela família do poeta, Sanglard reunirá os textos na obra A formação
do pensamento crítico de Drummond.
Novos tempos
Prestes a completar 200 anos, o Jardim Botânico do Rio se moderniza.
Primeiro, desde a semana passada, pode-se visitá-lo, em detalhes, pela
internet.
Depois, seu herbário, com 300 mil dados, será digitalizado a partir de janeiro,
por R$ 2,2 milhões, doados pela Petrobrás.
Quem diria
O novo disco do baiano É o Tchan está sendo vendido em bancas do país.
Houve época em que os lançamentos do grupo eram sinônimo de corrida às lojas.
A tiragem já foi de 1 milhão de CDs - agora, é de 100 mil.
Arquibancada
O leitor Renato Machado torceu o nariz para a pesquisa segundo a qual 48% dos
cariocas torcem pelo Flamengo:
- Outra leitura pode ser feita - ponderou. - O índice também indica que 52% dos
torcedores do Rio são antiflamenguistas. Em tempo: Machado é tricolor.
Vem aí
Diretor da badaladíssima Ópera do malandro, em cartaz no Teatro Carlos Gomes,
Charles Moeller já tem planos ousados para o mês que vem.
Vai montar, ao lado de Cláudio Botelho, um espetáculo só com canções assinadas
pelos mestres John Kander e Fred Ebb para musicais da Broadway como Cabaret,
Chicago e New York, New York.
Quase todas as músicas serão traduzidas.
Lance Livre
A Editora Record publica, ano que vem, o livro Ato Cinco - A opressão no
Brasil, no qual Hélio Contreiras revela os bastidores das articulações que
levaram à decretação do AI-5, em 1968. O general-presidente Figueiredo deu
depoimento exclusivo ao autor, abrindo-lhe seus arquivos.
A Uerj vai ganhar o Prêmio Nacional de Direitos Humanos 2003, na categoria
Ações Afirmativas. A cerimônia de premiação é hoje, no Palácio do Planalto.
A Assembléia Legislativa concedeu ao barítono Nelson Portella o título de
Cidadão Benemérito do Rio.
Eduardo Coutinho lança, amanhã, Literatura Comparada na América Latina, na
Livraria Timbre, na Gávea.
Hoje, às 19h30, estréia do show Emílio Santiago encontra João Donato, no Rival.
A temporada vai até sábado.
O madeirame da obra de restauração do prédio do Tribunal de Justiça, na Praça
15, está despencando. Perto dali está a sede do Conselho Regional de Engenharia
e Arquitetura, a quem compete fiscalizar tais perigos.
Com Ronaldo Herdy e Telma Alvarenga
JORNAL DO BRASIL | INFORME ECONÔMICO | 10/12/2003
Autonomia em xeque
Não contem com Fernando Henrique
Cardoso para a autonomia do Banco Central. Perguntado sobre o tema no jantar de
aniversário do Pactual, segunda-feira em Nova York, FHC não fez por menos,
lembrando que teve de demitir dois presidentes de BC para salvar o Plano Real.
Alguém da platéia ensaiou uma defesa de Gustavo Franco, afinal um dos
responsáveis pela estabilização da moeda. E ouviu de volta que o país estava
perdendo reservas aos bilhões, por conta da insistência do ex-presidente do BC
na defesa da âncora cambial.
Janela de oportunidade
O volume de emissões de bônus por grandes empresas cresceu exponencialmente nos
Estados Unidos. Sinal de que aumentam as apostas em uma alta de juros no
primeiro semestre do ano que vem.
Daí a provável emissão de títulos da dívida brasileira ainda este mês, sem
esperar novas quedas do risco-país.
Presente de grego
O clima de Natal vai passar longe do Sudameris este ano. Ontem, foram demitidos
mais de 400 funcionários do banco, recém-adquirido pelo ABN Amro Bank. Os
cortes não aconteceram, como se pode pensar, apenas na área operacional do
banco. A lista atingiu diversos setores, incluindo a área de estratégias.
Viciados em adrenalina
A Embratel fechou ontem uma bem-sucedida captação no exterior. A oferta inicial
era de US$ 50 milhões. Entretanto, a operadora captou US$ 75 milhões, com prazo
de 5 anos e taxa de 11% ao ano.
Em causa própria
Em palestra para mais de 550 convidados no evento do Pactual, em Nova York,
nesta segunda, Paul Volcker (ex-FED) e Stanley Fischer (ex-FMI) aconselharam o
Brasil a não se deixar abater pelas disputas na área do comércio exterior, sobretudo
nas que envolvem os EUA.
Citando a China como exemplo, ambos lembraram que não é preciso abrir todos os
mercados para expandir as exportações. ''O Brasil não pode se prender a
discussões sobre produtos agrícolas e commodities industriais'', disse Volcker.
Torniquete mais frouxo
O desempenho decepcionante da indústria em outubro e o desemprego elevado já
haviam convencido parte significativa dos analistas que o corte de juros na
reunião do Copom superaria os dois pontos percentuais.
Agora mesmo os mais conservadores admitem um corte de 1,5 ponto e, como
complemento, uma forte redução do recolhimento compulsório sobre depósitos
bancários.
Liberando recursos para o crédito.
Market mover
A Petrobras movimentou ontem o mercado. As ações preferenciais da companhia
subiram 3,78% e as ordinárias, 5,46%. Na ponta compradora, investidores
estrangeiros entusiasmados com o upgrade dado à Petrobras pelo Merrill Lynch.
Traídos pelo desejo
Um detalhe significativo sobre a polêmica compra das ações da Vale do Rio Doce
pelo BNDES: a atenção do banco foi despertada por um pedido de financiamento da
Bradespar. A diretoria do BNDES concluiu que valia a pena exercer o direito de
preferência sobre os papéis da Investvale, objeto da consulta da Bradespar.
A holding de participações do grupo Bradesco fez o pedido porque não conseguiu
crédito do próprio banco, cuja diretoria, Márcio Cypriano à frente, considerou
elevada a exposição em uma só empresa, mesmo lucrativa como a Vale.
E o BNDES de Carlos Lessa temia que, com o poder de veto restituído, a
Bradespar cedesse depois a uma oferta da Mitsui.
Gol espírita
O lucro passou longe das considerações do BNDES, embora o montante de dinheiro
empregado (R$ 1,5 bilhão) desaconselhasse tal desprendimento. Sorte que a ação
só fez subir: comprada a US$ 46, já está em US$ 53.
Com Carla Falcão
O GLOBO | PANORAMA POLÍTICO | 10/12/2003
Tempo é dinheiro
A cada dia que passa fica mais
curto o prazo do governo para aprovar a reforma tributária no Senado e sobe o
preço dos apoios que precisa conseguir na oposição. É sempre assim quando o
governo deixa matérias importantes para o finalzinho do ano legislativo: fica
refém dos partidos e dos donos de voto. O PMDB subiu seu preço na semana
passada, ontem foi a vez do PFL.
As dificuldades criadas pelo PFL têm também componentes internos, resumidos na
disputa entre os grupos de Antonio Carlos Magalhães e Jorge Bornhausen. Mas
encontram campo fértil na desesperada corrida do governo contra o tempo.
Há 15 dias, diz o senador tucano Sérgio Guerra, cujo partido está colaborando
para aprovar a matéria e tentando amaciar o PFL, o governo aprovaria esta
matéria pagando menos. Daqui a uma semana, terá que fazer ainda mais
concessões.
Mas nem dá para falar que houve descuido. A matéria, por sua complexidade, já
consome muito tempo. E o governo, não dispondo com segurança dos três quintos
de votos no Senado, optou por negociar o conteúdo da reforma com um grande
número de atores. Além dos líderes partidários, os governadores, os prefeitos e
as autoridades econômicas do Executivo. Na semana passada, para atender ao
líder do PMDB, Renan Calheiros, o governo aceitou reduzir a tributação (ICMS)
dos produtos da cesta básica. Mas está enfrentando agora a reação dos estados
agroprodutores, que perdem receita com a medida.
Na semana passada o PFL participou das negociações com Palocci e Mercadante que
resultaram num acordo para a votação da reforma esta semana. Foi representado
pelo senador baiano Rodolpho Tourinho. Ontem, porém, o líder José Agripino Maia
exigiu o aumento dos recursos do Fundo de Participação dos estados e
municípios, o que custará mais um bilhãozinho de reais. No fim do dia,
Bornhausen pediu mais. Quer inserir na Constituição um artigo determinando a
correção anual da tabela do Imposto de Renda, providência que a classe média
adoraria, e isentar da Cofins os produtos importados. Esta, uma medida para as
elites. Alcança tanto o uísque como as máquinas e os equipamentos.
A reforma pode e deve sair mas, a este preço, o governo Lula ainda acaba se
arrependendo de tê-la proposto.
A retórica dos ricos
Na hora H, os países ricos sempre tiram a máscara. Ontem, em Genebra, na Cúpula
Mundial da Sociedade de Informação, Estados Unidos, Europa e Japão conseguiram
derrubar a proposta dos países pobres e em desenvolvimento de criação de um
fundo internacional para promover maior acesso aos benefícios das tecnologias
de comunicação. Esta é uma precondição da propalada globalização mais
simétrica, mas aceitaram apenas a criação de um grupo de estudos da ONU. Como
se o dinheiro fosse secundário, o texto final anunciará medidas para a
democratização do rádio, da televisão e computadores, prevendo a conexão de
escolas, hospitais e governos de todo os países à internet. Incoerência total,
diz Sergio Amadeu, presidente do ITI (Instituto de Tecnologia da Informação),
do Gabinete Civil, um dos membros da delegação brasileira, chefiada pelo
embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. Como nacionalista, ele discursará hoje em
português.
Brasil, Índia e China foram derrotados na proposta de criação de um organismo
internacional para gerir a internet. Mas conseguiram alguma coisa em relação à
propriedade intelectual e uma referência positiva ao software livre no texto final.
Ao milagre, não aos santos
Tucanos irados acusavam o PT ontem até de stalinismo. O Ministério da Ação
Social publicou um livreto comemorativo dos dez anos da Lei Orgânica da
Assistência Social, a LOAS. É ela que tem garantido a um milhão de idosos e
deficientes sem renda o benefício mensal de um salário-mínimo. Depois de um
texto da ministra Benedita, a íntegra da lei e do decreto regulamentador são
reproduzidos. Mas não trazem ao final, ao contrário do que manda o costume, os
nomes de quem os assinou. No caso da lei, o ex-presidente Itamar Franco e o
então ministro da Assistência Social, o hoje líder tucano Jutahy Júnior. No
caso do decreto, o ex- presidente Fernando Henrique. Já os nomes de Lula e
Bendita aparecem com destaque na contracapa.
— Com o apoio do presidente Itamar Franco, tive o privilégio de sancionar a
lei, cuja relatora foi a ex-deputada Fátima Pelaes, do PSDB. Os estados,
municípios e inúmeros entidades da sociedade civil lutaram por ela. Os
benefícios começaram a ser pagos no governo Fernando Henrique. Não posso
calar-me diante da tentativa de reescrever a História, omitindo atores porque
não são do PT — afirma Jutahy.
O MINISTRO da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, está
disponibilizando a partir de hoje todos os gastos de sua pasta
(www.mct.gov.br/empenho). O senador João Capiberibe tem projeto tornando a
medida obrigatória para todos os órgãos públicos, federais, estaduais e
municipais. Ainda um sonho.
O GLOBO | PANORAMA ECONÔMICO | 10/12/2003
Visão de Appy
O
secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, rebate a idéia de
que a nova fórmula de tributação da Cofins aumentará a carga e diz que ela está
caindo este ano. As receitas do governo federal caíram de 24% para 23% do PIB.
E ele garante: “O ministro Antonio Palocci assumiu o compromisso de não
aumentar a carga.”
Appy contesta os argumentos que têm sido usados pela oposição e pelos
empresários de diversos setores para defender a tese de que haverá aumento da
carga porque a alíquota da Cofins em 7,6% está exagerada:
— Não podemos correr risco de perder receita, porque este ano cortamos tudo o
que podíamos. Não podemos cortar mais. Por isso, temos que calibrar
corretamente a alíquota para evitar qualquer erro.
Um dos argumentos do PSDB e da Ação Empresarial é que a receita do PIS aumentou
muito este ano e isso levantaria a suspeita sobre o aumento da Cofins. No fim
do ano passado, o PIS passou pelo mesmo processo de mudança que agora será
feito com a Cofins: saiu da cumulatividade para a não-cumulatividade e a
alíquota saiu de 0,65% para 1,65%. Aplicou-se agora a mesma fórmula. Como os
dois impostos vão ter no ano que vem a mesma base de cálculo, pode-se prever o
que acontecerá com a Cofins olhando o que se passou com o PIS.
Bernard Appy disse que sim aumentou muito a arrecadação do PIS, mas já está
caindo, tanto que, em outubro, PIS e Cofins tiveram quase o mesmo percentual em
relação ao mesmo período do ano passado.
O economista do PSDB José Roberto Afonso diz que eles se aproximaram porque
houve um aumento da Cofins por um motivo simples: entrou em vigor um aumento de
3% para 4% para a Cofins dos bancos.
Appy afirma que, mesmo excluindo isso, a arrecadação do PIS se aproximou da dos
outros impostos:
— Houve um aumento da arrecadação do PIS nos primeiros meses por razões
explicáveis. Primeiro, alguns empresários não entenderam a nova fórmula de
arrecadação e isso provocou uma elevação do recolhimento. Alguns não entenderam
que poderiam se creditar no valor da depreciação dos bens de capital. As
empresas agora estão aprendendo e isso está sendo corrigido. Além do mais,
tinha muita liminar contra o pagamento do PIS e elas caíram com a nova
regulamentação — explicou o secretário-executivo da Fazenda.
Appy diz que não haverá aumento da carga com a elevação da alíquota da Cofins
de 3% para 7,6%. Mesmo assim, confirma que o governo espera arrecadar a mais R$
4,8 bilhões no ano que vem com a nova forma de tributação. Eu perguntei se ele
está confiante nesse aumento de arrecadação porque acredita que os empresários
errarão o mesmo erro.
— Não exatamente por isso, mas também na Cofins há várias liminares que poderão
cair após a aprovação da MP.
A oposição apóia, evidentemente, o fim da cumulatividade. Essa é uma antiga
reivindicação dos empresários. Que os impostos não recaiam a cada etapa da
cadeia produtiva, mas sim que possam ser descontados os tributos já pagos em
outra etapa. É isto que ocorrerá agora. Em vez de pagar 3% sobre o faturamento total,
se pagará 7,6% sobre o valor adicionado. O problema é que determinados setores
não geram créditos ou produzem pouco crédito. Pagam muito e não têm como
descontar. Para avaliar exatamente o efeito da nova Cofins, o PSDB pediu no
Congresso que fossem fornecidos vários dados para que os técnicos fizessem as
contas. O PT mandou que a oposição fizesse um requerimento de informação, que
demora muito. Depois, o ministro Antonio Palocci prometeu dar os dados e até
agora estes dados foram negados pela Receita Federal. Perguntei ontem para
Bernard Appy por que tanto mistério. E ele disse:
— Se a oposição quiser os dados, daremos. Se o José Roberto Afonso quiser ver
nossos cálculos, eu mostro sem problema algum.
Que os técnicos conversem, pois, e façam suas contas da forma mais precisa
possível. A economia está reclamando — e com razão — do enorme peso da carga
tributária. Carga, aliás, elevada extraordinariamente no governo do PSDB.
— O José Roberto sabe que caiu a carga este ano, em vez de subir. E todos os
economistas sabem que o que fizemos de ajuste este ano foi muito maior do que o
feito nos oito anos do governo Fernando Henrique. Chegamos num ponto em que não
podemos cortar mais e, por isso, não podemos correr o risco de perder receita
por calibrarmos errado uma alíquota — afirmou Appy.
A propósito: ele diz que a carga caiu pelo fim de determinadas receitas
extraordinárias que foram recolhidas no ano passado.
O secretário-executivo da Fazenda admite que alguns setores podem ter um
aumento do que pagam de Cofins:
— O setor de serviços, por exemplo, principalmente os serviços a pessoas,
algumas empresas de agricultura, poucas, construção civil, talvez. A economia
como um todo vai ganhar, a indústria poderá se creditar da tributação sobre
valor agregado doméstico, a medida, no geral, será boa. E, se aumentar a carga,
há o compromisso público do ministro Palocci de que a carga não será elevada.
Neste caso, reduziríamos, mas a oposição prefere que, se cair algum imposto,
que se reduza a CPMF.
Segundo Appy, as críticas destinadas ao governo neste assunto têm um motivo
conhecido:
— Estamos apanhando porque quem ganha nada fala, quem perde, ou pensa que
perde, está reclamando.
Seja como for, o ideal é que este ponto esteja bem esclarecido porque ele tem
criado ruídos na negociação da reforma tributária. E tem criado porque o
governo baixou uma medida provisória de 68 artigos mudando a tributação no meio
da tramitação de uma emenda constitucional sobre tributação. Isso produziu a
confusão da Cofins.
O GLOBO | ANCELMO GOIS | 10/12/2003
Banco Marka
O Itamaraty se esqueceu de mandar
um advogado à audiência em Roma no processo contra Salvatore Cacciola, acusado
de crime financeiro.
Logo que o ex-banqueiro fugiu para a Itália, o governo brasileiro tentou uma
extradição. Mas, levando em conta que Cacciola é italiano, o país de Berlusconi
admitiu apenas seu julgamento lá.
Mamma, mia!
Por falar em Roma e em Itamaraty, o embaixador Itamar Franco vai estar em Brasília
no fim de semana.
Vai conversar com Lula.
Estão em casa
O ministro Marcos Vilaça, do TCU, decidiu ontem promover investigação rigorosa
nas obras de Bangu VI, a nova penitenciária de segurança máxima no Rio para 896
presos.
Numa dessas, quem sabe os culpados pelas irregularidades não inauguram a
cadeia... como inquilinos?
Coisa de bruxo
Tem gente que enxerga o dedo de Duda Mendonça nesta escolha de Nizan Guanaes
para fazer a campanha do PT no Rio.
Ao deixar um naco do PT para Nizan, logo com quem duelou em 2002, Duda
pretenderia mostrar que não monopoliza o marketing do governo Lula. É. Pode
ser.
No lucro
Há um mês, o BNDES comprou de 8,5% do capital da Valepar, pagando R$ 135 por
ação.
Ontem, a ação estava cotada a R$ 156. Deste ponto de vista, o governo ganhou.
Liberou geral
João Bosco, na contramão da guerra contra a pirataria, vai disponibilizar sua
obra num site.
Além de baixar as músicas, os fãs poderão imprimir, inclusive, as capas dos
CDs. A notícia será dada pelo músico no “Por acaso”, que vai ao ar hoje na TVE.
Crime e castigo
O TRF da 1 Região aceitou pedido do MP Federal para julgar em Brasília, e não
no Acre, o ex-deputado Hildebrando Pascoal, aquele acusado de homicídio, entre
outros crimes, em 1999.
O MP argumentou que a transferência era “imprescindível” porque “é notória
influência econômica e política do esquadrão da morte no Acre”. Meu Deus...
Cássia Eller
Hoje, dia em que Cássia Eller completaria 41 anos, a Universal e a MTV lançam
um DVD repleto de raridades da cantora, que morreu em dezembro de 2001.
O documentário traz fotos inéditas de Cássia.
Farra petista
Há um tititi de que a saída do economista Roberto Fendt do cargo de
editor-chefe da “Conjuntura Econômica” foi por causa de uma capa com críticas
ao PT.
Mas a FGV desmente e diz que foi por economia. Tanto que o cargo não será
preenchido.
Ô, madame!
A dona do Vectra LHG 2265, de 60 anos, teria oferecido uma graninha a
funcionários do Detran-RJ e foi parar na 6 DP, acusada de tentativa de suborno.
Madame teve o carro reprovado na vistoria do Posto Haddock Lobo. O estepe
estava careca.
Rio abraça Heloísa
Sexta, véspera da reunião convocada pelo PT para expulsar os radicais livres,
haverá uma manifestação no Centro do Rio, às 13h, em defesa dos rebeldes.
O ato “O Rio abraça Heloísa Helena” terá a presença da própria senadora
alagoana.
Sucesso em NY
Todos os programas de novembro da Filarmônica de Nova York traziam na capa uma
só foto: a do brasileiro Roberto Minczuk, regente-assistente da Sinfônica de
São Paulo e, agora, também da New York Philarmonic.
Ladrão teimoso
Veja como a violência no Rio pode bater duas vezes na mesma porta. Em novembro,
Gracindo Júnior, que dirige a peça “Anjos de cara suja”, teve o vidro do carro
quebrado e o toca-fitas, roubado, na Rua Senador Vergueiro, no Flamengo.
Estes dias, pegou emprestado o carro do amigo Herson Capri e... adivinha o que
aconteceu? No mesmo lugar, quebraram o vidro e levaram o rádio.
Bandeira 2
O shopping Open Mall, na Barra, no Rio, lançou a bandeira 2 na cobrança do
estacionamento.
A partir das 18h59m, o preço por quatro horas pula de R$ 3 para R$ 5, pagos
antecipadamente.
Hoje, às 18h, uma comissão do Sindicato dos Jornalistas do Rio debate os 15
anos da Lei Caó.
O BNDES vai patrocinar o filme “Expedição ecológica”, de Isabela Thiago de
Mello.
Começa hoje, no Hotel Pestana, o Seminário Para o Ar Limpo no Rio.
O “Esporte Espetacular” festeja seus 30 anos dia 15 no Claro Hall.
Jane Rose Klarnet e Miriam Kimelblat apresentaram ontem a nova coleção da
Natan.
A Pestalozzi de Niterói ganha hoje o Prêmio Nacional Direitos Humanos.
É hoje e amanhã o bazar do Instituto da Criança no Hotel Marina.
COM ANA CLÁUDIA GUIMARÃES, MÁRCIA VIEIRA E MARCEU VIEIRAE-mail para esta coluna:
ancelmo@oglobo.com.br
FOLHA DE S. PAULO | PAINEL | 10/12/2003
Desembarque
José Genoino não é mais tão
enfático na defesa de Flamarion Portela. O presidente do PT anunciará a
formação de comissão para acompanhar "in loco" a investigação do
escândalo dos gafanhotos. A depender das conclusões, será instalado processo na
Comissão de Ética contra o governador de Roraima.
Banho de sangue
Placar de ontem na cúpula do PT: 50 dos 81 membros do diretório nacional
votarão a favor da expulsão de Heloísa Helena, Babá, João Fontes e Luciana
Genro. Até domingo, a direção espera mais dez votos pró-degola.
Faraó keynesiano
Após ouvirem que foram usadas 100 mil pessoas na construção da pirâmide de
Quéops, ministros de Lula calcularam: para criar os prometidos 10 milhões de
empregos, o Brasil teria de erguer cem pirâmides. Para Ciro Gomes, nem assim:
"Com o gerenciamento moderno, não seria necessário tanta gente".
Maracujina
Alertado por aliados, José Dirceu ligou para lideranças da oposição no Senado.
Buscava desfazer a insatisfação com a declaração de Lula no Oriente Médio sobre
as reformas, que resultaram, segundo o presidente, "da visão do
Congresso".
À mão
A oposição usou a frase de Lula para atrasar a votação da reforma tributária. O
governo dará tantos telefonemas quantos forem necessários para garantir sua
CPMF no início de 2004.
Acordo mineiro
O PSDB decidiu que o mineiro Custódio de Matos será o líder da bancada do
partido na Câmara no ano que vem. Ligado a Aécio Neves, o deputado assume o
posto em 16 de fevereiro.
Disputa baiana
A bancada carlista trabalha para fazer de Pauderney Avelino (AM) o líder do PFL
na Câmara em 2004 no lugar de José Carlos Aleluia (BA), desafeto de ACM.
Contagem regressiva
Márcio Thomaz Bastos tem o
hábito de passar um mês por ano sem ingerir bebidas alcoólicas, como forma de
desintoxicação. Iniciada em 15 de novembro, a abstinência do ministro termina
na próxima semana.
Espetáculo
O último relatório do ministro Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário) traz
nova marca à administração Lula. As 209 invasões de terra ocorridas até 30 de
novembro deste ano já são mais do que o dobro das 103 registradas em 2002,
último ano da gestão Fernando Henrique.
Salão de beleza
Duda Mendonça aconselhou o prefeito João Paulo, que faz em Recife uma
administração petista à moda antiga (obras de pouca visibilidade e concentradas
em bairros pobres), a investir em ações de embelezamento urbano na tentativa de
melhorar sua situação nas pesquisas.
Carta na manga
A administração de Marta Suplicy contratou os serviços do escritório do
advogado Cristian Grobe para acompanhar processos judiciais a respeito de
lavagem de dinheiro que envolvem o ex-prefeito Paulo Maluf em Genebra, Suíça.
Bom comportamento
A Polícia Militar de Alagoas recebe hoje o prêmio de Direitos Humanos do Ministério da Justiça. Chamada de
"gangue fardada" em governos anteriores, a PM trabalhou em 500
reintegrações de posse nos últimos quatro anos sem deixar vítimas.
Visita à Folha
Olavo Setubal, presidente de Itaúsa Investimentos Itaú S.A., visitou ontem a
Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço.
FOLHA DE S. PAULO | PAINEL S/A | 10/12/2003
Torneiras abertas 1
O
BNDES fechou novembro com cerca de R$ 30 bilhões em liberações de recursos
neste ano, o que praticamente garante a meta de R$ 34,5 bilhões. O resultado
irá representar um crescimento de 8% em relação ao orçamento de 2002. Os
empréstimos para as pequenas empresas cresceram 40%.
Torneiras abertas 2
Só na reunião de diretoria de segunda, o BNDES aprovou mais de R$ 1,2 bilhão em
financiamento para usinas hidrelétricas. Entre eles, R$ 900 milhões à
Eletronorte para a duplicação da usina de Tucuruí, no Pará.
Investimento
José Eduardo Dutra (Petrobras) apresentará na sexta, na Abdib, detalhes do
plano de investimentos da estatal. O programa prevê a aplicação de US$ 34,3
bilhões até 2007.
Novo fundo
A GP Investimentos fecha nos próximos dias a captação do fundo de derivativos
Petrópolis Plus. Aberto em julho, o fundo atingiu um volume investido de R$ 550
milhões e acumula rentabilidade de 155% até novembro.
Leilão inédito
O governo de Minas realiza hoje um leilão inédito para abater parte de sua dívida
com fornecedores. O Estado vai pagar ao credor que der o maior desconto na
dívida. Só para entrar no leilão, o fornecedor tem de abrir mão de 20% da
dívida -137 se inscreveram.
Depositado
A dívida com esses 137 fornecedores é de R$ 4,5 bilhões (sem o desconto de
20%). Minas irá pagar no leilão de hoje uma quantia não revelada. O dinheiro já
está depositado no BB.
PPP em debate
A Anpet, uma das principais entidades de pesquisa em transporte, entrega hoje
ao Ministério dos Transportes uma avaliação do projeto de lei das PPPs. Para a
Anpet, as parcerias não podem ter só caráter "economicista", de
conseguir recursos para as obras. É preciso também levar em conta o caráter
social.
Sonegação
O presidente da Abrafati (fabricantes de tintas), Dilson Ferreira, fala hoje
sobre "A parceria entre as secretarias da Fazenda e a iniciativa privada
no combate à sonegação fiscal", em Joinville (SC), no 1º Fórum Fazendário
dos Estados, na reunião do Confaz. A sonegação no setor é estimada em R$ 400
milhões anuais.
Direito autoral
A expectativa do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) é um
crescimento de 14,29% na arrecadação do Réveillon deste ano sobre 2002. A
instituição, que arrecada direitos autorais de músicas, espera receber mais de
R$ 3 milhões.
Campanha
A AlmapBBDO veicula sua primeira campanha para o sistema de pagamento de
pedágio Via Fácil, que tem 300 mil usuários. A campanha tem foco na economia de
tempo e na facilidade em usar o sistema.
O ESTADO DE S. PAULO | DORA KRAMER | 10/12/2003
As artes das manhas
A transferência da reunião do
diretório nacional do PT de São Paulo para Brasília é um dos mais eloqüentes
sinais da transformação por que passa o partido desde a assunção ao poder.
A decisão burocratiza e esvazia um daqueles momentos cruciais que os petistas
sempre souberam enfrentar com uma vivacidade política única entre os partidos e
políticos brasileiros.
Agora, pelo fato de ser governo, temem o risco do protesto de suas próprias bases
e, em vez de enfrentá-las com argumentos convincentes e consistentes, recorrem
à lógica do politburo, tentando - muito provavelmente com sucesso - blindar o
processo decisório contra contestações.
Houve um tempo - não faz muito - que gente como José Dirceu, Aloizio Mercadante
e José Genoino enfrentava até corredor polonês em reuniões do partido.
Aconteceu em 1998, no Sindicato dos Bancários de São Paulo, quando um grupo de
rebeldes do Rio de Janeiro resolveu protestar contra a intervenção no diretório
regional, que havia aprovado a candidatura ao governo de Vladimir Palmeira. A
direção nacional impôs a aliança com Anthony Garotinho.
O ato veio a se configurar depois um erro político do ponto de vista local -
embora nacionalmente a direção tenha conseguido impingir uma derrota à esquerda
-, mas nem a interferência nem a barulheira (e a falta de educação) dos
dissidentes impediram a trajetória do PT rumo ao Palácio do Planalto.
Por isso mesmo, talvez seja um excesso o partido agora submeter-se ao vexame de
fugir do enfrentamento dos protestos contra a expulsão dos parlamentares
rebeldes; fechar as portas, proteger-se do seu passado, renegar os próprios
métodos.
É simbólica a alteração: São Paulo é a origem, é onde residem as correntes mais
organizadas, a base social mais mobilizada. Brasília representa a opção pelo
rumo futuro, pela dinâmica asséptica e profissional conveniente a cúpulas nada
interessadas na interferência de não-iniciados nas artes das manhas do poder.
Não faltou nem o recurso à justificativa sardônica segundo a qual a reunião do
diretório foi transferida porque haverá sessão deliberativa do Congresso no
domingo e os parlamentares terão de ficar na capital.
Problema inexistente, dada a capacidade da aviação comercial de cobrir o trajeto
entre São Paulo e Brasília em 1 hora e 20 minutos. Mas, como em geral poderosos
não se sentem compromissados nem com a lógica nem com a coerência - cumprindo
reverência apenas ao poder -, isso não tem a menor importância.
Primordial é evitar barulho, denotar unidade e assegurar a confirmação da
decisão previamente tomada, mesmo ao custo da identidade e da indiferença ao
fato de que governos passam e partidos, em tese, ficam.
Em retirada Pergunte-se a qualquer petista do primeiro escalão parlamentar,
partidário ou governamental qual o destino imediato do governador Flamarion
Portela, de Roraima, e a resposta será uma aposta certa na saída dele do
partido. A decisão atenderá às conveniências de ambas as partes. Os aliados
políticos tradicionais do governador - que nada têm a ver com o PT - o
aconselham insistentemente a distanciar-se do partido ao qual se filiou há oito
meses.
Argumentam que Flamarion está sendo vítima das lutas internas dos petistas,
porque a ala esquerda estaria se utilizando do envolvimento de seu nome no
escândalo de desvio de verbas em Roraima para impor desgaste político aos
dirigentes, avalistas de sua filiação.
Pelo lado da direção do PT, digamos que já foi mais firme a convicção de que o
governador realmente passou ao largo da operação de desvio do dinheiro da folha
de pagamentos para cerca de 5 mil funcionários fantasmas, os chamados
"gafanhotos".
Flamarion Portela é, objetivamente, alvo de desconfiança e, sabedor disso,
estaria disposto a pôr um fim na relação partidária, prematuramente gasta.
Esforço para sua permanência, não haverá. Hoje, na cúpula se diz que qualquer
decisão do governador será muitíssimo bem recebida. Como, para ficar, ele não
precisaria decidir nada, o recado não poderia ser mais explícito. Há quem
acredite na aprovação de uma moção qualquer sobre o caso na reunião do
diretório nacional - até como um gesto de boa vontade à esquerda - e, a partir
disso, estaria dada a deixa para Flamarion apresentar suas despedidas.
Panos frios O cronograma do ritual da expulsão dos rebeldes obedeceu a um
critério: a expectativa do esquecimento. Poucos dias depois do desfecho, o
Congresso entrará em recesso, as festas tomarão conta do País e as polêmicas
tenderão a esfriar.
CORREIO BRAZILIENSE | BRASÍLIA - DF | 10/12/2003
Promessas futuras
Arlete Salvador
arlete.salvador@correioweb.com.br
O Planalto e os líderes governistas na Câmara fecharam uma estratégia para
aprovar, o mais rápido possível, a medida provisória que altera a Cofins
(Contribuição para Financiamento da Seguridade Social). Nesta fase da
tramitação da matéria, não pretendem negociar a exclusão de setores de serviços
que passaráo a pagar
alíquota de 7,6%.
Para o governo, ceder nesses pontos agora deixaria margem muito pequena de
negociação com os partidos no Senado, para onde segue a MP depois de votada na
Câmara. Para acalmar os descontentes, os líderes foram orientados a dizer às
bancadas que, se os senadores alterarem a proposta, ela voltará à Câmara, onde
haverá espaço para outra rodada de discussões.
Palocci não perde a piada
Vários dos líderes que participaram da reunião com o ministro da Fazenda,
Antonio Palocci, para discutir a medida provisória
que modifica a Cofins chegaram com listinhas nos bolsos. Eram indicações de
setores que queriam ver excluídos da
cobrança da nova alíquota.
Na conversa, um dos parlamentares mencionou setores ligados à indústria
automobilística, que já conta com redução
do IPI, o Imposto sobre Produtos Industrializados. Palocci
disse não daquele seu jeito peculiar:
— Não tenho mais o que fazer para ajudar a indústria automobilística. A menos
que eu faça propaganda de televisão para vender mais carros.
Briga feia
O líder do PFL na Câmara dos Deputados, José Carlos Aleluia (BA), testa, às
15h, seu poder de fogo no partido. O deputado incluiu na pauta da reunião da
bancada hoje a eleição do líder para 2004. Ele é candidato à reeleição, num
desafio claro ao senador Antônio Carlos Magalhães (BA), que veta o seu nome.
Aleluia quer acabar de vez com a idéia de que os pefelistas estão desunidos. A
cúpula do partido, que apóia a permanência do atual líder, garante que ele tem
44 dos 68 votos da bancada.
Há quem duvide dessa boa margem de votos. Por isso, os descontentes com
Aleluia, ligados a ACM, prometem boicotar a reunião, prejudicando o quórum para
a votação. Ou lançar a candidatura do deputado Pauderney Avelino (AM) para
disputar com Aleluia. Ciente da estratégia dos opositores, o líder diz estar
tranqüilo. ‘‘Se houver alguma candidatura, será respeitada’’, promete ele.
Esse, não
Mas não é apenas no PFL que a disputa pela liderança esquentou. No PL, o
deputado Bispo Rodrigues (RJ) insiste em ser candidato contra o colega Inaldo
Leitão (PB). O atual líder, Valdemar Costa Neto, só deixa o cargo com a certeza
de que o Bispo, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, não tem chances.
No PT, a definição deve ser oficializada ainda este ano. Apesar do deputado
Arlindo Chinaglia (SP) estar quase certo no cargo, o deputado Henrique Fontana
(RS) continua na parada.
TRANSPARËNCIA. Apesar da nota de apoio do PSB, o ministro da Ciência e
Tecnologia, Roberto Amaral, ainda enfrenta muitas resistências no partido para
continuar no governo. Para aproximar-se da ala considerada mais histórica dos
socialistas, o ministro coloca no internet, a partir da próxima quarta-feira, o
movimento financeiro de sua pasta. A iniciativa segue modelo adotado pelo
senador João Alberto Capiberibe (AP) quando era governador do Amapá.
TEMOR. O que o grupo de Antônio Carlos Magalhães mais temia, durante a reunião
que discutiu o acordo para a votação da reforma tributária, era que o líder
José Agripino Maia (RN) propusesse fechamento de questão contra a matéria.
Significaria a implosão do partido.
INCENDIÁRIO. No PSDB, a discussão do acordo sobre a tributária também não foi
pacífica. O senador Antero Paes de Barros (MT), uma das vozes mais incendiárias
do encontro, defendeu a oposição radical. Por ele, os tucanos fariam oposição
total, votando contra a DRU e a prorrogação da CPMF. O líder, Arthur Virgílio
(AM), e vários senadores, como Eduardo Azeredo (MG), apelaram para o bom senso.
Prevaleceu o que os tucanos chamam de ‘‘oposição responsável’’.
LUTA INTERNA. O presidente do PT, José Genoino, acostumou-se rápido às crises
do partido depois de virar governo. Como toda semana aparece uma bronca,
Genoino anda falando que o PT tem agora uma nova sessão na sua organização
administrativa. ‘‘Existe hoje no PT um departamento de luta interna’’, diz ele.
Klecius Henrique
klecius.henrique@correioweb.com.br
JORNAL DE BRASÍLIA | CLÁUDIO HUMBERTO | 10/12/2003
"Não há razão legal ou de fato que justifique tal segredo"
Maria Clélia Daniel, mãe do
prefeito assassinado, pedindo o fim do segredo de Justiça, imposto a pedido do
PT
Reviravolta no crime do juiz
Laudo da Delegacia de Homicídios de Vitória revelará que dois ladrões mataram o
juiz Alexandre Martins de Castro Filho, há nove meses. Análise de gravações e
testes de um avançado polígrafo, de fabricação israelense, descartaram a
participação do crime organizado, apontada pelo juiz Carlos Eduardo Lemos.
Cinco dos sete envolvidos presos são inocentes, segundo conclusão do delegado
do caso.
Uma vez Bangu...
O problema do sistema penitenciário de Bangu, no Rio, é muito simples:
corrupção em cadeia.
Difícil explicar
O Itamaraty informou ao governo egípcio que o intérprete que irritou o
presidente Mubarak não era profissional e que foi contratado porque custou
baratinho. Os egípcios ainda não entenderam o significa
"quebra-galho".
Freud explica
O prefeito de Bocaiúva do Sul (PR), que deseja enxotar os gays da cidade, já
viveu drama idêntico em sua família. Marqueteiro nato, que persegue o objetivo
de botar a cidade na mídia, Élcio Berti é traumatizado com o tema.
Pilha fraca
Após um ano liderando na tropa de choque do Planalto, ontem o deputado
Professor Luizinho (PT-SP) teve de repetir três vezes uma entrevista a uma
rádio porque não conseguia completar o raciocínio. Alegou "cansaço".
Sem direitos
O TST manteve a decisão do Tribunal Regional do Trabalho do Rio, que negou a
caracterização de vínculo de emprego entre a Tradição, Família e Propriedade e
um colaborador, que militava na TFP desde 1963.
Relógio de múmia
Lula nem ligou para a irritação do egípcio Mubarak, pelo seu atraso de uma
mísera horinha. Pensava que no Egito tudo é calculado em séculos.
Novos baianos
Francisco Gros, ex-BNDES, levou um grupo de investidores a Salvador, estes
dias, e declarou, extasiado: "Os demais estados que me perdoem, mas, em
matéria de turismo, a Bahia é insuperável..."
Livre comércio
Com a quantidade de múmias que temos para exportar, é lucro certo o acordo
comercial com o Egito, anunciado pelo ministro Furlan.
Festa de S. Francisco
A Casa Civil enviou disquetes a todos os ministérios, ontem, listando os
convênios que devem ser firmados com estados e municípios até o dia 31, em
valores de R$ 18 mil a R$ 5 milhões. Faz parte do toma-lá-dá-cá com a base
aliada no Congresso, para garantir a aprovação das reformas.
Deu empate
Vascaíno doente, o procurador-geral, Cláudio Fontelles, condicionou uma
entrevista (sobre combate à lavagem de dinheiro), no fim da semana, a que os
jornalistas o informassem sobre o andamento de um jogo do seu time.
Deu zebra
Até a roupa da prefeita combinou: contrária à orientação do Politburo petista,
Marta Suplicy afirmou que é preciso ir fundo no caso Celso Daniel. Atrás, o
marido e papagaio-de-pirata Felipe Belisario parecia concordar.
O segredo da esfinge
Integrante da comitiva da viagem pelas arábias, a governadora potiguar Wilma de
Faria (PSB) não deu descanso até retirar do presidente Lula o compromisso de
reunir os partidos aliados para rediscutir a correlação de forças no governo
antes da reforma ministerial.
Faltam condições
O presidente da Associação Nacional dos Procuradores Federais, Roberto Giffoni,
diz que a dívida de empresas junto ao INSS não é cobrada com maior agilidade
porque os procuradores trabalham sem condições mínimas de pessoal e
infra-estrutura. Mesmo assim, só este ano, venceram processos que levaram mais
de R$ 100 milhões aos cofres públicos.
É bom que se diga
Esclarecimento necessário: não é filho do ministro Carlos Velloso nem do
ministro Sepúlveda Pertence, do STF, o advogado contratado a peso de ouro pelo
prefeito afastado de Porto Seguro (BA), Ubaldino Pinto.
Comida na mesa
A Polícia Civil do Rio agradece: os tíquetes-refeição foram pagos ontem por
ordem da governadora Rosinha Matheus, após uma bronca na coluna.
Josias al-Sarraf
O site Interpress (ipsnoticias.net) não perdoou o ex-secretário de Segurança do
Rio, deputado Josias Quintal (PMDB), que pediu intervenção militar no Paraguai
para deter a pirataria e o tráfico internacional: lembrou a máfia chinesa e o
nosso 4º lugar na pirataria, segundo a CPI que Josias integra.
Não foi ele
Carece de fundamento a fofoca de que era o ministro Ricardo Berzoini o
motorista do carro que fechou um ônibus, provocando o acidente que feriu
dezenas de velhinhos, no Rio.
Torta para Sarney
O líder do governo, Aloízio Mercadante (PT-SP), levou uma torta para o
plenário, no sábado, para comemorar o aniversário do senador Edison Lobão
(PFL-MA). A senadora Heloísa Helena (PT-AL) provocou: - Aposto que o primeiro
pedaço será para o Sarney. Acertou em cheio: o presidente do Senado foi o único
a saborear a torta.
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MJ-CONCORRÊNCIA |
JORNAL DO BRASIL | RIO | 10/12/2003
Diniz: ''Rio
é um Estado sonegador''
Dono do Pão de Açúcar
ataca a concorrência e nega concentração de mercado após fusão com Sendas
Bruno
Rosa
Mais nova rede do Rio, a Companhia Sendas de Supermercados, fruto da fusão
entre os grupos Sendas S.A. e Pão de Açúcar, já chegou atacando a concorrência.
Em sua apresentação, na Associação Comercial do Rio, ontem, o presidente do Pão
de Açúcar, Abílio Diniz, criticou duramente a sonegação de impostos no Estado.
Citando grupos fluminenses como Mundial e Guanabara, Diniz exigiu posição mais
firme do governo.
- O mercado do Rio só tem borrachudos, empresas que não recolhem regularmente
seus impostos, como Mundial e Guanabara. O Rio é tradicionalmente um Estado
sonegador. Esse é dos principais problemas que enfrentamos. Por isso, espero
que a reforma tributária seja aprovada o mais rápido possível - disse Diniz,
que também não poupou de críticas redes paulistas de varejo.
Procurados pelo JB, executivos da rede Mundial preferiram não comentar as
declarações de Diniz. A direção do Guanabara não retornou as ligações.
A união entre Pão de Açúcar e Sendas criou o maior grupo supermercadista do
Estado do Rio e o quarto do Brasil. Com o nome provisório de Companhia Sendas
de Supermercados, a nova empresa projeta faturamento de R$ 3,5 bilhões já no
próximo ano e prepara a entrada no Espírito Santo. Nos primeiros meses, as duas
bandeiras serão mantidas.
Apesar de as conversas entre as duas companhias já terem começado há cerca de
seis anos, o projeto começou a se concretizar apenas em outubro passado, quando
executivos do Pão de Açúcar procuraram as Sendas. Diante de prejuízo de R$ 12,7
milhões no ano passado e de dívida de R$ 130 milhões com o Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a rede do Rio viu na associação uma
chance de voltar a crescer.
- Essa associação tem o objetivo de aumentar a produtividade, a eficiência das
duas redes e reduzir os custos. Por isso, se der tudo certo vamos abrir novas
lojas e gerar mais de 20 mil empregos - planejou Diniz.
O presidente do Pão de Açúcar minimizou a hipótese de que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) imponha restrições à nova companhia
devido à sua posição de liderança no mercado do Rio:
- Não teremos problemas com o Cade porque a nova empresa não criará concentração
das vendas no segmento.
O consultor Antônio Carlos Ascar, da Ascar & Associados, discorda. Ele
acredita que o novo grupo acumulará 32% do mercado fluminense.
- Eles vão praticamente monopolizar as vendas no Estado.
O consultor Cláudio Felisoli, coordenador-geral do Programa de Administração de
Varejo (Provar), da USP, vai além. Para ele, a companhia vai deter mais de 60%
das vendas no Estado.
- Mas a fusão pode trazer também benefícios para os consumidores, porque uma
rede com mais força pode conseguir melhores condições de negociação com os
consumidores.
JORNAL DO BRASIL | BRASÍLIA | 10/12/2003
O secretário
que faltava
Distrital é convidado por
Roriz para ocupar pasta do PFL no primeiro escalão
O governador Joaquim Roriz
aguarda apenas uma resposta do PFL para concluir a mini-reforma do seu
secretariado, cujo principal objetivo é fortalecer a base de apoio na Câmara
Legislativa e reacomodar as forças políticas. No último mês, Roriz prometeu ao
presidente regional, senador Paulo Octávio (DF), contemplar o partido com pelo
menos mais uma secretaria, a quarta sob o comando da legenda.
Depois de desistir da deputada Eliana Pedrosa (PFL), que hesitou em assumir a
Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico, Roriz, em reunião na residência
oficial em Águas Claras na segunda-feira à noite, convidou o deputado Izalci
para integrar a área econômica do governo. Ele mesmo decidirá entre as duas
secretarias de Desenvolvimento: Econômico ou Tecnológico.
A ida de Izalci, que se projetou politicamente na direção do sindicato patronal
das escolas particulares, para o Desenvolvimento Tecnológico deslocaria o atual
titular da pasta Afrânio Rodrigues para a Secretaria de Desenvolvimento
Econômico, no lugar de Lindberg Cury, que assumirá a Secretaria de Relações
Institucionais de Cooperação entre Poderes. Caso o distrital decida pela SDE,
Afrânio permanece no cargo.
Izalci promete responder até o final do dia de hoje. Ontem à noite, depois de
consultar seu grupo político, o pefelista parecia animado com a possibilidade
de integrar o governo.
- Recebi com muita honra o convite e estou analisando com calma. Tenho projetos
no legislativo, faço parte da Mesa Diretora, mas há propostas interessantes por
parte do governador para eu colocar em prática no ano que vem. Minha idéia é
fazer um grande trabalho - disse o distrital.
JORNAL DO BRASIL | ECONOMIA | 10/12/2003
OMC mostra
pessimismo sobre negociação comercial
18 países já confirmaram
presença em reunião prévia no Brasil
GENEBRA e BRASÍLIA - A
Organização Mundial do Comércio não vai conseguir retomar as paralisadas
negociações em reunião na semana que vem, possivelmente eliminando qualquer
probabilidade de alcançar acordo global no prazo previsto, afirmou ontem o
presidente do conselho diretor da entidade, o diplomata uruguaio Carlos Perez
del Castillo. Quando as conversas fracassaram na reunião ministerial de
setembro em Cancún, México, os países integrantes concordaram em buscar acerto
para revitalizar as discussões em torno da diminuição das barreiras ao comércio
de bens e serviços até a próxima segunda-feira, data de reunião do Conselho
Geral da OMC, instância máxima da instituição.
- Não será possível chegar, até o dia 15 de dezembro, aonde deveríamos estar em
15 de setembro. Dada a continuada divergência de opiniões, não parece que
iremos mais adiante do que a divulgação de um relatório do presidente (do
conselho diretor) do qual os integrantes (da OMC) serão convidados a participar
- disse Castillo.
Na fracassada reunião de Cancún, um grupo de países em desenvolvimento liderado
por Brasil, China e Índia, se uniu na reivindicação de melhor acesso a mercados
para suas exportações, principalmente no setor agrícola. Batizado de G-20, o
grupo também recusou discutir a criação de novas regras para temas como
investimentos e desburocratização alfandegária antes de os países ricos
aceitarem cortar os bilionários subsídios que dão aos seus agricultores.
Diante do impasse, Castillo abandonou as esperanças de que será possível
cumprir o prazo de janeiro de 2005 para a conclusão das conversas.
- Com o passar do tempo, essa data é cada vez mais questionável. Essa questão -
se o prazo é possível ou terá de ser estendido - deverá ser resolvida até o
primeiro semestre do ano que vem - afirmou o diplomata, acrescentando que as
atuais negociações de liberalização comercial são uma ''oportunidade'' que, se
for desperdiçada, deverá ''ser retomada do zero em alguns meses''.
Enquanto isso, o governo brasileiro informou ontem que 18 países confirmaram
presença na reunião do G-20 que acontece amanhã e sexta-feira em Brasília.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, participarão do encontro os
chanceleres da Argentina, Bolívia, Chile, China, Cuba, Egito, Filipinas, Índia,
Indonésia, México, Nigéria, Paquistão, Paraguai, África do Sul, Tanzânia,
Venezuela e Zimbábue, assim como um representante do governo do Equador. Também
assistirão à reunião o comissário europeu de Comércio, Pascal Lamy, e o
diretor-geral da OMC, Supachai Panitchpakdi. O encontro servirá para o G-20
fechar sua posição nas negociações da OMC.
Com agências Bloomberg e EFE
JORNAL DO BRASIL | BRASÍLIA | 10/12/2003
Um futuro para o Brasil
Rodrigo Dantas
Professor-Doutor no Dpto. de Filosofia da UnB e secretário-geral da ADUnB
Nos últimos vinte anos, vivemos uma ofensiva mundial do capital pela supressão
de todas as barreiras à sua reprodução ampliada. A desestruturação do mundo do
trabalho (decorrente, entre outros fatores, da terceira revolução industrial e
da reestruturação dos processos produtivos que geraram o desemprego e a
exclusão como determinações estruturais do capitalismo histórico) criou uma
correlação de forças que permitiu ao capital avançar sobre as conquistas dos
trabalhadores ao longo do século XX. Nesse período, o capital tem buscado
submeter o Estado, todos os setores da vida social e âmbitos da atividade
produtiva aos imperativos da acumulação. Sob o peso do trabalho morto acumulado
como capital ao longo dos séculos, a conversão sistemática de energia humana e
natural em capital foi erigida, material e ideologicamente, à condição de lei
social universal a que todos devem se submeter. Racionalizar a subordinação de
todos os aspectos da vida às ''leis do mercado'' tornou-se a obsessão de suas
personificações e intelectuais orgânicos. Pouco importa que sua
insustentabilidade ecológica e social se revele cada vez mais evidente; sua
ofensiva ideológica decretou, num exercício de autismo intelectual, o ''fim da
história'' pela ''vitória do capital universal''.
Se hoje a ofensiva neo-liberal perdeu seu ímpeto ideológico e começa a ser
feita a contabilidade de sua devastação, ela moldou uma estrutura de economia,
Estado e sociedade ligada aos imperativos da reprodução mundializada do
capital. No Brasil, ela estruturou a economia como um dos maiores espaços de
acumulação financeira no mundo, multiplicou nosso endividamento, privatizou a
infra-estrutura, desmontou o Estado, desnacionalizou a economia,
desindustrializou o país e deixou uma herança social devastadora, produzindo um
quadro que compromete o próprio futuro do Brasil como nação.
Nesse quadro, a universidade pública no Brasil tem sido submetida a um arrocho
de verbas e salários sem precedentes. Trata-se de uma estratégia pensada, que
ao forçar a universidade e seus profissionais a se financiarem no ''mercado'',
vai promovendo sua progressiva ''privatização'' interna. A rigor, é essa a
intenção que se acha por trás de discursos como os do ministro da Educação, que
defendem a ''autonomia universitária'' quando na prática ela se tornou um
mecanismo para desincumbir o Estado de seu financiamento, aniquilando assim, de
um só golpe, o caráter público, a função social e estratégica e a gratuidade da
universidade. Assim como é essa a estratégia que se expressa em documentos
governamentais que insistem em tratar o investimento na universidade pública
como gasto social a ser cortado para financiar o superávit fiscal e a
acumulação financeira. Na mesma medida, se promove sem qualquer controle a
expansão descomunal do setor privado. O resultado é um quadro em que o
financiamento dos estudantes da rede privada e a renúncia fiscal às entidades
privadas ''filantrópicas'' de ensino superior consomem quase três vezes mais
recursos públicos do que o custeio e o investimento na universidade pública.
Tudo isso se fez e se continua a fazer em consonância com as políticas do Banco
Mundial, que nos dizem que os países periféricos não devem ter universidades
públicas mas apenas serviços de ensino superior que preparem mão de obra e
abram ao capital o ''negócio'' da educação superior. Nada de pesquisa
científica e tecnológica, nada de produção intelectual e cultural própria,
imprescindíveis para a construção de um projeto de país. Não é por outra razão
que EUA e Japão defendem hoje, na OMC a privatização, mercantilização,
desregulamentação e abertura ao investimento estrangeiro da educação superior.
A universidade pública é responsável por mais de 90% do conhecimento que se
produz no país, desempenho que nos coloca entre os 16 países do mundo que mais
produzem conhecimento. Não há dúvida de que sem o conhecimento nela produzido e
sem os profissionais nela formados o Brasil jamais poderia ter se
industrializado e construído a infra-estrutura de um país moderno. Do mesmo
modo, não deveria haver dúvida de que sem ela jamais teremos condições, num
mundo em que o conhecimento se torna o principal insumo produtivo, de virmos a
construir um projeto de país que nos permita superar a condição perversa de um
dos principais territórios de acumulação neo-colonial de capital em todo o
mundo.
O GLOBO | ECONOMIA | 10/12/2003
Anatel: Senado aprova conselheiro
Os
integrantes da Comissão de Infra-estrutura do Senado aprovaram ontem, por
unanimidade, o secretário de Telecomunicações, do Ministério das Comunicações,
Pedro Jaime Ziller, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para
ocupar uma vaga no conselho diretor da Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel). Foram 20 votos a favor. Ele vai substituir o ex-diretor Luiz Tito
Cerasoli.
PIADA CUSTA CARO
Um quarto de 630 diretores de tecnologia ouvidos por uma pesquisa da Hitachi
acredita que e-mails de piada geram custos altos no armazenamento de mensagens.
O armazenamento de e-mails corresponde hoje a 40% dos custos de armazenamento
de dados.
O GLOBO | ECONOMIA | 10/12/2003
‘Brasil deve fazer concessões aos mais pobres’
O
espanhol Alberto Navarro, chefe da Delegação da Comissão Européia, chegou ao
Brasil há dois meses com a missão de destravar as negociações na OMC. Ele
garante que a proposta da UE para a OMC é mais flexível, mas avisa: o Brasil
terá que dar sua cota aos mais pobres.
Qual a sua expectativa para a reunião do G-20 e com a União Européia?
ALBERTO NAVARRO: É uma reunião para ter, sobretudo, conteúdo político, uma
melhora no clima depois da tensão de Cancún.
Os europeus estão dispostos a dar mais do que vontade política para que as
negociações da OMC avancem?
NAVARRO: Para a Comissão Européia as negociações multilaterais continuam a ser
a prioridade. Nossa nova posição é que serviços, investimentos, compras
governamentais são importantes, mas vamos negociar somente com os países que
estiverem interessados. Trata-se do enfoque plurilateral que o Brasil deu na
Alca.
Pode-se contar com a abertura maior do mercado agrícola e redução de subsídios?
NAVARRO. Sim. Mas também propomos uma pequena reformulação na OMC, para que os
pequenos tenham maior peso nas discussões. Os países de renda média, como o
Brasil, também devem fazer concessões aos países mais pobres.
Quem acompanhou a reunião de Cancún, viu que havia uma aliança entre UE e EUA
muito forte. Pascal Lamy estaria interessado numa aliança com o G-20?
NAVARRO. Gostaríamos muito de uma aliança entre a UE e os países em
desenvolvimento. Quanto ao acordo que tínhamos com os EUA, que previa a total
eliminação dos subsídios em favor dos países em desenvolvimento, este sequer
chegou a ser discutido.
O GLOBO | ECONOMIA | 10/12/2003
UE fará proposta mais flexível ao G-20
Eliane Oliveira
BRASÍLIA. O comissário de Comércio da União Européia, Pascal Lamy, desembarca
em São Paulo, amanhã à noite, com uma nova proposta na manga para tentar
solucionar o impasse nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Para desfazer o nó com os países em desenvolvimento, ele anunciará a flexibilização
da oferta européia nas áreas de serviços, investimentos e compras
governamentais. Além disso, vai reforçar a intenção da UE de reduzir os
subsídios agrícolas concedidos aos produtores locais em 55%, às exportações em
45% e de diminuir em 36% as tarifas de importação.
Lamy apresentará a nova oferta na sexta-feira, em Brasília onde ele participará
de uma reunião com representantes do G-20 — grupo de países em desenvolvimento,
liderado por Brasil, China e Índia, contrários aos subsídios agrícolas.
Reunião será uma prévia do encontro de Genebra
Disposto a passar por cima do fracasso da conferência ministerial da OMC
realizada em Cancún, no México, há cerca de três meses, o comissário europeu
quer uma aliança com os países do G-20, para que as negociações multilaterais
sejam destravadas. O encontro de Brasília vai preceder uma reunião mais ampla,
na segunda-feira, em Genebra, na Suíça, entre UE, EUA, G-20 e outros países
associados à OMC.
Mas, segundo o chefe da delegação da Comissão Européia no Brasil, o espanhol
Alberto Navarro, Lamy também pretende cobrar das autoridades brasileiras uma
postura mais aberta frente aos países menos favorecidos economicamente. Sob o
argumento de que 70% das taxas pagas pelas nações mais pobres em suas exportações
são impostas por nações em desenvolvimento, o comissário europeu dirá que o
Brasil — país considerado de renda média — também precisa fazer sua parte.
Ainda de acordo com Navarro, Lamy virá a Brasília com uma posição conciliadora,
ao sugerir a flexibilização dos temas de Cingapura (investimentos, serviços,
compras governamentais e propriedade intelectual), idéia que o Brasil emplacou
na Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Assim, os países se
comprometeriam com uma agenda mínima da rodada da OMC e, dependendo da
realidade de cada um, os acordos poderiam ser aprofundados.
Navarro revelou que, após a reunião do G-20, Pascal Lamy participará, como
convidado, da reunião de presidentes do Mercosul, na próxima semana, em
Montevidéu, no Uruguai. A ida de Lamy ao encontro se deve ao avanço no processo
de negociação de um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Européia,
lembrou Navarro.
O GLOBO | ECONOMIA | 10/12/2003
Mercosul prepara metas de 2006
Janaína Figueiredo e Eliane
Oliveira
BUENOS AIRES e BRASÍLIA. Na próxima Cúpula de Presidentes do Mercosul, que será
realizada semana que vem em Montevidéu, devem ser anunciadas as metas para
2006. Segundo uma fonte do governo argentino, essa lista deverá incluir a
eleição dos futuros membros do Parlamento do Mercosul; o início do
funcionamento do Tribunal de Resolução de Controvérsias, no Paraguai; e o
estabelecimento de metas econômicas e sociais para o bloco.
— Ainda não sabemos se a entrada em vigência da moeda comum constará do pacote
— disse a fonte.
Também devem ser propostos acordos nas áreas de investimentos, serviços e
compras governamentais. Este último item já está fechado e prevê a preferência,
em licitações públicas, para os sócios do Mercosul.
Segundo uma fonte do governo brasileiro, além dos parceiros habituais estarão
na reunião o comissário de Comércio da União Européia, Pascal Lamy, o
presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, e o chanceler da Rússia, Igor
Ivanov.
FOLHA DE S. PAULO | DINHEIRO | 10/12/2003
Os dois caminhos rumo à Alca
ROBERT ZOELLICK
ESPECIAL PARA O "FINANCIAL TIMES"
A recente reunião entre as 34 democracias das Américas em Miami mapeou dois
cursos complementares para a obtenção do livre comércio no hemisfério.
A integração mais profunda entre os 800 milhões de habitantes das Américas -bem
como a ascensão da China- será um dos fatores determinantes para a forma que o
desenvolvimento tomará no mundo. A extensão da influência que o "Novo
Mundo" poderá adquirir dependerá do ritmo e da abrangência de sua síntese
econômica, de modo semelhante ao trabalho da União Européia para combinar
visões e realidades, ao longo do tempo.
Um dos cursos delineados em Miami é concluir a negociação para a criação de uma
Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Mas, enquanto avançamos nessa
direção, os EUA e 11 países da América Latina seguem um segundo curso e
promovem acordos abrangentes de livre comércio bilateral que atingem os padrões
mais elevados, ampliando o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta)
e o recente acordo de livre de comércio entre os EUA e o Chile.
Os EUA estão trabalhando para concluir acordos de livre comércio com cinco
economias da América Central até o final do ano. Esperamos integrar a República
Dominicana a esse acordo no ano que vem. O Panamá começará negociações de livre
comércio no segundo trimestre de 2004. O mesmo se aplica a Colômbia e Peru, seguidos,
quando seus governos estiverem prontos, por Equador e Peru. Somados, esses
acordos representariam grande progresso em direção ao livre comércio nas
Américas. Excluídos os EUA, esses parceiros representam 68% do PIB do
hemisfério. O comércio norte-americano com os centro-americanos e os
dominicanos excede o nosso comércio com o Brasil.
Essas negociações permitem que trabalhemos de maneira individualizada para
atender à diversidade das Américas. Para a Colômbia, um acordo de livre
comércio é um voto de confiança vital e um investimento na força econômica do
país. Os centro-americanos oferecem esperança às frágeis democracias que
precisam demonstrar aos seus cidadãos que são capazes de prosperar e ajudar
umas às outras na competição mundial, mesmo contra os chineses. O livre
comércio com o Peru pode estimular a democracia restaurada, com o presidente
Alejandro Toledo oferecendo novos estímulos econômicos com o objetivo de
iluminar o caminho para longe das sombras do regime de Fujimori.
Para abarcar as democracias do Caribe e o Mercosul, precisamos concluir um
acordo de livre comércio nas Américas de alta qualidade. Os países do Caribe já
desfrutam de acesso especial aos EUA. Nosso objetivo para a Alca é dar a eles
novas oportunidades ao vincular auxílio de conexão e uma liberalização
comercial que se adapte às suas circunstâncias.
O Mercosul também deseja avançar para mercados mais abertos. Dadas suas
recentes crises financeiras, esses países estão devotando considerável energia
à estabilização de suas economias. Estão trabalhando em meio a incertezas
compreensíveis, agravadas por histórias econômicas frustrantes, para definir a
melhor forma de combinar as novas regras de comércio internacional e o
desenvolvimento.
Os críticos dos resultados obtidos em Miami aplicam um padrão injusto. O acordo
a que visávamos lá removeria todas as tarifas aplicadas a bens
industrializados, determinaria abertura significativa no comércio de produtos
agrícolas e serviços e criaria regras para muitos outros setores.
Dada a tarifa média de 13,5% do Mercosul sobre os produtos importados, com
alíquotas de 20% para produtos vitais e de 30% para algumas categorias, obter
livre comércio de bens industrializados já teria sido um imenso avanço. Em
contraste, os países do Sudeste Asiático que estão negociando seu acordo de
livre comércio continuam lutando para eliminar suas barreiras internas
tarifárias aos bens industrializados -e resta uma infinidade de barreiras
agrícolas. Os demais acordos ditos de livre comércio na Ásia envolvem,
frequentemente, apenas uma redução das barreiras em setores selecionados.
Com tanta atenção dedicada à ambição de um acordo sobre tópicos como
investimento, seria útil comparar a situação da Alca com a de outras
negociações. A Organização Mundial do Comércio (OMC) sequer é capaz de lançar
uma negociação sobre investimentos. A União Européia, depois de 50 anos do
início de seu progresso de integração, vem tentando adotar uma diretriz sobre
tomadas de controle acionário que não só preserva as barreiras nacionais ao
investimento como também pode representar violação de suas obrigações
internacionais.
Com o tempo, o Mercosul expandirá seu interesse em regras que fomentem o
investimento, protejam o conhecimento e os setores criativos, ajudem a combater
a corrupção, reduzam os custos e melhorem a qualidade dos setores de serviços.
Esses tópicos são cada vez mais vitais para o desenvolvimento. De fato, alguns
países já estão dispostos a avançar ainda mais nessas áreas. A Argentina tem em
vigor um tratado de investimento bilateral com os EUA que se equipara às
cláusulas de alta qualidade em nossos demais acordos. O Uruguai declarou que
desejava negociar acordo semelhante.
Os governos de partidos trabalhistas também deveriam querer trabalhar
criativamente conosco para melhorar os direitos dos trabalhadores e as
condições ecológicas, ao mesmo tempo evitando o protecionismo.
Temos uma oportunidade histórica de expandir o comércio, a prosperidade, a
democracia e a parceria hemisférica em meio à competição mundial. Para expandir
o círculo da liberdade política e econômica nas Américas, empresários,
fazendeiros, trabalhadores, latino-americanos e os internacionalistas dos EUA
precisam avançar ao longo dos dois cursos determinados em Miami. Com apoio, os
passos rumo à liberdade e às oportunidades econômicas continuarão sendo dados.
Robert Zoellick é representante do comércio exterior dos EUA
Tradução de Paulo Migliacci
FOLHA DE S. PAULO | DINHEIRO | 10/12/2003
Pós-Cancún,
OMC já prevê novo fracasso
Três meses depois do
impasse no México, coordenador das negociações diz que não houve avanço real
CLÓVIS
ROSSI
COLUNISTA DA FOLHA
Três meses depois do fiasco da Conferência Ministerial de Cancún, a Organização
Mundial do Comércio viverá novo fracasso: não será possível, até o dia 15,
juntar os cacos deixados pelo encontro em Cancún, ao contrário do que
recomendava o texto final da reunião no balneário mexicano.
"Não observei negociações reais nem movimentos para buscar terrenos comuns,
com poucas exceções", diz o embaixador uruguaio Carlos Pérez del Castillo,
presidente do Conselho Geral, o organismo que supervisiona todos os grupos
negociadores.
A avaliação do uruguaio foi feita à Folha logo depois de encerrada a derradeira
tentativa de encontrar "terrenos comuns", em reunião dele com os
chefes das delegações em Genebra, QG da OMC.
Por isso, Pérez del Castillo já avisa que não vai apresentar no dia 15 um texto
do Conselho Geral, portanto com o consenso entre os 148 países que hoje são
membros da organização.
Apresentará só o seu próprio documento, pessoal, dividido em três: uma revisão
dos progressos nas duas semanas mais recentes de negociação; a identificação do
que chama de "questões-chaves" surgidas das consultas pós-Cancún; e o
seu próprio enfoque de como abordar tais questões.
Proporá também o reinício, em fevereiro, das sessões dos grupos negociadores,
interrompidas desde Cancún por absoluta falta do que negociar, ante o impasse
espetacularmente evidenciado no México e que prosseguiu depois.
"Repete-se Cancún, com a diferença de que houve avanços", disse Pérez
del Castillo à Folha.
Concorda com ele o principal negociador brasileiro para assuntos da OMC, o
embaixador Clodoaldo Hugueney: "Está-se de volta ao pré-Cancún".
Ao dizer que houve avanços, Pérez del Castillo se refere ao fato de que as
consultas, desde o México, abordaram "os temas substantivos" e à sua
avaliação de que "todos os participantes reafirmaram seus compromissos com
o sistema multilateral de comércio e com a Rodada Doha" (convocada na
Ministerial de Doha, em 2001).
Mas são avanços dinamitados pelos aspectos negativos apontados pelo próprio
presidente do Conselho Geral: "Essas manifestações positivas não se
traduziram em posições de negociação".
De todo modo, Pérez del Castillo, em seu documento pessoal, vai enfatizar
aspectos que agradam aos países em desenvolvimento, talvez por ter sido
duramente criticado por eles pelo texto (igualmente pessoal) que apresentou
para Cancún.
Exemplo: limitará os temas de Cingapura a apenas dois, os menos controvertidos,
como facilitação de negócios e transparência nas compras públicas.
Na primeira Ministerial da OMC, em Cingapura (1996), entraram na agenda quatro
temas: investimentos, compras governamentais, facilitação de negócios e
políticas de concorrência.
Os países em desenvolvimento rejeitam duramente a inclusão dos temas. Não se
sentem preparados para absorvê-los, até porque os países ricos não entregaram
toda a abertura prometida na Rodada Uruguai, pré-Doha.
Mas a União Européia insistiu nos temas em Cancún, o que levou ao impasse final
e ao fiasco. Agora, aceita que os quatro temas sejam tratados isoladamente ou
que nem sejam tratados.
O uruguaio proporá discutir só a transparência nas concorrências públicas, o
que significa que não haverá equiparação entre nacionais e estrangeiros na
disputa pelas encomendas dos governos.
Quanto à facilitação de negócios, são medidas puramente burocráticas, que não
interferem nas políticas econômicas.
Na área agrícola, Pérez del Castillo também coincide com uma das mais fortes
reivindicações do Brasil. "Reduzir ou eliminar os subsídios à exportação é
uma necessidade fundamental", diz.
FOLHA DE S. PAULO | OPINIÃO | 10/12/2003
Alca, da pressa à paciência
CLóVIS
ROSSI
SãO PAULO - Houve uma nítida mudança de posição dos Estados Unidos (ou, ao
menos, de Robert Zoellick, responsável pelo comércio exterior norte-americano)
em relação ao Brasil e ao papel deste na Alca (área de Livre Comércio das
Américas).
Logo depois que naufragou ingloriamente a Conferência Ministerial da OMC em
Cancún, Zoellick passou a atacar o Brasil, que classificou de país "won't
do", ou seja, país que não quer fazer acordos de liberalização comercial,
pelo menos na concepção dos Estados Unidos.
Em artigo para o jornal britânico "Financial Times", há três meses,
Zoellick ameaçava os "won't do":
"Os EUA não vão esperar: nós avançaremos na direção do livre comércio com
os países "can do'" (os dispostos a aceitar a negociação nos termos
norte-americanos).
Bom, agora Zoellick volta ao "Financial Times", edição de ontem, para
dar tempo ao Mercosul (leia-se: Brasil). Primeiro, seguindo a retórica de Celso
Amorim, o chanceler brasileiro que era seu adversário principal antes de
começarem a tratar-se por Celso and Bob, Bob and Celso, diz que remover apenas
as tarifas de importação em bens já será um tremendo
sucesso da Alca.
Depois, diz que, "com o tempo", os países do Mercosul
"expandirão seu interesse em regras que promovem investimento, protegem
conhecimento e indústrias criativas, ajudam a conter a corrupção, reduzem
custos e melhoram a qualidade dos setores de serviços".
A expressão-chave aí é "com o tempo", em contraponto a "os EUA
não vão esperar", de três meses antes. Washington agora não tem pressa
para "civilizar" o Brasil.
Se está nítida a mudança, falta explicar o que, exatamente, a produziu. E,
principalmente, se e quando virá a fatura -e qual será.
FOLHA DE S. PAULO | OPINIÃO | 10/12/2003
Incompetência endêmica
FERNANDO
RODRIGUES
TRIPOLI - Há uma certa incompetência residual endêmica no governo brasileiro
que impede algumas iniciativas do presidente da República, seja ele quem for,
de darem certo.
é algo que os franceses chamam de "mentalité", cujo significado é
mais profundo do que o cognato em português, mentalidade. Tem a ver com a
atitude abúlica, tipo jeca-tatu, que assola parte do serviço público
brasileiro. Um caso emblemático é o Ministério das Relações Exteriores.
Acostumados a fazer nada ou quase nada por décadas, certos diplomatas parecem
adeptos do programa "iniciativa zero" -algo que fica mais ressaltado
pelo fato de o laborioso chanceler Celso Amorim se dispor a resolver desde a
negociação da Alca até o conflito árabe-palestino.
Na viagem de Lula a países árabes, houve um problema grave com a tradução. O
rapaz que fez o trabalho fala árabe. Trabalha no Palácio do Planalto.
Encontraram-no e nomearam-no "intérprete". Foi escalado para
"quebrar galho", na expressão usada dentro da delegação petista.
Num governo monoglota como o petista, caberia ao Itamaraty alertar o
presidente, logo no primeiro dia da viagem, sobre o problema. Palavras eram
suprimidas. Outras traduzidas de forma errada.
O que fez o Itamaraty? Seguiu a lei do menor esforço. Acreditou na informação
do Planalto, qual seja a de que não existem tradutores nem intérpretes
profissionais de português para o árabe no planeta Terra.
Ontem, finalmente, caiu a ficha de todos. No discurso de Lula na Liga dos
Estados árabes, "quebrou-se o galho" de maneira mais eficaz. A fala
do petista foi traduzida para o inglês, e, depois, para o árabe.
Esse problema pode parecer pequeno ou insignificante. Não é. Trata-se de um
sinal de como Lula soa ingênuo ao depositar tanta esperança nos diplomatas.
Muitos deles precisam fazer um estágio na iniciativa privada e saber o que é o
mundo real.
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 10/12/2003
Escalada do
euro beneficia exportador brasileiro
Foi o oitavo recorde
seguido e a moeda forte facilita as compras européias
PATRÍCIA CAMPOS MELLO
O euro bateu ontem um novo recorde de valorização, chegando a ser cotado em US$
1,2279. Esse foi o oitavo recorde seguido da moeda européia, que já acumula
alta de 16,9% no ano. No decorrer do dia, a cotação recuou para US$ 1,2254.
A alta acentuada do euro vem preocupando autoridades. A moeda valorizada pode
emperrar o incipiente crescimento da zona do euro, porque encarece as
exportações européias. Já os brasileiros podem comemorar. Exportadores como
Jorge Maeda, presidente do Grupo Maeda, vêm se beneficiando com a alta do euro.
Neste ano, o Grupo Maeda, tradicional produtor de algodão, vai exportar um
produto com maior valor agregado - o fio de algodão. Pela primeira vez, a
empresa fechou um contrato de venda para a Europa em euros.
"No ano passado, não exportava fios de algodão para a Europa. Neste ano, a
exportação cresceu 25%", conta Maeda.
Com o euro forte, cresce o poder aquisitivo dos importadores europeus. "Os
europeus estão importando mais, porque tudo está mais 'barato' para eles",
diz Ricardo Amorim, chefe de Pesquisa para América Latina da consultoria Idea
Global. As exportações brasileiras para a União Européia cresceram 19, 4% de
janeiro a novembro deste ano, comparadas com mesmo período de 2002.
Enquanto isso, as vendas para os Estados Unidos aumentaram apenas 8,6%. A União
Européia é hoje o maior importador de produtos do Brasil, absorvendo 24,8% das
exportações brasileiras, ou US$ 16,4 bilhões de janeiro a novembro.
Além disso, a alta do euro "alivia" a revalorização do real em
relação ao dólar neste ano, mantendo a moeda brasileira competitiva. A cotação
do real em relação ao dólar subiu, mas como a cotação do euro em relação ao
dólar também subiu, isso atenua os efeitos da valorização. "Não teríamos
um saldo comercial de mais de US$ 20 bilhões neste ano se não fosse a
valorização do euro, que manteve a competitividade do real", diz Luís
Suzigan, economista-chefe da LCA Consultores.
Segundo analistas, o euro vem se valorizando em relação ao dólar porque o
déficit comercial dos EUA, que chega a 5% do PIB, está enfraquecendo a moeda
americana. Alguns economistas acreditam que a Casa Branca vê a queda da moeda
americana com bons olhos, porque isso vai estimular as exportações do país.
Assim, o dólar fraco protegeria empregos e garantiria votos. Outro fator que
vem impulsionando o euro é a atuação do Banco do Japão. A instituição vem
intervindo para conter a queda do dólar em relação ao iene - o que resultou
numa desvalorização ainda maior da moeda americana em relação ao euro. "O
dólar deveria estar caindo em relação a todas as moedas, mas não deixam isso
acontecer", diz Daniel Gros, chefe do Centro de Estudos de Políticas
Européias. "Isso dobra a pressão sobre a taxa de câmbio dólar-euro."
Ontem, o Fed (o banco central americano) anunciou que vai manter a taxa básica
de juro em 1% ao ano, reforçando a tendência de queda do dólar.
Alguns economistas prevêem que o euro vai continuar se valorizando ante o
dólar. "Agora a alta do euro é ótima para os brasileiros. Mas, se
continuar, a alta vai acentuar os problemas de crescimento da Europa, afetando
as importações", diz Dalton Gardimam, economista-chefe do Crèdit Lyonnais.
(Com AP e Reuters)
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 10/12/2003
Telos pode
precisar de sócio maior na Embratel
Para analistas, controle
seria caro demais para recursos do fundo dos funcionários
RENATO CRUZ e CARLA JIMENEZ
A Telos, fundo de pensão dos funcionários da Embratel, anunciou na
segunda-feira sua intenção de liderar um consórcio para comprar a operadora de
longa distância. Segundo analistas, não será fácil para os funcionários ficarem
com o controle da empresa, ante os recursos disponíveis. A Telos poderia
precisar de um sócio maior, que deteria o controle efetivo, na engenharia
financeira para a aquisição da Embratel.
O fundo planeja usar 10% de seu patrimônio, avaliado em R$ 2,3 bilhões para
comprar a Embratel. Pela cotação de suas ações no mercado acionário, a
operadora valeria hoje cerca de R$ 4,3 bilhões. O bloco de controle, colocado à
venda pela americana MCI, estaria avaliado em cerca de R$ 1 bilhão. "A MCI
não deve querer vender a Embratel só pelo seu valor de mercado", destaca o
analista Edigimar Maximiliano, do Unibanco.
As propostas de compra da Embratel devem ser entregues amanhã em Nova York.
Existem outros interessados além da Telos. Vários analistas apostam na Telmex,
do bilionário mexicano Carlos Slim Helú, que também controla a Claro, segunda
maior operadora celular do Brasil. As três concessionárias fixas - Telefônica,
Brasil Telecom e Telemar - também teriam interesse, mas não seria simples
conseguir a aprovação da compra pelas entidades regulatórias.
Nos últimos dias, têm-se falado também da Portugal Telecom, sócia da Telefônica
na Vivo, e Telecom Italia, dona da TIM Brasil. O presidente da operadora
celular, Mario Cesar Pereira de Araujo, disse ontem não saber se a controladora
tem interesse na Embratel. Ele jantou na segunda-feira com o presidente da
operadora de longa distância, Jorge Rodriguez, mas garantiu que não foi um
encontro de negócios: "Foi um jantar de confraternização entre a TIM e a
Embratel como parceiros de negócios".
Segundo Araújo, Rodriguez relatou o interesse do fundo de pensão Telos em
encontrar um sócio investidor. Ele afirmou, porém, que esse tipo de decisão só
cabe aos acionistas da Telecom Italia. A compra da Embratel pela Telos teria
apoio do governo Lula por trazer de volta ao Brasil o controle da operadora.
Mas, dependendo de como for desenhado o consórcio da Telos, o fundo de pensão
pode se tornar o rosto brasileiro de um grupo internacional.
"Seria melhor para a Embratel ter em seu controle uma empresa de
telecomunicações", afirma a analista Juliana Abreu, da Pyramid Research.
"A Telos poderia ter como parceiro alguém que trouxesse essa parte de
operação, mas normalmente uma operadora iria querer o controle."
As ações preferenciais da Embratel fecharam ontem com queda de 2,6% na Bolsa de
Valores de São Paulo. No ano, os papéis acumulam alta de 180%.
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 10/12/2003
Assolan
desiste de comprar a Bombril e lança novos produtos
Empresa fecha o ano com
26,5% do mercado de lã de aço e vai ao ataque com detergentes
CARLOS FRANCO
A Assolan encerra o ano com uma fatia de 26,5% do mercado brasileiro de lã de
aço e um faturamento líquido previsto de R$ 154 milhões frente a R$ 76 milhões
do ano passado, quando essa participação de mercado era de 16%. Agora, a
estratégia da empresa, que conquistou uma fatia expressiva da Bombril nas
prateleiras e na casa dos consumidores e fez pesados investimentos em
marketing, é lançar novos produtos de higiene e limpeza, desta vez de maior
valor.
Como esta estratégia exigirá novos investimentos na unidade de produção de
Goiânia, a empresa deixou de lado a intenção de comprar a Bombril. "O
imbróglio jurídico entre acionistas, no Brasil e na Itália, do império do
italiano Sergio Gragnotti, controlador da Bombril, deve demorar um bom tempo
para ser solucionado, e não poderíamos esperar mais para diversificar a
produção", diz Nelson Mello, presidente da Assolan. A Assolan, no entanto,
pretende seguir o modelo da Bombril, que hoje tem em outros produtos de limpeza
a maior fatia do faturamento, com o negócio de lã de aço respondendo apenas por
45%.
No caso da Assolan, diz Mello, a lã de aço ainda responde por 85% do negócio.
Por isso mesmo, a empresa está investindo, neste momento, US$ 2 milhões para
começar a produzir a partir de janeiro a linha Assolan Panos Umedecidos, o novo
filão que a empresa descobriu depois de pesquisas no exterior. Na verdade,
trata-se de pano que mescla viscose e poliéster umedecidos com tensoativos
aromatizados e serão apresentados em quatro versões: multiuso, limpa-vidros,
desengordurante e lustra-móveis. A função do produto é substituir os
tradicionais paninhos de algodão e diferentes líquidos de limpeza, como são
descartáveis, cada envelope virá com 24 paninhos, com exceção do lustra-móveis,
que terá 20. Pesquisas indicam que esse tipo de produto já movimenta US$ 4
bilhões nos Estados Unidos.
Com preço sugerido de R$ 5,90, diz Mello, esse produto também marcará a chegada
de Assolan ao mercado das classes A e B. Para coordenar o lançamento, a empresa
contratou como gerente de marketing a executiva Anacelia Schlittler Contador,
que pertencia aos quadros da Unilever. Aliás, a Assolan foi adquirida pela holding
Monte Cristalina, da família Alves de Queiróz, da própria Unilever no final de
2001. Antes, o negócio dessa família goiana que agora invade as prateleiras do
segmento de higiene e limpeza era alimentos, com a marca Arisco, hoje da
Unilever.
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 10/12/2003
Diniz
denuncia concorrentes como sonegadores
Para diretor do Grupo Pão
de Açúcar, redes Mundial e Guanabara não pagam impostos
MÔNICA CIARELLI
RIO - O empresário Abílio Diniz anunciou ontem a joint venture entre os grupos
Pão de Açúcar e Sendas disparando pesadas críticas a concorrentes regionais,
como as redes Mundial e Guanabara, que acusou expressamente de sonegadoras,
como jamais havia feito publicamente.
"Não temos dúvida nenhuma de que no Brasil nós somos os melhores",
disse, referindo-se à própria empresa. "Batemos o Wal-Mart, o Carrefour.
Temos dificuldade é com aqueles que chamamos de 'borrachudos'; com os atacadões
da vida; com os Mundiais, com os Guanabaras, aqui do Rio de Janeiro. E eu não
tenho medo de nominá-los assim", acusou Diniz, que comanda o Grupo Pão de
Açúcar, a maior rede de supermercados do País. Sem medir palavras, o empresário
afirmou que estes supermercados conseguem reduzir preços às custas de sonegação
de impostos.
O assessor de Marketing do Mundial, Hélio Ramos, rebateu as acusações alegando
que o ataque a uma rede de "apenas 17 lojas no Rio é absurda".
Lembrando que o Pão de Açúcar é um grupo nacional, que tem 24% de seu controle
nas mãos da francesa Casino, o executivo sustenta que o bombardeio de Diniz tem
como objetivo tirar o foco do crescimento das redes internacionais no Brasil.
"O senhor Arthur Sendas afirmou que o negócio (a associação com o Pão de
Açúcar) era uma defesa contra os estrangeiros. Aí, Diniz, começa a criticar
redes pequenas para desviar a atenção do fato de que há estrangeiros em seu
controle", respondeu. Segundo ele, é "ridículo" que um gigante
como o Pão de Açúcar esteja preocupado com um Mundial. A rede Guanabara não se
pronunciou.
Diniz não poupou acusações nem mesmo ao Estado do Rio, sede do Grupo Sendas.
"O Rio de Janeiro sempre foi tradicionalmente um Estado sonegador, me
desculpe o Arthur. Isso sempre infernizou a vida daqueles que pagam
impostos", reclamou.
Irritado, o empresário, que dominou a entrevista coletiva, na qual coube a
Arthur Sendas o papel de coadjuvante, revelou estar mais preocupado com o
problema da sonegação no segmento de supermercados no Brasil do que com o
avanço das redes estrangeiras. "Temos a coragem de abrir loja em frente ao
Carrefour e ao Wal-Mart e enfrentá-los sem nenhum problema", afirmou.
Sendas, por sua vez, voltou a demonstrar que sua maior preocupação é com a
concorrência internacional. O executivo, que sempre defendeu a independência de
sua empresa, reconheceu que a parceria com o Pão de Açúcar chega num bom
momento."Eles nos procuraram há dois meses para juntarmos forças num
momento em que o capital externo está cada vez mais agressivo no País". No
ano passado, o Grupo Sendas amargou prejuízo de R$ 12,8 milhões.
A associação entre os dois grupos varejistas não envolverá desembolso de
recursos. Entretanto, o Pão de Açúcar assumirá a dívida de R$ 130 milhões que o
Sendas tem com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Sendas revelou que antes de fechar o acordo se encontrou com os quatro
principais bancos que se relacionam com a empresa e teve uma reunião com o
presidente do BNDES, Carlos Lessa. "Tivemos apoio total", disse.
Diniz foi enfático em ressaltar que a nova empresa, que assumirá o passivo da
Sendas, vai gerar caixa "mais do que suficiente para pagar seus
compromissos."
A nova companhia deve se chamar Companhia Sendas de Supermercados e já nasce
como a quarta do ranking, com um faturamento previsto de R$ 3,5 bilhões para
2004, 20 mil funcionários e 106 lojas. O controle será dividido igualmente
entre os grupos, mas na prática, quem vai tocar o negócio será o Pão de Açúcar,
já que a diretoria executiva será indicada pelo grupo paulista.
Além da conquista estratégica de uma mercado importante, o do Rio, o Pão de
Açúcar ao se unir ao Sendas fechou a porta para grandes concorrentes mesmo no
caso de venda futura. Se o Sendas resolver colocar sua parte na nova empresa à
venda, o Pão de Açúcar será o primeiro a ser consultado. "Foi interessante
para os dois, porque o Sendas não vinha bem e a operação do Pão de Açúcar no
Rio não era a melhor, com a agressividade de redes locais", diz um dos
coordenadores do Programa de Varejo da USP, Eduardo Terra.
Diniz deixou claro que aplicará seu estilo de gestão. A intenção é ganhar
escala, reduzir custos e ter poder de fogo para negociar preços mais baixos com
fornecedores. A idéia inicial é manter inalteradas as bandeiras das duas
empresas. A companhia também pretende entrar no Espírito Santo. Diniz prevê um
aumento de 15% no faturamento do Grupo Pão de Açúcar com a joint venture.
A expectativa é de fechar 2004 com faturamento de R$ 15 bilhões.
O executivo do Pão de Açúcar não acredita que o Conselho Administrativo do
Direito Econômico (Cade) crie problemas
para aprovar negócios com o Grupo Sendas, pela localização das lojas dos dois
grupos. (Colaborou Vera Dantas)
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 10/12/2003
Tendência é
de mais parcerias nesse segmento
Em 2004, fusões e
aquisições devem se concentrar em empresas de produtos populares
MARCELO REHDER
As fusões e aquisições no próximo ano devem se concentrar em empresas de bens
de consumo popular, como alimentos, bebidas e eletroeletrônicos de baixo valor
unitário, ao contrário do que prevaleceu nos últimos anos, quando os negócios
giraram em torno das privatizações e do setor financeiro. A previsão é do
consultor José Luiz Saicali, sócio da KPMG. Para ele, essa tendência deve
ganhar força e se consolidar, caso a economia volte a crescer de forma
sustentada em 2004.
A política de empréstimos com desconto em folha de pagamentos deve dar
condições para que o consumo popular deslanche no próximo ano, avalia o consultor.
Nesse sentido, as empresas deverão buscar negócios de fusões ou aquisições para
ingressarem em mercados ou segmentos dos quais estão ausentes ou para
aumentarem sua participação.
Um exemplo desse movimento ocorreu nesta semana, Ontem, a maior rede varejista
do País, o Grupo Pão de Açúcar, firmou uma associação com o Grupo Sendas,
restrita ao Estado do Rio de Janeiro (leia reportagem nesta página).
O negócio surpreendeu o mercado, porque se dizia que não havia mais
oportunidades para grandes fusões no setor - exceto no caso da Rede Bompreço,
que continua em negociação. A despeito dos interesses estratégicos das redes, o
que movimenta esse tipo de operação é a perspectiva de crescimento do consumo
popular no País.
Apesar disso, as empresas estão cautelosas. Pesquisa bianual feita com as mil
maiores empresas no País, divulgada ontem pela KPMG, mostra que para 64% dos
executivos entrevistados a tendência de fusões e aquisições continuará
crescente nos próximos 5 anos. Esse número representa redução de 24 pontos
porcentuais em relação aos 88% da pesquisa realizada em 2001. O número de
empresas que usam serviços especializados de due diligence (processos de
investigação nas empresas para reduzir riscos nas operações) subiu de 72%, em
2001, para 76% agora.
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 10/12/2003
Projeto das
agências pode ser mudado
Deputados pedem a Palocci
revisão do texto sobre os órgãos de regulamentação
ADRIANA FERNANDES
BRASÍLIA - Deputados da Frente Parlamentar em Defesa das Agências Reguladoras
pediram ontem o apoio do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, para mudanças no
projeto de lei que altera o funcionamento dos órgãos reguladores. O projeto
deverá ser enviado na próxima semana ao Congresso e os parlamentares defendem
mudanças nos principais pontos: a transferência do poder de outorga das
concessões para os ministérios e a exigência de contratos de gestão para as
agências. Para esses congressistas, essas duas medidas esvaziam o papel das agências.
Os parlamentares informaram que conseguiram do ministro o compromisso de que o
governo está disposto a adaptar o projeto que será encaminhado ao Congresso ao
relatório interministerial que analisou o papel das reguladoras. O relatório só
foi divulgado depois que o governo apresentou para consulta pública os dois
anteprojetos de lei que modificam a estrutura das agências. "O texto do
grupo interministerial é exatamente tudo o que a frente quer. O que falta é o
ajuste. Esse é o grande compromisso que o ministro Palocci assumiu", disse
Júlio Semeghini (PSDB-SP), após a reunião.
O vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), afirmou
que o governo só encaminhará o projeto ao Congresso na semana que vem, como
está previsto pela Casa Civil, se houver consenso. "Vamos buscar o
consenso", afirmou Albuquerque, que reconheceu que houve um "certo
descompasso de tempo entre o projeto e as conclusões do relatório. Por isso, o
projeto colide com certos princípios do próprio relatório. O Brasil precisa de
investimentos. Precisamos dar tranqüilidade, certeza, e não medo e receio.
Vamos tratar esse assunto com esse grau de responsabilidade".
O deputado Eliseu Rezende(PFL-MG), que também integra a frente parlamentar,
explicou que o relatório opta pela alternativa em que as agências propõem o
plano de outorga e o ministro da área é responsável em aprová-lo. "Sem o
ministro aprovar, a agência não pode licitar e assinar os contratos. O ministro
modifica a seu critério a formulação da política no detalhe que ele quiser,
inclusive na política tarifária. Ele dá instruções à agência, que publica o
edital, licita, assina o contrato e fiscaliza as concessões", disse
Rezende.
O coordenador da frente, deputado Ricardo Barros (PP-PR), disse que Palocci deve
ter uma visão "pragmática" em relação às agências, distante do ponto
de visto "ideológico" que marcou os debates sobre o assunto na
campanha presidencial e no início do governo Lula.
"Sentimos que há boa vontade da área econômica em atender as ponderações",
afirmou". Para Barros, é preciso urgência, porque a indefinição do governo
está comprometendo a retomada dos investimentos externos nos setores regulados
por essas agências: "O objetivo da frente é dar velocidade à tramitação do
projeto, porque do jeito que está, há instabilidade nas decisões de
investimento no País. Enquanto o projeto não for aprovado e sancionado, não
haverá decisão de investimento".
O coordenador da frente alertou que a Parceria Público-Privada (PPP) que o
governo está criando depende essencialmente de agentes reguladores fortes.
"Se não houver um órgão regulador forte, que garanta que durante mandatos
sucessivos de governos diferentes as regras sejam cumpridas, dificilmente o
governo vai encontrar parceiros para investir no setor privado", disse.
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 10/12/2003
Sessão quebra-gelos
Ontem, o presidente do Conselho
Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o uruguaio Carlos Pérez del
Castillo, declarou que, no âmbito dos grupos de trabalho de Genebra, estão
praticamente esgotadas as possibilidades de entendimento para as negociações
comerciais da Rodada de Doha.
Isso significa que nem mesmo os profissionais da negociação sediados em Genebra
vêm conseguindo brechas para tentar dissolver o impasse em que terminou a
conferência da OMC, realizada em setembro, em Cancún.
O embaixador Clodoaldo Hugueney é o subsecretário-geral de Assuntos de
Integração, Econômicos e de Comércio Exterior, do Itamaraty. Ele é também o
encarregado das negociações comerciais do Brasil na OMC. Ele entende que essa
sensação de beira do abismo, em vez de paralisia, pode produzir um efeito
benéfico; pode amolecer os corações hoje intransigentes e contribuir para a
superação do atual impasse.
Em todo o caso, a reunião que se realiza amanhã, em Brasília, entre os
representantes do chamado Grupo dos 20 e a União Européia, não se propõe a
fazer os milagres que nem Genebra consegue realizar. Quer apenas quebrar a
grossa camada de gelo que se criou entre as partes depois do que aconteceu em
Cancún.
Cingapura - Na ocasião, Brasil, China e Índia lideraram o novo grupo, que se
opôs a um acordo preliminar entre Estados Unidos e União Européia pela
manutenção dos subsídios agrícolas.
As negociações emperraram não porque alguns países africanos tivessem rejeitado
a inclusão dos chamados "temas de Cingapura" - as novas regras nas
área de investimentos, concorrência, transparência em compras governamentais e
facilitação do comércio. Emperraram porque, outra vez, os países ricos
mantiveram-se inflexíveis na questão agrícola. Em todo o caso, foi pela
primeira vez que os países emergentes conseguiram articular um grupo
consistente contra o jogo dos países ricos. A atuação dessa nova força na assembléia
da OMC serviu de pretexto para que europeus e americanos deixassem Cancún
despejando acusações sobre suposta atitude solapadora das negociações lideradas
pelo Brasil.
Assim, também em Cancún, os Estados Unidos atuaram em dobradinha com a União Européia,
contra os interesses dos países em desenvolvimento. Mas amanhã, em Brasília,
apenas o comissário de Comércio da União Européia, Pascal Lamy, estará presente
para a sessão quebra-gelos.
Logística - O embaixador Hugueney esclarece que os representantes dos Estados
Unidos só não estarão presentes "apenas por uma questão de
logística". Já estava marcado esse reencontro do Grupo dos 20 e Lamy tinha
viagem agendada pela América do Sul. Assim, ficou mais fácil proporcionar esse
encontro. "Uma reunião do Grupo dos 20 com o representante comercial dos
Estados Unidos, Robert Zoellick, fica para outra oportunidade."
Apesar da falta de entendimento que se viu em Cancún, não se pode dizer que a
relação de forças tenha permanecido inalterada. O fracasso das negociações pelo
menos criou um fato consumado positivo para o Brasil e para os países em
desenvolvimento: confirmou a expiração da chamada Cláusula de Paz.
Essa Cláusula de Paz foi um dispositivo que os Estados Unidos e a União
Européia à última hora contrabandearam para o documento aprovado em 1994, que
consagrou o entendimento da Rodada Uruguai. Ficou estabelecido, então, que até
ao final de 2003 todos os países membros da OMC comprometiam-se a tolerar o
tratamento desleal dos países ricos na questão agrícola e, nessas condições, a
não acionar os mecanismos de solução de controvérsias previstos nos tratados.
Assim, a partir de janeiro próximo, qualquer país lesado está livre para
acionar União Européia e Estados Unidos pela distribuição de subsídios à agricultura.
Hugueney observa que o fim da Cláusula de Paz tornou-se fonte adicional de
pressão sobre os países ricos e certamente estará pairando por cima das cabeças
que se reencontrarão em Brasília.
Mas, como por dever de ofício, tem de seguir acreditando nas negociações, até
mesmo essa fonte de pressão, segundo Hugueney, tende a empurrar para o
entendimento.
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 10/12/2003
Mercosul pode ter acordo com Egito até fim de 2004
CAIRO - O ministro do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse
ontem que o Mercosul poderá iniciar negociações de um acordo amplo com o Egito,
com o objetivo de criar margem legal para a conclusão de acertos comerciais. Segundo
Furlan, o objetivo será concluir o acerto até o fim de 2004, quando o Brasil e
seus sócios do Mercosul também deverão finalizar as negociações com outros
parceiros comerciais relevantes.
Motivado pela perspectiva da General Motors do Brasil de dobrar suas
exportações anuais para aquele país, esse "acordão" permitiria a
discussão da redução de tarifas de importação para o setor. "Até o fim do
ano que vem, teremos completado os acordos da União Européia, da Comunidade
Andina de Nações (CAN), da África do Sul e do Egito com o Mercosul",
afirmou o ministro. "E, inshalá (expressão 'Deus queira', em árabe), a
Área de Livre Comércio das Américas (Alca)", completou, rindo e
referindo-se ao mais complicado processo em negociação da lista.
A proposta de iniciar as negociações Egito-Mercosul deverá ser levada ao Brasil
por autoridades egípcias na próxima semana, conforme Furlan. Uma vez firmado,
esse tipo de acordo não trará conseqüências imediatas para o comércio. Mas
criará o arcabouço jurídico suficiente para concessões de preferências
tarifárias de lado a lado ou até mesmo para a adoção de regras de livre
comércio e afastar os riscos de questionamento de países prejudicados na
Organização Mundial do Comércio (OMC). (D.C.M.)
GAZETA MERCANTIL | TELECOMUNICAÇÕES E INFORMÁTICA | 10/12/2003
Telecom Italia diz que a BrT segue "estratégia equivocada"
São Paulo, 10 de Dezembro de 2003
- Em meio a uma forte disputa, acionistas aguardam decisões da Anatel. A Brasil
Telecom (BrT), empresa controlada pelo fundo privado CVC/ Opportunity, tenta
acelerar sua entrada na telefonia celular nas regiões Sul e Centro Oeste com o
argumento de que isso é fundamental para viabilizar o conjunto de seus
negócios. Em meio a uma disputa de acionistas com a Telecom Italia, a BrT faz
os testes dos serviços móveis e aguarda a autorização de uso de freqüência de
celulares da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Antes disso, espera
da agência uma certificação de cumprimento de metas de universalização na
telefonia fixa. Essa certificação é pré-requisito para a entrada nos serviços
móveis.
A BrT corre contra o tempo. A operadora já perdeu, por exemplo, a oportunidade
de participar da concorrência pelos celulares no Natal, melhor momento do ano
para o negócio. Mais do que isso: na visão da Telecom Italia, os mercados que a
BrT pretende explorar já estão bem ocupados e apresentam limitado potencial de
crescimento. Para ganhar espaço nesses mercados, afirmam os italianos, a BrT
precisará conquistar clientes com preços muito baixos, sacrificando receita e
rentabilidade. "O custo dessa operação é o desastre financeiro",
dizem fontes da Telecom Italia.
A presidente da BrT, Carla Cico, disse, nesta semana, porém, em entrevista à
agência Reuters, que sem a autorização para operação de celulares e do serviço
de longa distância nacional, a BrT terá sua própria existência ameaçada.
"Eles (os reguladores) estariam decretando a morte da Brasil
Telecom", afirmou Carla Cico.
Além desse impulso financeiro detectado pela executiva, a autorização de uso de
freqüência para a telefonia móvel tem um outro significado para a BrT:
dificultar o retorno da Telecom Italia para seu bloco de controle. Com a
certificação do cumprimento das metas de universalização, o caminho para esse
retorno, com os italianos reassumindo 38% de participação na BrT, ficará
imediatamente aberto. A não ser que a BrT consiga a autorização da Anatel para
vender os serviços móveis.
Nesse caso, seria criado um conflito para a volta da Telecom Italia ao grupo
controlador, já que uma mesma empresa não pode comandar duas operadoras que
concorrem em uma mesma região. A Telecom Italia é dona da TIM, que já explora a
telefonia celular em todo o território nacional. Mas alega que, pelo aditamento
de contrato assinado em agosto de 2002, sua volta ao controle da BrT não se
dará em sacrifício dos seus negócios em telefonia móvel, no qual os italianos
afirmam ter investido US$ 5 bilhões. Pelo aditamento, quem deveria abrir mão
dos serviços de celulares é a BrT. Caso a Anatel conceda a autorização de
prestação de serviços móveis para a BrT, essa questão só deverá se resolver na
Justiça.
A Telecom Italia diz que a melhor saída para a BrT é firmar parcerias com
operadoras de telefonia celular que já atuam nos estados do Sul e do Centro
Oeste "ao invés de fazer pesados investimentos e recorrer à conquista de
clientes a qualquer custo". A Telecom Italia afirma, também, que "a
TIM certamente é uma opção" para a BrT. "A tendência do mercado é ter
licenças nacionais de telefonia celular e não regionais", diz uma fonte da
Telecom Italia. "Ao optar por uma licença regional, a Brasil Telecom vai
contra uma tendência já estabelecida. Se essa é apenas uma manobra tática, isso
deveria ser informado aos acionistas da empresa. São eles que vão pagar o preço
de uma estratégia equivocada".
Carla Cico diz que a Telecom Italia tenta impedir o lançamento da operação de
telefonia celular da BrT movida apenas por seus próprios interesses e é mais
otimista em relação às chances da operadora no novo negócio. Em declarações
recentes, ela projetou a conquista de um milhão de clientes para a BrT somente
em 2004. Isso corresponderia a 9% da base atual de assinantes dos locais em que
a BrT pretende atuar (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso,
Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Rondônia e Distrito Federal). Nessas
regiões, o número de celulares em operação gira em torno de 11 milhões.
(Gazeta Mercantil/Caderno A12)(Vicente Vilardaga e InvestNews)
GAZETA MERCANTIL | TELECOMUNICAÇÕES E INFORMÁTICA | 10/12/2003
A Telemar investe na banda larga sob demanda
São Paulo, 10 de Dezembro de 2003
- Depois de as grandes fornecedoras de tecnologia lançarem no mercado a
computação sob demanda, agora é a vez de as telefônicas também venderem
serviços nesse mesmo formato. No primeiro trimestre de 2004, a Telemar vai ter
em seu portfólio a banda larga sob demanda em três grandes capitais
brasileiras. O novo serviço, pioneiro no País, será apresentado hoje, durante o
evento Networkers 2003, organizado pela Cisco, em São Paulo.
A maior operadora de telefonia fixa do País consegue esse diferencial graças à
sua rede Metro Gigabit Ethernet, solução de altíssima velocidade com protocolo
IP (com velocidade de transmissão de dados de até 1 Gigabit por segundo) que
interliga redes locais (LAN) de uma mesma empresa em uma mesma cidade. Essa
interface tecnológica permite não somente a banda larga sob demanda sem a necessidade
de substituição do equipamento como também melhor oferta de comunicação de
dados para aplicações que exigem alto desempenho, como vídeo, e-learning e
telemedicina.
Utilizando equipamentos e infra-estrutura da Cisco e parceria com a Promon
Tecnologia, a Telemar tem na Metro Ethernet um complemento aos seus serviços de
telefonia corporativa. Além do competitivo mercado paulistano, a empresa
inaugura o novo serviço no Rio e em Belo Horizonte. O projeto piloto da Metro
Ethernet da Telemar foi feito para a Emprel, empresa de processamento de dados
de Recife (PE), em abril, interligando escolas e postos de saúde do município.
"Os resultados foram muito positivos e estamos investindo na ampliação em
todo o estado", diz a diretora de soluções empresariais da Telemar, Denize
Meza. A executiva não revela o investimento realizado para a adequação da rede
para oferecer o serviço.
Com uma rede de 500 quilômetros de fibra ótica herdada da Pegasus, adquirida em
outubro de 2002 pela Telemar, a expectativa de Denize é de que a rede
paulistana tenha capacidade para até 500 clientes. Ela conta que a empresa
testa a Metro Ethernet no Rio com outras cinco empresas e tem como primeiro
cliente a Petrobras. A empresa tem contrato de dois anos com a estatal para
interligação de dois endereços da companhia a velocidade de 100 Megabits por
segundo. A operadora também testa a solução com dez clientes em São Paulo, e
outros cinco na capital mineira.
De acordo com Denize, a integração de escritórios com a Metro Ethernet permite
uma economia de 30% nos custos totais de telefonia. Com a banda larga sob
demanda, é possível ampliar, em poucas horas, uma rede de 10 Gigabits por
segundo para a capacidade necessária por uma empresa ou um banco.
Para o diretor de vendas regional da Cisco, Jorge Coelho, a interface Metro
Ethernet deve alavancar inúmeros negócios nos próximos anos, repetindo a
tendência do protocolo IP, que já é um padrão de convergência de voz, dados e
imagem. Segundo ele, estão em andamento projetos com outras duas operadoras
brasileiras.
(Gazeta Mercantil/Caderno A12)(Rosana Hessel)
GAZETA MERCANTIL | INDÚSTRIA E SERVIÇOS | 10/12/2003
Usiminas e CSN defendem fusão
Ipatinga (MG), 10 de Dezembro de
2003 - A criação de uma grande player nacional daria melhores condições no
exterior, dizem executivos. A organização das siderúrgicas nacionais em um
grande player foi defendida na última segunda-feira por Rinaldo Campos Soares,
presidente do Sistema Usiminas, e por Benjamim Steinbruch, presidente da
Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), durante evento promovido pela empresa
mineira. Segundo os executivos, o setor teria melhores condições de atuar no
mercado mundial e mais força política com uma possível fusão entre as empresas que
têm controle de capital nacional, como as duas, por exemplo.
Soares disse que a Usiminas está apta a liderar a reestruturação das
siderúrgicas, processo que, segundo ele, deve ser comandado por grupos
nacionais e complementado por uma internacionalização "de dentro para
fora". Soares disse que a siderúrgica de Ipatinga está preparada para o
processo de fusão, pois já integrou a Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa),
investiu US$ 2,3 bilhões em dez anos em ampliação da capacidade produtiva e tem
experiência em alianças estratégicas como, por exemplo, a unidade de
galvanização Unigal, uma joint venture formada em 2000 com a japonesa Nippon
Steel.
As siderúrgicas estão discutindo esse processo, mas a operação é complexa, pois
há composições diferentes nos grupos societários. "É preciso que haja boa
vontade de todos e ajuda do governo, que é favorável para que a operação
ocorra. Temos que viabilizar uma siderúrgica forte brasileira. A questão,
agora, é conversar", disse Benjamim Steinbruch. Segundo Soares, o atual
governo é amplamente favorável à fusão entre as empresas nacionais e o
fortalecimento dos setores.
Conforme Soares, há uma vantagem para a fusão, pois o fornecimento de aço pelo
mundo é pulverizado, diferentemente de outros setores, como o de minério de
ferro o e automotivo, em que cinco grupos dominam 94% e 60% do mercado,
respectivamente. "Na siderurgia, as cinco maiores empresas têm apenas 17%
do mercado. Com a fusão das brasileiras, seremos um dos maiores produtores e
fornecedores do mundo", disse. Ele afirmou que em 2004 a demanda por aço
no mundo vai crescer mais de 6% e com a união entre as empresas será mais fácil
abocanhar essa fatia.
Outra observação feita pelo presidente da Usiminas é que a produção de aço está
se deslocando para países emergentes. O crescimento anual previsto de
capacidade até 2010 será de 1,7% em todo o mundo. Nos países desenvolvidos, a
taxa ficará em 0,2% enquanto nos países em desenvolvimento, o crescimento será
de 3,3% por ano. O presidente da CSN disse que a fusão das empresas não é
imprescindível para elas, pois já possuem competitividade no mercado mundial,
mas abriria portas para um crescimento ainda maior de toda a cadeia no Brasil.
A decisão do governo dos Estados Unidos em recuar alguns pontos da Seção 201,
que sobretaxa e impõe cotas a alguns produtos siderúrgicos de vários países,
tem mais peso político do que mercadológico, na avaliação do presidente da
Usiminas. Segundo ele, o fato é importante, no sentido de criar oportunidades
para a venda de galvanizados e laminados. Mas a Usiminas já tem uma boa
clientela pelo mundo, principalmente na Ásia.
(Gazeta Mercantil/Caderno A11)(Karlon Aredes)
GAZETA MERCANTIL | TELECOMUNICAÇÕES E INFORMÁTICA | 10/12/2003
A TIM busca clientes corporativos
São Paulo, 10 de Dezembro de 2003
- De olho no cliente pessoa jurídica, a operadora de telefonia TIM anunciou
para o início do ano que vem sua nova tecnologia de transmissão de dados, a
Edge, uma espécie de "upgrade" da rede atual de GSM-GPRS que eleva
para 110 kilobits por segundo (80 na média), a velocidade de tráfego de dados.
Com isso, a TIM planeja duplicar o número de clientes corporativos em um ano,
saindo dos atuais 3% da base para 6% em fim de 2004, afirmou Mário Cesar
Pereira de Araújo, presidente.
O executivo justificou a estratégia de marketing antecipada dizendo que é
melhor o cliente empresarial ficar sabendo logo que o serviço estará disponível
em 2004, muito embora não existam por enquanto telefones celulares capacitados
a utilizar a velocidade do Edge.
Os aparelhos começarão a aparecer nas lojas no ano que vem. "A Nokia vai
comercializar o seu modelo em janeiro e os demais fabricantes, Samsung, Sony
Ericsson, Motorola e Siemens, lançarão os respectivos telefones ao longo do
primeiro semestre", disse Araújo.
A rede Edge da TIM começará com cerca de cem estações radiobase (ERB) em São
Paulo, distribuídas por nove bairros – Bela Vista, Jardim Paulista, Pinheiros,
Consolação, República, Vila Mariana, Moema, Itaim e Campo Belo. Além disso, a
TIM está equipando algumas ERBs de Campinas e Brasília. O Rio será contemplado
com o "upgrade" em seguida.
Não são esperados, numa primeira etapa, serviços ou aplicativos desenvolvidos
especialmente para a nova rede em alta velocidade. "O cliente tem seus
aplicativos e poderá usar a mobilidade em banda larga da forma que
preferir", afirmou Araújo, referindo-se à transmissão de e-mails e acesso
à internet.
Para tornar a novidade efetivamente atrativa, a TIM está tarifando o serviço
sem qualquer acréscimo em relação ao GSM-GPRS original. Mas na compra do
aparelho, o cliente gastará 10% mais, disse.
A operadora prevê chegar ao fim do ano com mais de 8 milhões de clientes, dos
quais 6 milhões na tecnologia TDMA (que não pode oferecer banda larga) e 2
milhões em GSM. Em setembro, os números mostravam respectivamente 5,5 milhões e
1,6 milhão, o que evidencia a pretensão da italiana de adquirir 900 mil novos
clientes no último trimestre.
Numa demonstração de que em 2004 será acirrada a competição já existente entre
as operadoras celulares, a Vivo, principal concorrente da TIM, com carteira de
20 milhões de clientes, dos quais 230 mil corporativos, garante que vai
oferecer muita resistência para evitar o avanço da italiana sobre a sua
clientela VIP.
Segundo Alberto Ferreira, diretor geral da Vivo Empresas, a companhia está se
preparando para lançar a tecnologia CDMA-EVDO, que avança muito em relação ao
já disponível 1xRTT, oferecendo velocidades de até 2 megabits por segundo
(Mbps). "Não deixaremos nenhum cliente rentável escapar para a
concorrência, a TIM pode estar certa disso", afirmou o executivo. "Se
for preciso presentear os clientes com telefones sofisticados, isso será feito
sem nenhuma dúvida", disse.
Ferreira acredita que sua concorrente precisará de alguns meses para adaptação
da rede mais veloz. "Antes de vir a público, eles vão ter de comer muita
pizza fria e Coca-Cola quente", brincou.
A falta de aplicativos já tropicalizados também consiste em problema, afirmou o
concorrente, citando uma pesquisa do Yankee Group, segundo a qual 51,5% das
empresas clientes têm a expectativa de que os aplicativos sejam desenvolvidos
pelas operadoras. Outros 13% aceitam que ele seja feito por fabricantes de
hardware e 13,3% por integradores. "Os clientes querem tudo pronto",
disse.
(Gazeta Mercantil/Caderno A12)(Thaís Costa)
GAZETA MERCANTIL | MÍDIA E MARKETING | 10/12/2003
Cresce venda de serviços na internet
São Paulo, 10 de Dezembro de 2003
- Sites sobreviventes à onda do "tudo grátis" ganham cobrando por
dietas, mapas e classificados. Era uma vez a internet, uma espécie de Terra do
Nunca onde tudo era possível e nunca se cobrava por nada. Quem viveu o estouro
da "bolha" da web na virada do milênio lembra: muitos sites morreram
por debilidade financeira já que se baseavam no modelo de receita limitado ao
tripé venda de espaço publicitário, e-commerce e licenciamento de conteúdo.
Alguns sites ousaram desfiar a regra tácita do "tudo grátis" e foram
bem-sucedidos na venda de conteúdo on-line num ambiente em que as informações
não custavam nada. Parece que o amadurecimento tão temido por Peter Pan tem
sido positivo aos negócios na rede.
"A venda de conteúdo mostra a adequação do canal da internet à realidade e
aponta uma tendência de transformação que deve se consolidar rapidamente",
diz o diretor de pesquisas da empresa de análise especializada em internet
Gartner, Waldir Arevolo. Ele diz que o modelo "tripé" estava incompleto
em relação ao custeio do conteúdo. "Em termos de viabilidade econômica, a
analogia que se deve fazer da internet não é com a TV aberta que vive de
publicidade e sim com a TV a cabo, com programação segmentada e que tem na
assinatura do serviço sua receita principal", diz Arevolo.
O site Cyber Diet (www.cyberdiet.com.br) é um representante da nova geração
movida a cartão de crédito. "O site entrou no ar em novembro de 2000, bem
na época do estouro", diz o diretor geral Alexandre Canatella. O Cyber
Diet é filhote de outro site, o Cyber Cook, que tinha um modelo de negócios
baseado no tripé em voga na época: publicidade, e-commerce e licenciamento de
conteúdo. O site de gastronomia até hoje é 100% gratuito, mas o de reeducação
alimentar sempre vendeu seu conteúdo especializado, passou a dar lucro dois
meses antes do previsto e continua a surpreender: este ano crescerá 33%.
"Nosso desejo era oferecer um conteúdo tão relevante que as pessoas
desejariam pagar por ele. Alguma coisa que já existisse no mundo real e que
poderia funcionar no mundo digital", diz Canatella. Na mesma época surgiu
um precedente: o portal norte-americano Yahoo lançou um serviço de
gerenciamento de finanças pago. Há décadas as pessoas pagavam por serviços de
reeducação alimentar como Vigilantes do Peso, o que inspirou o Cyber Diet, que
funciona no sistema de assinatura. "Hoje apenas 10% do faturamento se
baseia no "tripé". Os outros 90% vem das assinaturas." O site já
vendeu seus serviços a 31 mil internautas (75% mulheres).
Segundo Arevolo, existem fatores que propiciam a demanda pelo conteúdo pago: o
site deve ser hábil em utilizar a interatividade, deve mostrar o valor agregado
da informação que está sendo vendida e deve trabalhar no sentido não só de
segmentar sua oferta como de oferecer informações mais precisas e, portanto,
com maior valor agregado do que o conteúdo gratuito. "Mesmo nos sites que
vendem conteúdo são oferecidas informações gratuitas", diz o Arevolo, da
Gartner.
O especialista destaca que o fator crítico para obter sucesso na venda de
conteúdo é a habilidade do site em mostrar a conveniência da compra do serviço
(muitas vezes também oferecido no mundo real) pelo canal eletrônico. Muitas
vezes o fator de compra é a possibilidade de se obter uma solução imediata e
sob medida para uma questão pessoal como uma dieta, um horóscopo ou um mapa ou
um carro.
O Cyber Diet, por exemplo, faz a avaliação de massa corporal e indica a quantos
quilos o internauta está do peso ideal sem cobrar nada por isso - já fez 1,6
milhão destas avaliações - e até diz, de graça, em quanto tempo é possível
perder os tais quilinhos a mais. Só que para receber a dieta é preciso comprar
a assinatura. No Estrela Guia (www.estrelaguia.com.br) horóscopo do dia é
grátis e até a confecção do mapa astral não é cobrada. Só que a interpretação
das posições dos astros é vendida. O serviço é imediato e custa 30% do que um
astrólogo conhecido cobraria. O site oferece também mapas para casais e para
jovens em busca de orientação vocacional. "A segmentação e a da oferta
seguida pela personalização é uma importante tendência das vendas na web",
diz Arevolo.
Por quase quatro anos todos os serviços do site Maplink (www.maplink.com.br),
que fornece mapas e rotas de 42 cidades, foram grátis. O mesmo ocorria com as
tabelas de preços do Car Sale (www.carsale.com.br). Hoje, ambos passaram a
cobrar por alguns serviços. "Quando passamos a oferecer rotas rodoviárias
em maio deste ano tivemos um salto imediato de audiência de mais de 20%",
conta o diretor geral do Maplink, Guilherme Gomide. "Percebemos que para
atender à demanda teríamos que investir na ampliação de capacidade dos
servidores e não dava para manter tudo de graça.
Além disso, percebemos que muitos dos usuários tomavam as informações para fins
corporativos." Em setembro, o site lançou seu primeiro serviço pago,
justamente o de orientação rodoviária, e já vendeu mais de mil assinaturas, o
que já corresponde a cerca de 15% do faturamento. No balanço de 2003, o serviço
pago vai corresponder a 7,5% do faturamento enquanto a publicidade será 8%. O
licenciamento de conteúdo responde por 85% da receita de 2003. "A
expectativa para 2004 é que as assinaturas corresponderão a 32% do faturamento,
considerando o lançamento de três novos serviços." Em 2003, o site cresceu
12% em receita. "Nosso desafio é descobrir novos nichos para criar
produtos relevantes e aumentar o ticket-médio de acesso."
Também há três meses, o CarSale lançou um serviço de classificados que já
corresponde a 10% de sua receita. "A publicidade representa 20%, a venda
de soluções de tecnologia outros 20% e o e-commerce de veículos, 50%", diz
o diretor geral, Antonio Caldas. "Até abril lançaremos outros serviços
pagos e as proporções devem mudar." Neste ano, o site vendeu 2,5 mil
carros e cresceu cerca de 35% em faturamento.
kicker: Serviços como o Cyber Diet vão crescer 33% num ano em que a mídia andou
de lado
(Gazeta Mercantil/Caderno A14)(Andréa Ciaffone)
GAZETA MERCANTIL | LEGISLAÇÃO | 10/12/2003
Planos de outorga ficam a cargo das reguladoras
Brasília, 10 de Dezembro de 2003
- As agências reguladoras serão autorizadas a elaborar planos de outorga à
iniciativa privada desde que as diretrizes das concessões sejam previamente
submetidas e aprovadas pelos ministérios. Esse ajuste nas atribuições das
agências será um dos principais pontos que constará no projeto de lei que o
Poder Executivo encaminhará ao Congresso Nacional nos próximos dias. Nas
condições atuais em vigor, das nove agências existentes, as que regulam as
áreas de telecomunicações, de energia elétrica e de petróleo não são obrigadas
a submeter os planos de outorga aos ministérios técnicos. Em reunião, ontem,
com os deputados que integram a Frente Parlamentar que debate as atribuições das
agências, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, reforçou que as funções
desses órgãos, bem como a atribuição do Poder Executivo, precisam ficar bem
definidas para que os investidores não se sintam inibidos em tomar decisões
relacionadas ao setor público.
"O ministro Palocci disse que o projeto das Parcerias Público Privadas
(PPP) é importante e que somente se concretizará com êxito se as agências
estiverem com suas atribuições bem definidas", relatou o deputado federal
Eliseu Resende (PFL/MG), que participou da reunião. "Ele foi claro em
dizer que esse assunto precisa ficar bem resolvido na legislação a fim de que
se dê segurança ao setor privado nacional e estrangeiro", acrescentou.
Inicialmente previa-se que as matérias que tratam da redução da autonomia das
nove agências seriam enviadas ao Congresso na primeira quinzena, em um esforço
para serem aprovadas ainda este ano. Atento ao calendário apertado às vésperas
do recesso parlamentar, que começa oficialmente no dia 15, o vice-líder o
governo na Câmara, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), disse que será feito um
"esforço", mas que não há garantias de encerramento das discussões
ainda em 2003. "Vamos avaliar no tempo se temos condições de aprovar essas
matérias ainda este ano. Isso é uma dúvida que temos", disse.
Na visão de Albuquerque, o mais importante é que se definam os ajustes a serem
feitos, entre os quais a transferência das agências para os ministérios da
responsabilidade de aprovação dos planos de outorga dos serviços públicos.
(Gazeta Mercantil/Caderno A7)(Luciana Otoni)
GAZETA MERCANTIL | OPINIÕES | 10/12/2003
PPP & Regulação
O deputado Eliseu Resende (PFL-MG), que faz parte da Frente Parlamentar em Defesa das Agências Reguladoras, informou que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, afirmou que está preocupado com a estabilidade da regulação no País. Ele concorda que o PPP só pode ter êxito "se as agências reguladoras tiverem seu papel definido e determinado e os ministérios setoriais tiverem suas funções bem exercidas". Segundo o deputado mineiro, essa é a avaliação do governo e, principalmente, do ministro Palocci, que está preocupado "com a questão dos investimentos no País". "Ele (Palocci) quer garantir segurança na regulação tanto para o setor privado nacional quanto o estrangeiro", concluiu o pefelista Resende.
GAZETA MERCANTIL | OPINIÃO | 10/12/2003
G-20 e questão agrícola
10 de Dezembro de 2003 - Reunião
de países em desenvolvimento debaterá subsídios. O G-X, ou G-20, grupo de
países em desenvolvimento cujo núcleo é formado pelo Brasil, Índia, África do
Sul e China, deverá se reunir em Brasília. O principal tema dos debates será a
negociação agrícola na Organização Mundial do Comércio (OMC), motivo da
formação do grupo em agosto, pouco antes da reunião ministerial de Cancún.
A questão agrícola na OMC está praticamente paralisada. O pouco que existe de
discussão centra-se em torno do chamado texto Derbez, apresentado pelo
chanceler mexicano em Cancún, e que não chegou a entrar em negociação em
virtude do colapso da reunião ministerial. O texto não é bom, pois está baseado
fortemente no ruim texto inicial do presidente do Conselho da OMC, embaixador
Perez de Castillo. Todavia, é melhor tentar modificá-lo do que reiniciar as
discussões, o que acarretaria mais atrasos nas negociações.
Tal como se apresenta, o texto Derbez é inaceitável. Ele não atende sequer aos
objetivos assinados em Doha e exige significativas melhoras.
É essencial a total eliminação dos subsídios na exportação, que causam danos às
economias dos países em desenvolvimento. O texto Derbez propõe a eliminação de
subsídios apenas para produtos ditos de interesse dos países em
desenvolvimento. No entanto, é essencial fixar uma data para a total eliminação
dos subsídios para todos os produtos, sem qualificações confusas.
O momento político e a força da aliança estabelecida pelos países em
desenvolvimento favorecem as negociações. Deve-se focar o chamado dumping dos
países que exportam com preços abaixo do custo de produção em razão de
subsídios. Pela Cláusula da Paz, esse tipo de subsídio será facilmente
contestável após 1 de janeiro de 2004.
Também na questão dos subsídios de apoio interno o texto Derbez exige
importantes alterações, como a significativa redução nos valores permitidos e a
imposição de novas regras que dificultem as inúmeras manipulações que têm sido
utilizadas.
Os limites para os subsídios eventualmente autorizados devem ser definidos
produto a produto, impedindo transferências de um lado para outro. Esse ponto é
essencial. Os limites produto a produto devem ser reduzidos a ponto de não
viabilizarem o extravasamento da produção para o mercado externo. Embora
estivesse na proposta original do G-20, esse critério foi ignorado pelo texto
Derbez.
É também importante o desenvolvimento de melhores regras definindo os vários
tipos de subsídios, dos permitidos aos proibidos, passando pelos controlados e
com compromissos de reduções.
Os países desenvolvidos abusam de alterações de caráter político,
apresentando-as como melhores ao comércio, o que nem sempre corresponde à
verdade. Outro ponto importante, que deve ser discutido com cautela, é o maior
acesso aos mercados.
O G-20 mostrou sua coesão em Cancún. Mantém-se unido, apesar das pressões e
descrenças. Não se deve, porém, esquecer que o denominador comum que os uniu
foram as aberrações do dumping agrícola. É preciso primeiro avançar nesse tema
para depois pensar no futuro.
kicker: A força da aliança estabelecida pelo grupo dos 20 favorece as
negociações
(Gazeta Mercantil/Caderno A3)(Pedro de Camargo Neto - Ex-secretário de Produção
e Comercialização do Ministério da Agricultura.)
GAZETA MERCANTIL | INTERNACIONAL | 10/12/2003
OMC diz ser pouco provável negociação acabar em 2005
Genebra (Suíça), 10 de Dezembro
de 2003 - Países não deverão retomar discussões na próxima semana. A
Organização Mundial do Comércio (OMC) não retomará, na próxima semana, as
negociações entre seus membros. Isso provavelmente a acaba com qualquer
possibilidade de se chegar a um acordo mundial de comércio em 2005, conforme o
programado, disse o presidente do Conselho Geral da instituição, Carlos Pérez
del Castillo.
Quando as negociações da OMC cambalearam em setembro, os membros concordaram em
chegar a um acordo para 15 de dezembro, a próxima segunda-feira, sobre como
reavivar suas tentativas de reduzir as barreiras comerciais para bens e
serviços. Porém, poucos avanços ocorreram desde então, disse o uruguaio Pérez
del Castillo, que preside as negociações. "Não será possível voltar ao
ponto em que devíamos estar no dia 15 de setembro, para o 15 de dezembro",
afirmou. "Dadas as contínuas divergências de opinião, não parece provável
que possamos avançar além de um informe do presidente sobre quais membros
seriam convidados a participar."
Países como o Brasil, Índia e China uniram forças pela primeira vez na reunião
de setembro para exigir maior acesso aos mercados, para vender seus produtos.
"Como está a situação hoje, essa data (2005) está cada vez mais em
dúvida", disse Pérez del Castillo. "O tema terá de ser abordado no
primeiro semestre do próximo ano."
"Chamamos todos os membros da OMC a voltar a envolver-se rápida e
seriamente, com realismo, no processo de negociação", disse, em uma
declaração, a Unice, uma câmara de empresas européias de comércio, com sede em
Bruxelas. A Unice apóia um acordo da OMC para baixar as tarifas sobre produtos
e abrir mercados para serviços. O grupo pede ainda a redução da burocracia nos
procedimentos aduaneiros, mas pressiona menos pelas regras para investimentos,
que provocaram objeções de países pobres na reunião ministerial da OMC em
setembro, em Cancún, no México.
Os volumes de comércio não se recuperaram neste ano aos níveis vistos na década
de 1990. Isso porque as exportações dos países industrializados ficaram
estagnadas pelo segundo ano, segundo um informe da OMC de novembro. Um acordo
para estimular o comércio mundial somaria cerca de US$ 500 bilhões à economia
mundial, calcula a OMC. "É uma janela de oportunidade", disse Pérez
de Castillo.
Sobre a reunião do Grupo dos 20 (G-20) no Brasília, que ocorrerá amanhã e
sexta-feira, 18 países confirmaram presença, junto com representantes da União
Européia e da OMC, segundo o governo brasileiro.
kicker: "Como está a situação hoje, essa data está cada vez mais em
dúvida", diz Pérez del Castillo
(Gazeta Mercantil/Caderno A10)(Bloomberg)
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 10/12/2003
Senado aprova Abdenur para EUA
Maria
Lúcia Delgado, De Brasília
A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou ontem, por unanimidade, a
indicação de Roberto Abdenur como embaixador do Brasil nos Estados Unidos
(EUA). A indicação ainda terá que ser submetida ao plenário, provavelmente
hoje. Abdenur disse aos senadores, durante a sabatina, que apesar do recente
noticiário, o Brasil tem uma relação "densa e madura" com os EUA.
"O Brasil é um país amigo dos Estados Unidos", enfatizou Abdenur.
Lembrou que assumirá a Embaixada em Washington num momento decisivo sobre o
futuro da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Ele não mostrou postura
crítica ou favorável à Alca, mas ressaltou a importância das relações
comerciais com os EUA e disse que se empenhará para promover as exportações
brasileiras. "Será um ano decisivo (2004), com as negociações finais da
Alca. O embaixador não é um negociador, mas não será um observador passivo e
alheio. Será um algodão entre cristais, um frio e objetivo analista das
posições norte-americanas", explicou Abdenur.
Por outro lado, o embaixador defendeu o fortalecimento do Mercosul.
"Estamos dando uma vertebração política e econômica à América do Sul. O
Brasil é também um país com presença ativa e construtiva no ordenamento das
questões internacionais", observou.
O Brasil, segundo ele, é visto pelos EUA como um país determinante na América
Latina e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem atuado para que as
discussões comerciais entre os dois países transcorram de forma equilibrada e
"com altivez". Explicou que a aproximação entre Mercosul e União
Européia e a criação da Alca são processos paralelos. "Há uma alimentação
recíproca entre os dois processos", disse, ponderando que quanto mais se
aproxima a data final para as negociações da Alca, mais os europeus se movem em
direção ao Mercosul.
Numa sessão esvaziada, em que a maioria dos senadores presentes era da oposição
(PFL e PSDB) e do PMDB, o único questionamento mais incisivo ao embaixador foi
feito pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS). O gaúcho disse que os EUA querem
promover o esvaziamento do Mercosul e é preciso consolidar o bloco para somente
depois formar a Alca. O Mercosul, na opinião do embaixador, é hoje, para os
EUA, "um ator dentro do processo da Alca" e o fortalecimento do bloco
não impede o prosseguimento das negociações com os americanos.
Abdenur afirmou ainda que apesar do protecionismo dos EUA afetar as exportações
do Brasil, o país não fez nenhum esforço exportador nas últimas duas décadas.
Ele disse que de 1985 a 2002, o volume de exportações do Brasil aos EUA saltou
de US$ 7,5 bilhões para US$ 26 bilhões, enquanto, no mesmo período, o saldo
exportador da China passou de US$ 4 bilhões para US$ 125 bilhões; do México de
US$ 19 bilhões para US$ 134 bilhões; e da Coréia do Sul de US$ 10 bilhões para
US$ 35 bilhões.
Além do desafio de implantação da Alca, o embaixador citou ainda outras
questões decisivas em 2004: a eleição presidencial dos EUA, a reformulação da
ONU e os embates na Organização Mundial do Comércio (OMC). A reeleição de
George W.Bush, segundo ele, não está garantida e dependerá de alguns fatores:
do carisma do candidato democrata, dos desdobramentos da política americana no
Iraque e da recuperação econômica dos EUA.
Ao enumerar suas funções como embaixador, Abdenur incluiu "ser um elo
político elevado" entre o governo brasileiro e os empresários e banqueiros
norte-americanos. Disse que pretende melhorar o diálogo com os bancos
americanos, especialmente o Federal Reserve (Fed, o banco central) e o Banco
Mundial, e com o Tesouro.
A Comissão de Relações Exteriores também aprovou a indicação de Carlos Augusto
Rego Santos Neves para exercer o cargo de embaixador junto à Rússia e a
República da Geórgia; de César Amaral para a Embaixada do Brasil na Jamaica, e
de Marcos Caramuru de Paiva para a Embaixada do Brasil na Malásia.
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 10/12/2003
Comissão do Senado aprova indicação para Anatel
De Brasília
A indicação de Pedro Jaime Ziller de Araújo para ocupar vaga no conselho
diretor da Anatel foi aprovada ontem por unanimidade pelos senadores da
Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Depois de uma sabatina que durou pouco
mais de uma hora, os senadores aprovaram o nome de Ziller por 20 votos a zero.
A comissão também aprovou requerimento de urgência para que o nome de Ziller
seja votado no plenário o mais rápido possível. O governo tentou articular a
aprovação em plenário ontem mesmo na sessão marcada para as 19 horas mas o mais
provável é que a indicação de Ziller seja votada amanhã.
Na sabatina, os senadores não questionaram severamente Ziller, inclusive os
membros da comissão pertencentes aos partidos da oposição. Os senadores se
limitaram a elogiar o currículo profissional do indicado e sua experiência no
setor.
Apenas o senador Saturnino Braga (PT-RJ) perguntou a opinião de Ziller sobre a
eventual compra da Embratel pela Telos (fundo de pensão dos funcionários da
empresa) e sugeriu que o BNDES deveria ajudar o fundo de pensão a comprar a
Embratel. Ziller se limitou a dizer que essa era uma situação "de
mercado" e que caberia ao Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (Cade)
analisar a concentração de mercado resultante da operação. O ministério e a Anatel
precisam apenas acompanhar com cuidado o desenrolar da negociação para que não
haja prejuízo aos consumidores com a queda da qualidade dos serviços.
O comentário, nos bastidores do Senado, era de que o ministro das Comunicações,
Miro Teixeira, teria feito uma boa articulação política para garantir a
aprovação de Ziller. Desde o começo da semana, os dois circularam pelos
gabinetes dos senadores integrantes da comissão que faria a sabatina. Ziller é
atualmente secretário de Telecomunicações do ministério das Comunicações e foi
indicado para a Anatel por Miro Teixeira.
O mercado agora aguarda, com uma certa apreensão, se o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva indicará o secretário de Telecomunicações também para acumular a
presidência da Anatel, em substituição ao atual presidente, Luiz Guilherme
Schymura.
O objetivo do governo é fazer com que Ziller assuma na Anatel ainda neste ano.
Por isso o ministro das Comunicações solicitou ao presidente da Comissão de
Infra-Estrutura, senador José Jorge, a antecipação da sabatina, anteriormente
marcada para amanhã.
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 10/12/2003
Agências reguladoras
Um grupo de deputados ligados à Frente Parlamentar em Defesa das Agências Reguladoras se reuniu ontem com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para pedir que o governo "sintonize" o projeto de lei que regula o papel das agências ao texto definido pelo grupo interministerial que tratou do tema. Os pontos de divergências são basicamente dois: de quem será a responsabilidade de outorga das concessões e qual deve ser o papel das ouvidorias internas. Os parlamentares defendem que as outorgas sejam mantidas nas agências, podendo o ministro da respectiva área modificar o termo e mesmo vetá-lo.
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 10/12/2003
Lafer critica prioridades da política externa
Assis Moreira, De Genebra
O ex-ministro Celso Lafer fez ontem uma das mais duras criticas até agora à política
externa do governo Lula, as vésperas de o presidente encerrar uma viagem de dez
dias ao Oriente Médio. Lafer aponta prioridade equivocada, falta de
pragmatismo, propensão do governo a "jogar demais para a torcida",
afetando interesses nacionais, e risco de Lula transpor uma visão sindicalista,
de operário versus patrão, para a política externa.
O ex-ministro questiona a viagem "equivocada" de Lula a Síria e
Líbia, porque "uma viagem presidencial é carregada de simbolismo, ainda
mais quando é no primeiro ano e se está definindo seu campo."
Para Lafer, Lula deveria ter privilegiado a China e a Índia, com os quais o
Brasil tem muito mais a ganhar. A questão não é de temor dos Estados Unidos,
mas de pragmatismo, na visão do ex-ministro. A ida de Lula ao Oriente Médio não
faz o Brasil ganhar mais comércio e pode é "atrapalhar" na campanha
por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
"Os apoios que você ganha têm como contrapartida gerar desconfianças,
claramente dos Estados Unidos, mas também dos ingleses e franceses, igualmente
membros permanentes (do Conselho da ONU)", afirmou.
Para Lafer, a condução da política externa deve se basear em alguns aspectos
fundamentais, que, diz, não estão sendo considerados no governo Lula: não isolar-se;
fazer uma avaliação clara de seus interesses; e "não subestimar mas também
não superestimar o que você significa para os outros países, por uma questão de
bom juízo e de realismo."
Um exemplo típico, a seu ver, é a proposta de Lula no Oriente Médio para ajudar
na mediação da paz entre palestinos e israelenses, constatando que a própria
União Européia, com todo seu peso nas relações internacionais, até hoje luta
para obter alguma influência naquelas negociações.
"Podemos operar em nosso contexto regional, como fez o presidente Fernando
Henrique Cardoso no conflito Peru-Equador", diz Lafer. "No Oriente
Médio, é outra história. Isso exige recursos de poder que o Brasil não tem,
porque nosso poder não é de 'hard power' e sim de 'soft power', de influência,
de autoridade, respeitabilidade."
Para exercer esse tipo de poder, continua, é preciso ter autoridade, bom juízo,
capacidade, respeitabilidade, noção de imparcialidade e não ter pretensão.
Para Lafer, existe o risco de Lula transpor para a política externa a sua visão
de sindicalista. A experiência de Lula, sua tradição democrática e seu costume
de negociador, são ativos que ele incorporou na política externa e que o
permitem ir a Davos e a Porto Alegre, por exemplo. Mas o risco é de que sua visão
sindicalista "simplifique as coisas, entendendo a política como um jogo
patrão-operário."
Os comentários do ex-ministro sugerem que a política de Lula não só não é
pragmática como também é baseada na idéia de inferioridade, já que nessa
percepção patrão-operário os EUA seriam o primeiro e o Brasil o segundo.
Ele acha que o governo parece mais interessado em jogar para a torcida. E
adverte: "Se joga demais para a torcida , você afeta os interesses
nacionais. Deve-se ter consciência de que não é a torcida que ganha o jogo. O
jogo depende do time, do adversário e do treinador. Lafer considera que a
posição do Brasil nas negociações comerciais na OMC "vai bem",
sobretudo com a criação do G-20, mas sugere cautela para "não fazer desse
grupo um instrumento de confrontação Norte-Sul". Recomenda que o país não
faca alinhamentos automáticos e esteja aberto a uma reaproximação com os EUA na
negociação agrícola, se Washington voltar a defender uma forte liberalização no
setor.
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 10/12/2003
Proex fecha o ano sem utilizar recursos
Rodrigo
Bittar, De Brasília
O Programa de Financiamento às Exportações (Proex) vai fechar o ano sem
contratar aproximadamente R$ 150 milhões na sua linha de financiamento, podendo
chegar a R$ 300 milhões se os recursos previstos para dezembro também não forem
contratados. A estimativa é do gerente executivo do programa no Banco do
Brasil, João Pinto Rabelo Júnior. O valor equivale a mais de 12% do orçamento
total da linha para este ano (R$ 1,218 bilhão) e, caso não seja gasto, será
usado na composição do superávit fiscal do governo.
Esse represamento, explicou o gerente, aconteceu porque muitas pequenas e
microempresas não conseguiram se adaptar às regras e absorver os recursos
disponíveis depois que a Resolução 33 da Câmara de Comércio Exterior (Camex)
restringiu os financiamentos às grandes empresas, com faturamento acima de R$
60 milhões, em dezembro do ano passado.
"As empresas menores não tinham cultura exportadora. A partir do ano que
vem, nossa expectativa é executar todo o orçamento", declarou Rabelo. A
única possibilidade de as grandes empresas obterem recursos do
Proex-Financiamento é no caso de haver acordo bilateral entre o Brasil e o país
comprador.
Dados relativos ao período janeiro-novembro de 2002 e 2003 mostram que a
quantidade de grandes empresas que tomaram financiamento do Proex caiu de 82
para 33 de um ano a outro, enquanto as outras companhias aumentaram sua
participação de 215 para 286. "No ano que vem, a participação das menores
será uns 10% maior", acredita o gerente.
Até o início do mês, o Banco do Brasil tinha comprometido R$ 926 milhões do
total disponível no Proex-Financiamento, mas Rabelo espera direcionar até R$
150 milhões neste mês. "Pelo andar da carruagem, não vai dar para empenhar
mais do que isso", avaliou.
Já a outra linha do Proex, voltada à equalização das taxas de juros, o
desembolso está sendo mais satisfatório e deverá fechar o ano com 100% do
orçamento, R$ 1,056 bilhão, executado. Desse montante, R$ 790 milhões foram
direcionados exclusivamente à Embraer, que deverá ter sua participação
substancialmente reduzida no ano que vem. "Em 2003 tivemos que liberar uma
grande parte de recursos que na verdade foi comprometida no ano passado",
destacou o gerente. "No ano que vem só vamos liberar o Proex-Equalização
para operações concluídas em 2004", acrescentou. Para efeito comparativo,
o gerente lembrou que em 2002, o setor de aviação regional, no qual a Embraer
está incluída, os contratos nessa linha somaram R$ 275,6 milhões.
Rabelo acredita que o espaço deixado pela Embraer nos empréstimos da linha será
ocupado pelas exportações de máquinas e equipamentos e serviços. "Algumas
linhas grandes de financiamento nessas rubricas estão sendo abertas para a
América do Sul e para a África, já como reflexo das viagens que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva tem realizado".
VALOR ECONÔMICO | EMPRESAS | 10/12/2003
Anatel manda BrT desbloquear clientes da GVT
De São Paulo
A Brasil Telecom (BrT) bloqueou indevidamente ligações de clientes da
empresa-espelho GVT, sua concorrente.
Nos dias 18 e 19 de novembro, cerca de 800 clientes da GVT em cidades como
Brasília, Curitiba e Porto Alegre não conseguiram fazer ligações locais para
números da BrT. Esses assinantes estavam em dívida com o serviço de chamadas de
longa distância da BrT, que efetuou o bloqueio.
O caso foi levado pela GVT à Anatel e o órgão regulador determinou que a
operadora acabasse com a interrupção. A agência também exigiu que a Brasil
Telecom admitisse em público que fez o bloqueio. De sábado a segunda-feira, a
operadora teve de divulgar comunicados em jornais de grande circulação e fazer
inserções em rádios na área onde atua. A empresa também terá de manter por sete
dias um comunicado em sua página na internet.
A Anatel também deve abrir processo administrativo para apurar o caso, que
poderá resultar em multa para a Brasil Telecom. As punições previstas na Lei
Geral de Telecomunicações chegam a R$ 50 milhões, se ficar comprovado que houve
prejuízo à concorrência. "A empresa não poderia ter feito isso",
afirmou o superintendente interino de serviços públicos da Anatel, Gilberto
Alves. "A operadora tem duas autorizações: uma para serviços locais, outra
para longa distância. O que acontece em uma não pode interferir em outra."
Por meio da assessoria de imprensa, a BrT declarou que tudo não passou de um
erro de seu sistema. Segundo a operadora, os clientes inadimplentes nas
ligações de longa distância deveriam ser bloqueados apenas nesse serviço e não
nas chamadas locais.
A explicação, porém, não convenceu o presidente da GVT, Amos Genish. "Uma
ação como essa não pode ser um engano. A operadora tem duas licenças e duas
listas separadas de clientes."
Genish disse que a GVT já havia apresentado mais de 20 queixas à Anatel contra
práticas supostamente anti-competitivas da BrT. No entanto, essa foi a primeira
vez em que o órgão regulador deu uma resposta. "A Anatel agiu muito bem e
com rapidez", ressaltou o executivo.
No entanto, o presidente da GVT defendeu que a punição à BrT não se limite à
exigência de publicar o comunicado, "para não fazer o mesmo
novamente".
Para ele, a BrT está reagindo porque a GVT está "vencendo a guerra do lado
comercial". Genish disse que a operadora deve fechar 2003 com receita de
R$ 500 milhões. (TM)
VALOR ECONÔMICO | EMPRESAS | 10/12/2003
Assolan e Ceras Johnson investem em segmento de panos descartáveis
Do
Rio
O que faz um fracasso de vendas ser copiado pelos concorrentes? Uma inusitada
movimentação dos maiores fabricantes de limpeza doméstica está intrigando o
varejo. Há dois anos a anglo-holandesa Reckitt Benckiser lançou os paninhos
umedecidos Veja. Apesar da força de vendas da multinacional e da marca líder de
limpadores no rótulo, a novidade foi considerada um fiasco - atribuído ao preço
elevado e aos peculiares hábitos da dona-de-casa brasileira, resistente a
facilidades quando se trata da limpeza doméstica e orgulhosa do seu esforço na
tarefa.
Apesar do histórico, a americana Ceras Johnson e a brasileira Assolan iniciaram
uma corrida para relançar o conceito dos paninhos descartáveis, em nova
embalagem e com preço menor. Enquanto a Johnson fazia um teste de mercado em
Campinas, a Assolan decidiu antecipar-se no lançamento nacional e importou um
lote do produto, já que o maquinário encomendado da Itália só chegará ao país
em janeiro. "Os paninhos umedecidos Assolan começam a ser distribuídos em
todo o Brasil na segunda-feira", anuncia Nelson Mello, presidente da
Assolan. "Valeu a pena a corrida para ser pioneiro."
A Assolan está investindo ao todo R$ 8 milhões no lançamento, enquanto a Ceras
Johnson gastou US$ 2 milhões no maquinário instalado na fábrica do Rio. Por trás
dos investimentos em um segmento que não decolou no país está o impressionante
desempenho do produto nos Estados Unidos, onde lencinhos e panos umedecidos de
todo tipo já movimentam US$ 4 bilhões ao ano. "Apostamos que esse produto
será como as fraldas descartáveis, que no passado eram caras e sofisticadas, e
depois explodiram", diz Mello. "Só que isso não vai demorar tanto
tempo para acontecer."
Mello diz que o primeiro lançamento de pano umedecido no país "frustrou a
dona-de-casa", mas sustenta que as quatro versões de Assolan (multi-uso,
lustra-móveis, limpa-vidros e desengordurante) serão melhor recebidas. "A
textura e a embalagem do nosso pano são mais modernos que a da
concorrente", compara, numa referência aos paninhos Veja - que estão no
mercado e também devem ser relançados. Em relação às versões da Johnson, Mello
diz que o diferencial é uma etiqueta auto-adesiva na embalagem.
Mello conta com a força dos investimentos de marketing na linha Assolan para
"quebrar um hábito" da consumidora. "É claro que na hora da
limpeza pesada ela ainda vai fazer questão do balde. Mas o paninho não elimina
a tração do pano, que dá uma satisfação para a dona-de-casa, e substitui
produtos." Os paninhos começarão a ser anunciados nas inserções comerciais
do programa "Big Brother", patrocinado pela marca Assolan a partir de
janeiro. O preço - em torno de R$ 5 para um sachê com 24 paninhos - será
semelhante ao cobrado pela Reckitt e pela Ceras Johnson, diz Mello, mas
tenderão a cair, na medida em que houver escala industrial. A Assolan espera
terminar o ano com vendas de cerca de R$ 160 milhões, 50% maior que o de 2002,
diz o presidente.
VALOR ECONÔMICO | EMPRESAS | 10/12/2003
Atacado é o maior rival das grandes redes
Claudia
Facchini, De São Paulo
No auditório do Pão de Açúcar em São Paulo, onde são realizadas as reuniões
semanais para avaliar o desempenho das vendas, um recado deixa claro que o
grande concorrente da maior rede de supermercados do país não é o Wal-Mart ou o
Carrefour. "Devemos negociar e comprar sempre melhor do que o
atacado", avisa uma faixa, em letras bem visíveis, colocada ao lado do
palco. Os atacadistas, que abastecem as pequenas lojas de bairro,
transformaram-se no inimigo número 1 do Pão de Açúcar.
O varejo está concentrando-se, mas os atacadistas e os pequenos comerciantes
não dão sinais de derrota. Na queda-de-braço com os gigantes, os atacadistas e
pequenos supermercados têm como aliado as indústrias, que querem manter vivos
os pontos-de-venda alternativos para não depender só de poucos e cada vez mais
poderosos clientes.
O Martins, de Minas Gerais, prevê crescer 25% e fechar o ano com um faturamento
de R$ 2 bilhões. "Pelo segundo ano consecutivo, estamos crescendo mais de
20%", diz José Antônio Rossi Salles, superintendente do maior atacadista
do país. O Destro, do Paraná, investiu R$ 25 milhões em um novo depósito em
Jundiaí para avançar no interior de São Paulo. A empresa, uma das cinco maiores
atacadistas, tem com o maior fornecedor a Unilever, que responde por 5% a 6%
das vendas.
Para ajudar a fortalecer os pequenos varejistas, o Martins desenvolveu uma
bandeira de supermercados, a Smart, incorporando conceitos de gestão e
marketing utilizados pelos grandes. Os varejistas que adotam a bandeira possuem
vantagens comerciais com a atacadista.
Neste mês, a rede Smart desembarcou na Grande São Paulo, com a conversão ontem
de 130 pontos-de-venda na cidade. "Hoje, já são 510 lojas espalhadas pelo
país, o que torna a Smart a maior varejista (em pontos-de-venda) do
Brasil", afirma Salles. A meta é chegar a 3 mil lojas em cinco anos. O
Martins não é dono de nenhum supermercado da rede.
O Destro também também prevê crescer 25% este ano. João Destro, controlador da
atacadista, afirma que 2003 foi um ano difícil e que a expansão deve-se à
conquista de novos clientes. Ainda assim, ele espera atingir R$ 500 milhões de
faturamento. E a expectativa é dobrar de tamanho com o novo depósito de
Jundiaí. "Muitos atacadistas saíram de São Paulo ou fecharam suas portas
nos últimos anos. Hoje, há um grande mercado no Estado que não é
atendido", diz Destro.
A carga tributária, porém, também desestimula a instalação de atacadistas em
São Paulo e torna mais vantajoso trazer mercadorias do Paraná ou de Minas. Em
São Paulo, a alíquota de ICMS para operações efetuadas dentro do Estado é de
18%. As mercadoria "importadas" de outros Estados, por sua vez, pagam
o ICMS interestadual, de 12%. "Mas essa vantagem tributária só faz sentido
para os varejistas que optam pelo sistema simplificado de pagamento de ICMS,
que é calculado sobre uma estimativa de receita. Para as empresas que se
creditam de ICMS, tanto faz", diz Salles.
Os grandes alegam que os pequenos sonegam e conseguem fugir dos impostos, o que
lhes dá uma "vantagem competitiva" imbatível. Os pequenos rebatem
dizendo que, na verdade, não possuem as "desvantagens" dos grandes,
como as elevadas despesas com marketing, gastos com uma estrutura
administrativa portentosa ou as mesmas margens atraentes de lucro.
VALOR ECONÔMICO | EMPRESAS | 10/12/2003
CSN e Usiminas negociam para formar a múlti brasileira do aço
Ivana
Moreira, De Ipatinga
As duas maiores siderúrgicas de aços planos do país, a Usiminas e a Cia. Siderúrgica
Nacional (CSN), têm interesse numa possível fusão de seus ativos - três usinas
nos Estados do Rio, Minas Gerais e São Paulo - e procuram avançar os
entendimentos iniciados entre seus dois principais dirigentes: Benjamin
Steinbruch, presidente e maior acionista da CSN, e Rinaldo Campos Soares,
presidente e também acionista da Usiminas. A companhia mineira é dona de 94% do
capital da Cia. Siderúrgica Paulista (Cosipa), que tem usina em Cubatão (SP).
Soares e Steinbruch estiveram juntos ontem e deixaram claro o empenho para
chegar a um acordo. O presidente da CSN foi convidado por Soares para
participar da cerimônia de apresentação dos resultados da Usiminas em 2003, em
Ipatinga, onde está instalada a usina do grupo mineiro.
"Ainda estamos no começo (das negociações)", disse o presidente da
CSN, que pela primeira vez admite publicamente a intenção de juntar as
operações da usina de Volta Redonda aos ativos da sua grande concorrente no
mercado interno - as duas empresas disputam vendas nos mercados de aços planos
para montadoras, autopeças, linha branca e construção. "É difícil e
complexa essa operação, pois são grupos societários completamente
distintos", comentou Steinbruch.
Apesar de entraves societários, o empresário fez questão de frisar sua boa vontade
em defender o projeto para criar uma siderúrgica nacional forte. "Todos
estão com boa vontade. A questão é conversar, conversar, conversar",
disse.
A união de CSN, Usiminas e Cosipa dará lugar a uma siderúrgica com produção em
torno de 15 milhões de toneladas ao ano, com as instalações atuais, e ficaria
entre as 10 maiores do mundo. A liderança é da Arcelor, com 44 milhões de
toneladas de aço bruto. Em décimo lugar vem a italiana Riva, exatamente com o
mesmo porte das três usinas brasileiras. A CSN, entretanto, tem planos para
adicionar mais 2,2 milhões de toneladas à sua capacidade atual de 6 milhões.
Para Steinbruch, a fusão das três empresas não é "caso de vida ou
morte" para a siderurgia nacional. Mas é uma estratégia importante na
disputa pelo mercado internacional de aço. No ano passado, a CSN chegou a
firmar um acordo de união com a anglo-holandesa Corus, mas a operação não
avançou devido a dificuldades financeiras do grupo europeu. A união dependia
ainda de sinal verde do BNDES, principal credor da Vicunha Siderurgia, que
controla a CSN.
Agora é diferente. No governo Lula, o BNDES considera a siderurgia um dos
setores estratégicos do país e vê a necessidade de fortalecer suas empresas. O
presidente Carlos Lessa e seu vice, Darc Costa, já declararam que o país
precisa ter uma "multinacional brasileira" do aço para competir com
grupos estrangeiros, dentro e fora do país.
Ontem, o BNDES informou que "não há nada ainda avançado nessa linha"
dentro do banco, referindo-se ao projeto de fusão das duas siderúrgicas
nacionais.
O presidente da Usiminas é ainda mais enfático na defesa da consolidação das
três siderúrgicas de aços planos do país. "É uma tendência
irreversível", afirmou. "É da mesma forma que ocorreu com a
privatização do setor, acabou acontecendo." Segundo ele, estudos
encomendados pela Usiminas a consultores internacionais do setor indicam que a
consolidação regional é a única saída para a indústria brasileira enfrentar,
nos próximos anos, desafios como a consolidação do complexo exportador
Rússia-Ucrânia e o crescimento da China.
Em Ipatinga, onde recebeu um seleto grupo de convidados - e surpreendentemente,
não para ele, a visita de Steinbruch-, o presidente da Usiminas comemorou o que
chamou de sinalização política do governo Lula para o setor. Referiu-se à
compra das ações da Valepar, controladora da Vale do Rio Doce pelo BNDES.
Segundo o Soares, a aquisição foi uma demonstração inequívoca da do
entendimento do governo federal de que as indústrias de base do país, vistas
como estratégicas, devem permanecer sob controle de grupos nacionais.
Soares acredita que esta "sinalização política" por parte do governo
Lula é fundamental na discussão de uma possível fusão entre as siderúrgicas.
"Isso (a fusão) implica no envolvimento de vários setores e a presença do
governo (na discussão) é importante; e bem-vinda", completou Steinbruch,
da CSN. "Mas é uma questão que as empresas é que terão de discutir",
acrescentou.
A Usiminas dispõe atualmente de capacidade de produção para 4,8 milhões de toneladas.
No Sistema Usiminas, somada a produção da Cosipa, a capacidade de produção
chega a 9,5 milhões de toneladas. O Sistema Usiminas ocupa hoje o 16º lugar no
ranking dos maiores produtores de aço do mundo, de acordo com levantamento do
IISI. Tanto CSN quanto o grupo Usiminas exportam cerca de 30% da produção. O
principal mercado de vendas externas para ambas é a China. No mercado
doméstico, Usiminas e Cosipa dominam cerca de 60% das vendas de material
laminado. (Colaborou Ivo Ribeiro, de São Paulo)
VALOR ECONÔMICO | EMPRESAS | 10/12/2003
CVM quer melhor divulgação de agências
Nelson
Niero, De São Paulo
A Comissão de Valores Mobiliários, principal regulador do mercado de capitais,
quer trazer as agências governamentais para a discussão sobre as práticas de
divulgação de informação das companhias abertas.
"As agências podem causar dificuldades à medida que divulgam de maneira
desencontrada informações que podem impactar as decisões dos
investidores", disse Luiz Leonardo Cantidiano, presidente da CVM.
Cantidiano citou o exemplo do anúncio do programa de capitalização das empresas
do setor elétrico, feito durante um seminário por um executivo do BNDES, o
principal banco estatal de financiamento à produção.
"Isso gerou um movimento em bolsa com as ações das elétricas de maneira
absolutamente desencontrada e ineficiente", afirmou. "Não se sabia
que programa era esse exatamente, quais as suas características, qual era o
valor e as contrapartidas, e esse tipo de informação não é benéfica para o bom
funcionamento do mercado."
Em abril, o presidente do BNDES, Carlos Lessa, informou que banco iria criar um
programa especial de financiamento com recursos do Tesouro Nacional para as
distribuidoras de energia para compensar os custos da variação cambial. Em
agosto, Lessa disse que o governo estaria negociando com as empresas elétricas
um pacote de capitalização, com empréstimos do BNDES e alongamento das dívidas
já existentes.
O Índice de Energia Elétrica da Bolsa de Valores de São Paulo valorizou quase
100% neste ano. De meados de agosto para cá, quando foi divulgado o pacote de
capitalização, a valorização passa de 70%.
Cantidiano falou na abertura do seminário "Melhores Práticas de Divulgação
de Informações", realizado ontem em São Paulo. O Instituto Brasileiro de
Relações com Investidores (Ibri), que promoveu o evento, deve fazer um debate
em Brasília voltado especificamente à questão de divulgação de informações das
agências governamentais.
Cantidiano também comentou o possível vazamento de informações em casos como o
da descoberta de um campo de petróleo pela Petrobras e do acordo da dívida da
americana AES, controladora da Eletropaulo, com o BNDES. "A CVM está
investigando", disse, sem dar mais detalhes.
Para Nelson Ortega, gerente de acompanhamento de empresas da Bovespa, houve uma
melhora na qualidade das informações prestadas pelas empresas abertas -
estatais e privadas. "Os questionamentos da Bovespa diminuíram, e o número
de ações suspensas também", disse. A Bovespa questiona as empresas toda
vez que detecta oscilações muito drásticas nas cotações ou quando há dúvidas
sobre informações divulgadas. Segundo Ortega, houve 50 casos de suspensão de
negociação em 2003. Os mais comuns foram assembléias e reuniões de conselho não
divulgadas adequadamente (18 casos), fatos relevantes (11) e requerimento de
falência (10). Ortega não divulgou os números dos anos anteriores.
VALOR ECONÔMICO | EMPRESAS | 10/12/2003
Diniz diz que mantém interesse no Bompreço
Marta
Barcellos, Do Rio
A criação de uma empresa no Rio que vai incorporar as vendas da Sendas foi
classificada por Abilio Diniz, presidente do conselho de administração do Pão
de Açúcar, como "resultado de uma criatividade, que veio a atender aos
interesses dos dois lados." A fórmula, que divide igualmente o capital
votante entre os dois grupos e dispensa aporte de recursos, possibilita que o
Pão de Açúcar continue no páreo pelo Bompreço, colocado à venda pela holandesa
Royal Ahold. "É um jogo que está sendo jogado e nós ainda estamos
nele", afirmou Diniz, contrariando os rumores de que a americana Wal-Mart
já teria acertado a aquisição.
Confirmando o estudo feito pela Ascar&Associados para o Valor, Abilio Diniz
estimou que o seu grupo, graças ao acréscimo das vendas da Sendas, feche o ano
com faturamento acima de R$ 15 bilhões, o que representa um aumento de 15% ao
sistema da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD, razão social do Pão de
Açúcar). A CBD, segundo ele, terá vendas de cerca de R$ 13 bilhões este ano,
11,2% a mais que em 2002, enquanto a Sendas vai faturar menos que os R$ 2,5
bilhões do ano passado. "Mas com a nossa gestão, esperamos que as vendas
dessas lojas voltem aos R$ 2,5 bilhões", afirmou Diniz.
O novo porte da CBD vai significar um aumento de poder junto à cadeia
produtiva, lembrou o Abílio Diniz, além de redução de custos e ganhos de
produtividade. O grupo consolida-se ainda como o maior empregador brasileiro,
com mais de 70 mil funcionários. Arthur Sendas, presidente do grupo Sendas
alçado ao mesmo cargo no conselho de administração da nova companhia, falou
pouco durante a entrevista coletiva realizada ontem para anunciar a nova
empresa - ainda sem nome definido.
Sendas afirmou que o "namoro" do Pão de Açúcar já durava seis anos,
mas que há apenas dois meses começaram as conversas. "O capital
estrangeiro está cada vez mais agressivo", disse ele, justificando o
negócio e celebrando o fato de a associação acontecer com uma empresa nacional.
O passivo da Sendas, que será absorvido pela nova companhia, é estimado em
cerca de R$ 250 milhões, metade com o BNDES - que subscreveu uma emissão de
ações conversíveis em debêntures no ano passado e, segundo Sendas, apoiou a
parceria com o Pão de Açúcar. "A dívida será reestruturada e paga, porque
vamos gerar caixa na nova empresa", afirmou Diniz. A rede de home centers
Casa Show, com oito lojas, não faz parte da nova empresa, assim como os imóveis
dos supermercados, de propriedade da família Sendas.
A gestão operacional da nova empresa será inteiramente do Pão de Açúcar, mas os
nomes dos executivos não foram confirmados. Hugo Bethlem, diretor executivo
comercial da CBD, é um dos prováveis nomes à frente da operação, confirmou
Abilio Diniz.
Fiel ao seu estilo direto, o presidente do conselho do Pão de Açúcar aproveitou
a ocasião para reclamar da sonegação no estado. "O Rio sempre foi
tradicionalmente um estado sonegador", disse ele, citando duas redes
regionais: "Temos dificuldade de competir com os Mundiais, os Guanabaras,
com aqueles que não pagam impostos."
O presidente do Pão de Açúcar assegurou que a bandeira Sendas será preservada,
mas não deu a mesma garantia à marca Bon Marché. Segundo ele, não haverá
necessidade de fechamento de lojas, já que a duplicidade entre as duas redes
acontece em apenas dois pontos do Rio, na Barra e na Ilha do Governador.
VALOR ECONÔMICO | EMPRESAS | 10/12/2003
Executivos da Embratel negociam integrar-se ao consórcio da Telos
Talita
Moreira, De São Paulo
A diretoria da Embratel pode participar do processo de aquisição da operadora
por meio do consórcio que está sendo montado pela Telos, fundo de pensão dos
funcionários da empresa.
A informação é de fonte que acompanha de perto a Embratel, mas considera pouco
provável que esse grupo consiga arrematar o controle da operadora.
A exemplo do que ocorre na Intelig, onde o ex-presidente José Carlos Cunha
lidera um grupo de investidores interessados em ficar com a empresa, executivos
da Embratel estariam se unindo para comprar uma participação.
Procurada, a Telos informou, por meio da assessoria de imprensa, que
oficialmente não há qualquer acordo entre a diretoria da empresa e o fundo de
pensão. Até o fechamento desta edição, executivos da Embratel não haviam sido
localizados para comentar o assunto.
Na segunda-feira, num jantar de confraternização, o presidente da Embratel,
Jorge Rodriguez, conversou com o presidente da TIM, Mario Cesar Pereira de
Araújo, sobre o processo de venda.
De acordo com Araújo, o executivo da Embratel não fez qualquer proposta para
que a TIM se juntasse à Telos, que procura interessados em dividir o
investimento.
O presidente da TIM afirmou não saber se a Telecom Itália teria interesse no
negócio. "Essas questões são tratadas pela matriz."
No entanto, uma fonte que estava no local relatou que Rodriguez teria feito um
convite velado à TIM para entrar no consórcio.
Segundo outro interlocutor, Rodriguez teria avaliado em algo entre R$ 700
milhões e R$ 1 bilhão o controle da Embratel - em linha com o valor de mercado
das ações.
Anteontem, Rodriguez esteve em Brasília com a superintendente da Telos, Solange
Paiva Vieira, para revelar ao ministro das Comunicações, Miro Teixeira, a
intenção do fundo de comprar a empresa.
Na semana passada, a vice-presidente de marketing e assuntos externos da
Embratel, Purificación Carpinteyro, disse ser contra a venda da empresa a uma
das operadoras locais (Telefônica, Brasil Telecom e Telemar). Para ela, uma
transação desse tipo traria prejuízos à competição no país.
Os interessados em adquirir a Embratel têm de enviar uma proposta preliminar à
controladora MCI (ex-WorldCom) até amanhã.
As ações da companhia brasileira voltaram a cair ontem. Os papéis preferenciais
da Embratel Participações tiveram baixa de 2,11%, para R$ 10,18. Os ordinários
recuaram 0,61%, para R$ 14,50.
VALOR ECONÔMICO | EMPRESAS | 10/12/2003
TIM quer ultrapassar Claro e ser vice-líder no Brasil em 2004
De
São Paulo
A TIM, operadora de telefonia móvel da Telecom Itália, quer chegar à
vice-liderança do mercado brasileiro no próximo ano. A meta é superar em 1
milhão o número de clientes da Claro, do grupo mexicano América Móvil.
No fim de setembro, a TIM contabilizava 7,1 milhões de assinantes. Segundo o
presidente da operadora, a meta é superar 8 milhões até o fim de 2003. Quando a
Claro assumiu o controle da BCP, em novembro, passou a ter 8,8 milhões de
assinantes.
Na liderança, a Vivo - joint-venture entre Telefônica e Portugal Telecom - está
próxima dos 20 milhões de clientes.
O presidente da TIM, Mario Cesar Pereira de Araújo, não quis fazer estimativas
sobre o número de clientes que espera conquistar em 2004. "Isso depende
muito. Se uma das empresas fizer aquisições, a coisa muda", destacou.
A TIM quer se valer da presença em todos os Estados brasileiros para superar a
concorrente. A Claro não tem atuação em seis Estados. "É possível crescer
onde eles não estão, como a Região Norte e Minas Gerais", disse.
De acordo com o executivo, o Brasil ainda tem um potencial muito grande para
ampliar a base de celulares, mas serviços com maior valor agregado começam a
ganhar mais importância na estratégia da operadora.
Com foco no mercado corporativo, a TIM lança no começo do próximo ano a
tecnologia Edge - evolução do GSM que permite a transmissão de dados em alta
velocidade. Inicialmente, o sistema será oferecido nas cidades de São Paulo,
Campinas e Brasília. "A rede já está pronta, faltam apenas os
aparelhos", disse Araújo.
Cerca de 20 municípios atendidos pela operadora terão rede Edge no próximo ano.
Segundo Araújo, não será necessário instalar novas estações rádio-base (ERBs)
para implantar a nova tecnologia. É possível atualizar as torres já instaladas.
Na região central da capital paulista, já há cem ERBs em que o Edge está
disponível.
O foco dessa iniciativa é o mercado corporativo. Para o presidente da TIM, o
Edge vai ajudar a elevar a participação desse segmento de 3% da base de
assinantes para algo entre 5% e 6% no próximo ano. "São esses clientes que
precisam de mobilidade."
Araújo não quis revelar o investimento necessário para implantar a rede Edge.
Ele afirmou apenas que a atualização tecnológica custa cerca de 10% do valor de
uma ERB. Araújo disse que o sistema vai crescer "sob medida".
"Vamos levar o Edge para os lugares onde sentirmos que as empresas querem
o serviço."
O uso da tecnologia requer aparelhos adaptados a ela, que deverão custar 10%
mais do que os celulares que navegam no GPRS - sistema que está um degrau
abaixo e tem um terço da velocidade de transmissão do Edge. As tarifas, no
entanto, serão as mesmas. (TM)
CORREIO BRAZILIENSE | ECONOMIA | 10/12/2003
Fraga ataca força dos bancos públicos
A forte presença de bancos
públicos na economia inibe o fortalecimento do setor bancário privado no
Brasil, segundo o ex-presidente do Banco Central (BC) Armínio Fraga. Para ele,
alguns bancos, como oBanco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),
têm um papel a cumprir no curto prazo. No longo prazo, no entanto, disse Fraga,
o ideal seria que o setor bancário passasse a ser controlado basicamente pela
iniciativa privada.
Ele afirmou que a participação do BNDES na oferta de financiamentos teria que
ser feita de forma complementar e não como uma substituição ao mercado de
capitais. Para Fraga, o fortalecimento do mercado de capitais é fundamental
para alavancar o crescimento do país. ‘‘Fico feliz ao ouvir que este governo
tenha entendido que o setor financeiro tem uma conexão direta com a economia
real.’’
Fraga fez palestra ontem em seminário organizado pela Febraban (Federação
Brasileira dos Bancos) e disse que o país já conseguiu avançar nas questões
macroeconômicas, mas ainda deixa a desejar nas reformas da microeconomia,
citando como exemplo a reforma tributária. Essa reforma, na sua opinião, deverá
ser aprovada pelo Congresso, mas não da forma como deveria ser.
O ex-presidente do BC citou como algo necessário para a melhora das condições
microeconômicas a questão da insegurança jurídica, questionou a continuidade da
CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e afirmou que é
preciso melhorar os organismos de defesa da concorrência, como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
‘‘Hoje é consenso que um ambiente seguro e transparente é um dos fatores mais
claros para diferenciar as economias desenvolvidas das não desenvolvidas.
Infelizmente, nós ainda não conseguimos avançar neste tema.’’ Segundo Fraga, a
CPMF é um imposto nocivo para a economia, pois eleva os custos de capital sem
grandes ganhos para a sociedade.
Fraga afirmou que vê um cenário de condições para o crescimento econômico
extremamente favorável neste momento. ‘‘As condições básicas para a retomada
são excelentes e as condições para que essa retomada se transforme em um
crescimento sustentado são boas. Um pouco de trabalho poderá fazer com que
essas condições para o crescimento sustentado sejam também excelentes,’’
afirmou.
O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Otaviano
Canuto, tem visão semelhante sobre o desenvolvimento do país. Para ele, depois
da fase de arrumação da casa em 2003, o segundo ano do governo de Luiz Inácio
Lula da Silva será marcado pela aumento da taxa de investimentos no país.
Segundo Canuto, a taxa de investimentos será a variável-chave da economia em
2004, que vai pavimentar o crescimento sustentado do Brasil nos próximos anos.
‘‘Um bom sinal tem sido a elevação dos investimentos na economia brasileira no
último trimestre. Certamente vai estar acima de 20% do Produto Interno Bruto
(PIB) em 2004’’, previu.
O secretário espera para 2004 um crescimento ‘‘tranqüilo’’ de pelo menos 3,5%
do PIB, porcentual que segundo ele poderá ser superior. Ao contrário da
retomada do crescimento verificada em 2000, que foi interrompida pela crise de
energia em 2001, o secretário não vislumbra no horizonte do próximo ano riscos
no front interno que possam comprometer a trajetória iniciada em 2003.
O risco de um choque externo afetar o Brasil no próximo ano, disse Canuto, está
na categoria do imponderável. ‘‘Um agravamento da situação internacional é um
fator desses imponderáveis dos quais nós não podemos analisar com variáveis
econômicas’’, comentou o secretário sobre a possibilidade de uma crise maior em
2004 provocada pelo endurecimento do terrorismo.
O Brasil, no entanto, tem hoje uma situação de menor vulnerabilidade tanto do
lado fiscal como do lado do balanço de pagamentos, que assegura maior
capacidade de resistência a eventuais turbulências na cenário mundial. Além
disso, o Brasil contará com o seguro de US$ 14 bilhões do novo acordo com o
Fundo Monetário Internacional (FMI).
CORREIO BRAZILIENSE | ECONOMIA | 10/12/2003
Fusão de gigantes
A união do Pão de Açúcar com o grupo carioca Sendas não envolveu desembolso de recursos e está restrita ao Rio de Janeiro. Também não haverá troca de ações entre as duas empresas. A nova empresa terá a sua participação acionária dividida igualmente entre as duas companhias. A gestão da nova empresa ficará sob o comando do Pão de Açúcar e a diretoria executiva será formada por profissionais das duas redes. No total, serão 106 lojas — 68 são do Sendas e 38 do Pão de Açúcar. No negócio, as dívidas do Sendas serão assumidas pela nova empresa. As 106 lojas tem um faturamento de R$ 3,5 bilhões.
JORNAL DE BRASÍLIA | CIDADE | 10/12/2003
Gás de
cozinha sobe 4,5% no DF
Revendedores alegam que sofreram
quatro reajustes das distribuidoras
O gás de cozinha, indispensável
em 97% dos domicílios do Brasil (segundo dados do IBGE), está 4,5% mais caro no
Distrito Federal desde a semana passada: passou a custar R$ 31, em média, para
o consumidor. De acordo com o presidente do Sindicato das Empresas de
Transporte e Revenda de Gás, Edmar Pereira, o reajuste é devido ao acúmulo de
quatro aumentos impostos aos revendedores pelas distribuidoras durante este
ano.
E, garante Edmar, as distribuidoras já planejam um quinto aumento para os
próximos dias, elevando o valor do botijão em mais R$ 1,50 para os
revendedores. "Por enquanto ainda não repassamos todos os aumentos para o
consumidor, mas não vamos agüentar muito tempo. Ficamos imprensados entre os
clientes e as distribuidoras", argumenta.
As distribuidoras negam. A assessoria de imprensa da Minasgás, uma das maiores
do DF, assegura que não houve reajuste de preços, mas o fim de um desconto.
"O que pode ter acontecido", comenta a assessora Fernanda Malcher,
"é que acabou um desconto que estava sendo concedido aos revendedores, ou
um novo acerto de negociações".
Para o deputado distrital Chico Vigilante, relator da CPI da Câmara
Legislativa, que investiga a cartelização dos preços dos combustíveis no DF, a
explicação para os altos preços do gás é exatamente esta, a formação de cartel.
O distrital revela que o botijão de 13 kg sai da refinaria, em Campinas (SP),
por R$ 11,50 e chega ao consumidor por R$ 31 ou mais.
"São apenas quatro grandes distribuidoras no País. Como dominam o mercado,
elas combinam preços", destaca o parlamentar, argumentando ainda que o
problema é tão grave que a Petrobras decidiu intervir. Segundo ele, o
presidente da estatal, José Eduardo Dutra, está lançando uma distribuidora
própria, com a bandeira BR, para forçar a queda nos preços.
Pesquisa de preço realizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) mostra que
o DF tem o segundo maior preço médio para o gás de cozinha na Região
Centro-Oeste. O botijão de 13kg custa R$ 24,04 em Goiás e R$ 26,46 em Mato
Grosso do Sul.
Em todo o Brasil, o DF tem o sexto maior preço médio, ficando atrás apenas de
Acre, Mato Grosso, Roraima, Amapá e Rondônia, estados onde o preço do frete é
mais, em função das grandes distâncias e das dificuldades de acesso.
No ano passado, as 200 revendedoras credenciadas no DF comercializaram 6,6
milhões de toneladas de gás, sendo 4,5 milhões para o consumo doméstico.
Mensalmente o mercado brasiliense de gás movimenta algo em torno de R$ 16,6
milhões.
|
MJ-CONSUMIDOR |
O GLOBO | ECONOMIA | 10/12/2003
Defesa do consumidor: Olho na marca na hora de comprar o botijão
Nadja Sampaio e Ana Cecília
Santos
Atenção na hora da compra do botijão de gás é a principal arma que o consumidor
tem para garantir a segurança e qualidade do produto. No dia 16 de novembro,
Márcia Amorim Cardoso e Ema Duarte compraram, cada uma, um botijão de gás que
aparentemente era da Supergasbrás. No dia 20 o botijão de Márcia acabou, tendo
durado apenas três dias: ele continha água. Márcia está até hoje com o prejuízo
porque não sabe a quem recorrer:
— A Ema me cedeu o botijão dela porque era feriado. No dia 21 liguei para a
Supergasbrás e, para minha surpresa, fui informada de que a empresa não
reconhecia a responsabilidade e não fariam a troca porque o botijão era falso.
Eles disseram que sabiam que havia falsificação de botijões mas que não
assumiam qualquer responsabilidade, cabendo ao consumidor verificar quando
fosse fazer a compra. Fiquei no prejuízo de R$ 30 e mais a compra de um novo
botijão para a Ema.
Ema diz que tem outro botijão em casa que não tem nenhuma marca em alto relevo.
Distribuidoras só podem vender botijões com lacre e marca
A Supergasbrás explica que a empresa é responsável pelo recipiente que tem a
sua marca em alto relevo. Além disso, o funcionário da Supergasbrás só vende
produtos desta marca e tem o uniforme laranja com um crachá preso no bolso. No
caso de Márcia, o botijão tinha a marca Butano. A Butano informou que, apesar
de o caso indicar que se trata de uma fraude, a consumidora pode entrar em
contato com a empresa para que o botijão seja trocado.
O Código de Auto-Regulamentação do setor de gás de cozinha (GLP) entrou em
vigor em 1996. Em novembro daquele ano foi assinada a portaria 334 do
Ministério das Minas e Energia, que estabelecia a criação de centros de
destroca (onde as empresas recolhem seus botijões e devolvem os de outras
marcas) e de requalificação de botijões, e obrigava que as distribuidoras só
comercializassem o gás em botijões com lacre de inviolabilidade e com a marca
da empresa em alto relevo. Na época, o Inmetro fez um trabalho de
requalificação nos botijões (testes de pressão para verificar vazamentos e
durabilidade). Em sete meses de trabalho, em 1997, foram analisados 1,04 milhão
de recipientes. Destes, 625 mil (60%) foram sucateados por estarem sem
condições de uso.
Sérgio Bandeira de Melo, superintendente-executivo do Sindicato Nacional das
Empresas Distribuidoras de GLP (Sindigás), afirma que o sistema de destroca
está funcionando: o consumidor pode comprar o gás de qualquer marca, ou pelo
preço ou por preferir o atendimento de determinada distribuidora, e nos centros
de destroca cada empresa paga centavos pelos seus vasilhames e os envasa,
ficando assim responsável pelo que vende.
— Ontem houve uma consulta pública sobre a nova portaria que vai regular a
distribuição do GLP, e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou a posição
que nós defendemos: a marca em alto relevo é a maior garantia de segurança e de
rastreabilidade para o consumidor — diz Melo.
Ele observa que a adoção dos centros de destroca deixa o consumidor livre para
comprar de quem quiser e o desonera de qualquer custo de manutenção,
requalificação e sucateamento do vasilhame:
— Uma hora esse botijão vai acabar, mas quem arca com esse custo é o
distribuidor, pois ele é responsável pelo bom estado dos vasilhames com a sua
marca em relevo.
Melo alerta que o consumidor deve ficar atento e só comprar um botijão quando
tiver a mesma marca, em alto relevo, no lacre de segurança e no rótulo. Caso
contrário, pode se tratar de fraude. Além disso, ele observa que o consumidor
deve comprar o botijão em um ponto-de-venda legalizado, fixo, que exiba a bandeira
do distribuidor, pois há muitos locais irregulares.
— A requalificação melhorou a qualidade dos botijões, e o Corpo de Bombeiros já
verificou que houve uma queda no número de acidentes. Hoje, se há um acidente,
a empresa cuja marca está no vasilhame pode ser responsabilizada — diz Melo.
Nos últimos cinco meses, o Ipem/RJ fiscalizou 482 botijões, sedo que, desse
total, 5,2% apresentaram irregularidades. O principal problema detectado foi em
relação ao peso, indicando falta de gás no botijão. De acordo com o presidente
do Ipem, Dionísio Lins, independentemente das vistorias que são realizadas
diariamente, as distribuidoras de gás são alvo constante de denúncias de
consumidores:
— É inadmissível que os consumidores de boa-fé, que pagam até R$ 30 por um
botijão, sejam enganados. A multa para irregularidades em relação ao peso do
botijão de gás varia de R$ 60 mil a R$ 100 mil, dependendo de se a empresa é
reincidente.
Os consumidores que se sentirem lesados ou desconfiarem de alguma
irregularidade no produto devem entrar em contato com o Ipem (veja quadro ao
lado).
A fiscalização do mercado de GNP hoje é responsabilidade da ANP
O extinto Departamento Nacional de Combustíveis (DNC) fixava a cota de gás pela
quantidade de botijões que a distribuidora dizia ter e fiscalizava se as
empresas estavam envasando suas próprias marcas. A ANP substituiu o DNC e
fiscaliza a portaria 334, que ainda está em vigor. Segundo a ANP, o mercado de
GLP tem apresentado uma retração de consumo, que pode ser em função do preço do
botijão de 13kg em relação à renda familiar. Hoje a ANP estabelece mensalmente
a quota de cada distribuidor, e esse dado é divulgado no site da agência
(www.anp.gov.br).
A ANP observa que as empresas só podem envasar sua própria marca, a não ser que
haja um contrato de uso da marca ou quando da obtenção de decisão judicial para
realizar o envasilhamento. Segundo a agência, se o consumidor verificar alguma
irregularidade deve fazer sua denúncia pelo telefone 0800-900267.
FOLHA DE S. PAULO | DINHEIRO | 10/12/2003
Maioria dos produtores de soja do RS não assina termo de compromisso
SANDRA
BALBI
DA REPORTAGEM LOCAL
Apenas 33 mil dos 150 mil produtores de soja do Rio Grande do Sul haviam
assinado, até ontem, o termo de compromisso de plantio de soja transgênica. O
prazo para assinatura do documento terminou ontem.
A baixa adesão, segundo a Folha apurou, teria sido provocada pela ameaça de
cobrança de royalties pela Monsanto, detentora da patente da soja geneticamente
modificada, sobre a safra atual. As empresas do complexo soja (que compram o
grão do produtor) e as cooperativas do Rio Grande do Sul já receberam
notificação extrajudicial da Monsanto de que a cobrança será feita.
A empresa tem duas propostas para cobrança dos royalties, apresentadas em
reunião realizada no mês passado com a assessoria técnica da bancada do PT na
Câmara dos Deputados. Uma delas é cobrar R$ 65 por hectare plantado. A outra
opção -preferida pela Monsanto- é a cobrança de R$ 25 por tonelada colhida.
Já os produtores só aceitam discutir o pagamento de royalties que incidam sobre
as sementes. Nesse caso, a safra 2003-2004, legalizada pela medida provisória
131, ficaria isenta. As sementes usadas são grãos colhidos na última safra ou foram
contrabandeadas da Argentina.
O presidente da Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul), Carlos
Sperotto, diz que os produtores só vão discutir o pagamento de royalties depois
que a MP 131 for sancionada. Segundo ele, a proposta da Monsanto não agradou ao
setor. "Há sensibilidade, entre os agricultores, de que a atividade de
pesquisa tem de ser remunerada", disse.
No entanto, os produtores discordam das formas de cobrança propostas pela
Monsanto. "Os royalties devem incidir sobre a semente, não sobre o
produto", diz Rui Polidoro Pinto, presidente da Federação das Cooperativas
Agropecuárias do RS.
O presidente da Monsanto, Rick Grenbel, disse à Folha que a empresa quer
negociar a forma de remunerar a tecnologia desenvolvida por ela. Mas se recusou
a falar em valores ou formas de cobrança de royalties.
"A semente geneticamente modificada incrementa em no mínimo R$ 200 por
hectare a produtividade. Merecemos ser remunerados pela tecnologia que
desenvolvemos, gastando centenas de milhões de dólares", disse.
Segundo a assessoria técnica da bancada do PT, uma vez sancionada a medida
provisória, a cobrança dos royalties seria facilitada pela assinatura, pelos
agricultores, do termo de compromisso de plantio de soja transgênica. No
documento, o produtor especifica qual é a área plantada e assume que usou a
semente modificada.
O ESTADO DE S. PAULO | GERAL | 10/12/2003
Planos vão
mesmo ficar mais caros
Ministro diz que não há
como alterar faixas e diferenças de valor sem aumentar preço
SANDRA
SATO
BRASÍLIA - O governo decide até a próxima semana se mantém a divisão em dez
faixas etárias para efeito da cobrança de mensalidades de planos de saúde ou
reduz esse intervalo. As dez faixas constam da proposta da Agência Nacional de
Saúde Suplementar (ANS) submetida a consulta pública, que se encerrou na
segunda-feira. "Sob qualquer hipótese, o plano ficará mais caro",
admitiu ontem o ministro da Saúde, Humberto Costa.
O ministro informou que a agência recebeu cerca de 300 mensagens pela internet
e agora estuda as propostas para atender as normas do Estatuto do Idoso.
Recém-aprovado, o estatuto proíbe reajuste em planos de saúde dos clientes com
mais de 60 anos.
Os contratos em vigor após a Lei dos Planos de Saúde permite reajuste até
depois dos 70 anos. Pelas regras atuais, os reajustes são automáticos em sete
faixas etárias. O valor da última mensalidade deve ser de até 500% o valor da
primeira. Entre as sugestões que a ANS recebeu na consulta pública está a de
reduzir para 300% esta diferença. Mas a proposta não deve vingar, porque o
governo quer evitar a sobrecarga nas faixas inicial e final.
Se houver peso grande sobre as faixas iniciais, o consumidor jovem não terá
interesse em contratar um plano. Isto seria prejudicial já que os mais novos
ajudam a manter o equilíbrio do sistema - apesar de o valor da mensalidade ser
mais baixo, o custo dessa clientela para as operadoras é menor, porque ela usa
menos o serviço.
O ministro afirmou, durante a Conferência Nacional de Saúde, que "não há
como fugir deste dilema". Segundo ele, o governo não injetará recursos
públicos em uma atividade particular. A saída em estudo é diluir o reajuste
para equilibrar o sistema. As novas faixas etárias valerão para os planos contratados
a partir de 2004 ou para os planos antigos que fizerem a migração para as
regras atuais.
VALOR ECONÔMICO | AGRONEGÓCIOS | 10/12/2003
Marina Silva defende projeto
Agência Folha, de São Paulo
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, tentou ontem minimizar a retirada do
regime de urgência constitucional para a votação do projeto de biossegurança,
anunciada na segunda-feira pelo líder do governo na Câmara, Aldo Rebelo (PC do
B-SP). Segundo a ministra, o adiamento da matéria não significa que o projeto
tenha deixado de ser prioridade para o governo. "É tão prioridade que o
governo colocou o líder do governo [Rebelo] para relatar a matéria e ele está
trabalhando e ouvindo os setores para que o projeto possa ser votado em
fevereiro".
Rebelo justificou a retirada do projeto devido à necessidade de se votar
matérias mais importantes, como o Orçamento da União para 2004. O governo
pretende votar ainda a medida provisória que acaba com a cumulatividade da
Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), o PPA (Plano
Plurianual de Investimentos) e o projeto que institui as PPPs (Parcerias
Público Privadas).
VALOR ECONÔMICO | AGRONEGÓCIOS | 10/12/2003
RS quer estender envio dos termos de conduta
Sérgio
Bueno, De Porto Alegre
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag) pediu
ontem à delegacia do Ministério da Agricultura no Estado nova prorrogação do
prazo de entrega do Termo de Compromisso, Responsabilidade e Ajustamento de
Conduta (TAC) pelos produtores que plantaram soja transgênica. A data limite já
havia sido estendida de 25 de outubro até ontem, mas a entidade entende que
divergências entre o termo e a lei de conversão da MP 131 provocaram dúvidas e
fizeram com que muitos produtores não assinassem o documento.
Até o fim da tarde de ontem, a delegacia do ministério em Porto Alegre havia
recebido 40 mil termos, 8 mil dos quais ontem. Muitos ainda estão sendo enviados
pelas agências do Banco do Brasil, dos Correios e por sindicatos rurais. Mesmo
assim, o delegado Francisco Signor, que esperava receber 100 mil documentos,
admitiu que pode ter "superestimado" o número de produtores de soja
transgênica no Estado.
Só a Fetag reuniu mais de 50 mil termos e boa parte deles ainda está sendo
encaminhada à delegacia. Uma estimativa preliminar feita pela entidade junto a
mais de 300 sindicatos filiados indica ainda que 20% dos produtores podem ter
deixado de entregar o TAC devido às dúvidas quanto ao seu teor.
Um dos problemas, explica o vice-presidente da Fetag, Sé rgio de Miranda, é que
o documento responsabiliza os produtores por eventuais danos ao meio ambiente
ou à saúde humana e animal, enquanto a lei aprovada no Congresso transfere o
encargo para a detentora da patente. O termo também obriga a venda da soja
transgênica até 31 de dezembro de 2004, mas a lei estende o prazo até fevereiro
de 2005.
"Queremos a prorrogação com a correção dessas contradições para todos os
produtores", disse Miranda. Signor considera a medida desnecessária, mas
disse que encaminhará o pedido ao ministério, em Brasília, porque ele
dependeria da edição de uma nova MP. A Federação da Agricultura do Rio Grande
do Sul (Farsul) também poderá pedir uma nova prorrogação do prazo.
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MJ-ELABORAÇÃO LEGISLATIVA |
O ESTADO DE S. PAULO | CIDADES | 10/12/2003
Senado aprova
Estatuto do Desarmamento
Proposta só depende agora
da sanção do presidente para entrar em vigor
ROSA COSTA
BRASÍLIA - O Senado concluiu ontem, numa sessão que se estendeu das 17 horas às
22h40, a votação do Estatuto do Desarmamento, que torna mais rígidas as normas
para fabricação, registro, uso e transporte de armas de fogo. Após o projeto
tramitar durante cinco anos, a vigência das novas normas depende apenas da
sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A votação foi simbólica. A
maior parte dos 77 senadores presentes no plenário elogiou o texto final da proposta
na tribuna.
O crime de disparar arma de fogo em lugar habitado ou em via pública passa a
ser inafiançável e os condenados pelo tráfico e uso ilegal de armas terão de
cumprir a pena em regime fechado, sem direito a liberdade condicional. O estatuto
prevê a realização, em outubro de 2005, de um referendo que dará à população o
direito de decidir se a venda de arma será autorizada. Para o relator, senador
César Borges (PFL-BA), esse é o "estatuto possível". "Não se
trata da legislação pró-desarmamento dos nossos sonhos, mas a que foi
possível", disse Borges, ao sintetizar a dificuldade de chegar a um acordo
na Câmara e no Senado para fechar o texto final do estatuto.
Ainda assim, o relator entende que se trata de uma grande contribuição para
diminuir o número de mortes por armas de fogo no Brasil. "Foram 50 mil no
ano passado", lembrou. Para Borges, a nova lei dará ao governo e ao
Judiciário "um mecanismo a mais" para combater a violência.
Milícias - Mas antes mesmo de ser testado, o texto será alterado. Segundo o
líder do governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), Lula vai editar uma
medida provisória autorizando o uso de armas de fogo pela guarda municipal de
cidades com mais de 50 mil habitantes. Em seu parecer, Borges só garantiu esse
direito só aos guardas de cidades com mais de 250 mil habitantes.
Ele rejeitou a emenda que liberava o armamento, qualquer que fosse a população,
alegando temer que os prefeitos de pequenas cidades se sentissem estimulados a
criar "verdadeiras milícias". "Estão pegando o exemplo de São
Paulo e levando para o resto do País", afirmou o relator. A reação ao
texto original partiu de autoridades paulistas. (Colaborou Eugênia Lopes)
O ESTADO DE S. PAULO | CIDADES | 10/12/2003
Texto final do projeto recebeu elogio da maioria dos senadores
BRASÍLIA - O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), lembrou que o Brasil é o campeão mundial em crimes com armas de fogo. "O País tem somente 3% da população mundial, mas registra 13% dos crimes com armas", informou. "É uma indústria que movimenta no mundo R$ 600 bilhões ao ano e que atuava abertamente nos corredores do Congresso." Para o senador Gerson Camata (PMDB-ES), cabe agora às autoridades realizarem uma campanha nacional "para tomar as armas dos bandidos". "Porque se ficarem esperando, é certo que eles não vão entregá-las nas delegacias." O senador Hélio Costa disse que o Brasil é possivelmente "um dos últimos países do mundo onde se permite o porte de armas na cintura". Segundo ele, é equivocada a idéia de que se pode conter um bandido com uma arma de fogo. "Eles atiram antes sem nenhum drama de consciência." (R.C.)
O ESTADO DE S. PAULO | FÓRUM DE DEBATES | 10/12/2003
Prisão perpétua
Agora que baixou a poeira (até o
próximo crime de pessoas famosas ou ricas), quero dar meu "pitaco"
sobre assunto pena de morte. O criminoso habitual (que assalta, rouba,
seqüestra) não tem medo de morrer.
Tem medo é de ir para a prisão. Tanto que prefere trocar tiros com a polícia a
ir preso. O criminoso eventual sempre acha que vai cometer o crime perfeito. A
pena de morte não o assusta, isto é, não o inibe de cometer o crime. O casal
assassinado em São Paulo com a cumplicidade da filha é exemplo. Com a pena de
morte sempre há possibilidade de se condenar inocente, seja pelo
desaparelhamento da polícia, seja por confissão obtida mediante tortura (é
claro que isso é raro de acontecer, mas...). Por tudo isso, sou a favor da
prisão perpétua, pois há a possibilidade de corrigir o erro. Outra boa razão da
prisão perpétua é que a sociedade se livra do assassino e ele tem o resto da
vida para se arrepender. Jairo de Benedicto, Araras
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 10/12/2003
Senado aprova Estatuto do Desarmamento
De
Brasília
O Senado aprovou ontem o Estatuto do Desarmamento, que restringe drasticamente
o porte de armas no país e convoca um plebiscito em 2005 para discutir a
proibição de sua comercialização. Pela lei, pessoas sem necessidade comprovada
não poderão ter armas a não ser dentro de suas casas. Agora, o texto seguirá
para sanção presidencial. Até o fechamento desta edição, a votação dos
destaques não havia sido concluída.
A proposta, que segue para sanção presidencial, deverá ser modificada. O
governo deverá editar uma medida provisória reduzindo de 250 mil para 50 mil
habitantes o limite populacional para que um município possa ter uma guarda
municipal armada. O ministro da Casa Civil, José Dirceu, tentou negociar ontem
a mudança do texto com o relator da proposta no Senado, César Borges (PFL-BA),
mas o pefelista foi contra a mudança. "Uma guarda municipal armada em um
pequeno município pode se converter em uma guarda pretoriana a favor do
Executivo", justificou o parlamentar. A permissão para cidades pequenas
terem guardas armadas fora introduzida na Câmara, e retirada por Borges ao
receber a relatoria do projeto.
Ontem, o governo decidiu atender aos grupos de pressões que representam os
pequenos municípios. Segundo César Borges, os prefeitos que mais se mobilizaram
para mudar o Estatuto foram os do interior de São Paulo, uma das principais
bases do PT. Dos 5.564 municípios do país, cerca de 10% estarão na faixa dos
que podem ter guardas armadas. Já o plebiscito, que havia sido retirado pelos
deputados, foi reintroduzido pelos senadores.
Apesar da aprovação tranqüila, o projeto recebeu críticas até de parlamentares
da base governista, como Ana Júlia Carepa (PT-PA). A petista queixou-se da
falta de permissão para fiscais do Ibama e da Receita Federal portarem armas.
Mas a proposta era do especial interesse de alguns articuladores da base do
governo, como o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). O alagoano
transformou a restrição do porte de arma em uma das bandeiras do seu mandato e
foi um dos autores do conjunto das propostas que deu origem ao texto aprovado
ontem. O Estatuto começou a ser discutido em 1999, por iniciativa de Calheiros,
do senador Gerson Camata (PMDB-ES) e do então senador José Roberto Arruda. (CF,
com agências noticiosas)
JORNAL DE BRASÍLIA | BRASIL | 10/12/2003
Senado aprova limite a uso de armas
O
Senado aprovou no final da noite de ontem o Estatuto do Desarmamento, após uma
sessão de quase cinco horas. O texto, que já havia sido aprovado pela Câmara
dos Deputados em outubro, segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
O estatuto proíbe o cidadão comum de portar armas de fogo, e estabelece que
apenas os profissionais ligados à segurança – integrantes das forças armadas,
guardas municipais, agentes dos órgãos de inteligência, agentes policiais e
prisionais e ainda funcionários de empresas de segurança privada e de
transporte -, além dos praticantes de esportes de tiro ao alvo, terão o direito
de portar armas de fogo.
O estatuto torna inafiançável o porte ilegal de armas e retira dos Estados a
competência para autorizar o porte de armas, que agora será concedida pela Polícia Federal, com possibilidade de convênio
com as secretarias estaduais de Segurança.
A idade mínima para a compra de arma de fogo sobe de 21 para 25 anos. Para
comprar arma de fogo, o interessado deverá declarar a efetiva necessidade,
comprovar idoneidade, com a apresentação de certidões de antecedentes criminais,
ocupação lícita, residência fixa e capacidade técnica para o manuseio da arma
Tão logo foi aprovado o Estatuto, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL)
apresentou proposta de decreto legislativo marcando para o primeiro domingo de
outubro de 2005 – dia 2 de outubro – a realização do referendo popular sobre a
comercialização de armas no país. O Estatuto prevê a realização do plebiscito
em outubro de 2005, sem precisar a data.
Conforme a proposta, se a maioria simples do eleitorado nacional se manifestar
a favor da proibição da comercialização de armas no país, a medida entrará em
vigor.
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MJ-EXECUÇÃO PENAL |
JORNAL DO BRASIL | RIO | 10/12/2003
Presos
confessam fraude
Imagens exibidas pelo
'Fantástico' seriam montagem
Dois
detentos do presídio Bangu 4 prestaram depoimento, ontem, a promotores do
Ministério Público estadual, em que afirmaram que as imagens gravadas e
apresentadas pelo programa Fantástico, da TV Globo, no domingo passado, foram
montadas para prejudicar a direção da unidade. Segundo eles, a iniciativa já
havia dado certo no caso da penitenciária Vicente Piragibe, também em Bangu.
O preso acusado de ter realizado a filmagem seria Aluízio Tavares, o Pivete.
Ele foi preso a primeira vez em 4 de maio de 1977 e fugiu dez anos depois. Em
junho de 1987 voltou a ser detido e escapou novamente em julho de 1989. Voltou
para a cadeia dois meses depois e, em março deste ano, foi para Bangu 4. Pivete
já foi condenado pelos crimes de formação de quadrilha, assalto a mão armada e
falsificação de documento público. As penas, somadas, passam de 50 anos.
Desde segunda-feira, o secretário de Administração Penitenciária, Astério
Pereira dos Santos, defendia a tese de que uma facção criminosa estaria tentando
desestabilizar a direção da unidade de Bangu 4 e o sistema penitenciário do
Rio.
De acordo com a TV Globo, ''a ser verdadeira a versão divulgada hoje, são mesmo
espantosas a espontaneidade e a naturalidade dos presidiários. A TV Globo
informa ainda que em hipótese alguma obteve a fita com presos, parentes de
presos ou pessoas ligadas a eles''.
Um agente penitenciário foi afastado e responde a sindicância. Os dois presos
terão seus nomes mantidos no anonimato para evitar represálias por parte de outros
detentos.
O GLOBO | RIO | 10/12/2003
Secretaria busca armas e drogas em Bangu IV
A Secretaria de Administração
Penitenciária vistoriou ontem de manhã e anteontem à noite o presídio Bangu IV
à procura de drogas, armas e celulares. Na delegacia de Bangu foi aberto um
inquérito para apurar a denúncia do “Fantástico”, que mostrou o tráfico livre
de drogas e o uso de telefones e rádios transmissores dentro daquele presídio.
Os envolvidos — até agora já foram identificados dez presos que apareceram na
reportagem — terão que prestar depoimento à polícia ainda esta semana. Para
evitar o deslocamentos dos detentos até a delegacia de Bangu, eles serão
ouvidos no presídio.
A polícia também vai investigar se há envolvimento de outros agentes
penitenciários. Até agora, apenas um agente foi afastado de suas funções.
Obras para recuperar Bangu III vão custar R$ 500 mil
O secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, alegou
mais uma vez que as imagens exibidas pela televisão foram forjadas para
prejudicar os atuais diretores de Bangu IV. Segundo ele, a secretaria recebeu
denúncias de que os presos identificados como Pivete e Sombra foram os
responsáveis pela filmagem, cumprindo ordens de traficantes presos em Bangu.
O governo estadual já começou a recuperar as dependências de Bangu III, onde,
na semana passada aconteceu a mais longa rebelião do Rio. Os presos destruíram
três pavilhões do presídio. Os detentos foram removidos para uma área não
danificada e permanecerão no local até o fim das obras. Os banhos de sol e as
visitas íntimas estão suspensas até o fim da obra, orçada em R$ 500 mil.
O GLOBO | RIO | 10/12/2003
Polinter vai ganhar um sistema de refrigeração
Flávio Pessoa
Os cerca de 1.300 presos da Polinter, na Zona Portuária, vão ganhar um refresco
neste verão. Começa hoje a ser instalado, na carceragem da unidade, um sistema
de aspersão de gotículas de água que deve baixar as temperaturas nas celas, no
pátio interno e na sala de visitas em até 12 graus. Segundo o delegado Rodolfo
Waldeck, titular da Polinter, no verão a temperatura na carceragem chega a 45
graus.
A expectativa é concluir a instalação de toda a aparelhagem até o próximo fim
de semana. Os ventiladores serão fixados nos corredores da unidade e o fluxo de
ar, direcionado para as celas. O sistema, que custará cerca de R$ 10 mil, é
controlado por um painel digital
O aparelho, similar ao instalado pela prefeitura no calçadão de Bangu, foi
doado por um grupo de empresários que se sensibilizou com as condições
enfrentadas pelos presos na carceragem da delegacia.
Preocupado com o excessivo calor, o delegado Waldeck contactou o empresário
Bruno Dalla Fina, um dos sócios da Tecnoflash, empresa responsável pelo
equipamento, para visitar a unidade. Sensibilizado com o que viu, Dalla Fina
uniu-se a outros quatro empresários que decidiram doar a aparelhagem.
Na Polinter, o sistema de refrigeração contará com quatro ventiladores com aproximadamente
55 centímetros de diâmetro cada um, mais uma tubulação com 50 microaspersores,
que bombearão água e ar para dentro da carceragem.
Ar frio entra e empurra o ar quente para fora
Depois de instalado, o sistema deverá reduzir a temperatura dentro das celas
entre 2 e 12 graus.
— Este tipo de iniciativa é boa para todos. Se é bom para o preso, é bom para a
administração. A redução do calor diminuirá a irritabilidade e a indisciplina —
avalia Waldeck.
De acordo com o empresário, o equipamento vai bombear ar frio com água e
expulsar o ar quente de dentro da carceragem.
— Quando visitei a unidade fiquei abismado com o que eu vi. É uma situação
muito triste e quis ajudar. Os presos têm que ter dignidade para cumprir suas
penas — disse Bruno Dalla Fina.
FOLHA DE S. PAULO | COTIDIANO | 10/12/2003
Presidentes do STJ e do TST apóiam redução
O advogado Ari Friedenbach, pai
da adolescente Liana, assassinada em Embu-Guaçu (SP) há pouco mais de um mês,
conversou ontem com os presidentes do STJ (Superior Tribunal de Justiça),
Nilson Naves, e do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Francisco Fausto, sobre
a redução da maioridade penal.
Um dos acusados da morte de sua filha é um rapaz de 16 anos. Naves defendeu a
redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos específicos, em que o
menor seja acusado de cometer crime hediondo e fique provado que ele tinha
consciência de estar praticando um ato criminoso.
Já Fausto disse que, além da redução, deveria haver uma revisão no sistema de
prisão brasileiro, porque o modelo atual não reeducaria.
(DA SUCURSAL DE BRASíLIA)
FOLHA DE S. PAULO | PAINEL DO LEITOR | 10/12/2003
Boi de piranha
"Em referência à bandalheira
filmada no interior do presídio de segurança máxima Bangu 4, creio que já fosse
previsível que o único responsabilizado seria o agente penitenciário, que
servirá de "boi de piranha". é preciso esclarecer à população que, se
existe corrupção dentro dos presídios, os agentes, principalmente aqueles que
circulam no interior do estabelecimento, não podem fugir do esquema. Caso
contrário, morrem. A responsabilidade deve recair, necessariamente, sobre a
governadora, o secretário da Administração Penitenciária e o diretor do
estabelecimento. Os agentes, por mais honestos que possam ser, nada podem fazer
se quiserem continuar vivos."
José Ordele Alves Lima Júnior (Sorocaba, SP)
Maioridade
"Brilhante o artigo escrito pelo professor Paulo José da Costa Jr. ("Tendências/
Debates", pág. A3, 8/12). O ilustre professor de direito penal mostra que
o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos,
está completamente equivocado quando afirma que legislar acerca de maioridade
penal neste momento seria legislar sob o clamor público vivido atualmente. Como
evidencia o professor, com grande autoridade -já que vivenciou esse tema
naquela época-, a maioridade penal deveria ter sido rebaixada já em 1969.
Adiciono um outro exemplo de responsabilidade à pessoa de 16 anos -além do direito
de votar- que é o casamento. Na minha modesta opinião, não vejo uma
responsabilidade tão grande quanto a de casar, quando se contraem dívidas,
constitui-se uma família, geram-se filhos etc. Destarte, a pessoa de 16 anos
tem pleno conhecimento das consequências de seus atos. Será que até na redução
da maioridade penal o Brasil ficará atrasado, como demonstrou o escritor?"
Marcelo Fernandes dos Santos (Alfenas, MG)
FOLHA DE S. PAULO | COTIDIANO | 10/12/2003
Parentes de detentos não deixam presídio
A rebelião no Presídio de Salvador, no Complexo Penitenciário do Estado da Bahia, entrou ontem em seu segundo dia. A expectativa era que o impasse chegasse ao fim ontem à noite. O motim foi iniciado por 765 presos na manhã de domingo, no horário de visitas. Um agente penitenciário, um detento e um visitante foram feitos reféns. Cerca de 200 familiares continuavam no local ontem -segundo a direção do presídio, eles optaram por permanecer no local por temer que os presos sofressem represália.
O ESTADO DE S. PAULO | CESAR GIOBBI | 10/12/2003
Esfiha do bem
A diretoria executiva da rede
Mister Sheik assina hoje com o governador Geraldo Alckmin o compromisso de
abrir 114 vagas de emprego para jovens da Febem.
Serão três jovens contratados em cada uma das 38 lojas da rede na capital
paulista, que serão treinados na função de esfirreiros, contratados com salário
de R$ 240,00 por mês, em meio período. Ao final do treinamento de 400 horas,
passarão a trabalhar em período integral e terão o salário dobrado.
O Mister Sheik foi a primeira empresa a receber o título de Empresa Amiga da
Febem oferecido pela Secretaria de Educação.
JORNAL DE BRASÍLIA | BRASIL | 10/12/2003
Familiares ficam com rebelados
Uma parte dos parentes de detentos do presídio de Salvador, mulheres e crianças, deixou o local no início da noite de ontem, vencidos pela fome. Um número indeterminado de familiares de presos, principalmente homens, resolveu, contudo, permanecer dentro das dependências do presídio aguardando uma solução para o impasse e para garantir a integridade física dos presos, temendo uma invasão da Polícia Militar. Os 700 amotinados decidiram também libertar dois dos três funcionários que mantinham como reféns. As autoridades carcerárias acham que o movimento está perto do fim, mas as reivindicações dos detentos, que iniciaram uma rebelião no domingo, não serão atendidas.
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MJ-EXPLORAÇÃO SEXUAL |
O ESTADO DE S. PAULO | GERAL | 10/12/2003
Médico é preso no escândalo dos órgãos no Recife
ÂNGELA
LACERDA
RECIFE - O médico Silvio Boudoux Silva, de 54 anos, coronel aposentado da
Polícia Militar, foi preso ontem à tarde na sede da Polícia
Federal, depois de prestar depoimento sobre seu suposto envolvimento
com uma rede internacional de tráfico de órgãos humanos. A prisão temporária,
por cinco dias, foi determinada pela juíza federal Amanda Torres de Lucena e
surpreendeu o médico e o seu advogado, José Siqueira.
Boudoux se prontificou a depor depois que a PF apreendeu, no sábado, dois
computadores, agendas, 44 contas telefônicas e mais de 2 mil fichas de
pacientes em casa e na sua clínica. Siqueira iria entrar com pedido de
habeas-corpus ainda ontem.
Boudoux solicitou exames de laboratório para cinco pessoas que venderam o rim.
Segundo o médico, seu companheiro de PM, o capitão aposentado I.B.S., apontado
como um dos líderes do esquema, o procurou há cerca de sete ou oito meses,
pagou consulta e pediu guias de solicitação de exames para um check-up simples
para cinco "parentes". Boudoux, que fez as requisições, alegou que a
natureza dos testes não permitia supor que o objetivo fosse o transplante.