|
|
|
|
|
WEBCLIPPING – 03/12/2003 - PRIMEIRA EDIÇÃO |
|
MJ-COLUNAS |
· BOECHAT - JORNAL DO BRASIL
· INFORME JB - JORNAL DO BRASIL
· INFORME ECONÔMICO - JORNAL DO BRASIL
· PANORAMA POLÍTICO - O GLOBO
· ANCELMO GOIS - O GLOBO
· PAINEL - FOLHA DE S. PAULO
· PAINEL S/A - FOLHA DE S. PAULO
· DORA KRAMER - O ESTADO DE S. PAULO
· JOELMIR BETING - O ESTADO DE S. PAULO
· CRISTIANE
LUCCHESI - VALOR ECONÔMICO
· BRASÍLIA - DF - CORREIO BRAZILIENSE
· CLÁUDIO HUMBERTO - JORNAL DE
BRASÍLIA
|
MJ-CONCORRÊNCIA |
· Mudança de rumo na Anatel - JORNAL DO BRASIL
· Embratel conclui a compra da Vésper - JORNAL DO BRASIL
· Em campanha, Bush adia fim de sobretaxa - JORNAL DO BRASIL
· Ultimato a operadoras - JORNAL DO BRASIL
· Entrequadras - JORNAL DO BRASIL
· Olho no olho - JORNAL DO BRASIL
· Expresso Oriente - O GLOBO
· Varig e TAM: alta de tarifas não tem relação com compartilhamento de vôo - O GLOBO
· Presidência da Agência Nacional de Saúde provoca disputa interna no PT - O GLOBO
· Reunião discute o bloqueio de celular em Bangu - O GLOBO
· Bebês sofrem reação alérgica a medicamento - O GLOBO
· Empresa anuncia a compra da 2ª maior cervejaria equatoriana - FOLHA DE S. PAULO
· Sangramento das Agências - O ESTADO DE S. PAULO
· China competirá com frango brasileiro - O ESTADO DE S. PAULO
· Supachai confia na reunião da OMC no Brasil - O ESTADO DE S. PAULO
· OMC: otimismo com reunião do G-20 no Brasil - O ESTADO DE S. PAULO
· Secretário do ministério é indicado para Anatel - O ESTADO DE S. PAULO
· AmBev vai às compras e chega ao Equador - O ESTADO DE S. PAULO
· Embratel acerta a aquisição da Vésper - O ESTADO DE S. PAULO
· Tribunal nega mais um recurso à Anatel - GAZETA MERCANTIL
· Embratel anuncia hoje a compra da espelho Vésper - GAZETA MERCANTIL
· Especialistas enxergam ponto de negociação na OMC - GAZETA MERCANTIL
· Embratel adquire Vésper - VALOR ECONÔMICO
· Ziller chega à Anatel já cotado para presidência - VALOR ECONÔMICO
· UE bloqueia ingresso russo na OMC, diz Putin - VALOR ECONÔMICO
· Diplomacia e mais comércio com os árabes - VALOR ECONÔMICO
· Negociação agrícola pode ser retomada - VALOR ECONÔMICO
· Oposição esvazia tentativa de acordo de países do Sul - VALOR ECONÔMICO
· AmBev avança no mercado de cerveja da América do Sul - VALOR ECONÔMICO
· MP pede suspensão da fusão entre Varig e TAM - VALOR ECONÔMICO
· Rússia volta a preterir frango brasileiro - VALOR ECONÔMICO
· Horizonte favorável - CORREIO
BRAZILIENSE
|
MJ-CONSUMIDOR |
· Defesa do consumidor: Decisão da Susep limita seguro de carro - O GLOBO
· PC "montado" é opção econômica - FOLHA DE S. PAULO
· Procure formas de documentar compra on-line - FOLHA DE S. PAULO
· Compra no exterior exige cuidado - FOLHA DE S. PAULO
· Loja atrai com prazo e isenção do frete - FOLHA DE S. PAULO
· Redes acirram disputa antes do Natal - FOLHA DE S. PAULO
· Justiça pede análise em ração para cães - FOLHA DE S. PAULO
· Hospitais prevêem sucateamento do setor - O ESTADO DE S. PAULO
· Ração transgênica - VALOR ECONÔMICO
· Nova lei para agricultura orgânica
- VALOR ECONÔMICO
|
MJ-ELABORAÇÃO LEGISLATIVA |
· O adolescente em conflito com a lei - O ESTADO DE S. PAULO
· Caje se enquadra ou será fechado
- JORNAL DE BRASÍLIA
|
MJ-EXECUÇÃO PENAL |
· Presos fazem 40 reféns em Bangu 3 - JORNAL DO BRASIL
· Histórico de problemas - JORNAL DO BRASIL
· Guarda de Bangu III é morto a tiro em rebelião - O GLOBO
· Amotinados têm central telefônica - O GLOBO
· Maioridade - FOLHA DE S. PAULO
· Rebelião em Bangu faz 42 reféns - FOLHA DE S. PAULO
· Rebelião em Bangu deixa 1 morto e 6 feridos - O ESTADO DE S. PAULO
· Presos terão este ano indulto humanitário - O ESTADO DE S. PAULO
· Rebelião mata agente e deixa seis feridos - CORREIO BRAZILIENSE
· Justiça ameaça desativar o Caje - CORREIO BRAZILIENSE
· Rebelados matam agente - JORNAL DE
BRASÍLIA
|
MJ-EXPLORAÇÃO SEXUAL |
· PF prende 11 acusados de tráfico de
rins - O ESTADO DE S. PAULO
|
MJ-INSTITUCIONAL |
· Lula foi do linchamento às ilusões - O GLOBO
· Promotores pediram apoio ao PT - FOLHA DE S. PAULO
· Erramos - FOLHA DE S. PAULO
· Polícia Federal de Brasília pode entrar em greve - O ESTADO DE S. PAULO
· Mercosul e UE iniciam rodada de negociações - GAZETA MERCANTIL
· SALÁRIOS - CORREIO BRAZILIENSE
· Mistérios das arábias - JORNAL DE
BRASÍLIA
|
MJ-POVOS INDÍGENAS |
· Xavantes ameaçam invadir área de reserva ocupada por posseiros - O ESTADO DE S. PAULO
· Grupos na Funai - JORNAL DE
BRASÍLIA
|
MJ-SEGURANÇA PÚBLICA |
· Desarmamento em pauta no Senado - JORNAL DO BRASIL
· Polícia prende grupo que vendia órgãos - JORNAL DO BRASIL
· Inconfidências e prejuízos - JORNAL DO BRASIL
· Infrações bárbaras - JORNAL DO BRASIL
· Cúpula do PT vai acompanhar apuração de perto - O GLOBO
· PF: gafanhotos só aumentaram - O GLOBO
· O escândalo em Roraima - O GLOBO
· ‘Eu sabia de forma superficial’ - O GLOBO
· Genoino critica reabertura de inquérito sobre o assassinato de Celso Daniel - O GLOBO
· Tragédia brasileira - O GLOBO
· Lula foi do linchamento às ilusões - FOLHA DE S. PAULO
· Governador diz que exonerou o responsável - FOLHA DE S. PAULO
· Flamarion recebeu alerta sobre corrupção - FOLHA DE S. PAULO
· Empresa pode ter sonegado CPMF - FOLHA DE S. PAULO
· PF investiga faixas contra deputado do PT - FOLHA DE S. PAULO
· Polícia prende acusados de venda de órgãos - FOLHA DE S. PAULO
· PF quer investigação também para procuradores - O ESTADO DE S. PAULO
· Norma divide cela com traficante de droga em Brasília - O ESTADO DE S. PAULO
· Novo depoimento liga Flamarion à 'folha gafanhoto' - O ESTADO DE S. PAULO
· No esquema, nem policial era autêntico - O ESTADO DE S. PAULO
· PT envia 'olheiro' para acompanhar apuração - O ESTADO DE S. PAULO
· Pão zero; contas e algemas, dez - O ESTADO DE S. PAULO
· Combate à pirataria: ainda há muito a fazer - VALOR ECONÔMICO
· PF entra em greve a partir de hoje no DF - CORREIO BRAZILIENSE
· Ex-deputado faz nova acusação - JORNAL DE BRASÍLIA
· Governador petista nega
envolvimento em escândalo - JORNAL DE BRASÍLIA
|
MJ-COLUNAS |
JORNAL DO BRASIL | BOECHAT | 03/12/2003
Outra realidade
Mudança de peso no ranking das
empresas de seguro.
A Sul América, que sempre dividiu a liderança do mercado com a Bradesco,
fechará, este ano, em terceiro ou quarto lugar, atrás do Itaú e, talvez, do
Unibanco.
As seguradoras dos bancos ganharam terreno incorporando aos balanços a operação
de seus fundos de previdência privada aberta, artifício que concorrentes
consideram falacioso.
Cartaz
No relatório que divulgou sobre a Assembléia Geral da ONU, anteontem, a Anistia
Internacional destacou, na área dos direitos humanos, duas propostas
apresentadas pelos países membros da Organização.
Ambas do Brasil.
Uma sobre distribuição gratuita de medicamentos, outra classificando a saúde
como um direito humano.
Meia-história
Sexta-feira, o Batalhão da Polícia do Exército completa 60 anos.
A ditadura torturou gente ali, mas os festejos descartarão as más lembranças.
Um grupo de antigos soldados da PE virá de Brusque (SC), para a ocasião.
Por sua altura e disposição para briga, os ''catarinas'', como a malandragem os
chamava, marcaram época no Rio.
Endereço nobre
Denúncia recebida anteontem pela CPI da Pirataria levou a polícia à sede do TRT
de São Paulo.
Não deu outra.
A feirinha que funcionava no Tribunal vendia dezenas de quinquilharias de
grifes famosas.
Tudo falso.
Um e outro
Um tributarista carioca foi contratado para contestar, na Justiça, a sobretaxa
de 35% imposta pela a Câmara de Comércio Exterior ao glifosato produzido na
China.
Pequim patrocina a ação. O herbicida pode chegar ao Brasil custando a metade do
que vale seu concorrente americano.
A Monsanto foi a grande favorecida pela decisão do governo Lula.
Pouca-vergonha
Uma campanha paga vem exaltando, no horário nobre das TVs, a gestão do prefeito
Zito, de Duque de Caxias.
A publicidade não mostra as centenas de desabrigados pelas chuvas que arrasaram
o município, no fim de semana.
Pequena notável
Embora tenha jurado não voltar a escrever biografias, Ruy Castro recuou.
Vai contar a história de Carmem Miranda.
Escaldado pelas ações movidas pelas filhas de Garrincha, entretanto, desta vez
ele se acautelou.
O projeto só marchará depois que todos os herdeiros da Pequena Notável fecharem
acordo com a Companhia das Letras.
Arte & memória
Um grande evento festejou anteontem, no Espace Auteil, o 100 anos do Salão de
Outono de Paris.
Descendentes dos mais importantes artistas que ali se apresentaram, entre eles
Renoir, Rodin, Picabia e Picasso, foram reunidos para a ocasião.
Cícero Dias, o único brasileiro homenageado, foi representado por sua filha,
Sílvia Dias.
Pregão
Sexta-feira, no Fórum do Rio, vai a leilão o passe do jogador Roni, que hoje
atua no futebol russo.
O lance mínimo será de R$ 2,2 milhões.
A venda é para pagar dívida do Fluminense com Joel Santana, de 1995, hoje
estimada em R$ 600 mil, segundo o advogado Ércio Braga.
Quem veio
Está no Rio é produtor de cinema Duncan Kenworthy (de Quatro casamentos e um
funeral, Um lugar chamado Notting Hill, e outros sucessos).
Veio promover seu filme Simplesmente amor, que estréia sexta-feira no Brasil,
na Argentina e no México.
Nos EUA, o longa, que tem o ator Rodrigo Santoro no elenco, já rendeu US$ 100
milhões.
Inédito
Pela primeira vez, uma obra de Bach terá narração simultânea em alemão e
português.
A Cia Bachiana Brasileira, apresenta, amanhã, o oratório O nascimento de Jesus
segundo Johann Bach, na sala Cecília Meireles.
De bondinho
A Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa fará ato, sábado, contra a
violência. Do governo estadual se pedirá mais segurança para o bairro.
O 1º Batalhão da PM, que cobre a área, já teve 1.200 homens.
Hoje, restam-lhe 396.
Festa do samba
Em parceria com a cantora Alba Lírio, Heitor dos Prazeres Filho escreveu um
livro sobre seu pai, poeta, compositor e artista plástico, morto em 1966.
A homenagem não acaba aí.
Heitorzinho, que herdou dele não só o nome mas o talento e a paixão pelo samba,
vai lançar um CD com as principais jóias do mestre, que compôs ao lado de Noel
Rosa e Cartola.
O lançamento reunirá bambas como Paulinho da Viola e Aldir Blanc, dia 9, no
Sesc Tijuca.
Lance Livre
Os fotógrafos Luiz Cláudio Lacerda e Rogério Randolph autografam hoje, às 20h,
Fernando de Noronha 360º, na Livraria da Travessa.
José Maurício Machline encerra a sua temporada hoje no Centro Cultural Carioca,
recebendo Cauby Peixoto.
Com 60 artistas em cena, diariamente às 22h acontece o show Reviver, no Estação
Rio, em Copacabana. A partir do dia 11, a Mangueira fará ensaios abertos no
local.
Amanhã, às 19h, Luiz Fernando Vianna lança seu livro sobre Zeca Pagodinho
(Coleção Perfis do Rio), no Planetário da Gávea.
Dia 16, em Paris, o psiquiatra Jorge Alberto Costa e Silva assume o posto de
membro associado da Academia de Medicina da França.
Fica até sexta-feira, no STJ, em Brasília, a mostra Jogando com Formas e Cores,
da artista plástica Glicínia Sherman.
Também sexta, começa no Centro Cultural Cândido Mendes, Ipanema, a mostra de
filmes italianos Cinema & Sentimento.
Com Ronaldo Herdy e Telma Alvarenga
JORNAL DO BRASIL | INFORME JB | 03/12/2003
Dinheiro plástico
BELISA RI BEIRO
Segue de vento em popa a abertura das contas populares. De maio até agora, na
Caixa Econômica Federal, deram acesso a um novo mundo a 900 mil ''sem sistema
financeiro''. Foram 100 mil só no último mês. Os empréstimos do crédito popular
não conseguiram emplacar com tanta força, mas serão, segundo analistas,
responsáveis por uma ''bolhinha'' de crescimento do consumo nos primeiros meses
do ano que vem, reforçada com a abertura, pelo Banco do Brasil, do Banco
Popular do Brasil, voltado exclusivamente para clientes sem comprovação de
renda. A criação do novo banco foi um pedido pessoal do presidente Lula ao
Banco Central. O que está sendo estudado com muito interesse, tanto no setor
financeiro quanto no comércio e na indústria de bens mais voltados à baixa
renda, são os efeitos deste modo PT de até forçar a integração dos pobres ao
mercado.
O setor de cartões de crédito, cada vez mais acessível, vai bater recorde este
ano com mais de 1 bilhão de transações e faturamento de R$ 82,7 bilhões,
segundo pesquisa da Credicard. De acordo com o Banco Central, enquanto o número
de cheques compensados caiu 45%, passando de 4,140 bilhões para 2,282 bilhões,
desde 1994, as transações com cartão cresceram 423% - de 200 milhões para 1,083
bilhão.
Pena que, para o Natal, não vai dar tempo de chegar à economia o dinheiro real,
nem o de ''plástico''. A Confederação Nacional do Comércio espera diminuir a
queda de faturamento de 5,17%, até setembro, para 4,5%. E só.
Renda básica
O senador Eduardo Suplicy está contando até os segundos que faltam para
sexta-feira, quando expira o prazo para seu projeto de lei de Renda Básica ser
enviado à sanção do presidente. Para dar uma força, escreveu a Lula carta de
quatro laudas acompanhada de cópia da conferência que faz hoje, na África do
Sul, para entidades como a Cosatu, equivalente à CUT, e a Conferência Nacional
dos Bispos, que também lutam por renda básica em seu país.
Casa básica
O ministro das Cidades, Olívio Dutra, e os presidentes da Câmara e do Senado
recebem hoje proposta da Federação Nacional do Mercado Imobiliário e da
Confederação Nacional do Comércio para combater o déficit habitacional no país,
hoje de 6,6 milhões de residências. Vão ouvir também pedido de aumento da multa
por atraso no pagamento do condomínio. Desde que caiu de 20% para 2%, a
inadimplência aumentou em 30%.
Saúde básica
Atendendo a pedido da Frente Parlamentar da Saúde, que foi visitá-lo ontem, o
procurador-geral da República, Cláudio Fontelles, vai recomendar aos
procuradores-gerais dos Estados que garantam a alocação constitucional das
verbas à saúde. Na reunião nacional de procuradores, semana que vem, em
Curitiba, vai protagonizar cena totalmente tupiniquim: pedir à Justiça que
interfira junto a executivos estaduais e municipais para fazer uma lei
''pegar''.
Bobeira superbásica
Foi preso em flagrante ontem Eraldo Vieira Soares. Tentava, só, furtar um carro
da Polícia Civil no estacionamento do Ministério
da Justiça, à uma da tarde. Nem de falta de experiência pode se
desculpar o otimista - responde a oito processos por furto, roubo e receptação.
Penúria
Não convidem para a mesma mesa Garotinho, Rosinha e o povo da Universidade
Estadual Norte Fluminense, em Campos. Professores e funcionários não têm aumento
há 10 anos e a instituição já não paga contas de luz e telefone. Criada por
Darci Ribeiro, pioneira em docentes doutores, a universidade, de 2.000 alunos,
recebeu do CNPq o prêmio Destaque do Ano em iniciação científica.
Santos nomes em vão
Começa hoje, em Brasília, o Congresso Internacional de Telemedicina, a Telmed
2003. A convocatória anunciou a transmissão por vídeo de cirurgia realizada na
capital para vários países. E também as presenças do presidente Lula e dos
ministros Humberto Costa, da Saúde, e Miro Teixeira, das Comunicações. Os
ministros disseram à coluna que não vão. Lula - que como sabe a nação, há
tempos, está nas Arábias - nem por telão.
Romântico prático
Houve quem, na carrière, considerasse romântica a decisão de Lula de ir à Líbia
do temido Muammar Khadafi, embargado pela ONU e pelos EUA até pouco tempo. Pois
queimaram a língua os diplomatas: 39 empresários, a maioria dos setores de
construção e alimentos, vão ao seminário de negócios em Trípoli.
Cartola na sobremesa
Muita calma ao ler o cardápio do jantar que Lula oferece a ministros e
empresários árabes domingo. Além de salada verde e amarela e cordeiro ao
agreste pernambucano, haverá cartola ao mel engenho massangana. Não se trata,
obviamente, de nenhum Eurico Miranda ao creme. São singelas bananas amassadas,
grelhadas com manteiga e queijo coalho fresco, mais açúcar e canela por cima.
JOGO RÁPIDO
As chuvas só adiaram a manifestação dos estudantes de 1ª a 4ª série da rede
estadual do Rio. Segunda-feira, batizada de Dia da Carta, 100 mil crianças
enviarão cartas ao presidente Lula para que o Estado ganhe uma refinaria. O
governo do Rio, que organizou o evento, sabe o que quer, mas será que as
crianças entendem o que pedem?
Toma posse e realiza hoje sua primeira reunião o Conselho Nacional de
Desenvolvimento Rural Sustentável, órgão criado para propor e gerir políticas
públicas relativas à reforma agrária e à agricultura familiar. Por enquanto, na
pauta, apenas questões burocráticas, como a formulação do regimento interno do
conselho.
Com Doca de Oliveira e Bruno Arruda
JORNAL DO BRASIL | INFORME ECONÔMICO | 03/12/2003
Caixinha de surpresas
A 7ª turma do Tribunal Regional
do Trabalho julga amanhã pendências referentes à venda do Banerj. O voto do
relator é pela suspensão dos acertos parciais, a fim de permitir a contemplação
do conjunto dos ex-funcionários. No edital original de privatização, os
recursos provisionados para débitos trabalhistas só poderiam ser liberados
depois de esgotadas as disputas judiciais.
Para agilizar o processo, o então governador Marcello Alencar obteve junto à
Alerj uma mudança, pela qual os acordos eram um atalho para a retirada do
dinheiro.
Com isso, funcionários lotados em Angra dos Reis, por exemplo, entravam com
ações em Campos ou Duque de Caxias, onde a jurisprudência era mais favorável. O
expediente chamou a atenção de juízes e do MP estadual, que recorreu ao TRT.
O recurso quer evitar que o montante provisionado, quase R$ 1 bilhão, seja gasto
antes de pagar quem não pôde fazer acordo.
Vai entender...
A AES surpreendeu ontem ao fechar o pregão em alta de 43%. Sinal de que o
mercado pouco se importou com a ameaça do presidente do BNDES, Carlos Lessa, de
de levar a empresa à Justiça por descumprimento de acordo.
O lado escuro da lua
Ainda na série ''o preço oculto do superávit primário'': a Polícia Federal está em dificuldades para pagar
conta de telefone e diárias de viagem para seus agentes. O Itamaraty tem penado
para cobrir aluguéis em atraso nas embaixadas.
Sem acordo
Ainda esta semana, acionistas minoritários da Tele Centro-Oeste Celular (TCOC)
dão entrada numa representação junto à CVM, presidida por Luiz Cantidiano. Eles
questionam a oferta pública de compra de ações feita pela Telesp Celular,
ligada à Portugal Telecom, visando o fechamento de capital da recém-comprada
TCOC.
O argumento central é de que a divulgação dos limites da oferta, antes de sua
efetivação, funcionou como teto das cotações do mercado para o papel. Se os
novos donos só se dispunham a pagar aquele valor, ninguém compraria por mais.
Jogando para baixo a média que daria base à oferta definitiva.
Sem acordo II
Tudo indica que o caso do Sudameris evolui na mesma direção do confronto na
CVM. A principal queixa à equipe de Luiz Cantidiano é a possibilidade de a due
dilligence (auditoria pós-compra) reduzir o preço da oferta. O argumento é de
que os problemas eventualmente constatados pelo ABN-Amro são responsabilidade
exclusiva dos antigos gestores, ligados à italiana Intesa.
Sintonia fina
A escolha dos gestores para o fundo Investidores Institucionais (antigo CVC
Nacional) foi mais uma vez adiada. Os fundos de pensão estatais e a BB DTVM
farão novo esforço para convencer o Citigroup a destituir o Opportunity do CVC
estrangeiro.
Sem olhar para trás
Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles tentou, ontem, em São Paulo,
minimizar a decepção provocada pelo resultado pífio do PIB no terceiro
trimestre (0,4%). De acordo com ele, a economia apresenta certa defasagem entre
o movimento do câmbio e dos juros e o comportamento da produção. O que
significa que os ganhos com o atual cenário tranquilo só estarão consolidados
mais adiante. ''Focar-se somente nos resultados do terceiro trimestre é como
dirigir olhando para o retrovisor'', garantiu o presidente do BC no Fórum de
Líderes, evento promovido pela Gazeta Mercantil.
Ajuda inesperada
No último momento, Jorge Bittar e Walter Pinheiro decidiram apoiar a escolha de
Pedro Jaime para o conselho da Anatel, nome defendido pelo ministro Miro
Teixeira. A única exigência dos petistas seria uma garantia de que Pedro Jaime
não ocupará o lugar de Luiz Schymura, na presidência da Agência.
Com Carla Falcão
O GLOBO | PANORAMA POLÍTICO | 03/12/2003
A praga e o PT
A eficiência das ações de combate
à corrupção aumentou no governo Lula, que estranhamente não tem incluído este
item na sua lista de feitos, encabeçada pela “reconstrução da estabilidade
econômica”. E se lhe faltava um escorregão mais perigoso no campo ético, ele
veio agora, com o inconcebível apoio da cúpula do PT ao governador de Roraima,
Flamarion Portela.
A Polícia Federal está saciando a fome
investigativa, apesar da falta de recursos. Avançou na identificação dos
envolvidos no esquema de remessas (legais e ilegais) através da agência do
Banestado em Foz do Iguaçu, alcançou o Judiciário com a Operação Anaconda e
agora o esquema dos gafanhotos que comiam a folha de pagamento e os recursos
federais em Roraima. Aos que acreditam estar a PF agindo mais por instinto
corporativo que por orientação política do governo, pode-se apresentar também
os resultados do trabalho da CGU (Corregedoria Geral da União), que vem
descobrindo um mundo de desvios na aplicação dos recursos federais repassados a
prefeituras.
Tudo isso, o PT joga fora quando faz vista grossa aos sinais de que o atual
governador de Roraima não só herdou a praga dos gafanhotos do antecessor Neudo
Campos como também a manteve e ampliou. Chega ele a piorar sua própria situação
quando admite que “sabia superficialmente de que havia algo errado com a folha
de pagamento”. Como não assumiu ontem, nem em 1 de janeiro, juntamente com Lula
e outros governadores, e sim em junho do ano passado, quando Neudo Campos
deixou-lhe o cargo, na condição de vice, para disputar o Senado, no mínimo foi
leniente ao se conformar, durante tanto tempo, com informações superficiais
sobre assunto tão importante. Governadores ocupam-se obsessivamente da folha de
pagamentos, atentos aos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal e
à própria disponibilidade de recursos. Mas ele não, ouviu um zunzum e deixou
por isso mesmo.
José Genoino, presidente do PT, até ontem apegava-se ao argumento de que não
havia provas contra o governador que, eleito pelo PSL com apoio petista, entrou
para o partido depois da posse. Decidiu mandar uma delegação do PT a Boa Vista
para acompanhar as investigações. Mas ontem já chegavam notícias, da Polícia Federal, sobre o aumento do número de gafanhotos
a partir da posse de Flamarion, ainda antes da eleição, e talvez por causa
dela.
Uma parte do PT está perplexa. Outra, esperando para saber, como gosta de dizer
Genoino, qual é o rumo. Certo é que, apoiando Flamarion antes mesmo de provada
sua culpa ou inocência, a direção petista enfrentará dificuldades para expulsar
os petistas que votaram contra as reformas. Na reunião do diretório nacional,
representantes da esquerda do partido vão levantar o assunto quando as
expulsões começarem a ser discutidas. Aécio Neves pagou o 13 salário do
funcionalismo de Minas ontem, em parcela única, o que não ocorria há 14 anos.
Fruto do ajuste fiscal e da reforma administrativa ainda em curso.
A mãe
Há dez anos, a deputada Jandira Feghali armou um barraco parlamentar para
conseguir o direito à licença-maternidade remunerada. A Constituinte concedera
o direito às trabalhadoras brasileiras, mas o regimento da Câmara não o
estendera às parlamentares. Agora ela compra outra briga: pelo direito à
licença remunerada para assistir a familiar doente. No caso, seu filho Thomas,
de um ano e nove meses, internado no Rio. O estatuto dos servidores prevê esta
situação mas o regimento “desta Casa masculina” ainda não. Jandira teve o apoio
do presidente da Câmara, João Paulo, e seu requerimento dará base a uma mudança
no regimento da Casa.
O homem
Está no Brasil, esperando pela sabatina do Senado, o embaixador Roberto
Abdenur, sucessor indicado de Rubens Barbosa na embaixada brasileira em
Washington. Enquanto o Senado não marca a data, ele mantém contatos com
diferentes instâncias do governo, preparando-se para o que o espera: um tempo
de relações tensas e intensas com os Estados Unidos. Abdenur, considerado um
dos diplomatas mais completos de sua geração, foi secretário-geral quando Celso
Amorim, que agora o indicou a Lula, era chanceler de Itamar Franco. Chegará a
Washington com força total para comandar a infantaria avançada das negociações
da Alca.
A COMISSÃO de Orçamento do Congresso tem um Comitê de Receitas para o
PPA. Na última reunião seus membros decidiram, diz o deputado Renato
Casagrande, trabalhar pela fixação de superávits primários inferiores aos 4,25%
de hoje para os próximos três anos. Terão que convencer o governo e o FMI,
embora o Congresso tenha de fato poder para fixar o superávit na LDO.
A FAMA de reclamar até de nota a favor é do ex-senador José Serra, mas o
costume existe na atual base governista. O deputado Beto Albuquerque, autor de
projeto que permite o parcelamento dos débitos do crédito educativo, escreve
dizendo que, ao contrário do que imaginamos, ele não tomou como descortesia a
edição de uma medida provisória reproduzindo sua proposta. Em tempos de
Congresso mais altivo, atitudes semelhantes do Executivo eram rechaçadas.
ACOMPANHANDO o presidente Lula ao Oriente Médio, o ministro do Turismo,
Mares Guia, fará três conferências ao longo da viagem. “Vou mostrar não só como
é bonito o Brasil, mas também as oportunidades de negócio que temos no setor”.
Lula adora a disposição de mascate de Mares Guia.
O GLOBO | ANCELMO GOIS | 03/12/2003
Nova estrela do PT
Abílio Diniz vai estrelar o
programa do PT que vai ao ar amanhã em rede nacional.
O megaempresário, com quem Palocci vive trocando figurinhas sobre inflação, tem
feito rasgados elogios ao governo.
Marta 2004
Dentro da operação VRMSQP (Vamos Reeleger Marta Suplicy a Qualquer Preço), o
Planalto mandou a Petrobrás bancar um show com as maiores estrelas da MPB, dia
25 de janeiro, em São Paulo, data do aniversário da cidade.
Petro-sujeira
A portaria 63 do BC do dia 27 proibiu de exercer função no mercado financeiro
por quatro anos (mais multa de R$ 13 mil cada) cinco ex-diretores da Petros, o
fundo de pensão da Petrobrás, acusados de irregularidades.
São eles: Francisco Gonzaga de Oliveira, Domingos Barbosa Filho, Gerson
Brauner, Paulo Andrade Natal e Sérgio Teixeira.
Terra à vista
Fernando de Noronha, veja só, vai mudar de lugar no mapa.
É que, nos atlas escolares, a ilha aparece mais pertinho de Pernambuco para
economizar papel. Como é longe, seria preciso outra folha só com aquele
pontinho no meio do mar.
A localização real estréia no mapa digital brasileiro que o IBGE lança hoje. A
mesma coisa vai acontecer com Abrolhos (BA) e São Pedro e São Paulo (RN).
Gastrite
Segunda, numa ida ao Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças, Rosinha
foi parar na enfermaria. Diagnóstico: gastrite.
Lisinho da Silva
Roberto Carlos, acredite, aderiu ao alisamento japonês. Está feliz da vida.
O Rei, aliás, anda em ótima fase. Já estão esgotados os ingressos para o show
de sábado no Maracanãzinho. Haverá uma apresentação extra no domingo.
Passe no caixa I
A Varig, em franca recuperação, está acertando com alguns credores menores de
pagar pelo menos parte de sua dívida em passagens aéreas.
O Banespa, por exemplo, topou. Do papagaio de US$ 8 milhões, o bancão paulista
aceitou receber US$ 4 milhões em bilhetes. O restante, financiou a juros
pequenininhos.
Passe no caixa II
Palocci mandou agora US$ 80 milhões para saldar parte da dívida do Brasil com a
ONU.
Faltam ainda uns US$ 20 milhões e uns quebrados para liquidar a fatura.
Safra 2003
Lula promoveu ontem a embaixadores os diplomatas José Roberto Pinto, Maria da
Graça Carrión, José Antônio de Carvalho, Antônio Patriota, Edgard Telles
Ribeiro, José Eduardo Felício e Kywal de Oliveira — este aí há um bom tempo
dando duro no Timor Leste.
Talibã da Barra
O lutador de jiu-jítsu Ryan Gracie não pode sair do Rio sem autorização
judicial e terá de comparecer todo mês diante do juiz para informar suas
atividades.
A decisão é do juiz Fábio Montenegro, do 1 Tribunal do Júri.
Em 2000, Ryan foi acusado de esfaquear o representante de vendas Marcos
Vinícius Marins da Rosa numa pancadaria na boate Ilha da Fantasia, na Barra.
Ana Braga em Angra
Ana Maria Braga assinou segunda-feira um contrato de aluguel, por um ano, de
uma das melhores casas de Portogalo, em Angra dos Reis. Vai ser vizinha de
Ricardo Teixeira, da CBF.
A casa foi projetada pelo saudoso Cláudio Bernardes.
Quem dá mais?
Uma preciosidade vai a leilão pelo martelo do colecionador Alberto Cohen dias
10 e 11 agora no Boulevard 1008, no Ipanema Tower.
É uma dedicatória de Tom Jobim no receituário de um hospital de Teresópolis,
pedindo, em versos, que a enfermeira cuide bem de sua irmã Helena.
A raridade é de 1992, quando a irmã do maestro sofreu um acidente de automóvel.
Academia
A prefeitura do Rio lança amanhã um projeto inédito para a área de segurança.
É a Academia da Guarda Municipal do Rio de Janeiro. Vai formar novos guardas e
aprimorar os antigos.
Ocupará um terrenão de 1.700 metros quadrados em São Cristóvão — com direito
até a um centro de estudos multimídia.
O professor Arnaldo Mazza lança hoje “Mercador de sonhos”, na Casa de Cultura
da Estácio de Sá, às 19h.
Eliana Pittman faz show hoje no Teatro Sesi, às 18h30m.
Márcio Braga recebe hoje a Medalha Pedro Ernesto.
Wilson Simoninha recebe Sandra de Sá hoje no Ballrom.
O advogado Roberto Camargo está de volta ao Sindipetro.
Leny Andrade participa de show de José Maurício Machline, no CCC.
A Toesa ganhou medalha Ulysses Guimarães.
Hoje, no Sesc Copacabana, Artur Xexéo fala sobre “Cineclubismo”.
Trocar a Portela pela Gaviões da Fiel como representante do samba brasileiro
nesta caravana rolidei de Lula às Arábias é tão esquisito quanto mandar “dois
pastel” e “um chopes” do Rio para representar a gastronomia nacional lá fora.
Com todo o respeito.
FOLHA DE S. PAULO | PAINEL | 03/12/2003
Zona de perigo
Decidido a participar da reunião
do diretório nacional do PT, nos próximos dias 13 e 14, Lula foi aconselhado a
reconsiderar. Petistas próximos temem que a chamada ala radical, inflamada pela
expulsão de Heloísa Helena e outros, crie constrangimento para o presidente.
Com todas as letras
Cansado de esperar pela boa vontade do Palácio do Planalto, o PMDB decidiu
avisar ao presidente, logo depois de encerrada a viagem ao Oriente Médio, quais
são os dois ministérios de sua preferência e quem seriam os titulares ideais.
Mercado persa
Há pouca discórdia no PMDB da Câmara, bastante inclinado a indicar o cearense
Eunício Oliveira para as Comunicações. Já os senadores do partido querem a
pasta das Cidades, mas ainda não há consenso sobre o nome. O gaúcho Pedro Simon
tem subido na bolsa de apostas.
Sem saída
Agora com data marcada, o rompimento de Leonel Brizola com o governo Lula
obrigará Miro Teixeira a descer do muro. Na expectativa de permanecer na Esplanada,
o ministro das Comunicações deixará o PDT.
Em casa
Assessor de todas as horas de Ciro Gomes, Egídio Serpa mantém um programa de
entrevistas na TV estatal do Ceará. Normalmente voltada para temas
político-econômicos, a atração trouxe no domingo longo e amistoso bate-papo com
a atriz Patrícia Pillar, mulher do ministro.
Software
Com sérias dificuldades de caixa, a Polícia
Federal prioriza os investimentos em inteligência e equipamentos,
necessários ao andamento de operações como a Anaconda e a Gafanhoto. Neste ano,
o órgão já conseguiu cerca de R$ 150 milhões para essas ações estratégicas.
Namoro paulistano
Sem alarde, Luiza Erundina reuniu-se anteontem com tucanos e deputados do PPS e
do PV em um hotel da capital paulista. Discutiram uma agenda paralela à de
Marta Suplicy para comemorar os 450 anos de São Paulo e a realização de debates
sobre problemas do município.
Fenômeno sazonal
Está novamente em alta a articulação que, de tempos em tempos, busca colocar a
ex-prefeita Erundina (PSB) à frente de forças de centro-esquerda que procuram
opção viável para enfrentar Marta Suplicy em 2004.
Tudo combinado 1
O deputado federal Doutor Rosinha desistiu de sua pré-candidatura à Prefeitura
de Curitiba. Fora da disputa, será o coordenador da campanha do petista Ângelo
Vanhoni, líder do governo Requião na Assembléia.
Tudo combinado 2
O PMDB fechou acordo para apoiar a candidatura de Vicentinho (PT) à Prefeitura
de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. O partido também deverá se aliar ao
petista Hamilton Lacerda em São Caetano do Sul.
Pedido negado
O deputado estadual maranhense Camilo Figueiredo (PFL) entrou com ação no
Supremo Tribunal Federal para não falar à CPI da Exploração Sexual, que atribui
a ele o abuso de duas adolescentes. O pedido foi negado. O depoimento está
marcado para hoje.
Visita à Folha
Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo, visitou ontem a Folha, a
convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Roger
Ferreira, secretário-adjunto de Comunicação.
FOLHA DE S. PAULO | PAINEL S/A | 03/12/2003
Lula e a Fiesp
Na sexta-feira passada, Lula teve
uma longa conversa com Horacio Lafer Piva (Fiesp). A conversa se deu em três
etapas. A primeira, no Hotel Glória, no Rio, onde os dois conversaram durante
30 minutos. Continuaram discutindo a economia do país na sala VIP do aeroporto
e no avião presidencial, que deu uma carona a Piva até São Paulo.
Otimismo
O presidente da Fiesp saiu animado por entender que o Planalto está convencido
de que o investimento é a única forma de garantir o desenvolvimento sustentado
em 2005.
Vôo alto
Eduardo Sanovicz, da Embratur, viaja também para os países árabes para
conversar com a libanesa Middle East Airways e a Emirate, dos Emirados Árabes.
Tudo para criar vôos das duas companhias para o Brasil.
Trainees
A procura pelo programa de trainees do Grupo Gerdau superou as expectativas:
foram mais de 12 mil candidatos para 136 vagas em todo o Brasil. Pela primeira
vez, a seleção foi realizada em nível nacional.
Acordo
A Líbia receberá 10 mil veículos de passeio da Fiat. O contrato deverá ser
firmado entre Lula e Muammar Gaddafi.
Natal on-line
O Shoptime.com inaugurou em seu site uma seção de livros. A partir da próxima
semana, começa também a vender DVDs. A intenção é aumentar entre 80% e 100% as
vendas para o Natal.
Pesquisa
A maioria dos 2.000 profissionais já aprovados no exame de certificação
obrigatória da Anbid adotou o e-learning como forma de preparação, segundo pesquisa
da Treina E-Learning. As questões que mais assustam os candidatos são
gerenciamento de risco e regulamentação.
Make-up
A Câmara Ítalo-Brasileira de Indústria e Comércio realizará nos próximos dias
8, 9 e 10, em São Paulo, uma rodada de negócios com empresas italianas do setor
de cosméticos. O objetivo é ampliar o mercado entre os dois países. A indústria
do setor da Itália movimenta 7 bilhões por ano.
Nova conta
A Helios Carbex é a mais nova cliente da MPM Propaganda, de Bia Aydar. É a 14ª
conta da agência, que foi inaugurada há quatro meses.
Lançamento
O consultor Stephen Kanitz lança, na próxima quarta, o livro "Os 50
Melhores Artigos" (editora Campus). O evento acontecerá às 18h30, na
Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos.
Tudo azul
Aproveitando a vitória do Campeonato Brasileiro pelo Cruzeiro, a Seculus lança
relógios temáticos de olho nos torcedores do clube mineiro. A linha tem 40
modelos diferentes.
O ESTADO DE S. PAULO | DORA KRAMER | 03/12/2003
Ministério Público teme retrocesso
Centro dos casos mais rumorosos
de corrupção até bem pouco tempo, o Ministério Público cedeu esse lugar para a Polícia Federal, capitã de recentes prisões
atingindo gente de destaque nos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo.
É prefeito, governador, juiz, deputado, senador, não tem escapado ninguém das
ações da PF, cujo prestígio, não faz muito, andava tão abaixo da crítica que
não seria surpresa na corporação se o Legislativo apoiasse uma proposta para
simplesmente tirar da Constituição a definição das atribuições da Polícia Federal.
Hoje, quem teme perdas de funções é o Ministério Público Federal. Além de um
evidente desgaste perante a opinião pública - por procuradores mesmo atribuído
a exageros cometidos por um misto de vedetismo com messianismo que acomete
certas alas -, têm chegado ao MP informações sobre a acentuada perda de apoio
dentro do Congresso.
Aí teve influência não apenas o gosto de alguns procuradores pelo espetáculo,
mas a reação a trabalhos consistentes de investigação que resultaram em
denúncias contra parlamentares.
No Ministério Público Federal já se sabe, por exemplo, que políticos muito
influentes, tanto no Congresso quanto no governo, se manifestam francamente
favoráveis a tirar dos procuradores o poder de investigação.
Nesta hipótese, eles teriam de trabalhar apenas com os dados recebidos da Polícia Federal, que, então, ficaria com a
prerrogativa exclusiva de apurar informações para elaboração dos inquéritos.
O controle sobre inquéritos e investigações é tudo o que a PF quer, e, se
começar um debate legislativo na situação de hoje, dificilmente deixará de
conseguir.
Não se pode dizer que tenha havido uma troca de papéis. Primeiro, a PF ainda
está começando a sua recuperação de imagem e, em segundo lugar, os procuradores
jamais desceram ao patamar de descrédito atingido pelos policiais federais.
De qualquer forma, a avaliação de procuradores mais experientes e preocupados
com o próprio papel institucional é de que é preciso buscar um caminho para
evitar a transformação do debate numa guerra de poder simplificada.
Essa discussão entra na agenda nacional no ano que vem, junto com a reforma do
Judiciário. Por isso é que os procuradores já estão pensando em como se
fortalecer para não entrar no jogo em desvantagem.
Eles, na realidade, não têm grandes reivindicações a fazer, mas sabem que terão
muito trabalho para conseguir se manter na posse das atribuições de hoje. Ao
papel atual do Ministério Público apenas acrescentariam a chamada "ambição
corporativa" de poder eleger, em lista tríplice, o procurador-geral da
República.
Como, aliás, ocorre nos Estados. Dessa forma, os procuradores federais acham
que poderão manter-se afastados das ingerências políticas. De acordo com o balanço
de erros de acertos destes dez últimos anos de atividades, essas ligações
muitas vezes levaram o Ministério Público a exageros hoje lamentados, por
reconhecidamente desgastantes.
O atrelamento a esta ou àquela corrente fragiliza porque politiza a instituição.
E o risco resultante é o do retrocesso que os procuradores agora tanto temem.
Por isso, há entre eles um grupo de reflexão defendendo o desarmamento geral de
ânimos antes do início da tramitação da reforma do Judiciário no Congresso.
Entre outros motivos para que o emocionalismo não transforme instituições
circunstancialmente na berlinda - como a própria Justiça - em perdedoras, por
antecipação, de prerrogativas fundamentais para o andar da carruagem
democrática.
Dupla dinâmica Discussão boa e séria mesmo, na opinião de procuradores, hoje
abordaria os limites de atuação dos papéis não só do Ministério Público, mas
também da imprensa.
Junta, essa dupla pode produzir, e já produziu, atrocidades constitucionais com
aparência de bom combate em defesa da ética.
Mas, lembra um tarimbado procurador, o debate não desperta interesse amplo em
nenhuma das partes. De fato, trata-se de um tabu corporativo.
Duramente a favor O senador Artur Virgílio, citado como leal defensor da
política econômica de Fernando Henrique em artigo sobre as divergências tucanas
a respeito do tema, esclarece: "Sou a favor por convicção, não por
lealdade."
Segundo ele, o PSDB terá de administrar essa divergência, mas não poderá negar
a evidência: "O PT acertou em adotar a receita." Virgílio discorda,
no entanto da dose. "E nesse ponto sou duro com eles."
Oposicionista belicoso, o líder do PSDB surpreende quando declara, solene, sua
admiração por Antônio Palocci e Marcos Lisboa, secretário de Política
Econômica. "Eles teriam lugar certo no meu governo."
O ESTADO DE S. PAULO | JOELMIR BETING | 03/12/2003
Câmbio travado
"Nas projeções do mercado
financeiro, duas notícias sobre câmbio. Primeira: o dólar não sobe mais.
Segunda: o dólar não baixa mais."
Relatório "Focus", do Banco Central do Brasil
O regime de flutuação cambial no Brasil pisa com pés descalços sobre ovos de
tartaruga. O mercado é estreito, quase travado. Qualquer espirro na margem
desencadeia solavancos clamorosos por todo o sistema. Será que não daria para
lubrificar as roldanas da regulação e garantir maior liquidez ao mercado?
Eis a pauta do seminário sobre câmbio que a BM&F instala amanhã, em São
Paulo. Coordenado por Daniel Gleizer (ex-BC), o evento coloca na mesa-redonda
alguns dos maiores especialistas na transgênica matéria.
Começando por Henrique Meirelles, que está presidente do Banco Central.
Escalados para o debate os ex-BC Gustavo Franco, Gustavo Loyola, Sérgio
Werlang, Ilan Goldfajn, Demósthenes Madureira e Emílio Garófalo. Mais Octavio
de Barros, economista-chefe do Bradesco; Rodolfo Fischer, diretor-executivo do
Itaú; e Carlos Eduardo Monteiro, presidente da Nossa Caixa.
Tese em exame: a volatilidade excessiva, no momento em hibernação, tem a ver
com o formato do mercado cambial e não com o regime de flutuação. Este, de
resto, praticado por 8 países em cada 10. O que se pretende é dar
transparência, abrangência e eficiência ao processo de formação da taxa de
câmbio diária - ainda um disco voador para 99% dos brasileiros e,
provavelmente, um bicho de sete cifrões para 88% dos empresários.
A discussão de amanhã na BM&F deve começar pela proposta de maior
liberalização da conta de capitais. O cardápio inclui uma avaliação crítica de
normas, regras e condutas que hoje bitolam os diferentes segmentos do mercado.
Com sobras para ajustes jurídicos e operacionais nos sistemas de negociação e
liquidação.
Esse debate sobre câmbio, estritamente técnico, como convém ao melindroso
assunto, ocorre em pleno remanso de uma "banda de mercado" com
razoável grau de previsibilidade. O que significa o manejo diuturno de uma bola
de cristal chipada que descortina o micro e o macro, o Brasil e o mundo.
O sistema financeiro obriga-se, por dever de ofício, a operar com faróis de
neblina e com faróis de milha. Ele compra futuro, vende futuro, aluga futuro,
estoca futuro, transfere futuro, contrata futuro. O que é o juro se não o preço
do futuro? Preço da espera para o credor ou para o poupador, preço da
antecipação para o tomador.
Pois o sistema financeiro acaba de fechar novembro com projeção jurada forte
para o câmbio na ponta de 2003 e na ponta de 2004. Antevisão pinçada da
sondagem semanal dos principais indicadores macroeconômicos que o Banco Central
realiza junto a uma centena de bancos e consultorias financeiras.
Anote aí. O dólar fecha 2003 em R$ 3,00, redondão. E baterá em R$ 3,25 no final
de 2004. Com taxa média, neste ano, de R$ 3,08. Essa taxa média não passaria de
R$ 3,13, em 2004.
Secos & Molhados
Calmaria 1 - A variação da taxa média de R$ 3,08 para R$ 3,13 no ano que vem,
para um IPCA esperado de 5,5% pela meta do governo ou de 5,8% pela aposta do
mercado, significa que, em termos reais, haverá certa revalorização da moeda
nacional em 2004. Dizem que o real já estaria valendo 11% acima do que
realmente pesa.
Calmaria 2 - O severo ajuste das contas externas fecha o ano com superávit de
US$ 2,6 bilhões nas transações correntes. Aqui por dentro, dólar médio de R$
3,13 seria neutro para os juros e para os preços.
Calmaria 3 - O remanso cambial tem a ver igualmente com o declínio da inflação
(e dos juros), com o Ibovespa acima de 20.000, com o risco Brasil abaixo de
500, com o C-Bond perto de 100% do valor de face, com o ajuste fiscal
anoréxico, com a nova blindagem do FMI, com o crédito externo reaberto e
oferecido e com as 22 viagens ao Exterior do presidente Lula em apenas 12
meses. Vai para o Guinness.
VALOR ECONÔMICO | CRISTIANE LUCCHESI | 03/12/2003
Investidor
procura títulos da Petrobras
Risco-Brasil volta para
cima dos 500 pontos
A
oferta de US$ 500 milhões em títulos da Petrobras movimentou o mercado externo
ontem, derrubando o preço dos papéis da dívida externa brasileira. Investidores
que tinham títulos do governo federal saíram vendendo para comprar os títulos
da empresa e o risco-Brasil subiu 2,02%, para terminar o dia de volta acima dos
500 pontos básicos, em exatos 505 pontos básicos. Como os papéis da Petrobras
são os de prazo mais longo entre os emitidos por empresas, bancos e governo
brasileiro neste ano, o tipo de investidor que compra esses títulos coincide em
muitos casos com o investidor que compra a dívida do governo federal no mercado
secundário. Também contribuíram para a alta no risco-Brasil os rumores de que o
próprio Tesouro faria uma emissão no mercado primário ou troca de títulos da
dívida renegociada, os bradies, por papéis da dívida nova, aproveitando o
apetite externo por risco-Brasil neste final de ano. O C-bond, o título da
dívida externa brasileira mais negociado, foi um dos que teve seu preço
depreciado, em queda de 0,34% para 97,09% do valor de face.
Dada a força do fluxo externo de recursos ao país, por meio de captações
externas e de investimentos em Bolsa e juros, Alexandre Vasarhelyi, chefe da
mesa de câmbio do ING, acredita que o nível da cotação do dólar no final do ano
será em grande parte determinado pela atuação do Banco Central e do Tesouro,
por meio do Banco do Brasil. Com as captações já anunciadas, os vencimentos de
dívida externa recorde de US$ 2 bilhões de empresas e bancos em dezembro já
foram rolados integralmente. Em dezembro, há saída sazonal mais forte de lucros
e dividendos. "Mas hoje o grande comprador de dólares é o Tesouro
mesmo", diz Vasarhelyi. Há vencimentos de mais de US$ 4 bilhões em dívida
interna indexada ao câmbio que terão de ser rolados neste mês e, se o governo
optar pelo resgate integral, o dólar poderá subir com mais força. Para
Vasarhelyi, no entanto, "ninguém ficaria infeliz com o dólar a R$ 3 no
final do ano". Ontem, os rumores sobre as mudanças nas regras de exposição
cambial do BNDES, que, segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles,
afetariam todo o mercado, pressionaram levemente as cotações. O dólar subiu
0,23%, para terminar a R$ 2,933.
Os juros ficaram estáveis no mercado futuro, com os contratos de
"swap" (troca de taxas prefixadas por pós-fixadas) de vencimento em
180 dias terminando o dia a 15,95% ao ano, no mesmo nível de anteontem, e os de
vencimento em 360 dias a 16%, na comparação com os 15,95% ao ano de anteontem.
A Bolsa de Valores de São Paulo também manteve estabilidade, terminando o dia
em uma pequena queda de 0,30%, para 20.458 pontos. O total negociado chegou a
R$ 932 milhões.
Cristiane Perini Lucchesi é repórter de Finanças
E-mail: cristiane.lucchesi@valor.com.br
CORREIO BRAZILIENSE | BRASÍLIA - DF | 03/12/2003
Essa meta não!
Denise Rothenburg
denise.rothenburg@correioweb.com.br
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai para o Oriente Médio vender
o nosso peixe e tentar atrair investimentos para o Brasil, o Palácio do
Planalto orienta a todos os ministros que segurem as viagens nesse mês de
dezembro.
A ordem de recolher os flaps é para não chegar ao valor gasto do no último ano
do governo Fernando Henrique Cardoso — R$ 1.024.239.885,40 pagos em 2002. Em
termos de passagens e diárias, a turma de Lula não quer superar o antecessor. A
meta é marcar a diferença por ações positivas.
Ao que tudo indica, Lula vai conseguir. Até o dia 29 de novembro, o governo
consumiu R$ 732.835.957,98 com passagens e diárias nacionais e internacionais,
segundo dados do Sistema de Administração Financeira (Siafi), pesquisados pelo
deputado distrital Augusto Carvalho (PPS).
Bateu, levou
‘‘Vou disputar com Ronaldo Lessa a vice-presidência do PSB. Ele não queria
briga? Agora, agüente!’’, diz o deputado Beto Albuquerque (PSB RS) — foto. Ele
se referia à disposição de Lessa em concorrer à presidência da legenda contra o
patriarca Miguel Arraes (PE) no Congresso do partido marcado para domingo, em
Brasília. Lessa já mudou de idéia. Mas Albuquerque garante que, da parte dele,
não tem recuo.
Às ruas
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, promete
uma mobilização de diversas categorias na semana que vem para tentar forçar a
revisão da tabela do Imposto de Renda. ‘‘O governo passado só corrigiu 17%, mas
a defasagem continua em 54%. O passivo é grande’’, disse ele à coluna nos
corredores do 4º andar do Palácio do Planalto. ‘‘Nossa pressão é junto ao
Congresso. Aqui, a gente só vem visitar os amigos’’.
Votação já!
O deputado José Roberto Arruda (PFL-DF) fez um auê na Comissão Mista de
Orçamento. O motivo foi o projeto que destina R$ 540 milhões para o pagamento
de servidores da polícia, da saúde e da educação no Distrito Federal e que nem
estava na pauta. ‘‘Se o crédito não sair até sexta-feira, essas categorias
podem ficar sem o salário’’, diz o deputado.
Quem te viu...
O deputado federal Lindberg Farias (PT-RJ) deixou os colegas de cabelo em pé
ontem no plenário da Câmara. Depois de quase um ano batendo com vara de marmelo
no Poder Executivo, defendeu na tribuna com fervor o governo Lula e ainda
rebateu as críticas do presidente do PSDB, José Serra. Na presidência da
sessão, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), ex-ministro de FHC, ouviu tudo
calado como manda o regimento.
Reformas. O governo já bateu o martelo: a sindical em 2004 e a trabalhista em
2005. O PT suspirou aliviado. Assim, todo mundo disputa a eleição em paz, sem o
desgaste da flexibilização dos direitos.
Podium. O número de emendas apresentadas ao Orçamento de 2004 por Unidade
Orçamentária (UO) indica o Fundo Nacional de Saúde como o preferido dos
políticos. Foram 2.535 propostas que totalizam R$ 6,6 bilhões. O segundo é o
Ministério das Cidades com 953 e mais dinheiro: R$ 7,7 bilhões. Em terceiro,
está a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), com 727, R$ 3 bilhões.
Menção honrosa. Em termos de emendas, merecem destaque ainda o volume destinado
ao Fundo Nacional de Assistência Social, 693 pedidos (R$ 1,6 bilhão) e o
Ministério do Esporte em quinto lugar, com 555 (R$ 1,2 bilhão). Falta é
dinheiro para atender a todos.
Nasceu. O Ministério do Trabalho e Emprego tirou do papel os Consórcios Sociais
da Juventude. Braço do programa Primeiro Emprego, o projeto pretende arrumar
trabalho para 16 mil jovens que já passaram por sistemas penais, indígenas,
afrodescendentes e portadores de necessidades especiais. O consórcio social do
DF foi o primeiro, inaugurado sexta-feira. Virão outros em Belo Horizonte,
Goiânia, Fortaleza, Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e região do ABC
paulista.
Socialismo cristão. O procurador Luiz Francisco de Souza dá um tempo nas
investigações para lançar, hoje, às 19h, no Monumental (201 Sul), o livro
Socialismo:Utopia Cristã. Na obra, de 1200 páginas, Luiz Francisco examina as
fontes históricas do socialismo, destacando a influência do pensamento
religioso. O procurador já trabalha em outro livro. Falará da corrupção no
governo FHC. Promete uma bomba H. Até no PT há quem duvide.
Com Klecius Henrique
klecius.henrique@correioweb.com.br
JORNAL DE BRASÍLIA | CLÁUDIO HUMBERTO | 03/12/2003
“Querem matar o Celso Daniel duas vezes”
José
Genoíno, presidente do PT, que não quer nem ouvir falar na reinvestigação do
caso
‘Operação Tarrafa’ no Rio
O chamado “núcleo duro” do governo Lula foi avisado de uma operação, em curso
na Polícia Federal, que promete meter
na cadeia alguns peixes graúdos do Rio de Janeiro. A operação – sucessora da
“Anaconda” e do escândalo dos “gafanhotos” de Roraima – será deflagrada até o
final do ano, e levará ao xilindró figurões do submundo da corrupção carioca. O
Planalto considera o fato mais um “troféu” para a sua galeria.
PT na TV
Quem viu, garante: o programa de 20 minutos do PT, que vai ao ar amanhã em rede
nacional de TV, é o melhor que Duda Mendonça já fez até agora. “Arrepia”,
dizem. Seu mote: “a gente sente, o Brasil está diferente”.
Sinal amarelo
A pressão do ministro José Dirceu subiu a níveis preocupantes, esta semana, por
isso ele vai aproveitar a viagem de Lula para reduzir o ritmo. Mas mantém a
idéia de sair de férias na segunda quinzena deste mês.
A vida como ela é
Embaixador de importante país europeu flagrou a jovem mulher entrando na
Ferrari de um ricaço de Brasília, ontem, no estacionamento do shopping de lazer
“Píer 21”. Armou o maior barraco e prometeu “matar” o conquistador.
Banho de lágrimas
Lula se diz de “alma lavada” com a reforma da Previdência. Ezequiel Sousa, do
sindicato dos trabalhadores do Legislativo (Sindilegis), não perdoou: “ele toma
banho nas lágrimas dos aposentados e ainda comemora...”
Acordo PT-PSDB
Está em curso em Goiânia uma articulação que promete eliminar os últimos fios
de cabelo da calva do presidente tucano José Serra: o influente tesoureiro do
PT, Delúbio Soares, quer o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB),
indicando o vice da chapa encabeçada por um petista.
Pé-de-chinelo
Após recuar na briga com Bornhausen, ACM ganhou o apelido de Rubinho
Barrichello: pode permanecer na equipe, mas tem que respeitar o alemão.
Dieta forçada
A senadora Heloísa Helena (PT-AL) conseguiu rapidamente o que Lula tenta há
meses: perder peso. Ela já pesa quatro quilos menos. O remédio emagrecedor foi
amargo: a discussão da reforma da Previdência.
Um autógrafo de R$ 3 mil
Após assinar contratos de exploração de petróleo em dois blocos da bacia de
Santos, dia 25, a ministra Dilma Rousseff (Minas e Energia) foi presenteada
pelos americanos da Newfield Exploration Company com a caneta Mont Blanc, de R$
3 mil, usada na ocasião. Embora só possa aceitar presentes no valor de 100
reais, a ministra botou a caneta na bolsa.
Investimento na crise
Entra em operação dia 8, perto de Salvador, o maior moinho de trigo do Brasil e
o mais moderno do mundo, com investimentos de meio bilhão de reais (R$ 90
milhões do BNDES), incluindo fábrica de biscoitos e porto privado, do grupo
cearense do empresário Ivens Dias Branco.
Construção suspeita
Projeto de duas torres, de 18 andares cada, no Horto Florestal, tramita na
calada da noite na prefeitura de Salvador. O terreno é de um desmembramento
acusado de desrespeitar as leis ambientais. Pertence a OAS, aquela do amigo
sogro, que vai erguer um hipermercado no local.
Lista de Schindler
O deputado rebelde João Fontes (PT-SE) batizou de “lista de Shindler” ou de
“AI-13”, porque “cozinhado no Planalto, por José Dirceu”, o projeto a ser
votado hoje na comissão especial da reforma política, da Câmara, que institui a
“lista fechada” de candidatos. Para ele, um retrocesso político.
Viva os xiitas
Recomenda-se ao presidente Lula, em seu giro pelo conturbado Oriente Médio, que
evite ataques aos “xiitas” do PT. Pode ser mal entendido.
Justiça eleitoral
O TRE-MT cassou por unanimidade o mandato do deputado Rogério Silva (PPS), por
corrupção eleitoral. O desembargador Flávio Bertin, por sua vez, votou pela
extinção do processo contra o senador Antero Pares de Barros.
O frango e as espigas
Ao explicar na Câmara que o agronegócio tem que ser pensado como um todo, o
ministro Roberto Rodrigues (Agricultura) provocou risos dos deputados: “Quando
você olhar para um frango, tem que pensar que aquilo não é um frango, mas um
monte de espigas de milho que andam”.
Calhamaço
O procurador Luiz Francisco de Souza lança hoje, no restaurante Monumental, em
Brasília, seu livro “Socialismo – Uma utopia cristã”, um calhamaço de 1.200
páginas. Mas já arremata outro sobre um tema em que se especializou nos anos
FhC: o combate à corrupção.
O colecionador de fuzis
Sem dinheiro e pouco armamento, a Polícia Federal
do Rio tem dois fuzis a menos: recém-formado, um delegado saiu em férias
levando um AR 15 para resolver “o assalto ao tio”. É o segundo que não devolve.
Honraria para o feio
Passos Maia, de Guapé (MG), senador estadual na República Velha, carregava a
reputação de “o político mais feio” do seu tempo. Certa vez, ao atender um
desconhecido, mandou-o entrar e o presenteou com um estojo: - Ganhei esta jóia
no Senado, como prêmio por ter sido o homem mais feio que já passou por lá. Mas
vejo que quem merece o prêmio é o senhor. - Mas eu sou apenas um vendedor de
livros... - Não tem problema. O senhor leva a jóia e eu compro uma enciclopédia
a título de bonificação! – respondeu, extasiado.
|
MJ-CONCORRÊNCIA |
JORNAL DO BRASIL | ECONOMIA | 03/12/2003
Mudança de
rumo na Anatel
Ziller de Araújo,
secretário ligado a Miro, é indicado para conselho da agência
Edna Simão
BRASÍLIA - O governo deu ontem o primeiro passo para ter maior influência nas
decisões da Agência Nacional de Telecomunicações. O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva encaminhou ao Senado o nome de Pedro Jaime Ziller de Araújo para
exercer o cargo de conselheiro da agência reguladora, conforme antecipou o
jornalista Cezar Faccioli, no Informe Econômico. Mineiro e engenheiro, Ziller
trabalhou 22 anos na Telemig e é secretário de Telecomunicações do Ministério
das Comunicações.
A especulação no mercado é de que Ziller poderá ser indicado para a presidência
da Anatel, hoje comandada por Luiz Guilherme Schymura. Se isso ocorrer,
Schymura, presidente desde abril de 2002, voltaria a exercer apenas o cargo de
conselheiro. O ministro das Comunicações, Miro Teixeira, preferiu não falar
sobre o assunto:
- O presidente da República é que pode responder a isso. Os atos são do
presidente - afirmou.
Se tiver o nome aprovado em sabatina na Comissão de Infra-Estrutura e depois no
Plenário do Senado, Ziller, indicado por Miro, substituirá Luiz Tito Cerasoli,
que cumpriu seu mandato de cinco anos.
- Tenho certeza de que é um nome digno do respeito e da atenção dos senadores -
afirmou o ministro, ao comentar a indicação.
Miro informou que o presidente aprovou o nome de Ziller na segunda-feira. O
despacho com a indicação foi publicado ontem no Diário Oficial da União. A
Anatel, criada em novembro de 1997, começou a ganhar força em 1998, com a
privatização do Sistema Telebrás. O conselho diretor é constituído por cinco
integrantes, escolhidos pelo presidente da República e aprovados pelo Senado,
com mandato de cinco anos, com recondução vedada. Na primeira etapa, os
conselheiros terão períodos de mandato diferenciados (3, 4, 5, 6 e 7 anos) para
permitir a implantação da agência e a entrada em regime da substituição de um
conselheiro por ano. Os diretores só perdem os cargos em casos de renúncia,
condenação judicial transitada em julgado (irreversível, sem direito a recurso)
ou processo administrativo disciplinar. Há dúvidas de interpretação quanto à
indicação de Ziller também para a presidência da Anatel. A agência não se
posicionou sobre a questão.
JORNAL DO BRASIL | ECONOMIA | 03/12/2003
Embratel conclui a compra da Vésper
SÃO PAULO e BRASÍLIA - A Embratel
concluiu ontem a compra da operadora de telefonia fixa Vésper - espelho da
Telefônica em São Paulo e da Telemar em 16 Estados - com a assinatura dos
contratos. A carta de intenções do negócio tinha sido assinada em 11 de agosto.
Na época, divulgou-se que a Embratel adquiriria a empresa sem gastar um
centavo, apesar de a Vésper (controlada pelo grupo americano Qualcomm) ter
dívida de cerca de US$ 250 milhões. A Agência Nacional de Telecomunicações
aprovou a operação no dia 19 e hoje, às 10h, na sede da Vésper em São Paulo, o
presidente da Embratel, Jorge Rodriguez, anuncia oficialmente a conclusão do
negócio.
Enquanto isso, o desembargador Antonio Ezequiel da Silva, do Tribunal Regional
Federal da 1ª Região, indeferiu agravo de instrumento apresentado pela Anatel
pedindo a suspensão de decisão da 2ª Vara da Justiça Federal de Brasília que
definiu o IPCA como indexador das tarifas de telefonia fixa. Esse foi o último
de sete agravos recebidos pelo desembargador, que é relator do processo.
Além desse agravo devolvido, seis foram encaminhados por Antonio Ezequiel para
julgamento na 7ª Turma do TRF, onde serão apreciados por ele e mais dois
desembargadores. Ainda corre no TRF uma suspensão de segurança apresentada em
conjunto pelas operadoras, a ser julgada pela Corte Especial do Tribunal, que
conta com 18 integrantes. Todos esses julgamentos ainda não têm data
estabelecida.
A briga em torno do reajuste da telefonia teve início no fim de junho, quando a
Anatel ignorou apelo do presidente Lula e autorizou a alta pelo IGP-DI, como
previsto nos contratos. Diante disso, o ministro das Comunicações, Miro
Teixeira, estimulou o recurso à Justiça, o que levou a uma enxurrada de
liminares conflitantes, numa confusão só reduzida depois que o STJ apontou a
vara do Distrito Federal responsável pelo caso.
Com Agência Folha
JORNAL DO BRASIL | RIO | 03/12/2003
Ultimato a
operadoras
Estado dá prazo para
redução de sinal de celulares
As cinco operadoras de telefonia
celular do Estado terão que apresentar, até dia 17, os resultados de um estudo
a ser realizado na área do Complexo Penitenciário de Bangu, através da
diminuição gradativa do sinal naquela região. O pedido foi feito, ontem, pelo
secretário de administração penitenciária, Astério Pereira. O objetivo é
impedir, de modo eficiente, o uso de telefones celulares pelos presos.
- Existe um inquérito civil público instaurado com relação aos sinais de
telefonia celular naquela área de Bangu. A nossa intenção foi convocar todas as
operadoras, além da Anatel e do Ministério Público estadual, para dizer que,
diante da evolução da engenharia de telecomunicações, é possível que elas
excluam determinadas áreas do alcance dos sinais. Por motivos óbvios consideramos
Bangu uma área sensível, por isso, pedimos que eles utilizem esta tecnologia lá
- explicou Astério.
Caso as operadoras não apresentem resultados satisfatórios ou se neguem a
colaborar para a diminuição do alcance do sinal de telefonia celular nas
proximidades do complexo penal, a proposta do Estado é que o custo da
instalação de bloqueadores seja de responsabilidade das empresas.
Para o promotor de Justiça Marcelo Buhatem, essa decisão do Estado representa
um divisor de águas e poderá servir de exemplo para todo o país.
- Nosso objetivo e do Astério é transformar Bangu em uma área de segurança,
porque ela é de fato, não de direito. A criação dessa área, de aproximadamente
250 mil metros quadrados, vai poder restringir vários componentes: de
habitação, de uso e exploração do solo, de uso das antenas e da emissão de
sinais - explicou Buhatem.
Com relação à eficiência dos bloqueadores de celulares instalados em Bangu há
três meses, o secretário de Administração Penitenciária admitiu que ela não é
de 100%. Segundo Astério, a ação funcionou perfeitamente no primeiro dia mas,
com o aumento da incidência de sinais por parte das operadoras, essa eficiência
caiu consideravelmente, pondo em risco o bloqueio planejado pelo Estado.
- Os bandidos são espertos e criativos. Sempre arrumam um jeitinho - comentou o
secretário.
JORNAL DO BRASIL | ECONOMIA | 03/12/2003
Em campanha,
Bush adia fim de sobretaxa
Presidente visita região
de siderúrgicas
PITTSBURGH, EUA - Enquanto
Brasil, União Européia, Japão e outros países esperam sua decisão sobre o fim
das sobretaxas ao aço importado, o presidente dos Estados Unidos, George Bush,
visitou ontem uma das maiores regiões produtoras de aço do país. Bush participou
de evento para levantar fundos para sua campanha de reeleição no ano que vem e
ouviu apelos de dirigentes de siderúrgicas e seus funcionários para que
mantenha as tarifas extras de 8% a 30% que foram condenadas pela Organização
Mundial do Comércio.
Numa tentativa de adoçar a boca da população da região diante da provável
eliminação das sobretaxas por causa das ameaças de retaliações comerciais de
US$ 2,3 bilhões, Bush destacou que a economia dos EUA está se fortalecendo e
que seu governo ''estabeleceu as fundações para maior prosperidade e mais
empregos'' no país. O entorno de Pittsburgh, no Estado da Pensilvânia, foi o
berço da siderurgia americana e produz cerca de 11% do aço do país, além de
abrigar a maior siderúrgica dos EUA, a US Steel.
Do lado de fora do evento político, onde Bush arrecadou mais US$ 850 mil para
sua campanha, manifestantes pediam aos gritos para o presidente ''não ceder''.
Nos cartazes, ameaças como ''traia-nos agora, perca em 2004''. Nas eleições de
2000, o candidato democrata Al Gore bateu Bush por 207 mil votos no Estado.
Porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan reafirmou que Bush ainda não tomou
sua decisão sobre o assunto, repetindo que a questão ''continua sendo
estudada'' e que deverá ser solucionada ''no momento adequado''.
Pascal Lamy, comissário europeu de Comércio, porém, disse que a UE está ''muito
impaciente'' com a demora americana e lembrou ser importante para a
credibilidade da OMC que ''seus membros, especialmente os grandes, cumpram as
regras do sistema''.
Com agências Bloomberg e Reuters
JORNAL DO BRASIL | INFORME DF | 03/12/2003
Entrequadras
O Sindicato dos Postos de Combustíveis, acossado pelas denúncias de formação de cartel, inaugura hoje, às 19h, a sua sede própria, na EQN 104/105. Chico Vigilante não deve ter sido convidado.
JORNAL DO BRASIL | OPINIÃO | 03/12/2003
Olho no olho
Antonio
Sepulveda
Escritor
Muitos brasileiros, instruídos pelo que ouvem da poderosa mídia do governo,
talvez não estejam integralmente a par do andamento da agenda para o
estabelecimento de um acordo comercial entre todas as nações das Américas, com
exceção da proscrita Cuba. As conversações foram abruptamente interrompidas por
Estados Unidos e Brasil, porque os dois países chegaram à conclusão de que
havia muito pouco a discutir além de tênues bosquejos que mal permitem o
prosseguimento das negociações.
O representante de Washington, Robert B. Zoellick, e o de Brasília, Celso Amorim,
garantem que a reunião, apesar de tudo, foi um sucesso. Pelo menos num aspecto,
eles estão certos, isto é, conseguiram evitar a antecipação do colapso total da
Área de Livre Comércio nas Américas, conhecida como Alca. De resto, as reuniões
deixaram patente a extrema dificuldade de os negociadores norte-americanos
fazerem as concessões desejadas por Brasil e Argentina, em termos de tarifas
agrícolas e subsídios. A verdade nua e crua está em que a anuência dos Estados
Unidos às nossas reivindicações colocaria o presidente George Bush numa
situação embaraçosa em alguns Estados críticos para a sua sonhada reeleição.
Bush perderia votos na Flórida, dona de imensas indústrias de produtos
cítricos; na Geórgia, com a sua rica produção de carnes, e em outros Estados
localizados nas grandes planícies férteis que se estendem do extremo Norte até
o Texas. O estadista preocupa-se com esta e as futuras gerações; e o político,
apenas com a próxima eleição.
Antes mesmo de iniciarem a última conversa sobre Alca, americanos e brasileiros
resolveram, em comum acordo, retirar da pauta os temas referentes à
agricultura, assim como também foram removidos os tópicos sobre proteção à
propriedade intelectual e contratos governamentais. Esses assuntos, tão
relevantes quanto antagonísticos, foram propositalmente adiados para as
posteriores discussões sobre resolução de conflitos no foro da Organização
Mundial de Comércio. O resumo da ópera é que o documento elaborado pelos 34
chanceleres estabelece somente um único prazo: 30 de setembro de 2004, data
limite para a obtenção de melhores condições de acesso aos mercados de diversos
produtos... Nada poderia ser mais elusivo.
Ninguém duvida da enormidade do desafio que encerra a obtenção de um
entendimento capaz de atender aos interesses econômicos de todos os países do
hemisfério ocidental, tão acentuadamente díspares em desenvolvimento, pujança
agrícola e, sobretudo, capacitação tecnológica. Talvez, por isso mesmo, ao
perceberem que, dificilmente, o acordo da Alca chegará a bom termo em 2005, os
Estados Unidos já tenham anunciado a intenção de concretizar um tratado de
livre comércio com apenas seis nações latino-americanas: Bolívia, Colômbia,
República Dominicana, Equador, Panamá e Peru.
As agriculturas brasileira e norte-americana são as maiores do planeta. A
diferença está na contribuição da componente agrícola de cada país para o
respectivo Produto Interno Bruto. Enquanto quase metade do PIB do Brasil
depende das nossas safras, as norte-americanas contribuem com algo em torno de
míseros 3%. Diante do impasse e de tudo o que cada um tem a perder, cartas na
mesa, olho no olho, com visos do velho faroeste, nada nos resta além da
apreensão que envolve a expectativa de saber quem vai piscar primeiro no duelo
de armas tão desiguais.
Antonio Sepulveda escreve nesta página às quartas-feiras
O GLOBO | PANORAMA ECONÔMICO | 03/12/2003
Expresso Oriente
O presidente Lula desembarca hoje
na Síria, para onde exporta pouco mais de US$ 70 milhões, depois de suprimir do
roteiro a Arábia Saudita, que é o maior parceiro na região e para onde o Brasil
exporta mais de US$ 600 milhões. A viagem ao Oriente Médio tem ainda a Líbia,
outra de comércio raquítico com o Brasil. Do ponto de vista econômico, faz mais
sentido a ida ao Egito e aos Emirados. No Líbano, o Brasil tem outro tipo de
relação por causa do grande número de descendentes no país.
De janeiro a outubro, o Brasil exportou para a Arábia Saudita US$ 521 milhões
(veja gráfico). É um país com turbulências político-religiosas; mas, por lá,
quem não é? O país ausente no roteiro de Lula é o maior produtor de petróleo do
mundo, o que tem a mais bem montada estrutura de escoamento e a maior
capacidade de aumentar a produção em momentos de escassez.
Mas hoje o Brasil já nem precisa de petróleo, é quase auto-suficiente. Quer
investimentos e vender a sua variada lista de produtos exportáveis. Aliás, os
Emirados até já compraram petróleo bruto do Brasil para usar na construção de
estradas. Dos cerca de US$ 600 milhões de produtos brasileiros importados por
eles em 2002, US$ 300 milhões foram de petróleo. O produto brasileiro é mais
pesado, portanto mais apropriado para asfalto do que os leves e superleves do
Oriente Médio.
Paulo Sérgio Atallah, presidente da Câmara Árabe-Brasil, é o responsável, junto
com a Apex, pela montagem do que é o grande evento desta viagem: a Semana
Brasileira em Dubai, em que pelo menos 60 empresas vão expor seus produtos na
cidade que é considerada o centro financeiro e comercial da região:
— Estou impressionadíssimo com o crescimento dos Emirados. O Brasil tem que
aproveitar este boom. O maior comprador de aviões do mundo hoje é a Emirates.
Queremos abrir este mercado para a Embraer.
Ele conta coisas curiosas sobre o local. Veja estas: tem um milhão de
habitantes e recebe cinco milhões de turistas por ano. Ingleses estão indo lá
se casar, porque é mais barato do que dar uma festa na Inglaterra. Em Dubai, há
uma “Mídia City”, local mais apropriado para o funcionamento da imprensa por
ser mais seguro e mais bem estruturado.
Na feira brasileira em Dubai haverá até um stand do Hospital Sírio Libanês
mostrando que, se a idéia for se tratar com boa medicina, o Brasil é uma
excelente opção.
De julho de 2002 a junho de 2003, as exportações brasileiras para os Emirados
cresceram 37%; mais do que as para a Arábia Saudita, que foram 27% maiores.
Para o Egito, cresceram 11%.
O ministro Carlos Alfredo Lazari Teixeira, do Departamento de Promoção
Comercial do Itamaraty, acha que a viagem para o Oriente Médio fará com que o
Brasil dê seqüência a um esforço recente de vender mais para os árabes. Em
2001, para incentivar as exportações, já fora montado no Copacabana Palace um
Fórum Empresarial Brasil-Países Árabes.
— Há falta de conhecimento mútuo. Precisamos nos conhecer para que o mistério
desapareça. Estes países têm grande potencial de comprar produtos brasileiros e
de investir aqui. Com o Egito, temos um comércio já tradicional, mas até com a
Líbia há chances neste momento. Há um interesse do setor de construção civil
nos produtos de infra-estrutura do país, inclusive irrigação, casas populares.
Há também chances de vender carros. Agora que acabou o embargo, há empresas
estrangeiras chegando — diz o diplomata
O ministro Carlos Alfredo Lazari Teixeira diz que, também na Síria, há vários
projetos de reconstrução que interessam aos empreiteiros brasileiros:
— Estamos levando um vídeo que dá o estado das artes da indústria de construção
no Brasil.
Nos Emirados, as chances são muitas, confirma ele:
— É uma grande zona franca que abastece toda aquela região.
Com o Egito, há um pequeno problema. Eles andam meio bravos porque nós vendemos
muito e compramos pouco. Na base de importações em 10% do valor das
exportações. Os países de onde mais compramos não estão no roteiro: Argélia,
Arábia Saudita e Iraque.
Evidentemente, o Iraque tinha mesmo que estar fora de questão numa viagem
presidencial, mas, como os vendedores brasileiros são ágeis, nosso frango
continua entrando lá; agora, para alimentar os soldados americanos.
Os principais produtos que vendemos para os países árabes este ano foram
açúcar, frango, minério de ferro, carne bovina e petróleo bruto.
O Oriente Médio é um grande mercado, com o qual nosso comércio está crescendo
muito. É das regiões mais conturbadas, em que alguns dos países estão na mira
da maior potência do mundo — e nosso maior mercado —, os Estados Unidos, e o
roteiro pode não ser dos melhores. Mas a viagem pode sim render frutos até
porque o presidente está chegando com dezenas de empresários. Nem todos
confirmaram a presença em todos os países. Vai do máximo de 60, nos Emirados, a
um mínimo de 28, na Síria.
O GLOBO | ECONOMIA | 03/12/2003
Varig e TAM: alta de tarifas não tem relação com compartilhamento de vôo
Erica Ribeiro
As companhias aéreas Varig e TAM procuraram ontem justificar a alta das tarifas
aéreas que motivaram uma investigação, da Secretaria
de Direito Econômico (SDE), para apurar se o aumento foi provocado
pelo compartilhamento de aeronaves, firmado em março como parte do acordo de
fusão.
As companhias afirmaram ontem, por meio de suas assessorias de imprensa, que
não aumentaram preço dos bilhetes, mas reduziram o percentual de alguns
descontos promocionais nas passagens em função da chegada da alta temporada.
De acordo com um executivo ligado à Varig, a guerra de tarifas, iniciada em
2002, provocou uma avalanche de descontos, que acabou prejudicando ainda mais o
desempenho das empresas. A redução nos descontos de tarifas promocionais coloca
o nível de preços das empresas nos mesmos patamares de 2002.
Para o analista Marcelo Ribeiro, da Corretora Pentágono, a investigação do SDE
e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade) não tem cabimento.
— Não estou entendendo a posição do Cade e da SDE. Se, por um lado, questionam
o atual acordo de compartilhamento, que abrange 60% da malha das duas empresas,
por outro, dão a entender que se isso for uma condição para a fusão, tudo bem.
Mas a fusão é um compartilhamento de 100% da malha. Nesse caso, onde fica o
consumidor? — diz Ribeiro.
Outra fonte ligada às duas companhias diz que o governo deveria ter se
preocupado com o fato de a fusão criar uma companhia com 70% do mercado, o que
provocaria aumento brusco no preço dos bilhetes e afetaria em cheio o bolso do
consumidor.
O GLOBO | RIO | 03/12/2003
Reunião discute o bloqueio de celular em Bangu
O secretário de Administração
Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, deu um prazo de 15 dias para que se
estudem meios técnicos para acabar com problemas nas linhas de assinantes que
moram na região do complexo de Bangu, e que estão tendo seus telefones
indevidamente bloqueados. A solicitação foi feita aos técnicos das operadoras
de telefonia celular que atuam no Rio e das duas empresas responsáveis pela
exclusão do complexo penitenciário da área de cobertura do serviço. Se o
problema não for resolvido, o Ministério Público vai estudar medidas legais para
resolver o problema.
Em reunião ontem de manhã com representantes de quatro operadoras (Nextel, Tim,
Claro e Vivo), do Ministério Público e da Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel), Astério disse que a governadora Rosinha Matheus assinará decreto
transformando o entorno do complexo em área de segurança, o que possibilitará
tratamento diferente no que diz respeito à cobertura do serviço.
O GLOBO | RIO | 03/12/2003
Bebês sofrem reação alérgica a medicamento
Flávio Pessoa
Pelo menos três bebês recém-nascidos tiveram uma reação alérgica, com febre,
após receberem um medicamento parenteral (alimentação intravenosa), no último
domingo. O medicamento, da empresa Nutri Ente, foi ministrado na Casa de Saúde
São José aos bebês, causando a reação. A casa de saúde suspendeu a utilização
do medicamento e comunicou as suspeitas à Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa).
Empresa informa que já está investigando medicamento
Segundo a assessoria de imprensa da Casa de Saúde São José, o lote do
medicamento estava com alterações, o que teria provocado a reação alérgica nos
bebês. As crianças foram medicadas e passam bem.
A Nutri Ente, empresa fabricante do parenteral distribuído à casa de saúde,
emitiu uma nota ontem à tarde e, apesar de não confirmar alterações no lote,
revelou ter suspendido a distribuição do medicamento. A empresa contactou
médicos e clínicas que receberam o produto e orientou-os a evitar o uso do
nutriente parenteral.
A empresa também revelou já ter comunicado o caso à Anvisa e que já está
investigando as possíveis causas dos problemas no lote distribuído.
De acordo com a nota, assinada pela direção da empresa, o que pode ter ocorrido
é um problema de não conformidade com as especificações do alimento
intravenoso, o que obrigou a Nutri Ente a recolher amostras para serem
analisadas.
O GLOBO | ECONOMIA | 03/12/2003
Presidência da Agência Nacional de Saúde provoca disputa interna no PT
Evandro Éboli
BRASÍLIA. O comando da poderosa Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
virou um novo capítulo de disputa interna no Partido dos Trabalhadores (PT). O
mandato do atual presidente da agência, Januário Montone, acaba no fim de dezembro.
No páreo, estão o cardiologista Leôncio Feitosa, atual diretor de
Desenvolvimento Setorial da agência, e o médico Fausto Pereira dos Santos,
indicado para a diretoria de Normas e Habilitação de Produtos e que ainda será
sabatinado pelo Senado.
A ANS é responsável pela regulamentação do setor de planos de saúde, segmento
que envolve 37 milhões de usuários, 2.304 operadoras, e movimentou, em 2003, R$
23 bilhões. O relatório final da comissão parlamentar de inquérito (CPI) que
investigou os planos constatou que a agência não consegue receber das
operadoras os recursos que devem ser ressarcidos ao Sistema Único de Saúde
(SUS). De cada um milhão de internações feitas por mês nos hospitais públicos e
conveniados ao SUS, 12 mil são de pacientes beneficiários dos planos privados
de saúde. Dos R$ 225 milhões que as operadoras devem, só R$ 45 milhões foram
pagos.
‘Uma disputa política normal e salutar’
A disputa pela presidência da agência está rachando o PT. Feitosa já foi médico
particular do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e secretário de Saúde do Rio
na gestão de Benedita da Silva (2002). É ligado à tendência Articulação. Fausto
dos Santos é diretor de Regulação, Avaliação e Controle do Ministério da Saúde.
E é ligado à corrente Democracia Socialista (DS).
Feitosa chegou a ser cotado para ser o ministro da Saúde de Lula, mas acabou
indicado pelo presidente para a direção da ANS. O cardiologista afirma ter o
apoio de Lula.
— Há um compromisso tácito do governo. Estou há seis meses na agência, conhecendo
como funciona a gestão interna. Mas ainda não fui chamado a Brasília para
tratar do assunto — disse Feitosa.
Mas a preferência do ministro da Saúde, Humberto Costa, é por Fausto Santos. Em
reuniões e encontros fechados, Costa tem defendido o nome de Santos, que também
tem o apoio de algumas operadoras de planos de saúde.
— É uma disputa política normal e salutar, como as que acontecem dentro do PT —
disse Feitosa.
Santos é especialista em administração em saúde e já ocupou secretarias de Saúde
em prefeituras petistas de Minas Gerais, como Ipatinga e Belo Horizonte. É
especialista, ainda, em planos de saúde e foi consultor do ministério nessa
área. Santos é o atual coordenador-geral do Fórum Nacional de Saúde
Suplementar.
A gestão da ANS é exercida por um colegiado de cinco diretores. Da antiga
diretoria da agência, foi reconduzida apenas a diretora de Fiscalização, Maria
Stella Gregori, filha de José Gregori, ministro da Justiça no governo Fernando
Henrique Cardoso. Até o fim deste ano, vão deixar a direção da agência Montone,
que acumula a presidência com a diretoria de Gestão, e João Luís Barroca,
diretor de Normas e Habilitação. Em 2004, encerra-se o mandato da diretora de
Normas e Habilitação, Solange Palheiros Mendes.
FOLHA DE S. PAULO | DINHEIRO | 03/12/2003
Empresa anuncia a compra da 2ª maior cervejaria equatoriana
DA
REPORTAGEM LOCAL
A AmBev, empresa dona das marcas Skol, Brahma e Antarctica, anunciou ontem a
compra do controle da Cerveceria SurAmericana, a segunda maior cervejaria do
Equador.
Segundo comunicado da empresa, foram adquiridos 80% do capital total da
cervejaria por US$ 36 milhões.
O valor "inclui injeção de capital para reestruturação da dívida da
companhia", assim como a "assunção de dívida" , segundo informe
da AmBev. O preço foi determinado com base na avaliação da SurAmericana em
cerca de US$ 45 milhões, compostos exclusivamente por dívidas.
Portanto, basicamente, a transação envolveu injeção de capital na companhia equatoriana
para a reestruturação de dívidas, além da transferência de débitos para a
AmBev.
Com o negócio, a empresa brasileira passou a ser dona de uma participação de
mercado (de cervejas) no Equador de 6%, que pertencia à SurAmericana.
Segundo dados da AmBev, a empresa equatoriana possui uma fábrica com capacidade
de produção anual de 0,9 milhão de hectolitros localizada na região industrial
de Guayaquil, o maior mercado do pais.
Com isso, a capacidade da fábrica adquirida é suficiente para abastecer cerca
de 30% do mercado equatoriano de cerveja -que em 2002 ficou em torno de 3
milhões de hectolitros.
A Cerveceria SurAmericana tem a Biela como marca (Biela Lager, Biela Light,
Biela Reserva Especial e Biela Extra).
Segundo informa a companhia, a operação tem como meta a expansão na América
Latina. Desde a fusão entre Brahma e Antarctica, há cerca de quatro anos, a
AmBev comprou fabricantes de bebidas ou iniciou a produção no Uruguai, Peru,
Argentina etc.
O ESTADO DE S. PAULO | SONIA RACY | 03/12/2003
Sangramento das Agências
Ontem o presidente Lula indicou
mais um nome para ocupar vaga aberta em uma agência reguladora. O atual
secretário de telecomunicações do Ministério das Comunicações, Pedro Jaime
Ziller, foi sugerido oficialmente para a vaga de conselheiro da Anatel, aberta
pelo fim do mandato de Luiz Tito Cerasoli. Em passado recente, o presidente
Lula indicou o ex-deputado Haroldo Lima (PC do B-BA) para um dos quatro cargos
de diretor-técnico da ANP, no lugar de Julio Colombi Neto. Outra vaga será
aberta em janeiro, pelo fim do mandato de Luiz Horta. E, na ANTT, há vaga
aberta pela saída do braço direito de José Alexandre, Luiz Afonso Senna.
Francisco de Oliveira Filho, apadrinhado de Helio Costa, do PMDB, já foi
aprovado para ocupar uma das diretorias da mesma agência, no lugar de Reinaldo
Alves Costa Neto. A CVM está com Marcelo Trindade atuando na sua diretoria há
um ano e meio, sem que ele tenha sido nomeado. E há também um diretor, Luiz
Antônio Campos, sem mandato. Como esses, existem inúmeros outros casos no
segundo e no terceiro escalão das agências reguladoras e autarquias, bem como
em estatais. E, apesar de silenciosas, podem fazer um grande estrago
administrativo na conturbada gestão do governo federal. Uma bem informada
fonte, que acompanha, de perto, esse entra-e-sai, confirma a debandada
preocupante de funcionários "técnicos", aqueles que realmente
carregam o piano do Executivo.
Enquanto isso, o marco regulatório e os projetos de lei das agências
reguladoras andam em compasso de espera. O coordenador da Frente Parlamentar
das agências reguladoras, deputado Ricardo Barros (PP), está prometendo o
encaminhamento das propostas até dia 15. Consultada, fonte do governo acredita
que isso é possível, mas não é certo. "Pode ser que esse encaminhamento
fique para o ano que vem", pondera, tamanha a dificuldade de se conseguir
um consenso nas propostas. Especialistas do setor privado fizeram e ainda fazem
duras críticas em relação às propostas de reestruturação das agências. Um dos
itens mais polêmicos é o que transfere para os ministérios a responsabilidade
da outorga das concessões públicas.
Outro se concentra na definição de mecanismos mais rígidos de controle da
atuação das agências pelo governo, visto como uma tentativa de enfraquecer as
agências. "O texto tem coisas novas e boas só que as boas não são novas e
as novas não são boas", analisou recentemente o ex-Anatel Renato
Guerreiro.
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 03/12/2003
China competirá com frango brasileiro
FABÍOLA SALVADOR
BRASÍLIA - As empresas brasileiras disputarão principalmente com a China a cota
de 68,1 mil toneladas fixada pelo governo da Rússia para a importação de carne
de frango em 2004. A disputa será financeira. "Os importadores russos
decidirão de quem importar. Eles comprarão do país que oferecer frango pelo
menor preço", disse uma fonte da representação comercial da embaixada
russa em Brasília.
Ato do governo russo, de 29 de novembro, informa que "outros países"
terão o direito de vender 68,1 mil toneladas de carne de frango para a Rússia
em 2004. O Brasil está nesse bolo. Os russos passaram a adotar o sistema de
cotas para a importação de carnes em 2003. Para o período de maio a dezembro
deste ano, a cota brasileira foi fixada em 55 mil toneladas.
Ciente de que o sistema de cotas prejudicaria as vendas brasileiras - em 2002,
o Brasil vendeu 195 mil toneladas de frango para a Rússia -, uma missão do
governo brasileiro esteve em Moscou em maio. O grupo, liderado pelo ministro do
Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, pediu, sem sucesso, uma cota maior.
A fonte da embaixada disse que a cota total para importação de carne de frango
será rateada entre cerca de cem empresas importadoras russas. "A
distribuição será feita com base no histórico de compra dos últimos anos",
completou. No total para 2004, a Rússia fixou cota de importação de 1,05 milhão
de toneladas de frango
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 03/12/2003
Supachai
confia na reunião da OMC no Brasil
Diretor da entidade acha
que encontro renovará debate sobre o livre comércio
JAMIL CHADE
Correspondente
GENEBRA - A reunião entre o G-20 (grupo de países emergentes, entre eles o
Brasil) e a União Européia (UE), no próximo dia 12, em Brasília, pode se tornar
o ponto de partida para a retomada das negociações da Organização Mundial do
Comércio (OMC), interrompidas em Cancún, em setembro, depois de um impasse
entre os mais de 140 países que formam a entidade. A avaliação é do
diretor-geral da OMC, Supachai Panitchpakdi, que também irá a Brasília para dar
apoio à iniciativa do Itamaraty de reunir os ministros desses países.
"Essa reunião de Brasília vai contribuir para o recomeço das
negociações", afirmou o diretor, para quem a presença tanto do G-20 quanto
da UE no Brasil será um sinal de que os países estão dispostos a dialogar. Em
Genebra, porém, delegados da OMC lamentam que os Estados Unidos não estarão
presentes à reunião.
Desde setembro, poucos movimentos foram feitos por parte dos governos para que
os debates fossem reinstaurados em Genebra e há o sério risco de que mais um
prazo estabelecido pela OMC seja perdido. Os países teriam até o dia 15 de
dezembro para chegarem a um acordo sobre como vão prosseguir com as
negociações, o que até agora não conseguiu ser feito.
Uma das idéias de Supachai é, portanto, de que a reunião de Brasília sirva para
que os ministros voltem a debater os textos que estão sobre a mesa de
negociação. O G-20 reapresentará suas propostas e a UE certamente voltará a
falar em sua sugestão de liberalização, bem mais limitada do que querem os
países exportadores de bens agrícolas.
Supachai pretende levar ao encontro o último texto produzido em Cancún e que,
para alguns, poderia ser uma base para o debate. "Vamos ver como podemos
fundir as propostas", afirmou, dando claros sinais de que todas as partes
terão de mostrar algum tipo de flexibilidade e que os resultados de Brasília
serão levados para Genebra.
"Fundamentalista" - Não é apenas na OMC que se espera flexibilidade
do G-20 e do Brasil. A Suíça, um dos países mais protecionistas do mundo,
também sugere que o Itamaraty reveja sua posição nas negociações, embora
reconheça que os argumentos brasileiros pedindo a liberalização agrícola sejam
legítimos.
O presidente suíço, Pascal Couchepin, afirmou que durante a reunião de Doha,
que lançou a Rodada da OMC, o Brasil e outros países exportadores de bens
agrícolas adotaram uma posição "quase fundamentalista" no que se
refere à liberalização.
"Isso é impraticável politicamente. Não podemos capitular sem condição,
como vocês (brasileiros) pedem. Se alguém disser que isso é negociar, nunca
teremos um acordo", afirmou o presidente suíço. Sobre a posição adotada
pelo Brasil durante a Conferência da OMC em Cancún, ele disse ter ficado
"chocado".
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 03/12/2003
OMC: otimismo
com reunião do G-20 no Brasil
Diretor da entidade acha
que encontro renovará debate sobre o livre comércio
JAMIL CHADE
Correspondente
GENEBRA - A reunião entre o G-20 (grupo de países emergentes, entre eles o
Brasil) e a União Européia (UE), no próximo dia 12, em Brasília, pode se tornar
o ponto de partida para a retomada das negociações da Organização Mundial do
Comércio (OMC), interrompidas em Cancún, em setembro, depois de um impasse
entre os mais de 140 países que formam a entidade. A avaliação é do
diretor-geral da OMC, Supachai Panitchpakdi, que também irá a Brasília para dar
apoio à iniciativa do Itamaraty de reunir os ministros desses países.
"Essa reunião de Brasília vai contribuir para o recomeço das
negociações", afirmou o diretor, para quem a presença tanto do G-20 quanto
da UE no Brasil será um sinal de que os países estão dispostos a dialogar. Em
Genebra, porém, delegados da OMC lamentam que os Estados Unidos não estarão
presentes à reunião.
Desde setembro, poucos movimentos foram feitos por parte dos governos para que
os debates fossem reinstaurados em Genebra e há o sério risco de que mais um
prazo estabelecido pela OMC seja perdido. Os países teriam até o dia 15 de
dezembro para chegarem a um acordo sobre como vão prosseguir com as
negociações, o que até agora não conseguiu ser feito.
Uma das idéias de Supachai é, portanto, de que a reunião de Brasília sirva para
que os ministros voltem a debater os textos que estão sobre a mesa de
negociação. O G-20 reapresentará suas propostas e a UE certamente voltará a
falar em sua sugestão de liberalização, bem mais limitada do que querem os
países exportadores de bens agrícolas.
Supachai pretende levar ao encontro o último texto produzido em Cancún e que,
para alguns, poderia ser uma base para o debate. "Vamos ver como podemos
fundir as propostas", afirmou, dando claros sinais de que todas as partes
terão de mostrar algum tipo de flexibilidade e que os resultados de Brasília
serão levados para Genebra.
"Fundamentalista" - Não é apenas na OMC que se espera flexibilidade
do G-20 e do Brasil. A Suíça, um dos países mais protecionistas do mundo,
também sugere que o Itamaraty reveja sua posição nas negociações, embora
reconheça que os argumentos brasileiros pedindo a liberalização agrícola sejam
legítimos.
O presidente suíço, Pascal Couchepin, afirmou que durante a reunião de Doha,
que lançou a Rodada da OMC, o Brasil e outros países exportadores de bens
agrícolas adotaram uma posição "quase fundamentalista" no que se
refere à liberalização.
"Isso é impraticável politicamente. Não podemos capitular sem condição,
como vocês (brasileiros) pedem. Se alguém disser que isso é negociar, nunca
teremos um acordo", afirmou o presidente suíço. Sobre a posição adotada
pelo Brasil durante a Conferência da OMC em Cancún, ele disse ter ficado
"chocado".
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 03/12/2003
Secretário do
ministério é indicado para Anatel
Nomeação de Pedro Jaime
Ziller para a agência deve reduzir atritos com o governo
GERUSA MARQUES
BRASÍLIA - Depois de quase um ano de atrito entre o governo e a Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
indicou ontem seu primeiro conselheiro para o órgão regulador. O escolhido foi
o atual secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Pedro
Jaime Ziller de Araújo. Ele ocupará a vaga deixada, no início de novembro, por
Luiz Tito Cerasoli. O conselho da Anatel tem cinco integrantes. As operadoras
esperam que a primeira indicação de Lula melhore a relação entre o governo e a
Anatel.
O ministro das Comunicações, Miro Teixeira, disse que Ziller é
"reconhecidamente um grande profissional". "Tenho certeza de que
é um nome digno do respeito e da atenção dos senadores", afirmou Miro.
O espaço de Ziller cresceu com o desenrolar das brigas entre o ministro e as
operadoras. Após o caso do reajuste de tarifas - em que o ministro chegou a
incentivar os consumidores a entrarem na Justiça contra o aumento aprovado pela
Anatel -, o secretário passou a ser o principal interlocutor das empresas no
ministério. "Ele tem um bom conhecimento do setor e é aberto ao
diálogo", afirmou um executivo.
Para assumir o cargo, Ziller terá de ser aprovado pela Comissão de
Infra-Estrutura e pelo plenário do Senado. "O primeiro momento é de fazer
com que o nome dele seja aprovado", disse o ministro, que não quis
comentar se o governo estuda a possibilidade de Ziller ocupar a presidência da
agência, no lugar de Luiz Guilherme Schymura. "O presidente da República é
quem pode responder. Os atos são do presidente", esquivou-se o ministro. A
decisão sobre o nome de Ziller, segundo Miro, foi tomada na noite de
segunda-feira pelo presidente Lula.
Entre as operadoras, existem dúvidas se seria uma boa solução Ziller assumir a
presidência da agência neste momento, por falta de experiência como regulador.
Outra alternativa do governo seria o vice-presidente da agência, Antônio Carlos
Valente, que tem bom diálogo com os deputados Jorge Bittar e Walter Pinheiro,
do PT.
Se tiver seu nome confirmado, Ziller acompanhará na Anatel a renovação dos
contratos das concessionárias de telefonia fixa, que vencem em 2005, e a
definição do novo programa do Fundo de Universalização dos Serviços de
Telecomunicações (Fust) para levar internet rápida a escolas públicas e outras
instituições. A proposta foi elaborada em conjunto pela Anatel e pelo
Ministério, representado por Ziller.
A indicação de seu nome para a Anatel foi defendida desde o início por Miro e
passou a ter o apoio também dos sindicalistas, que haviam sugerido
anteriormente o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações
(Sinttel) do Distrito Federal, Brígido Ramos. Ziller atuou no movimento
sindical em Minas Gerais, onde foi diretor do Sinttel e da Federação
Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel). O secretário é
engenheiro eletricista e passou por vários cargos na Telemig, antes da
privatização do Sistema Eletrobrás.
Na visão de empresários do setor, a indicação de Ziller pode abrir espaço para
uma possível saída de Miro com a reforma ministerial. A principal base de apoio
ministro são os sindicatos e a ida de Ziller para a Anatel compensaria a perda
da pasta. (Colaborou Renato Cruz)
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 03/12/2003
AmBev vai às
compras e chega ao Equador
Empresa brasileira já
investiu US$ 676 milhões em aquisições na América Latina
CARLOS FRANCO
A AmBev, maior empresa de bebidas do País, com receita líquida de R$ 7 bilhões
no ano passado, anunciou ontem a aquisição da Cerveceria SurAmericana, em
Guayaquil, no Equador. O acordo foi fechado pela companhia brasileira com a
Corporação Andina de Fomento (CAF) e prevê a responsabilidade da AmBev pela
quitação de compromissos de pagamento da SurAmericana, estimados em
aproximadamente US$ 36 milhões.
A Cerveceria Suramericana é a segunda maior do Equador e foi adquirida menos de
dois meses depois que a AmBev anunciou a compra da Embotelladora Rivera, no
Peru, e que incluiu a franquia da PepsiCo no norte do Peru e em Lima, além das
duas fábricas da Rivera, com capacidade estimada em 6,3 milhões de
hectolitros/ano. A empresa comprou ainda, no mês passado, a rede de
distribuição da PepsiCo. naquele país. Este ano, a AmBev também desembarcou na
Guatemala, onde a cerveja Brahma, por questão de idioma local, ganhou o nome de
Brava. Agora, na região da América do Sul, a AmBev só não está presente nas
Guianas, Colômbia e Suriname.
Como a expansão internacional é uma das metas da empresa, a AmBev realizou
mudanças no seu cronograma e o executivo Juan Vergara é, agora, o presidente
Internacional da empresa. Para Vergara, esse é um "desafio que exigirá
muito trabalho". Sua meta é se consolidar nos mercados onde a AmBev está
presente e prospectar novas oportunidades. "A prioridade é a América do
Sul, mas estamos avançando para a América Central a partir da Guatemala."
A própria equatoriana SurAmericana, com 400 funcionários e uma fatia de 6% do
mercado nacional, que movimentou US$ 140 milhões em 2002, será um desafio para
Vergara. Com as marcas Biela Larger, Biela Light, Biela Extra e Biela Reserva
Especial, a empresa possui uma das mais modernas fábricas da América Latina,
com capacidade de produção de 90 milhões de litros, mas enfrenta uma
concorrente de peso: a Cerveceria Nacional, controladora pelo grupo colombiano
Bavaria. "A nossa intenção será a de reforçar a marca Biela antes de
pensar em levar marcas como a Brahma para o Equador. Para isso, deveremos
investir em marketing e distribuição."
Vergara calcula que, no ano passado, o mercado de cerveja vendeu 300 milhões de
litros no Equador, alcançando um consumo per capita de 23 litros/ ano. Na
Venezuela, este índice é de 79 litros/ ano e no Brasil, 49, o que mostra, na
sua avaliação, a oportunidade que o mercado equatoriano apresenta.
De sua criação até hoje, a AmBev, segundo Vergara, já investiu US$ 676 milhões
no seu projeto de internacionalização, valor que não inclui a troca de ativos
entre a AmBev e a Quinsa, que fizeram parte do negócio com o qual a empresa brasileira
passou a deter 48% da Quilmes. Por meio da Quilmes, a Companhia está presente
também na Argentina, Uruguai, Paraguai, além de atingir o mercado chileno.
Em setembro, a AmBev inaugurou na Guatemala a Cerveceria Rio, construída em
parceria com a CabCorp, engarrafadora da Pepsi na região. Antes disso, em
fevereiro, havia anunciado a construção de uma cervejaria em Lima, no Peru.
Paralelamente à sua expansão na América do Sul, a AmBev prossegue as investidas
na Europa e Estados Unidos com o guaraná Antarctica, segmento em que enfrenta a
concorrente mundial Coca-Cola e seu Kuat, que também já é exportado para os
Estados Unidos. Se depender da sede de Vergara, a disputa promete ser ainda
mais acirrada, só, que desta vez, mais concentrada no segmento de cerveja.
Segmento do qual a Coca-Cola saiu fora ao vender sua participação na Kaiser,
conjuntamente com seus revendedores, para a canadense Molson.
O ESTADO DE S. PAULO | ECONOMIA | 03/12/2003
Embratel acerta a aquisição da Vésper
RIO - A Embratel Participações concluiu a compra da Vésper São Paulo e da Vésper S.A., empresas espelho do serviço de telefonia fixa local em 17 Estados, com licenças para cobrirem 76% da população brasileira. Em nota oficial, a empresa disse que "além de proporcionar uma escolha de serviços locais para clientes corporativos, essa aquisição vai fortalecer e expandir a estratégia da Embratel para proporcionar linha discada e serviço de banda larga para residências e pequenas empresas" . A Embratel adquiriu o controle das ações da Vésper de companhias controladas pela Qualcomm Incorporated. A Vésper também vendeu 622 torres de comunicação para uma afiliada da Qualcomm, mas acertou o uso dessas torres por um período de 10 anos, renovável por mais 10. (Dow Jones Newswires)
GAZETA MERCANTIL | LEGISLAÇÃO | 03/12/2003
Tribunal nega mais um recurso à Anatel
Brasília, 3 de Dezembro de 2003 -
O desembargador Antônio Ezequiel da Silva, do Tribunal Regional Federal (TRF)
da Primeira Região, negou ontem o recurso da Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel) no caso das tarifas telefônicas. O Agravo de
Instrumento da reguladora pedia a cassação da liminar, em vigor atualmente, que
impede o uso do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) para
o reajuste das tarifas de telefonia fixa e institui o Índice de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA) para o setor.
Este é o último recurso que estava no aguardo de deliberação do Tribunal. Antes
do pedido de reanálise da Anatel, todas as operadoras de telefonia fixa já
haviam entrado com agravo contra a liminar e tiveram seus recursos negados pelo
mesmo desembargador. Telemar, Telefônica, Brasil Telecom, Embratel, CTBC
Telecom e Sercomtel também solicitaram uma Suspensão de Segurança, negada pela
vice-presidência do TRF, e que foi remetida à Corte Especial para análise. Os
seis agravos das empresas e o da reguladora serão encaminhados à Sétima Turma
do TRF.
Em novembro o Tribunal Regional Federal (TRF) da Primeira Região (DF) havia
negado outro recurso no caso das tarifas.
(Gazeta Mercantil/Caderno A7)(Mariana Mazza/InvestNews)
GAZETA MERCANTIL | TELECOMUNICAÇÕES E INFORMÁTICA | 03/12/2003
Embratel anuncia hoje a compra da espelho Vésper
São Paulo, 3 de Dezembro de 2003
- O presidente da Embratel, Jorge Rodriguez, anuncia hoje em São Paulo que a
Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou a compra da Vésper. A
negociação já era esperada. Há alguns meses a Qualcomm, controladora da
empresa-espelho, manifestou sua intenção de negociar a Vésper em decorrência de
a Anatel não ter autorizado a utilização da infra-estrutura em CDMA para uma
operação celular de Serviço Móvel Pessoal (SMP). A Vésper havia participado do
leilão das sobras e adquirido várias concessões de telefonia móvel.Sem a
alternativa celular, a operadora-espelho não enxergou perspectivas de futuro,
uma vez que a concorrência com as concessionárias fixas Telefônica, em São
Paulo, e Telemar, no Rio e em mais 15 estados, não decolou.
A negociação dará à Embratel a capilaridade de que ela necessita para chegar à
residência do cliente. Coincidentemente, ela também foi colocada à venda.
Recentemente a controladora MCI/WorldCom informou aos mercados dos EUA e do
Brasil que a subsidiária brasileira não fazia parte de suas prioridades.
(Gazeta Mercantil/Caderno A14)(Thaís Costa)
GAZETA MERCANTIL | GAZETA DO BRASIL | 03/12/2003
Especialistas enxergam ponto de negociação na OMC
Goiânia, 3 de Dezembro de 2003 -
Prorrogação da cláusula de paz pode ser usada pelos países do G-X para forçar
maior abertura de mercado. Se os Estados Unidos e a União Européia têm tanto
interesse em prorrogar a chamada "cláusula de paz" no âmbito da
Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil e o grupo de países em
desenvolvimento que formam o G-X deveriam aproveitar a oportunidade para
arrancar compromissos de maior abertura dos mercados norte-americano e europeu
a produtos agrícolas.
O uso do fim da "cláusula de paz" como instrumento de barganha foi
defendido abertamente, ontem, em Goiânia, pelo presidente do conselho de
administração da Dixie Toga e vice-presidente do conselho da Câmara Americana
de Comércio (AmCham), Sérgio Haberfeld.
Aquela cláusula foi instituída para acomodar interesses dos países
industrializados e impedir a contestação dos subsídios concedidos por aqueles
países a produtos agropecuários. O mecanismo extingue-se no próximo ano e já há
um movimento dos governos das nações mais ricas do planeta para prorrogar sua
vigência. "Poderíamos negociar a liberação de certas áreas, assegurando
maior penetração nos mercados mais ricos de produtos como soja, frango, suínos
ou álcool combustível, por exemplo. Neste tipo de negociação, qualquer tostão
que você consegue já é um avanço", comentou Haberfeld.
Seminários
O empresário participou de mais um seminário de uma série que a AmCham tem
promovido em todo o País para apresentar os temas já colocados sobre a mesa de
negociações em torno da criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
Com a participação de empresários locais, o mesmo tipo de discussão já foi
levado a Curitiba (PR), Salvador (BA), Recife (PE), Porto Alegre (RS) e Campinas
(SP). A próxima etapa, a ser cumprida na semana que vem, incluirá Belo
Horizonte (MG). "Com isso, encerramos a programação deste ano. Mas o ciclo
(de debates) será retomado em 2004", diz Haberfeld.
Patrocinado pela AmCham, com a participação de representantes do Itamaraty e do
Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a proposta desse
programa (Ideologia à Parte: Tudo sobre a Alca) é "inserir, esclarecer e
mostrar aos empresários o que é a Alca" e o que está em discussão entre os
34 países das três Américas que negociam um acordo comercial comum.
Haberfeld e o coordenador geral das negociações da Alca no Ministério de
Relações Exteriores, Tovar da Silva Nunes, consideram que encontros desse tipo,
com a participação de pequenos empresários, contribuem para conferir uma nova
abrangência para as discussões da Alca, ao incluir temas ligados diretamente ao
dia-a-dia das empresas. "As federações empresariais desempenham um
importante papel como catalisadoras de idéias, num trabalho microscópico de
irradiação desse debate", comentou Nunes.
A participação privada nas discussões da Alca cristalizou-se
institucionalmente, pelo lado brasileiro, por meio da chamada coalizão
empresarial, que constituiu a Confederação Nacional da Indústria (CNI) como
interlocutor oficial perante o governo brasileiro. Hoje, um número aproximado
de 600 empresas e/ou associações empresariais participam da coalizão, das quais
250 a 300 são membros ativos, estima Haberfeld.
Para ele, as negociações alcançaram uma melhora substancial desde a entrada do
chanceler Celso Amorim no circuito da Alca. As negociações, de acordo com
Haberfeld, ganharam um tom mais comercial e menos diplomático em defesa de uma
"posição mais brasileira". Os negociadores brasileiros, na visão do
empresário, têm adotado uma "tática inteligente" na condução daquelas
discussões. A partir de Miami, definiu-se uma base menos ambiciosa, mas comum a
todos os 34 países que tentam formar o bloco das Américas. "A partir daí,
cada país poderá incluir as negociações que desejar, o que destravou o debate
da Alca", afirmou Haberfeld.
Investimentos
O Itamaraty espera apresentar a lista de concessões do País na área de
investimentos até janeiro, quase dois anos depois de expirado o prazo
originalmente acertado. Será uma relação, a ser proposta no âmbito das
negociações bilaterais entre o Mercosul e os Estados Unidos, tão tímida quanto
à apresentada pelos norte-americanos, afirma Nunes, e deverá praticamente
repetir a lista de ofertas encaminhadas pela região à União Européia.
As conversações naquela área buscam assegurar ao investidor estrangeiro o mesmo
tratamento reservado a investidores nacionais, criando, em tese, condições de
igualdade de mercado. Mesmo depois de concluída a lista de ofertas, o mais
provável é que as discussões sobre investimentos sejam deslocadas para a OMC.
"De longe a rodada de Doha (capital do Katar, que deu nome às negociações
globais para maior acesso a mercados) é mais importante do que a Alca",
declarou Nunes.
kicker: Debates regionais destravam possíveis avanços da Alca
(Gazeta do Brasil11)(Lauro Veiga Filho)
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 03/12/2003
Embratel adquire Vésper
Talita
Moreira, De São Paulo
A Embratel anunciou ontem à noite a conclusão do processo de compra da Vésper
São Paulo e da Vésper S.A., controladas anteriormente pela Qualcomm. Segundo a
operadora, a aquisição foi feita por valor simbólico, sem desembolso de caixa.
Em comunicado, a Embratel informou que as empresas foram adquiridas sem
dívidas. A Vésper vendeu 622 de suas torres de comunicação para uma subsidiária
da Qualcomm e firmou contrato para usar essa infra-estrutura nos próximos dez
anos, renováveis por mais dez. Esse negócio foi fechado por US$ 45 milhões. A
maior parte dos recursos foi usada para abater a dívida da Vésper e US$ 6
milhões serão destinados ao suprimento das necessidades de curto prazo da
companhia.
Com 500 mil clientes, a Vésper atua em São Paulo e nos 16 estados atendidos
pela Telemar.
A Anatel autorizou a compra no último dia 19, com exigências. Uma delas é que a
Embratel concentre os ativos da Vésper numa subsidiária. Outra é que as
empresas eliminem superposições de áreas e serviços. Elas também terão de
consolidar as autorizações para telefonia local. Como parte do negócio, a
Vésper devolveu à agência suas licenças de telefonia móvel.
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 03/12/2003
Ziller chega à Anatel já cotado para presidência
Leila
Coimbra, De Brasília
O secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Pedro Jaime
Ziller, foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar vaga
no conselho diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Sua
indicação foi publicada ontem no Diário Oficial da União. Agora, Ziller terá
que ser sabatinado pela Comissão de Infra-Estrutura do Senado Federal, em
reunião ainda sem data marcada.
Há quem aposte que o governo vai aproveitar este momento para trocar a
presidência da Anatel, hoje ocupada por Luiz Guilherme Schymura, que poderia
continuar na agência com mandato de conselheiro, se aceitasse ficar. Segundo
fontes do Ministério da Fazenda, o atual presidente esteve ontem na Fazenda
conversando com a equipe econômica. Schymura é próximo de Joaquim Levy,
secretário do Tesouro, e de Marcos Lisboa, secretário de política econômica do
ministério. Essa visita fez crescerem as especulações quanto a uma possível
saída do presidente da Anatel do cargo.
Ziller ocupará a vaga aberta com a saída de Tito Cerasoli, cujo mandato
terminou no dia 5 de novembro. Além de Ziller, indicado pelo ministro das
Comunicações, Miro Teixeira, os outros dois nomes mais fortes cotados para a
vaga eram o do diretor-executivo do Serpro e ex-presidente da Ceterp, Wagner
Quirici, ligado ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci e o do ex-presidente da
Sercomtel, Francisco Pereira. Os sindicalistas, que antes haviam indicado
Brígido Ramos, presidente do Sinttel de Brasília, retiraram sua indicação para
apoiar Ziller. Os deputados federais Jorge Bittar (PT-RJ) e Walter Pinheiro
(PT-BA), que participaram das reuniões em que foram discutidos os nomes,
apoiaram a indicação do professor Murilo Ramos, da Universidade de Brasília
(UnB).
A escolha de Ziller para conselheiro da Anatel foi interpretada como uma
vitória de Miro Teixeira junto ao presidente da República. Os sindicalistas e o
ministro, segundo fontes do mercado, também gostariam que a presidência da
agência fosse ocupada por Ziller, caso ele seja aprovado na sabatina do Senado.
Mas há setores do governo que apóiam, na presidência da agência, o atual
vice-presidente, Antônio Carlos Valente, cujo mandato termina em menos de um
ano, em novembro de 2004. Valente, segundo essas informações, conta com apoio
do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. As fontes acreditam, no entanto,
que a troca da presidência só será decidida em 2004.
Pedro Jaime Ziller é mineiro e engenheiro eletricista formado em 1969 pela
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Aposentado desde julho de 2002,
trabalhou antes durante 22 anos na Telemig, foi assessor especial de Sistemas
da vice-presidência da Telebrás e também atuou na Sinttel e Fittel, respectivamente
sindicato e federação dos trabalhadores em telecomunicações. (Colaborou Heloísa
Magalhães, do Rio)
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 03/12/2003
UE bloqueia ingresso russo na OMC, diz Putin
Steve
Gutterman , Agências internacionais
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acusou ontem a União Européia (UE) de
estar colocando obstáculos para a sua entrada na Organização Mundial do
Comércio (OMC). Ele alega que o bloco europeu está criando demandas
inapropriadas.
"Nós escutamos constantemente a UE dizer que apóia esse processo. Mas, na
realidade, também nos deparamos com demandas rígidas e sem fundamento que estão
tornando difícil a nossa entrada na OMC", disse Putin durante encontro com
líderes de grandes companhias européias, ontem, no Kremlin.
O presidente russo criticou de forma dura algumas exigências, como a de que a
Rússia aumente rapidamente os preços domésticos de gás natural. A UE afirma que
o baixo preço do produto subsidiado cria uma vantagem injusta para a indústria
russa.
"Não temos intenção de jogar fora vantagens como essa" disse Putin.
Segundo ele, os preços baixos do gás natural constituem uma "vantagem
natural" da Rússia, assim como o "bom tempo" beneficia a
agricultura em países mais quentes da Europa.
Putin disse ainda que o desejo dos países europeus de proteger sua indústria
"não requer de forma alguma medidas radicais como o aumento dos preços de
energia russos." Segundo ele, seu país está se dedicando a uma reforma do
setor enérgico e "nossos desacordos com a UE se referem apenas à
velocidade e ao modelo dessas reformas."
O assessor econômico do Kremlin, Andrei Illarionov, reiterou após o encontro
com os empresários europeus que a Rússia quer entrar na OMC em 2004, mas que
continuará a defender seus interesses. "O acesso à OMC é uma prioridade
russa, e nós gostaríamos de concretizá-la. Mas isso não significa que estamos
dispostos a entrar na OMC sob quaisquer circunstâncias."
Para um país ingressar na OMC, é preciso a aprovação de todos os países-membros
da organização, o que exige negociações extensas.
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 03/12/2003
Diplomacia e mais comércio com os árabes
Claudia
Safatle, De Damasco
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega hoje à Damasco, Síria, numa viagem
de nove dias a cinco países árabes, onde, entre assuntos econômicos e
políticos, formalizará a proposta de reunião da Liga dos Estados Árabes com
todos os países da América do Sul, em maio de 2004, no Brasil. Essa idéia, que
é parte da política externa de Lula - que pretende dar prioridades à América do
Sul, África e mundo árabe - já foi submetida ao presidente da Síria, Bashar al
Assad, por diplomatas brasileiros em missão exploratória no primeiro semestre
deste ano. Segundo o embaixador brasileiro em Damasco, Eduardo Monteiro de
Barros Roxo, "a Síria já disse sim" a essa iniciativa que pretende
reunir 21 países árabes que importam do resto do mundo, anualmente, cerca de
US$ 150 bilhões. Destes, apenas 3% vêem do mercado brasileiro, percentual que o
governo gostaria de dobrar nos próximos 5 anos.
Lula visitará entre os dias 2 e 10 , além de Damasco, Beirute (Líbano), Dubai
(Emirados Árabes), Cairo (Egito) e Trípoli (Líbia), num roteiro totalmente inédito
para um chefe de Estado brasileiro desde que Dom Pedro II, em 1870, fez uma
viagem de caráter privado, pela Síria, Palestina, Líbano e Egito. O governo
brasileiro pretende diversificar o comércio de bens e serviços, em busca de uma
política de exportação mais estrutural e menos espasmódica.
Na Síria, uma economia quase que integralmente estatal, começam a surgir
oportunidades de investimentos privados. A abertura ao capital privado teve
início nas universidades e se estende, agora, para o sistema bancário, onde as
instituições estatais passarão a competir com bancos particulares. O presidente
da República encerrará o seminário Brasil-Síria, Comércio e Investimentos,
junto com Bashar al Assad, na tarde de hoje. O encontro será aberto pelo
ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e terá a participação de
empresários brasileiros, principalmente da área da construção civil, que tem
grandes interesses em obras na região. O país está investindo pesado em obras
de infra-estrutura e os empresários brasileiros querem abocanhar parte dos US$
370 milhões que o governo sírio pretende investir, em 2004, em casas populares.
Lula viaja com vários governadores: Marcone Perillo, de Goiás, Wilma Faria, do
Rio Grande do Norte, Paulo Hartung, do Espírito Santo, e Lúcio Alcântara, do
Ceará, todos interessados em atrair investimentos para seus Estados. Está
acompanhado de representantes de 45 empresas brasileiras a quem o governo quer
mostrar oportunidades de negócios, e, também , do ex-presidente argentino e hoje
presidente do Mercosul, Eduardo Duhalde. Da extensa comitiva constam ainda os
ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, do Turismo, Walfrido Mares
Guia, da Integração Nacional, Ciro Gomes, o chefe de gabinete de Segurança
Institucional, Jorge Félix, e o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra,
além de parlamentares.
No Cairo, Lula terá encontro com o primeiro ministro da Autoridade Nacional
Palestina, Ahmed Korei. Segundo o Itamaraty, essa reunião ocorrerá a pedido de
Korei e precederá a visita de Lula à Liga dos Estados Árabes. Trata-se de um
encontro que consolidará, na visão da diplomacia brasileira, a imagem de Lula
como "um líder que transita pelas diversas regiões do mundo
independentemente dos conflitos locais". O ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso esteve com Yasser Arafat, quando este ainda era presidente interino da
Autoridade Nacional Palestina.
Lula terá encontro com o presidente do Egito Hosni Mubarak. Além de ser um dos
países mais importantes do mundo árabe e de ter uma diplomacia bastante atuante
- o que conta a favor da pretensão do Brasil de ser membro efetivo do Conselho
de Segurança da ONU - há oportunidades de negócios no Egito. Só da Embraer há
cerca de US$ 400 milhões de acordos em andamento e 52 Tucanos já estão nesse
país de 70 milhões de habitantes.
De Damasco e antes de seguir para Dubai e Cairo, Lula passa amanhã por Beirute,
onde além de comércio e política externa, há, assim como na Síria, uma questão
afetiva envolvida. Entre sírios e libaneses, vive no Brasil hoje uma comunidade
de cerca de 10 milhões de pessoas, incluindo descendentes. O Líbano, país em
plena reconstrução, tem um projeto de investimentos de US$ 60 bilhões para os
próximos anos e aí há interesses das empreiteiras brasileiras.
Em Dubai, Lula encerra a Semana do Brasil, evento que conta com a participação
de 86 expositores de produtos brasileiros dos mais diversos setores, de
mármores e granitos a equipamentos médicos e odontológicos. Esta é a primeira
feira de negócios do Brasil no mundo árabe.
A viagem de Lula termina em Trípoli, na Líbia, onde está uma das oito maiores
reservas de petróleo do mundo. O país de Muammar Kadafi está, desde 1999, livre
das sanções econômicas da ONU, que foram definitivamente canceladas pelo
governo americano em setembro último. Trata-se de um país também em
reconstrução e de um mercado para negócios que interessam a empresários
brasileiros.
Uma construtora, a Cogefe, participa de um consórcio de 21 companhias que vão
construir, na Líbia, 300 blocos com 20 mil de apartamentos e instalar nove
fábricas de material de construção. A Volkswagem já vendeu mais de mil Paratis
e está para assinar contrato de exportação de 11.440 veículos. A Lïbia
manifestou interesse em reformar seu sistema bancário - um dos setores mais
desenvolvidos da economia brasileira - e de comprar cimento e aço do Brasil,
além de obter cooperação em outras áreas como saúde, pesca e desenvolvimento
agrário.
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 03/12/2003
Negociação agrícola pode ser retomada
Assis
Moreira, De Genebra
O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Supachai
Panitchpakdi, disse ontem esperar que a reunião de ministros do G-20 com a
União Européia, no próximo dia 12 em Brasília, seja "ponto de
partida" da retomada das negociações agrícolas.
Supachai afirmou que levará à Brasília o "texto Derbez", notando que
a maioria dos países admite o documento como base para negociação. Mas
reconheceu que o desafio está todo em "como combinar" as propostas
desse documento, a proposta agrícola EUA-União Européia e as emendas que o G-20
apresentou recentemente nas consultas na OMC. Fontes na entidade lamentam que o
negociador comercial chefe dos EUA, Robert Zoellick, não vá ao encontro de
Brasília, visto como crucial na tentativa de os principais países acertarem um
calendário das negociações para o ano que vem.
Indagado se sua ida à Brasília significa que ele agora reconhece a importância
do G-20, grupo liderado por Brasil, Índia e China, Supachai retrucou:
"Sempre reconheço a importância dessas reuniões da Apec, dos ministros
africanos, do G-20".
Fontes do G-20 têm sérias dúvidas sobre a possibilidade de algum avanço em
Brasília. Tanto mais que a UE reafirmou esta semana que não fará mais concessões
na agricultura. Bruxelas acha que a iniciativa agora deve vir de países
exportadores como o Brasil. Por sua vez, membros do G-20, como a Índia, têm
sérias dificuldades com o "texto Derbez", o documento que o
presidente da conferência ministerial da OMC em Cancún, Luis Ernesto Derbez,
apresentou na tentativa fracassada de superar as divergências nos três pilares
da negociação agrícola (acesso ao mercado, apoio doméstico e subsídios à
exportação).
O encontro de Brasília ocorrerá a três dias do prazo de 15 de dezembro para que
os países tentem se entender para a retomada da Rodada de Doha. A esta altura,
porém, ninguém alimenta demasiadas expectativas. No máximo, poderão aceitar um
documento manifestando a disposição de voltar à mesa de negociações, e tentar
definir, a partir de janeiro, um programa de trabalho.
A questão é como traduzir essa determinação em progressos concretos para
retomar as negociações. As consultas agrícolas até agora só serviram para
reafirmar as enormes divergências sobre o nível de ambição na liberalização. A
UE não quer avançar, os EUA continuam mudos e o Grupo de Cairns, liderado pela
Austrália, tornou-se mais discreto desde o surgimento do G-20. Este grupo, por
sua vez, procura manter sua coesão. Fontes da OMC, de retorno de uma viagem a
Pequim, dizem que as autoridades chinesas trataram de ressalvar que a
participação no G-20 não é institucional e que Pequim quer, na verdade, atuar
como uma ? ? ponte ? ? entre ricos e pobres na negociação agrícola.
Ao mesmo tempo, o presidente da Suíça, Pascal Couchepin, abandonou a linguagem
diplomática para dizer que já em Doha a posição agrícola do Brasil era
"quase fundamentalista" e por isso "impraticável
politicamente". Ele se declarou "chocado" com a postura brasileira.
"Não podemos capitular sem condição, como o Brasil pede. Se alguém disser
que isso é negociar, nunca teremos acordo. Na agricultura, qualquer redução (de
subsídios) só é possível gradualmente".
Couchepin reconhece que a Suíça é o campeão mundial de subsídios agrícolas por
habitante, mas que Brasil não ganha em nada se esses subsídios diminuírem.
"Já para nós, o impacto sobre o ecossistema seria significativo",
argumentou.
Membros do G-20 se dizem chocados com as demandas ambiciosas de países como a
Suíça em serviços financeiros, cortes de tarifas industriais e outros temas
sensíveis. Em Brasília, o G-20 deve reafirmar que deseja reformas substanciais
nas políticas agrícolas, incluindo a eliminação de subsídios à exportação,
corte de apoios que distorcem o comércio, inclusive na "caixa verde"
(gastos governamentais, bem como renúncias fiscais em proveito da atividade
agrícola, que não teriam impacto sobre as decisões de produção). Para Supachai,
Brasília "pode ser a continuação de Cancún para a retomada das negociações".
VALOR ECONÔMICO | 1º CADERNO | 03/12/2003
Oposição esvazia tentativa de acordo de países do Sul
De
Genebra
A proposta do Brasil e da Argentina de lançamento de uma rodada de negociação
comercial entre países do Hemisfério Sul começa a enfrentar sérios obstáculos
em Genebra.
Um grupo de países em desenvolvimento importantes - México, Tailândia, Egito e
Chile - se opõe à iniciativa, reduzindo o peso político para sua concretização
no curto prazo.
´´Essa negociação não é útil´´, declarou ao Valor o embaixador mexicano Eduardo
Perez Motta. ´´ Os esquemas de preferência comerciais não ajudam a aprofundar a
liberalização, e podem erodir mais o sistema multilateral´´.
Para o Chile, o atual esquema de preferências entre os países em
desenvolvimento cobriu um volume de comércio muito pequeno. ´´Isso exige que
antes seja feito um diagnóstico sobre o que não funcionou´´, diz o embaixador
chileno Alejandro Jara.
Pela proposta do Brasil e da Argentina, a negociação denominada Sul-Sul
ocorreria com a revisão do Sistema Global de Preferências Comerciais (SGPC).
Trata-se de um mecanismo da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o
Desenvolvimento (Unctad) que prevê a troca de concessões tarifárias
exclusivamente entre os 135 países em desenvolvimento que são membros do
chamado G-77.
A Unctad já promoveu duas negociações do SGPC. Na primeira, participaram 44
países. Na segunda, apenas 24 (o Mercosul contando como um), dos quais alguns
até agora não ratificaram o acordo.
O secretário-geral da Unctad, Rubens Ricupero, observa que nos anos 80, quando
SGPC foi criado, o comércio Sul-Sul era mais uma esperança do que uma
realidade. Não teve dinamismo porque coincidiu com a fase mais aguda da Rodada
Uruguai, quando as atenções dos países estavam concentradas na inclusão de
regras para propriedade intelectual e serviços.
A situação hoje é diferente. Com as negociações na OMC paralisadas, vários
países procuram alternativas, a começar por acordos bilaterais. Nesse contexto,
o Brasil sinalizou ontem que vai continuar explorando uma negociação Sul-Sul.
´´A iniciativa pode trazer dinamismo adicional no comércio Sul-Sul, que é cada
vez mais dinâmico´´, afirmou o embaixador brasileiro Luiz Felipe de Seixas
Corrêa.
No SGPC, as negociações podem ser redução de tarifas produto por produto ou em
negociação setorial. Os países em desenvolvimento fazem cerca de 10% do
comércio mundial, que alcançou quase US$ 7 trilhões em 2002. Estudo da Unctad
estima que um corte de 30% nas tarifas entre esses países corresponderia a um
aumento de 8 a 9% em seu comércio. Produtos agrícolas poderiam ser os
principais beneficiados.
O Comitê do SGPC se reunirá no dia 9, para uma primeira decisão sobre a futura
rodada Sul-Sul ou não. Enquanto isso, a Organização Mundial de Comércio
mostra-se otimista sobre o crescimento das trocas no ano que vem, que poderiam
chegar a 6 ou 7%, o dobro do previsto para este ano. (AM)
VALOR ECONÔMICO | EMPRESAS | 03/12/2003
AmBev avança no mercado de cerveja da América do Sul
André
Vieira, De São Paulo
A AmBev anunciou ontem a compra de 80% das ações da Cervecería SurAmericana, a
segunda maior do Equador, por US$ 36 milhões. Com a transação, a companhia
completa sua presença em quase todo o mapa da América do Sul. Dos grandes
mercados, a empresa só não está presente na Colômbia.
A aquisição permitirá o primeiro embate entre a companhia brasileira e o grupo
Bavaria. De origem colombiana, o grupo é o principal entrave para a expansão da
AmBev no Norte da América do Sul por seu domínio dos mercados da Colômbia e do
Peru, onde a fabricante brasileira irá começar a operar em 2004. Até agora, a
Ambev não anunciou planos para a Colômbia.
"A partir deste momento, estamos na concorrência direta com o grupo
Bavaria", diz o executivo Juan Vergara, que assumirá, a partir de 1º de
janeiro, a presidência da recém-criada divisão internacional da AmBev.
No Equador, a Bavaria detém cerca de 90% do mercado de cerveja, segundo
estimativas de analistas de mercado. A Cervecería SurAmericana adquirida pela
AmBev possui 6% deste mercado.
O consumo per capita de 23 litros por ano é pequeno em relação ao brasileiro,
em torno de 50 litros por ano. "O mercado de cerveja equatoriano é muito
lucrativo", afirma o analista Tufic Salem, do Credit Suisse First Boston,
da Cidade do México. A AmBev estima que o mercado equatoriano movimentou US$
140 milhões em 2002.
A Cervecería SurAmericana possui uma fábrica em Guayaquil e opera com a marca
Biela. A empresa tem capacidade de produzir 0,9 milhão de hectolitros.
Na transação, a fabricante brasileira assumiu empréstimo que a Cervecería
SurAmericana, controlada pela família Isaías, tinha com a Corporação Andina de
Fomento (CAF), o banco de financiamento da região andina. As demais ações ficam
nas mãos do grupo Isaías.
"Antes de a CAF pensar em executar a dívida, o banco se aproximou da gente
e nos ofereceu o negócio. Foi uma operação rápida e a CAF recuperou o seu
dinheiro", explica Vergara.
Desde sua criação, em 1999, a AmBev informou que já investiu US$ 640 milhões em
operações na região latino-americana. Vergara comandará o processo de expansão
internacional da companhia. "Continuamos em busca de bons negócios para
enfrentar as gigantes como a Anheuser-Busch, a Heineken e todas as grandes
companhias. Ou a gente vai para lá ou eles vem pra cá."
Segundo Vergara, a companhia possui uma posição sólida no Mercosul, mas ainda
incipiente no Norte do continente. "Na América Latina, temos alguma coisa
como 17% e 18% do mercado de bebidas (o que inclui também refrigerantes, entre
outras) e menos de 30% da América do Sul. Temos chão para andar", diz.
No mercado de cerveja, a AmBev detém praticamente o monopólio em países como
Uruguai, Paraguai e Bolívia - posição obtida pelo acordo realizado com a Quinsa
em maio do ano passado. O acordo permitiu também a ampliação da presença na
Argentina. No Brasil, onde a companhia ainda lidera o mercado com larga
vantagem, ela vem sendo incomodada pela rival Schincariol. A AmBev, que detinha
mais de 70% do mercado em 2002, viu sua participação cair para 63% em outubro.
VALOR ECONÔMICO | EMPRESAS | 03/12/2003
MP pede suspensão da fusão entre Varig e TAM
Juliano
Basile, De Brasília
O Ministério Público do Trabalho pediu a suspensão do processo de fusão entre a
Varig e a TAM. O MP quer a garantia de que a empresa resultante da fusão cumpra
com todos os créditos e obrigações trabalhistas.
O pedido de "blindagem trabalhista" está fundamentado em denúncia do
Sindicato Nacional dos Aeroviários de que poderia haver "fraude"
trabalhista no processo de fusão.
A manobra consistiria na seguinte divisão: a nova empresa, resultante da fusão,
ficaria com todos os ativos da Varig e da TAM, incluindo receitas e patrimônio,
enquanto a Fundação Rubem Berta assumiria o passivo trabalhista.
"Esse modelo de fraude já foi utilizado por outras empresas em outras
oportunidades", afirma a denúncia do sindicato. "Cria-se uma nova
sociedade deixando a antiga com todo o passivo, tendo os credores que provar a
fraude para executar as dívidas existentes", completa a entidade.
Para o procurador Viktor Byruchko, a nova empresa está obrigada pela lei a se
comprometer com todas as obrigações trabalhistas. A Lei das Sociedades Anônimas
(6.404, de 1976) determina, no artigo 222, que os processos de fusão não
poderão prejudicar os direitos dos credores das empresas.
O procurador ajuizou uma ação civil pública na Justiça do Trabalho de Porto
Alegre. Na ação, pede que o Conselho Administrativo
de Defesa Econômica (Cade) -
órgão antitruste responsável pela aprovação ou não da fusão - se abstenha de
julgá-la caso não exista compromisso de garantia de créditos e obrigações
trabalhistas.
O Cade suspendeu a fusão Varig-TAM, em 26 de março deste ano. As companhias se
comprometeram a não realizar mudanças administrativas que impliquem em demissão
de funcionários ou em transferência deles. Essa condição está descrita no termo
assinado com o Cade.
No texto, as companhias também tiveram que seguir outras restrições, como não
trocar informações sobre preços de passagens, manter as estruturas
administrativas e gerenciais separadas, preservar suas marcas e não trocar
ativos financeiros até o julgamento final da fusão.
Viktor Byruchko pede à Justiça que seja anulada qualquer cláusula do contrato
de fusão que afaste o cumprimento de obrigações trabalhistas.
O Cade está aguardando a definição das companhias sobre a continuidade do
processo de fusão para julgá-la.
VALOR ECONÔMICO | AGRONEGÓCIOS | 03/12/2003
Rússia volta a preterir frango brasileiro
Alda do Amaral Rocha, De São
Paulo
O governo russo anunciou ontem o novo sistema de cotas de importação de carne
de frango do país, que pode significar um novo golpe para as exportações
brasileiras à Rússia. Pelo sistema divulgado pelo governo russo, segundo
agências internacionais, a cota para importação de frango em 2004 será de 1,050
milhão de toneladas, com o seguinte critério de distribuição: 40% da cota total
serão distribuídos entre países exportadores levando em conta a média anual dos
volumes embarcados para a Rússia por cada país entre 2000 e 2002. Os 60%
restantes vão considerar a média das exportações em 2003.
Com essa divisão, os Estados Unidos ficarão com 771, 9 mil toneladas da cota, a
União Européia, com 205 mil toneladas e o Paraguai, com 5 mil toneladas. As
68,1 mil toneladas restantes seriam divididas em "outros", segundo a
agência de notícias. Não há cota específica para o Brasil, que só em 2002
vendeu 295 mil toneladas de carne de frango à Rússia.
O diretor-executivo da Abef (reúne os exportadores de frango), Cláudio Martins,
afirma que as informações não foram confirmadas por Moscou, mas diz que o
momento é de preocupação. Pelo sistema, o Brasil, teria de disputar as vendas
das 68 mil toneladas com outros fornecedores. "Se o Brasil for bastante
competitivo e conseguir 50 mil toneladas do volume de 68 mil, ainda assim
haveria uma redução nas vendas de cerca de 130 mil toneladas", observa Martins.
O volume corresponde a cerca de US$ 120 milhões, considerando preços médios da
tonelada FOB do frango em outubro passado.
Este ano, a cota russa destinada para o frango do Brasil foi de 33 mil
toneladas porque o critério usado levou em consideração a média de volumes
vendidos pelos países exportadores entre 1999 e 2001, anos em que os embarques
brasileiros para a Rússia eram baixos. Como a cota entrou em vigor em maio, o
país conseguiu embarcar 163,5 mil toneladas para a Rússia até outubro. Ainda assim,
o número é 33% menor que em igual período de 2002, segundo a Abef. A receita
também caiu 33%, para US$ 94 milhões.
Os Estados Unidos, que já tinham sido beneficiados este ano, com 80% da cota de
importação de 744 mil toneladas de frango, serão favorecidos de novo,
mantendo-se como maior exportador para a Rússia, com vendas estimadas em US$
600 milhões.
Para observadores do governo brasileiro e exportadores, os Estados Unidos foram
beneficiados porque negociaram as cotas em troca do apoio à entrada da Rússia
na Organização Mundial do Comércio. Além disso, acredita-se que os Estados
Unidos tenham garantido os volumes depois de aceitarem "aliviar" as
cotas impostas ao aço russo. "É difícil competir com os EUA. Enquanto o
Putin [Vladimir Putin, presidente da Rússia] recebe o Lula durante minutos, o
Zoellick [Robert Zoellick, representante comercial dos EUA] fica dias em
Moscou", comentou uma fonte do setor, referindo-se a encontros recentes.
A discussão das cotas russas ganhou importância ultimamente dentro do governo
quando ficou mais claro o tamanho do prejuízo que poderiam gerar ao Brasil.
Correspondências entre Itamaraty e o vice-presidente José Alencar - membro da
Comissão de Alto Nível Brasil-Rússia - indicam que o assunto se tornou
prioridade em altos escalões. Na semana passada, durante a Enaex, exportadores
conversaram sobre o assunto com o chanceler Celso Amorim. O ministro prometeu,
segundo Cláudio Martins, que, se necessário, o presidente Lula irá entrar nas
negociações bilaterais sobre as cotas.
Para o Itamaraty, as cotas de importação vão dificultar as negociações para
acessão da Rússia à Organização Mundial do Comércio (OMC). As cotas são o
principal incômodo para o Brasil no pacote de acessão da Rússia, admitem
diplomatas. A barreira comercial "não vai bloquear, mas pode atrasar o
acesso da Rússia à OMC", diz o diretor-geral do departamento econômico do
Itamaraty, ministro Piragibe Tarragô.
As cotas vêm sendo tema de discussões bilaterais, mas é a primeira vez que o
Itamaraty reconhece publicamente que as restrições podem atrasar as negociações
para a entrada da Rússia na OMC.
Tarragô lembra que as cotas foram criadas pelos russos como medida de
salvaguarda para proteger a produção local de aves e suínos. Essa salvaguarda
já derrubou os embarques brasileiros de carne de frango ao país e também são
uma ameaça para a carne suína do Brasil, que têm na Rússia seu principal
mercado. O governo russo ainda não divulgou detalhes sobre cotas para
importação do produto, mas a Abipecs (reúne os exportadores do setor) obteve
informações na Rússia de que o país planeja distribuí-las por origem,
diferentemente deste ano quando as distribuiu aos importadores.
O volume seria de 450 mil toneladas em 2004, e a distribuição da cota seria a
seguinte: 33 mil toneladas para os Estados Unidos, 173 mil toneladas para a
Europa e 244 mil toneladas para "outros".
Conforme explica Martins, que também é diretor da Abipecs, o Brasil, que até
outubro exportou 271 mil toneladas, ou US$ 297 milhões, sozinho para o mercado russo,
estaria incluído nesse "outros". A situação é semelhante à do frango,
já que o país teria de disputar espaço com outros fornecedores.
O chefe da representação comercial da Rússia no Brasil, Sérgio Loginov, afirma
que seu país está "trabalhando para superar as diferenças" com o
Brasil. Na defesa das cotas, ele argumenta que o sistema não fere as regras da
OMC. "Já temos sinais de que há desenvolvimento" nas negociações.
Loginov não tinha informações, ontem, sobre os números para as cotas de frango
da Rússia em 2004.
CORREIO BRAZILIENSE | OPINIÃO | 03/12/2003
Horizonte favorável
O salto nas exportações
brasileiras este ano foi especialmente impulsionado pelo comércio de produtos
manufaturados, de maior valor agregado, que passaram a ser majoritários na
pauta, chegando a representar 54% das vendas. Também contribuíram a recuperação
dos preços de produtos básicos e semi-manufaturados e a diversificação dos
destinos. Resultado: a meta de US$ 22 bilhões de superávit comercial prevista
pelo Ministério do Desenvolvimento para 2003 foi superada com um mês de
antecedência. E estão praticamente assegurados os US$ 23,5 bilhões projetados
pelo Banco Central.
De janeiro a novembro, o saldo atingiu US$ 22,078 bilhões, com exportações de
US$ 66,336 bilhões e importações de US$ 44,258 bilhões. É avanço significativo
em relação a 2002, quando o superávit apurado foi da ordem de US$ 13 bilhões.
Na comparação com o ano passado, há que considerar o cenário internacional
desfavorável de então, com estagnação comercial entre os países, escassez de
crédito e crise na Argentina, principal parceiro brasileiro no Mercosul. Mas,
olhando para o futuro, as perspectivas são otimistas. A começar pelos sinais de
recuperação emitidos pelas economias dos Estados Unidos e do Japão.
Trata-se, pois, de bom momento para o Brasil se empenhar em, aumentando as
vendas para o exterior, reduzir a dependência de capital estrangeiro. A criação
da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), as negociações em andamento na
Organização Mundial do Comércio e entre o Mercosul e a União Européia, bem como
a aproximação com a China, a Índia, a Rússia e a África do Sul tornam 2004 ano
crucial para esse esforço nacional. Registre-se ainda a atual viagem do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva a cinco países árabes acompanhado de
representantes de 45 empresas.
O mercado mais próximo, da América do Sul, comprador de produtos brasileiros de
maior valor (manufaturados, máquinas e equipamentos), acaba de ganhar
importante incentivo com o desbloqueio, semana passada, do Convênio de Crédito
Recíproco, que abrange dez países da região, México e República Dominicana. O
acordo, firmado em 1965, restringia as importações a US$ 100 mil por operação,
com prazo de 360 dias para pagamento, e exigia depósito prévio, o que anulava
eventual benefício do mecanismo.
O governo tem meta ambiciosa para o comércio exterior. O Plano Plurianual prevê
aumento de sua participação no Produto Interno Bruto de 30% para 35% até 2007.
É factível. Mas, para além da expansão dos mercados, o país precisa modernizar
e ampliar a capacidade produtiva de suas indústrias.
|
MJ-CONSUMIDOR |
O GLOBO | ECONOMIA | 03/12/2003
Defesa do consumidor: Decisão da Susep limita seguro de carro
Ana Cecília Santos
Na renovação do seguro de carro, consumidores estão sendo surpreendidos por uma
nova portaria da Superintendência de Seguros Privados (Susep), pela qual o
valor da indenização não pode mais ser previamente estabelecido na apólice. A
única opção agora, para o segurado, é aceitar a modalidade de valor de mercado.
Em caso de sinistro com perda total, o pagamento é determinado por uma tabela
de referência de cotação.
Em vigor desde março deste ano, a portaria da Susep só agora começou a ser
questionada por corretores e entidades de defesa do consumidor, quando surgiram
as primeiras queixas de quem está renovando o seguro.
DPDC diz que vai brigar para garantir direito do consumidor
O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) está discutindo a
questão com a Susep para que o valor determinado volte a ser aceito. Já o
Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado do Rio está incentivando a
categoria a informar aos clientes que o ressarcimento pelo valor da apólice é
um direito que eles têm.
— O superintendente da Susep, Renê Garcia, me garantiu que a questão está
resolvida e, em breve, o seguro com valor determinado voltará ao mercado.
Caberá à empresa aceitar ou não assegurar o veículo por essa modalidade. Se o
consumidor encontrar dificuldades para encontrar seguradoras que aceitem o
seguro por valor determinado, basta ligar para o sindicato (2233-5900) que nós
vamos encaminhá-lo a uma empresa que o atenda — garante o presidente do
Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado do Rio e membro do Conselho
Nacional de Seguros Privados, Henrique Brandão.
O diretor do DPDC, Ricardo Morishita, afirma que é uma prática abusiva impor ao
segurado o ressarcimento pelo valor de mercado:
— Estamos discutindo com a Susep o problema porque precisamos garantir a
segurança e a transparência do contrato em relação ao pagamento do sinistro.
Vamos proteger os consumidores.
Para Antonio Mallet, coordenador-jurídico da Associação de Proteção e
Assistência aos Direitos da Cidadania (Apadic), a portaria da Susep ameaça a
segurança do contrato:
— Ao fazer um seguro, o consumidor espera que o contrato estabeleça claramente
ao que ele terá direito em caso de sinistro.
Regina Rocha reclama que ao renovar o seguro do carro este mês, foi informada
pelo corretor de que não poderia mais optar pelo valor determinado, como faz há
dez anos:
— Acho um absurdo essa imposição. Prefiro o valor de mercado porque tenho
certeza do que irei receber em caso de sinistro.
Para quem já renovou o seguro e só pôde optar pelo valor de mercado, Mallet
afirma que, em caso de insatisfação, o consumidor deve recorrer à Justiça:
— Se houver um sinistro e o segurado considerar que a avaliação de mercado foi
desfavorável, deve receber o valor e, posteriormente, buscar a reparação do
prejuízo.
Ao aceitar um seguro pela modalidade de valor de mercado, o consumidor deve
estar atento à tabela que será usada como referência. Isso porque os valores da
tabela serão utilizados no cálculo dos valores do prêmio e da indenização de
sinistro. Por oferecer boas cotações, os corretores apontam a tabela da
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP como a melhor opção
para o segurado. Segundo eles, há tabelas que depreciam o bem. A tabela avalia
basicamente a versão, o ano e o modelo do veículo. Se o carro possui acessórios
que agregam valor, como rodas esportivas e equipamentos de som potentes, o
consumidor deve pedir que estes itens sejam assegurados e que isso esteja
mencionado na apólice do seguro.
A Susep informou que a decisão de suspender a modalidade de seguro pelo valor
determinado foi tomada para obedecer ao artigo 781 do novo Código Civil, que
diz que a indenização não pode ultrapassar o valor do interesse segurado no
momento do sinistro, e, em hipótese alguma, o limite máximo da garantia fixado
na apólice. Segundo Alberto Eduardo Ribeiro, analista técnico da Susep, na
interpretação da Procuradoria da Susep, não cabe falar em valor previamente
determinado se o texto do Código Civil se refere a “momento da ocorrência do
sinistro”.
Ribeiro afirma ainda que o seguro por valor determinado não foi extinto, e
ainda pode ser aplicado, mas somente para veículos que não constem em nenhuma
tabela de referência do setor. No entanto, os corretores afirmam que as
empresas não aceitam fazer o seguro desses carros, por considerarem o risco
muito alto.
FOLHA DE S. PAULO | INFORMÁTICA | 03/12/2003
PC "montado" é opção econômica
ALEXANDRE
MANDL
FREE-LANCE PARA A FOLHA
O usuário disposto a comprar um computador tem diversas opções. Uma alternativa
são os micros "montados", ou seja, produzidos por lojas e pequenas
empresas independentes. O consumidor só precisa ficar atento às condições da
aquisição para não acabar no prejuízo na hora da garantia.
A reportagem visitou a rua Santa Ifigênia, tradicional centro das lojas de
informática de São Paulo, e pesquisou qual seria a configuração mais indicada
pelas lojas alternativas. A conclusão é que, com R$ 2.000, o usuário consegue
comprar um micro satisfatório.
O orçamento indicado pelas lojas é de um PC com processador de 2 GHz, 256
Mbytes de memória, placa-mãe com interface AGP, gravador de CDs que também lê
DVD (Combo), monitor de 15 polegadas e disco rígido de 40 Gbytes de 7.200 rpm.
A máquina já vem com gabinete, teclado ABNT-2 e mouse.
De acordo com a pesquisa realizada pela reportagem, a maior diferença não está
no preço dos PCs. A garantia é o item que apresenta o maior contraste. Algumas
lojas oferecem suporte de um ano. Porém outras chegam até a propor 36 meses de
assistência a qualquer componente do micro.
O usuário precisa saber que, mesmo sendo até R$ 1.000 mais baratos do que os
modelos similares de grandes fabricantes, os micros "montados" também
têm desvantagens. Os PCs não acompanham nenhum software, seja o Windows XP,
Linux, pacote Office, programas antivírus ou enciclopédias.
Segundo o Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor), o cliente de
lojas especializadas não deve se tomar pela emoção da economia. A assistente da
direção da organização, Lucia Helena Magalhães, diz que o maior problema gerado
na hora da aquisição é o impulso. "O consumidor tem de lembrar que é
preciso coletar todas as informações possíveis para que não acabe com
prejuízos."
Magalhães explica que o consumidor precisa ter muito cuidado na hora de fazer o
orçamento do computador. Ela afirma que é o pedido de compra, junto com a nota
fiscal, que especifica qual o equipamento que terá direito ao suporte técnico.
O conselho do Procon é que os documentos de pagamento, como os recibos,
contenham até mesmo o número dos cheques ou do cartão de crédito.
"Documentos bancários são provas da compra do bem durável", diz.
A análise da especialista do Procon é que o consumidor não precisa temer a
compra de PCs em lojas alternativas. "Por lei, todo fabricante, além do
lojista, tem suas obrigações. Só evite mesmo o camelô", afirma.
FOLHA DE S. PAULO | INFORMÁTICA | 03/12/2003
Procure formas de documentar compra on-line
FREE-LANCE
PARA A FOLHA
Entre os cuidados básicos que devem ser tomados ao realizar uma compra pela
internet, estão alguns que já existem no mundo real. O principal deles é sempre
exigir nota fiscal, não só a fim de evitar a sonegação, mas para comprovar a
compra.
O Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) recomenda ainda que o
cliente lance mão do mundo físico sempre que possível. Ou seja, imprima ou
guarde no disco rígido todas as mensagens trocadas durante a transação e não se
esqueça de guardar a página em que a oferta é anunciada.
"é preciso estar seguro de que se trata de um estabelecimento
idôneo", afirma Dante Kimura, 48, diretor-adjunto de programas especiais
do Procon. "Pode ser uma bela página, mas não ter estrutura para garantir
a logística."
O código diz que as lojas que vendem os produtos precisam de endereço físico.
Os sites mais conhecidos têm processo de pedido e troca de informações para
confirmá-lo. Nas compras fora do estabelecimento, o prazo para devolução
(segundo o artigo 49 do código do consumidor) é de sete dias a partir da
entrega ou da assinatura do contrato.
FOLHA DE S. PAULO | INFORMÁTICA | 03/12/2003
Compra no exterior exige cuidado
FREE-LANCE
PARA A FOLHA
Quem viaja para os Estados Unidos, meca das compras de produtos eletrônicos,
pode trazer, sem pagar impostos, o equivalente a US$ 500. Sobre o valor que
passar essa quantia será cobrada uma taxa de 50%. Quem trouxer, por exemplo,
uma câmera digital de US$ 700, vai pagar imposto no valor equivalente a US$
100.
No entanto existe uma infinidade de produtos eletrônicos, como câmeras
digitais, videogames e placas de vídeo que não ultrapassam esse valor. O
problema é que, na maioria dos casos, produtos comprados no exterior não têm
garantia no Brasil.
Nas lojas do grupo BestBuy (www.bestbuy.com), cartões de memória com capacidade
de armazenar 128 Mbytes de dados custam entre US$ 40 e US$ 60, enquanto no
Brasil o preço gira em torno de R$ 400.
Os monitores com tela de cristal líquido de 17 polegadas da linha SyncMaster,
da Samsung, custam US$ 469. No Brasil, um modelo de 15 polegadas da mesma sai
por aproximadamente R$ 1.500.
Outro exemplo notável é o do videogame Sony PlayStation 2. O console é vendido
fora do país por US$ 149,99 e no mercado nacional por aproximadamente R$ 900.
Os CDs com jogos para o PS2 também apresentam variações de preço consideráveis,
os lançamentos custam US$ 49,99 lá fora. No Brasil saem pelo menos por R$ 200
cada um.
Contudo alguns cuidados devem ser tomados para realizar compras no exterior.
O Procon-SP (www.procon.sp.gov.br), órgão de defesa dos direitos do consumidor,
alerta que negociar aparelhos através de camelôs ou amigos pode resultar em
problemas.
Os importadores irregulares não emitem nota fiscal, de forma que o comprador
perde seus direitos legais para devolução, garantia e assistência técnica dos
produtos. Saiba mais sobre o assunto visitando a seção de dicas do site da
instituição (www.procon.sp.gov.br/infpressprodimportados.shtml).
Se você decidir comprar em site estrangeiro, o Procon lembra que "as
páginas hospedadas fora do Brasil seguem as normas de seus países de origem.
Quem tiver problemas ao comprar produtos em sites internacionais terá que
resolvê-los diretamente com a empresa, porque, nesse caso, legalmente ele é
considerado o importador direto das mercadorias".
é recomendável comparar os preços de produtos importados e nacionais. Incluindo
os impostos e taxas, o aparelho comprado no exterior pode ficar com um preço
muito semelhante ao comprado no Brasil. E deve-se considerar que, no caso de
defeito, nem sempre há peças de reposição no país.
(JULIANO BARRETO)
FOLHA DE S. PAULO | INFORMÁTICA | 03/12/2003
Loja atrai com prazo e isenção do frete
FREE-LANCE
PARA A FOLHA
Conhecidas pela agressividade na abordagem dos consumidores, as lojas de
departamentos procuram estimular o internauta a comprar de duas formas: prazo
alongado no caso de pagamento com cartão de crédito e isenção do frete em
certas condições.
Ao tentar adquirir no Ponto Frio um produto nas mesmas condições que as
anunciadas no site (www.pontofrio.com), a reportagem da Folha recebeu como
resposta do vendedor que teria de voltar para casa e comprar via internet.
"Essas promoções só acontecem na compra on-line."
No caso, o site traz chamadas como "valorize seu 13º salário" para
atrair compradores, que podem adquirir os produtos anunciados em dez vezes no
cartão pelo preço da venda à vista. Há ainda a promoção Pirada do Dia, que, na
última semana, trazia uma TV LG de 20 polegadas por dez parcelas de R$ 55,90.
Outra loja que faz acordo com administradora de cartões de crédito para oferecer
benefícios aos compradores virtuais é a Americanas (www.americanas.com). Além
de parcelar em 12 vezes, oferece 5% de desconto para quem comprar com cartão
Visa. Em alguns casos, anuncia frete grátis, um bom diferencial.
"A internet permite que, antes de comprar, o cliente faça comparações de
preços sem sair de casa. Mas é importante não levar em conta só o preço do
produto, mas também o frete", alerta Dante Kimura, diretor do Procon.
Com larga tradição no interior de São Paulo, o Magazine Luiza (www.magazineluiza.com.br)
já trabalha há 11 anos com lojas virtuais -são 36, sendo uma pela internet.
Também oferece descontos e prazo -dez vezes. Em algumas seções (barbeadores,
brinquedos e telefones sem fio), compra com cartão é isenta do frete.
Há limites mínimos para compras parceladas, como no caso do Submarino
(www.submarino.com.br). é preciso adquirir produtos de pelo menos R$ 300.
A Import Express (compras.importexpress.com.br) também traz parcelamento, com a
vantagem de ampliar o número de bandeiras de cartões. (LPz)
FOLHA DE S. PAULO | DINHEIRO | 03/12/2003
Redes acirram disputa antes do Natal
ADRIANA
MATTOS
DA REPORTAGEM LOCAL
No maior shopping do Vale do Paraíba (região do interior do Estado de São
Paulo), o Center Vale, o Ponto Frio decidiu, há quatro meses, abrir uma loja de
750 metros quadrados em seu piso superior. A inauguração acontece no próximo
dia 9. Logo depois, em outubro, a Casas Bahia bateu o martelo e aprovou um
projeto de um ponto-de-venda, com mil metros quadrados, no mesmo shopping, a
metros de distância da arqui-rival.
Concorrentes diretas, as duas redes iniciaram uma campanha agressiva de mídia
neste mês, nos pontos-de-venda, para tentar vender até 50% mais do que no Natal
do ano passado.
Adotando posição mais discreta até agora, o Ponto Frio deve começar a falar em
sua estratégia na próxima semana.
O que está certo até o momento é a idéia de lançar a imagem de uma rede mais
popular -uma das marcas da cadeia no passado, com o antigo bordão do
"Bonzão", que volta repaginado.
Em novembro, a rede trocou de publicitário -saiu Eduardo Fischer, da Fischer
América, e entrou Sérgio Valente, da DM9DDB-e colocou nas ruas o slogan
"Bonzão da Prestação".
Contratou ainda uma das apresentadoras do canal de varejo "ShopTime"
para ser a garota-propaganda da rede.
Estratégia
Tem mais: em uma ação de mídia criada em 30 horas, a rede veiculou na última
semana uma propaganda utilizando uma pesquisa do Procon (Fundação de Proteção e
Defesa do Consumidor) em que mostra que a cadeia teria preços mais baixos do
que a Bahia.
Com faturamento de R$ 1,7 bilhão até setembro, o Ponto Frio carrega neste ano
prejuízo de R$ 4,7 milhões -em igual período de 2002 o lucro superou R$ 15,9
milhões. Para ajustar as contas, a rede se reestruturou antes de entrar na
disputa.
Fechou 20 lojas deficitárias -sendo dez no Sul do país e duas em São Paulo- e
cortou despesas por conta da retração nas vendas.
Analistas de mercado que acompanham as ações da empresa esperam que as vendas
natalinas sejam até 25% superiores às do ano passado.
Já a Casas Bahia, com investimento em mídia de R$ 470 milhões até setembro -em
2002 foram R$ 135 milhões- renovou por mais seis meses o contrato de
exclusividade com o ator do "Quer pagar quanto?", Fabiano Augusto.
Ele tem até 120 inserções de 30 segundos por dia na TV -o que equivale a uma
hora de propaganda por dia.
A rede ainda pretende vender R$ 1 bilhão em mercadorias neste mês, o que
representa aumento de quase 50% sobre o que foi apurado em 2002.
Disputa
"Só a Casas Bahia falava e falava até agora. A competição está de volta e
vai ter guerra no varejo, sim", diz Valente, vice-presidente de criação da
DM9DDB.
"Nós estamos nesse jogo também", diz Marcelo Bazzali, diretor de
gestão de categoria do Extra. A cadeia pretende reforçar as campanhas em torno
de produtos de maior valor agregado.
Nessa disputa, a indústria entrará dividindo os gastos das redes com as
campanhas. Explica-se: quando a loja decide dar maior espaço para a promoção de
uma marca "x" ou "y" em TV ou outdoor, por exemplo, o
fabricante pode arcar com parte dos gastos da loja em mídia.
FOLHA DE S. PAULO | DINHEIRO | 03/12/2003
Justiça pede análise em ração para cães
A
juíza Cristiane Farias dos Santos, da 9ª Vara Federal Cível de São Paulo,
solicitou a realização de uma perícia laboratorial para verificar se um lote da
ração para cães Alpo Purina, fabricada pela Nestlé, utilizou soja transgênica
em sua composição -sem que a informação constasse na embalagem, como determina
a lei. O pedido partiu do Ministério Público Federal.
A informação foi divulgada ontem pela Procuradoria da República no Estado de
São Paulo no início da noite. A Folha não conseguiu localizar a diretoria da
Nestlé para comentar o assunto.
(DA REPORTAGEM LOCAL)
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 03/12/2003
Hospitais
prevêem sucateamento do setor
Outro problema previsto
com aumento da Cofins é terceirização da mão-de-obra
LUCIANA MIRANDA
Se o setor hospitalar privado já enfrenta uma grave crise financeira, a
situação tende a piorar em 2004 por causa do aumento da alíquota da
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Confins) de 3% para
7,6% sobre o faturamento das empresas. Segundo as previsões do setor, o impacto
será certeiro: sucateamento e estímulo à terceirização da mão-de-obra. A
qualidade da assistência do paciente também pode ser sacrificada. Por isso,
deputados em Brasília preparam emendas à medida provisória. Eles querem que o
setor privado da saúde fique fora do aumento.
Os chamados prestadores de serviços - hospitais, clínicas e centros de
diagnósticos - são os mais atingidos pelo aumento do imposto. Pela própria
natureza do negócio, eles podem abater da Cofins menos itens do que uma fábrica
de brinquedos, por exemplo. São itens dedutíveis do imposto insumos e despesas
financeiras, entre outros, mas não gastos com mão-de-obra - principal item de
despesa do ramo hospitalar, chegando a consumir 40% do faturamento.
"Em vez de incentivar a contratação de novos profissionais, o aumento da
Cofins estimula a terceirização", diz Francisco Balestrin, um dos
vice-presidentes da Associação Nacional de Hospitais Privados. A explicação é
simples: serviços contratados de terceiros podem ser deduzidos da Cofins.
"Trata-se de um efeito negativo que pode comprometer a qualidade dos
serviços."
Com exceção dos hospitais privados filantrópicos, isentos do pagamento da
Cofins, cerca de 2 mil estabelecimentos em todo o País serão afetados pela
medida. O Hospital Nove de Julho é um deles. "O setor de prestação de
serviços, como o hospitalar, será o mais prejudicado pelo aumento da Cofins por
possuir gastos não dedutíveis", afirma Mário Shindi Kinoshita, diretor
administrativo-financeiro do Nove de Julho.
Com o aumento do imposto, os hospitais terão custo de operação maior e menos
recursos para investir em renovação de equipamentos. "A tendência é o
sucateamento", alerta Kinoshita. Por causa do constante avanço tecnológico
da medicina, os hospitais têm de renovar aparelhos e instalações regularmente
para não ficarem obsoletos.
Planos - Não haverá reflexos do aumento da Cofins no preço final dos
medicamentos. Os remédios contam com regras diferenciadas para o pagamento do
imposto. "Boa parte dos remédios de uso contínuo não paga Cofins",
explica o presidente-executivo da Federação Brasileira da Indústria
Farmacêutica, Ciro Mortella. Já os produtos que recolhem Cofins têm alíquota de
12,5%, maior até do que os 7,6% propostos pela MP.
No setor de operadoras de planos de saúde também não haverá aumento da Cofins.
"A alíquota de 3% será mantida", diz Arlindo de Almeida, presidente
da Associação Brasileira de Medicina de Grupo.
VALOR ECONÔMICO | LEGISLAÇÃO&TRIBUTOS | 03/12/2003
Ração transgênica
A juíza Cristiane Farias dos Santos, da 9ª Vara Federal Cível de São Paulo, acolheu ontem um pedido do Ministério Público Federal e determinou a realização de uma perícia laboratorial para checar se o lote FMA T3 05:25 da ração para cachorros Alpo Purina, produzida pela Nestlé, utilizou soja transgênica em sua composição sem a rotulagem obrigatória. O laboratório Gene Scan, credenciado pelo Ministério da Agricultura, detectou, após laudo elaborado a pedido do Greenpeace em fevereiro, a presença de 60% de soja transgênica na composição do produto, mas a informação não constou da embalagem da ração. Tal omissão é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor e já aconteceu, segundo a assessoria do MP, com outro produto da Nestlé, o Nestogeno com Soja, para recém-nascidos com intolerância à lactose, o que gerou um termo de compromisso e ajustamento de conduta entre a empresa e o MP de Santa Catarina, em 20 de abril de 2001. Segundo as procuradoras autoras da ação, caso o laudo demonstre a presença de componente transgênico, qualquer consumidor ou organismo de defesa do consumidor que se sentirem lesados pela omissão da informação na embalagem poderão pedir certidão do resultado e entrar com ações individuais na Justiça.
VALOR ECONÔMICO | AGRONEGÓCIOS | 03/12/2003
Nova lei para agricultura orgânica
Vinicius
Doria, De Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sancionar nos próximos dias a lei
aprovada pelo Congresso que estabelece normas para a produção orgânica no
Brasil. A nova lei será um importante instrumento para ampliar a participação
dos produtos orgânicos tanto no mercado nacional quanto no externo. Além de
organizar a produção e a comercialização, a lei prevê que sejam estabelecidas
regras para que o país tenha um sistema de certificação de produtos orgânicos
reconhecido internacionalmente.
O sistema de certificação deverá baratear os custos para quem exporta. Por
falta de regras, quem quer vender orgânicos no exterior precisa contratar lá
fora agências que certifiquem a qualidade do que é produzido aqui dentro.
"Os países que compram orgânicos precisam ter a segurança de que o sistema
de certificação no Brasil é equivalente ao deles. Hoje, tem produtor que é
obrigado a contratar quatro, cinco certificadoras diferentes, uma em cada país
que compra a sua produção", explicou Rogério Dias, que coordena o
Colegiado Nacional de Produção Orgânica do ministério da Agricultura.
Ele disse que a nova lei também vai beneficiar o consumidor nacional, dando ao
Estado o poder legal de fiscalizar o setor. De acordo com o texto aprovado, o
sistema orgânico de produção agropecuária e industrial abrange os produtos
ecológicos, biodinâmicos, naturais, regenerativos, biológicos, agroecológicos e
de agricultura orgânica sustentável.
As cerca de 30 entidades certificadores que atuam no Brasil poderão se
credenciar junto ao Ministério da Agricultura para atuar na certificação de
orgânicos. Até agora, alguns produtores já contratam certificadores, mas sem o
reconhecimento oficial.
Os dados sobre a produção orgânica no Brasil são vagos. O ministério não sabe
quantos produtores atuam nesse mercado, nem o tamanho da produção. Mas
estima-se, com base em informações prestadas pelas próprias certificadoras, que
os orgânicos movimentem entre US$ 90 milhões e US$ 150 milhões por ano.
"A produção brasileira ainda é insignificante, não chega nem a 0,5% da
produção agrícola total do país. Mas o potencial desse mercado é enorme no
Brasil", disse Dias.
Depois de sancionada pelo presidente Lula, a nova lei ainda precisará ser
regulamentada por meio de um decreto, que já está sendo discutido pelos
técnicos do ministério da Agricultura. Essa regulamentação detalhará como será
o processo de certificação e definirá as normas de produção para que um produto
possa receber o selo de "orgânico". Também regulamentará as
penalidades que serão aplicadas para quem não seguir a normas de produção
orgânica.
|
MJ-ELABORAÇÃO LEGISLATIVA |
O ESTADO DE S. PAULO | ESPAÇO ABERTO | 03/12/2003
O adolescente em conflito com a lei
ALEXANDRE
DE MORAES
A Constituição federal estabelece como um dos objetivos fundamentais da
República a construção de uma sociedade livre, justa, solidária. A chamada
Constituição cidadã estabelece um rol de direitos fundamentais que não podem
ser objeto de alteração, tamanha a sua importância para a construção da
democracia, da liberdade. No mesmo diapasão, legislações infraconstitucionais
estabeleceram avanços inegáveis para a conquista dos direitos da pessoa e do
cidadão. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é um desses institutos.
A proteção ao adolescente é fundamental para um país que deseja atingir patamares
de excelência nos direitos individuais e sociais. Proteção que não pode,
entretanto, levar a sensação de impunidade a uma sociedade que convive com atos
infracionais de natureza grave cometidos por quem não pode ser criminalmente
imputável.
A sociedade inicia, assim, um debate sobre a diminuição da maioridade penal,
cansada de presenciar atos de violência hedionda. O governo de São Paulo não se
poderia furtar a essa discussão. E o faz com a credibilidade de quem investe R$
300 milhões por ano na recuperação desses adolescentes. A credibilidade de quem
vem descentralizando o sistema de atendimento ao jovem privado de liberdade em
69 unidades com oficinas profissionalizantes, agenda educativa, proximidade com
a família e, agora, com a geração de empregos. Fundação Bradesco, McDonald's,
Mister Sheik, Empório Ravióli e Beka Cabeleireiros são alguns dos parceiros que
empregam egressos da Febem.
Universidades oferecem bolsas de estudos e concretamente podemos acompanhar o
processo de reinserção desses jovens.
Apesar de todo esse esforço e da crença nas medidas educativas, a consciência
da impunidade faz com que adolescentes extrapolem em suas ações e ajam com
brutalidade impressionante, praticando atos infracionais comparados aos piores
crimes hediondos.
O governador Geraldo Alckmin apresentou sugestão para o debate que altera o ECA
em três aspectos. Primeiro, estabelece um prazo para a medida socioeducativa. O
adolescente precisa saber o tempo que ficará internado. Isso evita ansiedade,
ajuda a organizar a agenda educativa e estabelece um trabalho racional com o
jovem privado de liberdade. A segunda sugestão é a de ampliar a internação para
os casos mais graves no limite máximo de dez anos, e não de três, como vigora
atualmente. E, por fim, transferir os jovens que deverão continuar no sistema,
pela gravidade do que cometeram, aos 18 anos de idade para o sistema
penitenciário, em ala especial, separada dos demais detentos.
As alterações seguem o modelo legislativo juvenil europeu. E têm a finalidade
de retirar do jovem a consciência de impunidade. Essas alterações são
compatíveis com a Convenção dos Direitos da Criança da ONU (1989), ratificada
pelo Brasil em 1990, e não infringem nenhum dispositivo constitucional.
É de fundamental importância destacar que essa discussão precisa sair da
demagogia dos críticos de plantão, que nada fazem para, de fato, apoiar esses
jovens. É preciso, sobretudo, coragem para mudar o que deve ser mudado, de
maneira que o adolescente seja protegido sem desproteger a sociedade.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Maurício Corrêa, elogiou as
propostas de São Paulo por considerá-las equilibradas e adequadas. Não se
almeja ter a verdade única nessa temática, mas é nosso objetivo ter a
experiência de que estamos fazendo o possível para reverter o atual quadro
social. Temos o respaldo do filósofo Aristóteles quando, em sua obra Ética a
Nicômaco, afirma: "As coisas que temos de aprender antes de fazer,
aprendemo-las fazendo (...); da mesma forma, tornamo-nos justos praticando atos
justos, moderados agindo moderadamente, e corajosos agindo corajosamente. Essa
asserção é confirmada pelo que acontece nas cidades, pois os legisladores
formam os cidadãos habituando-os a fazerem o bem; (...) os que não a põem
corretamente em prática falham em seu objetivo, e é sob este aspecto que a boa
constituição difere da má."
As medidas legislativas a serem adotadas são graves, justas e necessárias, não
só para prover o Poder Público de instrumentos legais adequados para o combate
à delinqüência juvenil grave, mas também para possibilitar os meios
indispensáveis à preservação da segurança, da tranqüilidade, do bem-estar da
coletividade e da distribuição de Justiça a toda a sociedade, como determina o
preâmbulo de nosso texto constitucional, e necessitam tão-somente de alteração
no ECA pelo Congresso Nacional.
™PEšAlexandre de Moraes é secretário de Estado da Justiça, Gabriel Chalita é
secretário de Estado da Educação
JORNAL DE BRASÍLIA | CIDADE | 03/12/2003
Caje se
enquadra ou será fechado
Juiz da Vara da Infância e
da Juventude fixa prazo de três meses para que todas as irregularidades sejam
sanadas
A
Secretaria de Ação Social e a diretoria do Centro de Atendimento Juvenil
Especializado (Caje) têm 90 dias para sanar todas as irregularidades da
unidade. Caso contrário, o centro de atendimento será fechado. Isso é o que
determina o juiz Renato Rodovalho Scussel, da Vara da Infância e Juventude de
Brasília, baseado nos artigos 97 e 193 do Estatuto da Criança e Adolescente
(ECA) que asseguram normas de proteção aos menores infratores.
O secretário de Ação Social, Gustavo Ribeiro, deverá ser comunicado da decisão
ainda hoje, assim como a diretora da Caje, Maria Aparecida Fontenelli. O secretário
não quis se pronunciar à reportagem do Jornal de Brasília, alegando que prefere
esperar a notificação oficial, "já que neste momento o mundo está
desabando, com menores morrendo e problemas de superlotação". O porta-voz
do governo do DF, Paulo Fona, manteve a mesma posição do secretário. "É
exatamente isso, vamos esperar o oficial para nos pronunciar", disse.
Em uma inspeção feita pela Vara da Infância e pela Comissão de Direitos Humanos
da Câmara Legislativa, em junho deste ano, ficaram constatadas, além da
superlotação, condições prejudiciais à saúde dos internos, como falta de
higiene, de segurança, escassez de recursos humanos e de materiais,
principalmente na Ala dos Provisórios e no Módulo 1, onde ficam os maiores de
18 anos.
Na ocasião, o juiz pediu para a Secretaria de Ação Social tomar providências
para sanar os problemas. Mas, depois da rebelião de julho (quando os menores
tomaram o Caje por sete horas e deixaram 20 feridos) e agora, com os casos do
assassinato dos menores Wesley Alves da Silva, 15 anos, no último final de
semana, e de L.R.O, 17 anos, no início do mês passado, ficou constatado que as
irregularidades não foram sanadas.
O destino dos internos, caso o Caje seja fechado, será de responsabilidade da
secretaria, segundo a Vara da Infância e Juventude. O prazo de 90 dias, é o
previsto para que as obras do Centro Sócio Amigoniano (Cesame), chamado de Caje
2, sejam finalizadas. A nova unidade deve receber 120 novos internos.
seminárioPara discutir soluções para o Caje, foi realizado, ontem, o seminário
Caje: Avançando Novas Fronteiras. Na ocasião, o secretário Gustavo Ribeiro
lembrou que o orçamento destinado ao centro juvenil aumentou nos últimos anos.
Segundo ele, foram gastos R$ 4,4 milhões em 1998 e R$ 5 milhões em 1999, quando
assumiu o cargo de secretário. Em 2003, foram destinados R$ 21,3 milhões para o
atendimento aos adolescentes e o orçamento para 2004 é de R$ 32,5 milhões.
"Não ficamos esperando de braços cruzados que o Caje explodisse",
disse Gustavo.
A diretora do centro, Maria Aparecida Fontenelli, revelou que está estudando
modificar a porta dos quartos dos internos, que tem uma pequena abertura no
alto. Mesmo assim, ela garante que uma ronda constante é feita nos corredores.
A mudança visaria fazer uma abertura maior no meio da porta, para os monitores
vissem o que ocorre nos quartos.
Para Paulo Marques, da Secretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do
Adolescente da Presidência da República, o Brasil tem três grandes desafios
para melhorar o atendimento educativo. "A internação deve ser a última
hipótese, só para casos exclusivos. Precisamos descentralizar a internação e
construir pequenas unidades de atendimento. E encontrar caminhos de reinserção
desses jovens na sociedade", enumerou.
Os três envolvidos no assassinato de Wesley da Silva ainda estão isolados,
proibidos de voltar ao módulo 3, já que estão ameaçados de morte. A Vara da
Infância deverá dar nova sentença aos menores, pelo assassinato.
|
MJ-EXECUÇÃO PENAL |
JORNAL DO BRASIL | RIO | 03/12/2003
Presos fazem
40 reféns em Bangu 3
Rebelados matam um agente
penitenciário e ferem outros dois durante tentativa de fuga. Negociação será
retomada hoje
Dilson Behrends
Depois de uma tentativa de fuga em massa, detentos da Penitenciária Bangu 3
deflagraram uma rebelião e mantêm 40 reféns desde a manhã de ontem - entre eles
médicos, professores, operários, agentes penitenciários e mulheres de presos.
Os rebelados trocaram tiros com a guarda do presídio por volta do meio dia de
ontem e um dos agentes penitenciários, Luís Cláudio Lima Bonfim, morreu
atingido por duas balas. Os agentes feridos - Pedro Wallace da Silva, atingido
por um estoque na mão esquerda, e Ronaldo Barbosa de Souza, baleado de raspão
nas costas - foram atendidos no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo.
Entre os reféns estão a psicóloga Ana Andrade Rubens Costa e a professora
Glória Santos Lamothe Carvalho, de 30 anos. Glória trabalha na unidade há
apenas 15 dias. A psicóloga é irmã do vereador Rubens Andrade (PSC) que foi
informado por ela de que era refém. De acordo com o diretor da divisão de
ambulatório de Bangu 3, Jorge Souza, os presos se comprometeram a tratar com
dignidade os reféns até que o caso esteja resolvido. Os reféns informaram que
os rebelados estão armados com revólveres, desmentindo a informação de que
haveria fuzis e escopetas entre as armas utilizadas pelo grupo.
Durante todo o dia, representantes da Secretaria de Administração Penitenciária
tentaram apaziguar a situação em Bangu 3 mas, às 20h, as negociações foram
suspensas para serem retomadas hoje, às 7h. De acordo com uma nota oficial
divulgada pela secretaria, a tentativa de fuga aconteceu quando uma viatura do
SOE entrou na penitenciária para recolher alguns presos que deveriam ser
apresentados em juízo. Um grupo de internos armado com estoques avançou contra
os agentes do SOE na tentativa de tomar as armas e a viatura para fugir. Diante
da reação, os cerca de 50 rebelados tomaram várias dependências do prédio,
entre elas a sala do diretor, major Cabral, que não estava na unidade no
momento da ação dos detentos.
Quatro internos também ficaram feridos. Os presos exigiam a presença da
imprensa, de representante da Ordem dos Advogados do Brasil e defensores
públicos, o que lhes foi negado pelos negociadores. O secretário Astério
Pereira dos Santos designou para o diálogo com os rebelados o subsecretário
Adney Peixoto e o coordenador de Unidades Prisionais, coronel Francisco
Spargoli. Ontem à noite Astério informou que o presídio só seria invadido se
houvesse destruição do patrimônio público. O secretário determinou que fossem
suspensos o fornecimento de água e luz do presídio. Desde cedo, a penitenciária
foi cercada por agentes do Serviço de Operações Externas (SOE), policiais
militares do Bope, BPChoque, Getam, 14º BPM (Bangu), que tiveram apoio de
agentes da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e
helicóptero. Várias viaturas do Corpo de Bombeiros e ambulâncias também
permaneceram no local todo o tempo.
Bangu 3 tem capacidade para 930 presos mas, no momento, abriga 781. Quando
souberam que o agente Bonfim tinha morrido, os rebelados pediram também carros
para a fuga.
JORNAL DO BRASIL | RIO | 03/12/2003
Histórico de problemas
A tentativa de fuga no Presídio
Bangu 3 não foi o primeiro incidente da unidade este ano. Considerado pela
administração penitenciária do Estado como principal reduto da facção Comando
Vermelho (CV), o presídio concentra alguns dos líderes da quadrilha e boa parte
dos problemas do sistema prisional. Em julho, o traficante Márcio Nepomuceno, o
Marcinho VP, foi encontrado morto dentro de uma lixeira do presídio. Um mês
depois, o diretor da unidade, Abel Silvério, foi morto numa emboscada. Até agora,
nenhum dos dois crimes foi esclarecido.
Em setembro, foi a partir de Bangu 3 que a facção iniciou uma greve de fome nos
presídios do Estado. A ação começou após uma série de agressões contra os
detentos. Há duas semanas, uma nova série de espancamentos revoltou os presos.
Segundo parentes, a confusão teria começado com a determinação de que eles
usassem uniformes. A Vara de Execuções Penais (VEP) teve que interferir para
acalmar os ânimos.
- É esperar que não aconteça uma tragédia maior do que já aconteceu - analisou
o historiador Marcelo Freixo, coordenador do Conselho da Comunidade, órgão
responsável pela fiscalização dos presídios no Rio, depois de saber da morte de
um agente penitenciário no interior de Bangu 3.
Os prováveis líderes da rebelião, os traficantes Alexander Mendes da Silva, o
Polegar, e Renato de Souza Paula, o Ratinho, já estiveram em Bangu 1 e foram
transferidos para a unidade. Ratinho teve envolvimento na morte do jornalista
Tim Lopes. Após o fim da rebelião, ambos devem ser submetidos ao regime
disciplinar especial e perder o direito a visitas.
O GLOBO | RIO | 03/12/2003
Guarda de Bangu III é morto a tiro em rebelião
Luiz Ernesto Magalhães e Luiz
Carlos Cascon
O agente penitenciário Luiz Cláudio Lima Bonfim, de 33 anos, morreu com um tiro
na barriga e pelo menos mais seis pessoas — dois funcionários do Desipe e
quatro presos — ficaram feridos a bala numa tentativa frustrada de fuga em
massa que terminou em rebelião ontem na Penitenciária Serrano Neves (Bangu
III). Os conflitos começaram às 11h e as negociações foram suspensas às 20h e
só serão retomadas às 7h de hoje.
Segundo policiais, por volta das 11h bandidos armados com pedaços de madeira
dominaram três agentes no momento em que eles se preparavam para sair do
presídio escoltando presos que prestariam depoimento. Os bandidos tomaram as
armas dos agentes e começaram a atirar. O barulho chamou a atenção dos agentes
do Serviço de Operações Externas (SOE) que cercaram o prédio, impedindo a fuga.
Sem ter como escapar, os presos fizeram cerca de 40 pessoas como reféns, entre
funcionários do Desipe, mulheres de presos em visita íntima e operários que
trabalhavam na reforma de uma das galerias. Entre os reféns estão a psicóloga
Ana Andrade Rubens Costa, irmã do vereador Rubens Andrade (PSC), e a professora
Glória Santos Lamothe de Carvalho, que, segundo a família, trabalha em
presídios há apenas 15 dias.
Secretário nãoatende exigências
Durante as negociações, os presos chegaram a exigir carros para fugir. Depois,
pediram a entrada de jornalistas para se renderem . O secretário de
Administração Penitenciária, Astério Pereira da Silva, disse que não atenderá a
qualquer pedido e cortou o fornecimento de água e luz . Ele acrescentou que
está preparado para uma negociação longa.
Segundo funcionários do Desipe, entre os chefes da rebelião está Alexander
Mendes Silva, que chefiou o tráfico do Morro da Mangueira. Os bandidos e reféns
estão espalhados por todo o presídio e tomaram a sala da direção. Para
confundir a polícia, eles teriam obrigado reféns a vestir o uniforme dos
presos.
— A situação ainda não está sob controle. Temos um colega que está sendo
torturado pelos detentos. Eles também estão depredando todas as instalações —
disse a vice-presidente do Sindicato dos Servidores da Secretaria de Justiça,
Wanda da Silva Reis.
Wanda também reclamou das condições de trabalho dos agentes.Segundo ela, nenhum
agente que faz escolta de presos usa colete à prova de balas. Os agentes
feridos — Ronaldo Barbosa de Souza e Pedro Wallace da Silva — estão fora de
perigo. Com ferimentos à bala nas mãos, foram medicados no Hospital Albert
Schweitzer.
O GLOBO | RIO | 03/12/2003
Amotinados têm central telefônica
Através de uma central telefônica
clandestina, presos rebelados de Bangu III conseguem estabelecer contato com o
mundo externo, a qualquer hora e pelo tempo que julgarem necessário. A central,
ligada a um número de cidade do interior do estado, funciona perfeitamente
apesar dos bloqueadores de celular instados no Complexo de Bangu. A prática tem
se tornado freqüente: em agosto deste ano, a polícia já havia descoberto uma
central telefônica em Bebedouro (SP) que completava ligações para Bangu II, III
e IV.
— Pode avisar que a gente não vai afrouxar. Se tiver que morrer, a gente morre,
mas vai levar os reféns — disse um dos detentos, se apresentando como um dos
chefes da rebelião.
O detento desmentiu a versão da Secretaria de Administração Penitenciária sobre
o motivo da rebelião, que teria sido iniciada por causa de uma tentativa de
fuga.
— Não foi nada disso. A gente não agüenta mais ser esculachado (maltratado). Os
agentes roubam nossas roupas e quebram tudo quando “dão geral” (revista nas
celas) — disse ainda o detento.
Preso diz que são 60 os reféns
Segundo o preso, os rebelados estão armados com pistolas e bombas e só vão
entregar os reféns com a presença da imprensa. O total de reféns, na versão do
preso, chegaria a 60 pessoas — 20 a mais que o divulgado por funcionários da
Secretaria de Administração Penitenciária. O clima durante todo o dia
permaneceu tenso no complexo penitenciário. Parentes que foram visitar presos
em outras unidades contaram que ouviram disparos à tarde vindos de Bangu III.
Helicópteros da polícia sobrevoaram o local por horas:
— Fiquei com muito medo. Cheguei a pensar que devido à rebelião os agentes do
Desipe nem permitiriam que as visitas saíssem do presídio hoje (ontem) — disse
Rosângela Gomes da Silva, que visitou o filho Édson Gomes da Silva, condenado
por roubo, em Bangu V.
Bangu III tem capacidade para 896 presos mas atualmente abriga 781. Em julho
deste ano, o então diretor Abel Silvério de Aguiar foi executado com mais de
dez tiros na Avenida Brasil por quatro homens encapuzados. Dez dias antes de
ser morto, o diretor teria se recusado a facilitar a fuga de dois detentos.
Mesmo com o risco de represálias, ele não pediu proteção policial. Em agosto
agentes penitenciários descobriram no presídio um túnel de 20 metros, fuzis,
pistolas e até um laptop em revistas diferentes.
O Núcleo de Inteligência da Secretaria de Administração Penitenciária recebeu
ontem denúncias de que duas granadas estavam escondidas em Bangu I. Numa
revista no presídio, agentes do Serviço de Operações Externas localizaram um
dos explosivos. As revistas prosseguem hoje.
FOLHA DE S. PAULO | PAINEL DO LEITOR | 03/12/2003
Maioridade
"Em meio a tantas discussões
sobre maioridade penal, educação, cultura, alternativas para a Febem, Estatuto
da Criança e do Adolescente, não deixa de ser curiosa a informação publicada
domingo na Folha (Cotidiano) sobre o que encontraram os "peregrinos"
que cruzaram São Paulo a pé. No caminhada de 100 km, deram de cara com 227
botequins e 3 livrarias. Mais do que um paradoxo, isso é um reflexo do que é
oferecido à maioria dos adolescentes de nosso país."
Paulo Rogério B. Rocco (Tambaú, SP)
Ofertas
"Em meio a tantas discussões sobre maioridade penal, educação, cultura,
alternativas para a Febem, Estatuto da Criança e do Adolescente, não deixa de
ser curiosa a informação publicada domingo na Revista da Folha sobre o que
encontraram os "peregrinos" que cruzaram São Paulo a pé. No caminhada
de 100 km, deram de cara com 227 botequins e 3 livrarias. Mais do que um
paradoxo, isso é um reflexo do que é oferecido à maioria dos adolescentes de
nosso país."
Paulo Rogério B. Rocco (Tambaú, SP)
FOLHA DE S. PAULO | COTIDIANO | 03/12/2003
Rebelião em Bangu faz 42 reféns
Uma rebelião no presídio de Bangu
3, na zona oeste do Rio, deixou pelo menos um agente penitenciário morto e seis
pessoas -dois agentes e quatro presos- feridas. Até a conclusão desta edição, o
motim não havia acabado.
Jorge Souza, diretor da divisão de ambulatórios do complexo penitenciário,
conversou com os negociadores e disse que há 42 reféns, entre eles dez agentes
penitenciários e dois médicos. Segundo Souza, há presos e funcionários feridos,
mas os reféns não estão sendo maltratados.
A rebelião começou por volta das 11h, quando um carro do SOE (Serviço de
Operações Especiais) chegou para levar quatro presos que prestariam depoimento
no Fórum, no centro da cidade.
Segundo o secretário de Administração Penitenciária, Astério dos Santos, um
grupo de detentos atacou o carro e rendeu os agentes. Em uma troca de tiros, o
agente Luiz Cláudio Lima Bonfim foi atingido duas vezes no peito e morreu no
hospital Rocha Faria, em Campo Grande.
(DA SUCURSAL DO RIO)
O ESTADO DE S. PAULO | CIDADES | 03/12/2003
Rebelião em
Bangu deixa 1 morto e 6 feridos
Secretário diz que houve
tentativa de fuga, mas presos negam; motim começou de manhã
CLARISSA THOMÉ
RIO - Pelo menos um agente penitenciário morreu, dois ficaram feridos e quatro
presos foram baleados, ontem, durante rebelião no presídio de segurança máxima
Bangu 3. A polícia cercou o presídio, impedindo que detentos escapassem. À
noite, as negociações foram suspensas. O fornecimento de luz e água foi
cortado, por determinação do secretário da Administração Penitenciária, Astério
Pereira dos Santos. No horário do almoço, um grupo de presos invadiu a cozinha
e pegou alimentos.
A confusão começou pouco depois das 10 horas, quando um carro do Departamento
do Sistema Penitenciário (Desipe) recolhia presos que deveriam ser apresentados
à Justiça. Quatro deles já estavam no veículo, quando presos armados com facas
tentaram dominar três agentes e derrubaram suas armas. O agente Luiz Cláudio
Lima Bonfim, de 33 anos, foi atingido no abdome e na perna e morreu. Ronaldo
Barbosa de Souza e Pedro Wallace da Silva também foram feridos.
Os presos, então, retornaram, invadiram o gabinete do diretor e fizeram 40
reféns - entre eles 20 operários de uma obra, 7 professores, psicólogos,
médicos e mulheres de presos que faziam visitas. Segundo Astério, os presos
exigiram um carro e uma comissão formada de advogados e jornalistas.
Um preso que se identificou como Pele Vermelha falou ao Estado, por meio de sua
mulher, comprovando a ineficácia do bloqueador de celulares. Ele negou a
tentativa de fuga e disse que eles reivindicavam melhor alimentação, fim dos
maus-tratos e da revista íntima.
O ESTADO DE S. PAULO | CIDADES | 03/12/2003
Presos terão este ano indulto humanitário
O Diário Oficial da União publicou ontem o Decreto 4.904, que concede Indulto de Natal, com perdão total aos condenados em condições de merecê-lo. Uma das novidades é o indulto humanitário, concedido a paraplégicos, tetraplégicos, portadores de cegueira total e de doenças graves e permanentes. Nestes casos, é necessário um laudo médico oficial. Não terão direito ao indulto os sentenciados por crime de tortura, terrorismo, tráfico de drogas, bem como os condenados por crimes hediondos.
CORREIO BRAZILIENSE | BRASIL | 03/12/2003
Rebelião mata agente e deixa seis feridos
Um motim no presídio de Bangu 3, na zona oeste do Rio, deixou ontem pelo menos um agente penitenciário morto e seis pessoas feridas (dois agentes e quatro presos). Ontem à noite, a Secretaria de Administração Penitenciária confirmava a existência de pelo menos 12 reféns. A rebelião começou por volta das 11h, quando um carro do Serviço de Operações Especiais chegou para levar quatro presos que prestariam depoimento no Fórum, no centro da cidade. A versão oficial, segundo o secretário de Administração Penitenciária, Astério dos Santos, é a de que um grupo de detentos atacou o carro e rendeu os agentes. Houve troca de tiros. O agente Luiz Cláudio Lima Bonfim foi atingido duas vezes no peito e morreu no hospital Rocha Faria, em Campo Grande. Os agentes Ronaldo Rosa de Souza e Pedro Walace da Silva foram feridos com estocadas nas mãos e braços. O secretário determinou que a água e a luz do presídio fossem cortadas. Às 18h30, a vice-presidente do Sindicato dos Servidores da Justiça, Wanda Silva Pereira Reis, que esteve no presídio, disse que ‘‘a situação não está sob controle nenhum’’.
CORREIO BRAZILIENSE | CIDADES | 03/12/2003
Justiça
ameaça desativar o Caje
Juiz da Vara da Infância
dá prazo de 90 dias para instituição se adequar ao Estatuto da Criança e do
Adolescente. Magistrado considera internato insalubre, inseguro e sem condições
de funcionamento
Fabíola
Góis
Da equipe do Correio
O juiz titular da Vara da Infância e da Juventude de Brasília, Renato Rodovalho
Scussel, decidiu ontem dar um prazo de 90 dias para que os responsáveis pelo
Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje) adotem medidas de adequação
às exigências do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Caso a
determinação judicial não seja atendida, a instituição será fechada.
Renato Rodovalho resolveu dar um ultimato ao secretário de Ação Social, Gustavo
Ribeiro, e à diretora do Caje, Maria Aparecida Fontenelli, depois de concluir,
durante procedimento de investigação aberto pela Vara da Infância e da
Juventude, que a instituição tem ‘‘estrutura insalubre e precárias condições de
higiene, funcionamento, habitabilidade e segurança, além de superlotação e
escassez de recursos humanos’’.
As irregularidades foram constatadas nas alas de internação provisória e de
internação estrita (sentenciados) depois da última rebelião, no dia 18 de julho
de 2003. Durante o motim, cerca de 100 internos, armados com facas artesanais e
barras de ferro, mantiveram oito monitores reféns e destruíram dois pavilhões.
O saldo foi de 40 internos feridos, 120 colchões queimados, 40 aparelhos de TV
destruídos e 36 jovens transferidos para o Departamento de Polícia
Especializada (DPE).
A diretora do Caje deverá ser intimada ainda hoje para ser informada da decisão
do juiz. Já o secretário Gustavo Ribeiro será notificado. Por meio de sua
assessoria, Renato Rodovalho informou que reconhece as mudanças no Caje depois
da última rebelião e o esforço do governo para melhorar a instituição, mas
reforçou que elas ainda não atendem às exigências do ECA.
Seminário
A decisão do juiz foi anunciada depois de sua participação na abertura do 1º
Seminário Caje Avançando Novas Fronteiras, realizado ontem no auditório da
Faculdade Alvorada, na 916 Norte. ‘‘O momento é de rever conceitos, posturas e
metas’’, afirmou Renato Rodovalho.
A diretora do Caje, Maria Aparecida Fontenelli, disse que só vai se pronunciar
depois de tomar conhecimento do teor da decisão de Renato Rodovalho. Durante o
evento, ela negou que haja clima de insegurança nas instalações da instituição.
‘‘O que é preciso é um cuidado maior pelo excesso de internos’’, apontou.
Na manhã de ontem, porém, monitores se depararam com mais problemas dentro da
instituição. Durante revista de rotina, eles encontraram dois estoques (espécie
de faca feita de modo artesanal) com infratores de quatro alas de sentenciados.
A revista é rotineira e ocorre uma vez por semana.
A preocupação do juiz com a ressocialização dos internos foi elogiada por Paulo
Marques, gerente do Programa de Adolescentes em Conflito com a Lei da
Secretaria Especial de Direitos Humanos, do governo federal. ‘‘Já temos avanços
em Brasília em relação a outros estados, como sistema de atendimento integrado
de adolescentes entre o juiz, a promotoria, o governo e a defensoria pública’’,
ressaltou Marques.
O gerente informou que o governo federal já liberou R$ 2 milhões para a
construção do Centro Socioeducativo Amigoniano (Cesami), o Caje II. Para
Marques, o atual sistema para abrigar infratores é falido. Segundo ele, o ideal
seriam instituições com até 40 internos.
O secretário de Ação Social, que participou do seminário, reconhece que há
problemas estruturais no Caje, mas nega que o local sempre tenha sido palco de
conflito. ‘‘Estávamos sem problemas desde 1999’’, afirmou.
Apesar das atividades preparadas por funcionários da secretaria, o clima do
seminário foi de luto pelas duas mortes ocorridas no mês passado. ‘‘Não adianta
se falar em desafios. A sociedade precisa ver os resultados’’, disse a
promotora Selma Sauerbronn.
AS EXIGÊNCIAS
O juiz constatou que a estrutura do Caje é insalubre, com precárias condições
de higiene, habitabilidade e segurança. Em sua decisão, cita que há
superlotação e escassez de recursos humanos. O Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) prevê que o fechamento é uma medida aplicável a entidades
governamentais que descumprirem obrigações. Entre as exigências do magistrado
para a direção do Caje estão:
oferecer atendimento personalizado, em pequenas unidades e grupos reduzidos;
oferecer instalações físicas em condições adequadas de habitabilidade, higiene,
salubridade e segurança, e os objetos necessários à higiene pessoal; manter
programas destinados ao apoio e acompanhamento de egressos; oferecer cuidados
médicos, psicológicos, odontológicos e farmacêuticos; não negar direitos que
não tenham sido objeto de restrição na decisão de internação.
JORNAL DE BRASÍLIA | BRASIL | 03/12/2003
Rebelados matam agente
Pelo menos um agente penitenciário morreu, dois ficaram feridos e quatro presos foram baleados ontem, de manhã, numa tentativa de fuga seguida de rebelião, no presídio de segurança máxima Bangu 3, no Rio. A polícia cercou o presídio, impedindo que os detentos escapassem. A rebelião não havia terminado, até ontem, à noite. O fornecimento de luz e água para o presídio foi cortado, por determinação do secretário de Administração Penitenciária do RJ, Astério Pereira dos Santos. Os presos invadiram a cozinha, onde pegaram alimentos, na hora do almoço. A penitenciária foi cercada pela PM e a ordem foi não permitir a fuga dos detentos rebelados.
|
MJ-EXPLORAÇÃO SEXUAL |
O ESTADO DE S. PAULO | GERAL | 03/12/2003
PF prende 11
acusados de tráfico de rins
Quadrilha pagava até US$
10 mil pelo órgão, que era extraído em clínica da África do Sul
ÂNGELA LACERDA
RECIFE - Onze pessoas acusadas de tráfico de órgãos foram presas ontem, pela Polícia Federal em Pernambuco - dez delas no
Recife e uma em Bonito, no agreste. Segundo o superintendente regional da PF,
Wilson Damázio, o grupo, comandado por dois israelenses, aliciava gente para a
venda de rins. Depois de passar por exames médicos e teste de compatibilidade
sanguínea, os candidatos aprovados eram levados a Durban, na África do Sul,
onde se submetiam à cirurgia para retirada de um rim, pelo qual recebiam entre
US$ 6 mil e US$ 10 mil. A estimativa da PF é de que mais de 30 pessoas venderam
um rim.
As prisões e os mandados de busca em quatro residências foram determinados pela
juíza federal Amanda Torres de Lucena. Os presos foram incursos nos artigos 14
e 15 da Lei 9.434/97 - sobre remoção e venda de órgãos - e por formação de
quadrilha. A lei brasileira proíbe a comercialização de órgãos e tecidos -
mesmo, como neste caso, sendo consentida - e só permite a doação, com
consetimento da família no caso de alguém que morreu. Vale o mesmo para a
doação intervivos, em que geralmente um parente doa um rim, parte do fígado ou
medula para o paciente. A PF informa que todas as pessoas que venderam seus
rins estão vivas e retornaram ao País.
A PF vinha investigando o caso havia nove meses, a partir de uma denúncia
anônima enviada por e-mail. Wilson Damázio afirmou que o fato é inédito no País
e que outras pessoas podem vir a ser indiciadas, já que as diligências
continuam e a PF está entrando em contato com o adido policial da África do Sul
e com a Interpol para ampliar as investigações. O caso está sob segredo de
Justiça. Os nomes dos acusados não foram divulgados. Segundo ele, os israelenses
vinham ao País para levar as pessoas aliciadas pelo grupo, chamado pela PF de
"vendedores de rins".
|
MJ-INSTITUCIONAL |
O GLOBO | ELIO GASPARI | 03/12/2003
Lula foi do linchamento às ilusões
Lula voltou a informar que é
contra a redução da maioridade penal. Com isso, o presidente da República
alimenta seu estilo de cidadão das ilusões. Defende todas as causas sem custo e
todos os custos sem causa.
No caso da redução da maioridade dos bandidos que ainda não completaram 18
anos, pode-se ficar contra ou a favor sem que isso afete o orçamento. A
segurança pública é um dos únicos itens da agenda nacional onde se pode ser
altruísta sem que a banca, o FMI e o doutor Antonio Palocci ameacem a choldra
com uma retaliação do mercado. Pode-se defender um sistema penal finlandês sem
que isso custe um só centavo.
O governo diz que não se pode baixar a maioridade de um garoto de 16 anos
porque os menores de idade não podem ser colocados nas máquinas de formar
criminosos das penitenciárias brasileiras. Falso. Ninguém quer colocar os
delinqüentes de 16 anos nas penitenciárias. Só os latrocidas. É forte? Então só
os latrocidas reincidentes.
A violência urbana já fez três vítimas no círculo próximo do atual presidente
da República. O primeiro marido de sua mulher foi assassinado. Depois
assassinaram o pai do morto. Isso quando Lula era um sindicalista. Como
presidente, mataram-lhe o segurança de um de seus filhos.
Afora Prudente de Moraes, cujo pai foi morto por um escravo, Lula é o
presidente brasileiro que esteve mais perto de uma cena de violência homicida.
É ele quem conta o caso, no excepcional livro “Lula, o filho do Brasil”, da
jornalista Denise Paraná, editado pela Fundação Perseu Abramo:
“Se não me engano, foi em 1962. Tinha uma fábrica na Rua Vemag, uma pequena
tecelagem, uma fábrica de meia. Lá eu presenciei a cena mais violenta de uma
greve. O pessoal vinha numa passeata e tentou parar a fábrica, que era pequena.
Deveriam trabalhar umas oito ou nove pessoas, no máximo. Ficava num sobrado. O
pessoal entrou e foi subindo as escadarias. Então o dono da fábrica atirou.
Atirou e o tiro pegou na bexiga de um companheiro que estava na frente. O
pessoal ficou invocado e jogou pela janela o dono da fábrica; ele caiu do segundo
andar. O cidadão caiu no chão e lá embaixo o pessoal chutou ele, agrediu. (...)
Ele foi para o hospital, mas acho que ele morreu. A impressão que eu tenho é
que ele não sobreviveu (...) Eu achava que o pessoal estava fazendo justiça.”
Certamente Lula mudou de opinião a respeito da justiça dos linchamentos.
Lula, o ministro da Justiça e a torcida do Flamengo sabem que os estupradores
não temem os códigos. O que eles temem é a lei da massa, aquela que vigora nos
presídios infames do Estado brasileiro. Temem o pessoal que fica invocado.
Coisas de Lula: defende leis finlandesas, promete presídios americanos e não
libera as verbas necessárias para trancar os bandidos brasileiros.
A discussão politicamente correta é assim: quando interessa, passa-se o
adversário nas armas ou no pau. Fora da cena, muda-se de chapéu. O cidadão
transforma-se num iluminista ambulante. Um estranho iluminista, pois em nome da
civilização interdita o debate. Fica a impressão de que todo bandido tem algo
de carente e todo defensor da redução da maioridade tem algo de bandido. Nesse
mundo politicamente correto, defender a convocação de um plebiscito para
decidir com quantos anos um assassino deve pagar integralmente pelo seu crime,
parece coisa de selvagem.
Plebiscito? Responde o general João Batista Figueiredo, que governou o Brasil
de 1979 a 1985. Depois de ter sido sovado na eleição de 74, concluiu: “Povo de
merda, que não sabe votar.”
FOLHA DE S. PAULO | BRASIL | 03/12/2003
Promotores pediram apoio ao PT
LILIAN CHRISTOFOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL
A Promotoria criminal de Santo André pediu diretamente ao chefe-de-gabinete do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, o apoio do PT na
investigação sobre o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel (PT). A Promotoria
acredita ter reunido provas do envolvimento do empresário Sérgio Gomes da Silva
na morte do petista.
O empresário começou a trabalhar como segurança de Daniel em 1988 e, aos
poucos, se transformou num dos melhores amigos do prefeito. Virou seu assessor
em 1994, quando Daniel foi eleito deputado federal. Na noite em que o prefeito
foi sequestrado, o empresário o acompanhava no mesmo carro em que estava. Gomes
da Silva, por meio de seu advogado, nega qualquer participação na morte de
Daniel.
A reunião informal entre o assessor de Lula e os três promotores criminais que
apuram o caso, ocorrida há aproximadamente três semanas, foi narrada a
familiares do prefeito morto.
A Folha apurou que a Promotoria relatou em detalhes a Carvalho o caminho da
apuração, as suspeitas dos familiares, os depoimentos dos presos e o conteúdo
das provas contra o empresário. Em diversos momentos, repetiram ao assessor de
Lula que a investigação não tem cunho político e é embasada em provas
documentais e testemunhais.
Desde agosto do ano passado, quando o Ministério Público reabriu a investigação
da Polícia Civil -que havia concluído por crime comum-, o trabalho dos
promotores é visto com relutância por alguns petistas, que associam o caso ao
interesse político em prejudicar o partido.
Daniel era um importante nome dentro do PT e a administração de Santo André
ainda é considerada um modelo de gestão do Partido dos Trabalhadores.
Colaboração
O encontro, intermediado por Marilena Nakano, cunhada de Daniel, foi agendado a
pedido do Ministério Público.
Segundo narrativa de familiares do prefeito assassinado, Carvalho escutou a
versão dos promotores em silêncio. Ao final, prometeu colaboração e informou
que iria repassar os detalhes da história ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e ao advogado e
deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT), que, na época do crime,
acompanhou de perto as investigações.
O deputado afirmou ter a convicção de que o assassinato do prefeito foi crime
comum.
Procurados pela reportagem, os promotores criminais de Santo André informaram
que não irão comentar o assunto, pois a investigação não terminou. A Folha
telefonou ontem seis vezes para o gabinete de Carvalho e foi informada de que o
chefe-de-gabinete estava em reunião.
FOLHA DE S. PAULO | OPINIÃO | 03/12/2003
Erramos
Por um erro de digitação, a reportagem "Delegado federal vai assumir secretaria" (Cotidiano, pág. C4, 12/11), a palavra "desagradavam" foi grafada incorretamente como"desagravam" na frase "o ministro Márcio Thomaz Bastos deseja dar um caráter mais operacional para o cargo, um dos aspectos que lhe desagravam na gestão anterior". Em alguns exemplares da edição, foi informado que Luiz Eduardo Soares seria sociólogo. Ele é antropólogo.
O ESTADO DE S. PAULO | CIDADES | 03/12/2003
Polícia Federal de Brasília pode entrar em greve
Policiais federais do Distrito Federal pretendem entrar em greve hoje por aumento salarial. Eles sustentam que desempenham funções de nível superior mas têm remuneração de nível médio. A promessa dos funcionários é fazer piquetes e manter apenas tarefas essenciais como a guarda de presos na superintendência. Entre os serviços que devem ser prejudicados pela paralisação está a emissão de passaportes, que chega a 120 documentos por dia.
GAZETA MERCANTIL | INTERNACIONAL | 03/12/2003
Mercosul e UE iniciam rodada de negociações
Bruxelas, 3 de Dezembro de 2003 -
As delegações da União Européia (UE) e do Mercosul abriram ontem, em Bruxelas,
a décima primeira rodada de negociações para um Acordo de Associação entre os dois
blocos, em que vão preparar a fase final do processo. Segundo o comissário
europeu de Comércio, Pascal Lamy, trata-se de uma rodada de caráter técnico,
como as partes concordaram em 12 de novembro passado em Bruxelas, no encontro
em que estabeleceram o calendário e o plano de trabalho detalhado para concluir
o acordo até outubro do próximo ano.
"Tanto a negociação desta semana como as que irão ocorrer mais
adiante", explicou Lamy aos jornalistas, "fazem parte do cronograma
de conversações acertado naquela data". Na agenda das discussões iniciadas
ontem está incluída, segundo Lamy, a preparação das modalidades de negociação
no capítulo agrícola, um dos mais sensíveis do futuro acordo. As modalidades
marcam os objetivos gerais da negociação e a forma para consegui-los, porque o
planejamento determina as características do resultado final da mesma.
Fontes da UE explicaram que o objetivo é preparar a última fase da negociação,
dividida em duas etapas: uma até a reunião de cúpula de chefes de Estado ou de governo
da UE, América Latina e Caribe, que acontecerá em maio do próximo ano em
Guadalajara, México, e a segunda, até outubro, data em que o acordo poderá ser
finalizado.
(Gazeta Mercantil/Caderno A10)(EFE)
CORREIO BRAZILIENSE | SR. REDATOR | 03/12/2003
SALÁRIOS
Manifesto minha indignação e
revolta com relação à matéria ‘‘PMs dão prazo ao governo’’ (26/11). A matéria é
falaciosa, descrevendo um quadro tendencioso pelo qual o oficial da PM recebe
remuneração de R$ 15 mil e o praça de R$ 1.400,00. De início, destaco que
existem sete níveis hierárquicos de praças e sete de oficiais, cada um com
valores remuneratórios diferentes. Vejam meu caso específico: sou coronel, o
posto mais alto na escala hierárquica. Exerci os cargos técnicos compatíveis
com os níveis hierárquicos a que fui galgando e recebo hoje, após 30 anos de
serviço, deduzidos os descontos obrigatórios, R$ 6.407,71 líquidos, quase um
terço a menos do que foi divulgado.
Paulo Cesar Gama Fontana, SQS 416
NR: Os valores salariais foram repassados pela assessoria do Ministério da Justiça.
JORNAL DE BRASÍLIA | EDITORIAL | 03/12/2003
Mistérios das arábias
As
contradições que imperam na administração pública e os conflitos que empurram o
presidente Lula para fora do núcleo de poder não parecem inquietar a alma do
rijo nordestino.
No último final de semana, em entrevista ao Canal Livre, da Rede Bandeirantes
de Televisão, o presidente, acomodado entre o pelotão de jornalistas, não
alterou o semblante e respondeu às perguntas com a tranqüilidade de quem tem
tempo para resolver as questões nacionais. Bem trajado, cabelos acaju, posição
descontraída, porém, sem perder a postura de chefe da nação. Nos cabelos, os efeitos
do cloro da piscina e dos refletores sobre os fios grisalhos causaram a
impressão de que o presidente faz rinçagem para esconder os 11 meses de luta
O primeiro-ministro Schröeder, da Alemanha, sofreu um bocado para explicar as
mudanças de tonalidade de seus cabelos. Na Alemanha é diferente, pois, com a
democracia consolidada, corrupção baixa, criminalidade controlada, previdência
social sem problemas, crianças, jovens e idosos protegidos, resta pouco para a
mídia cutucar o governo, tornando isso um mero detalhe; aqui, não, os problemas
são tão graves, que ninguém vai ficar implicando com Lula por causa das suas
melenas destoantes da alva barba, hoje, não mais guevariana.
O presidente se mostra feliz com as viagens que faz pelo mundo, bem como a que
fará nesta semana ao Oriente Médio. Já recomendou que as mulheres usem a
"burca" o que, sem dúvida, impedirá que os fofoqueiros voltem a
criticar a presença da primeira-dama ao lado do marido. Esse é outro detalhe
que deveria ser deixado de lado, pois Marisa Letícia acompanhou a carreira
política de Lula desde os tempos de operário, sendo justo que, agora, usufrua
dos bônus presidenciais.
Uma dúvida, no entanto, vai ficar com a partida de Lula para locais tão
distantes. É a questão da reforma ministerial que o presidente guardou somente
para si. Os líderes do PMDB, que têm feito a sua parte com dedicação e
interesse público, devem estar sofrendo com a indecisão sobre os ministérios
que lhes serão destinados. Sabe-se que o Ministério dos Transportes é o mais indicado
para ser ocupado pelo partido, pois, além da tradição na condução da área, os
peemedebistas ficariam muito satisfeitos em poder recuperar a malha rodoviária
nacional, podendo restabelecer a confiança dos eleitores nas eleições
municipais, em 2004.
Outro ministério que poderá ser destinado ao PMDB é o da Justiça, hoje ocupado
pelo advogado Márcio Thomaz Bastos.
Advogado de Lula, Bastos tem sofrido com a falta de recursos e o
recrudescimento da violência e da criminalidade, que superam os seus bons propósitos.
O senador Renan Calheiros, em seu curto período no Ministério da Justiça, determinou ações e
conseguiu imprimir agilidade nos diversos órgãos sob sua responsabilidade. A
volta de Renan seria um alento na exigência de atendimento dos pleitos dos
servidores e da Nação acuada.
Mas, se Lula pretender que Renan continue líder, aguardando a presidência do
Senado, não se sentindo constrangido para tirar o amigo – e amigo é pra essas
coisas –, o embaixador Itamar Franco deve estar de malas prontas para retomar o
caminho de Juiz de Fora e a prefeitura da cidade que lhe acalma a alma. Lá,
tranqüilo e prefeito, poderá encerrar uma das mais brilhantes carreiras
políticas da vida nacional. Nessa hipótese, com Bastos, embaixador, e Renan,
líder, a vez é do deputado Michel Temer, que aguarda o Ministério da Justiça com os braços abertos.
Mas e o deputado Eunício de Oliveira, que tantos serviços prestou à
administração petista, como ficará? Nas arábias, Lula poderá consultar Alá e
buscar a solução que, pelo jeito do PT, talvez nem venha.
|
MJ-POVOS INDÍGENAS |
O ESTADO DE S. PAULO | GERAL | 03/12/2003
Xavantes ameaçam invadir área de reserva ocupada por posseiros
BRASÍLIA - Quarenta xavantes
avisaram ontem o ministro da Justiça, Márcio
Thomaz Bastos, que pode haver conflito com posseiros em Mato
Grosso.
Se o retorno dos índios à reserva demarcada pela Funai
na região de Alto Boa Vista não for liberado até sexta-feira, os cerca de 600
xavantes acampados ali perto entrarão à força. Liminar do desembargador
Fagundes de Deus, do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, impede o acesso
dos xavantes e garante o direito dos posseiros. A demora da Justiça em derrubar
a liminar e achar nova área para os posseiros, considerados inocentes pelos
próprios índios, incomoda os xavantes. Bastos disse que a questão deve ser
resolvida com ajuda da Funai e que
pedirá à Polícia Federal garantia de
segurança no local.
Prêmio - O ministro da Cultura, Gilberto Gil, entregou a representantes da
etnia oiampi (waiãpi), do Amapá, o Certificado de Obra Prima do Patrimônio Oral
e Imaterial da Humanidade. O prêmio, concedido pela Unesco, é um reconhecimento
à contribuição cultural da arte oiampi de decoração. Esta foi a primeira vez
que uma manifestação indígena brasileira foi apresentada à Unesco como bem
cultural. (Theo Saad)
JORNAL DE BRASÍLIA | CARLOS HONORATO | 03/12/2003
Grupos na Funai
Em depoimento à Subcomissão Permanente da Amazônia, o ex-presidente da Fundação Nacional do Índio - Funai, Eduardo Almeida, confirmou a existência de grupos organizados dentro da instituição destinados a agir em favor de interesses de grupos econômicos, principalmente os ligados aos madeireiros e mineradores, e a desestabilizar o que chamou de "verdadeiro trabalho em defesa da manutenção da cultura, dos costumes e da história dos povos indígenas".
|
MJ-SEGURANÇA PÚBLICA |
JORNAL DO BRASIL | BRASIL | 03/12/2003
Desarmamento
em pauta no Senado
'Broker' ainda causa
polêmica
Paulo de Tarso Lyra
BRASÍLIA - A Comissão de Constituição e Justiça do Senado deve votar hoje o
Estatuto do Desarmamento. Um ponto, incluído ao apagar das luzes na votação do
Estatuto na Câmara, incomoda o relator, o senador César Borges (PFL-BA): a
tipificação do broker - intermediário na venda de armas entre comerciantes e
terceiros. Borges reclama que a figura do vendedor ilegal de armas para
traficantes jamais apareceu em qualquer discussão no Congresso.
- Estaríamos legalizando uma figura que hoje é um contrabandista, um
traficante. Amanhã, quando formos prendê-lo, ele vai dizer que não é
contrabandista, é broker - queixou-se Borges.
A inclusão do broker no Estatuto, durante a votação do texto no plenário da
Câmara, foi fruto da pressão exercida pelo Viva Rio. Inseguro quanto à questão,
Borges retirou esse ponto de seu relatório. No entanto, o líder do governo no
Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), vai apresentar um destaque para que a
figura do broker seja novamente incluída. Fora essa divergência, Mercadante
garante o apoio ao Estatuto:
- Essa matéria está sendo discutida no Senado desde o recesso de julho. Só não
votamos o projeto na CCJ na semana passada porque pediram vistas do relatório.
Para o coordenador de controle de armas do Viva Rio, Antônio Rangel, Cesar
Borges não entendeu que a figura do broker já existe. Segundo Rangel, a
intenção do Viva Rio é permitir que a justiça possa punir os vendedores ilegais
de armas.
O coordenador do Viva Rio lembrou o exemplo de uma pessoa que vendia armas para
traficantes do Rio de Janeiro. Quando a polícia desmontou a quadrilha, o
traficante foi obrigado a se refugiar na Bolívia. O broker não.
- Ele continuou no Rio. Como não existe para a lei, não pode ser punido -
explicou Rangel.
O Estatuto que deve ser votado hoje na CCJ derruba o artigo permitindo que
agentes de fiscalização ambiental, trabalhista ou tributária portem armas de fogo.
Também desautoriza guardas municipais armados em cidades com menos de 250 mil
habitantes.
JORNAL DO BRASIL | BRASÍLIA | 03/12/2003
Inconfidências e prejuízos
Fernando Honorato
Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no DF (Sindipol/DF)
As inconfidências do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim,
de que houve burla contra a Constituição de 1988, não constituem um fato
estranho para nós, policiais federais. Lidamos, diariamente, com uma gama de
ocorrências de variados matizes provindos, em sua maioria, de mentes
astuciosas, as quais, até por ociosidade, se divertem com o poder que, em algum
momento, detêm, modificando o rumo dos acontecimentos dos fatos em que se
encontram envolvidos, provocando, por conseguinte, prejuízos diversos em todos
os campos da sociedade.
Depois de uma luta de sofrimentos inconfessos dentro do Departamento de Polícia Federal, conseguimos transformar,
através da Lei 9.266, em 1996, todos os cargos da carreira policial federal em
nível superior. Entretanto, ''no apagar das luzes, inseriram no Congresso
Nacional, não se sabe quem, na citada lei valores de vencimento básico que
desfiguraram totalmente seu espírito, pois rebaixou vários componentes da
carreira à condição de nível médio, sendo que seu principal objetivo foi de
modificar todos os cargos da carreira para nível superior. O anexo II tenta dar
à lei um sentido que ela não tem, em um momento em que a polícia carecia de uma
verdadeira transformação.
Desde então, trabalhamos na tentativa de tornar sem efeito essa estranha tabela
que, dividida às escondidas, foi retirada da tabela do Plano de Cargos e
Carreira do Servidor Público da União (PCCS), e que, por ''erro'', utilizaram
vencimentos de nível médio para os policiais federais.
A votação no Congresso para aprovar essa lei foi precedida por variados
debates, onde se justificava a necessidade de transformação de todos os cargos
da carreira em nível superior, melhorando, assim, a qualidade do trabalhador
policial. Mas aqueles que insistem em manter a PF em um patamar rebaixado (para
melhor controlar suas atividades, de forma que o combate à corrupção não
caminhe) agiram sorrateiramente, fraudando o ideal daqueles parlamentares que
queriam dignificá-la.
Pelo que vimos nas inconfidências do ministro Jobim, modificar as leis à
revelia dos parlamentares constitui em uma prática que se perpetua no Congresso
e nunca saberemos quantos prejuízos causou a todos nós. Os vencimentos de nível
médio apareceram, como por ''mágica'', em um anexo da lei, mas não poderiam ter
sido aprovados pelos parlamentares, pois são totalmente contrários ao texto
dessa mesma Lei.
Agora, após intenso trabalho no DPF e no Ministério
da Justiça, esbarramos na área econômica do governo, a qual
deveria estar preocupada, sim, com aqueles funcionários públicos que, após
serem flagrados na corrupção, recebem como pena a aposentadoria integral, em um
total desrespeito à economia do Estado. Impedir que os policiais federais
recebam os vencimentos básicos conforme a lei é uma excrescência perniciosa.
Acreditamos que o governo tenha mais o que fazer.
Por mais que as autoridades políticas se mobilizem para resolvermos a grande
charada (aumento desgovernado da criminalidade), não conseguirão decifrar o
enigma enquanto os agentes do front da atividade policial encontrarem-se
desmotivados, no aguardo de também verem seu direito legal aplicado
corretamente.
Seria uma incoerência sermos exigidos a nos colocar à frente dos combates à
criminalidade ''em nome da lei'', enquanto a lei que nos organiza é descumprida
há vários anos pelas autoridades governamentais.
Uma lei não se cria do nada; ela é a materialização dos desejos das pessoas que
a reclamam e são atendidas por seus representantes atentos. No caso das
inconfidências do Ministro Jobim, arrisca o Presidente do STF, Ministro
Maurício Corrêa: ''...está tudo sepultado pelo tempo''. E, no nosso caso?
Alhures, pode-se resolver com o ''sepultamento''. Afinal, o inconfidente afirma
ter havido até ''benefícios''. Porém, para nós, só prejuízos e muitos....
Continuaremos a lutar pelo engrandecimento da Polícia
Federal, pois só assim garantiremos uma prestação de serviços
adequada às exigências da sociedade. Mesmo assim, não abriremos mão do direito
de parar de trabalhar na tentativa de demonstrar aos nossos governantes o valor
de nossa atividade laboral. Esperamos que a área econômica do Governo se
sensibilize e resolva essa questão, permitindo que o Congresso Nacional aprove
as propostas orçamentárias que trarão recursos para que o DPF continue com sua
missão constitucional de garantir à sociedade uma polícia sempre disposta a
doar sua vida pelo cumprimento da Lei.
JORNAL DO BRASIL | BRASIL | 03/12/2003
Polícia prende grupo que vendia órgãos
RECIFE - A Polícia Federal prendeu em Pernambuco 11 pessoas envolvidas com o tráfico internacional de órgãos. O chefe da quadrilha é um israelense. A PF mantém o nome dos presos em sigilo, porque ainda estão sendo investigadas ramificações no exterior. O bando é especializado na venda de rins, que chegavam a custar US$ 10 mil. Os interessados em vender órgãos viajavam para a África do Sul para fazer a cirurgia.
JORNAL DO BRASIL | ACELERA | 03/12/2003
Infrações
bárbaras
Individualismo e falta de
educação renitentes assombram o trânsito
Maria Ganem
Fim de expediente em cidade grande, filas de automóveis que escorrem lentamente
pelas ruas, fechadas, buzinas, guerra. Nessas horas, quem não se identifica com
o personagem do Pateta (da ilustração ao lado) no desenho Motormania, que, de
pacato cidadão, vira monstro ao se intoxicar pelo trânsito? O duro é perceber
que, a despeito dos avanços da engenharia de tráfego e da legislação
específica, o clássico da Disney, criado em 1950, permanece atual. Uma
caricatura da arena em que se multiplicam discussões, colisões, vítimas. Só nas
estradas do Estado do Rio foram registrados 6.706 acidentes de janeiro a agosto
deste ano, segundo a Polícia Rodoviária Federal.
No mesmo período, de acordo com o Detran-RJ, aproximadamente um milhão de
infrações (ultrapassar o limite de velocidade e avançar o sinal vermelho seguem
as mais cometidas) somam-se ao painel macabro do nosso trânsito - em que morrem
cerca de 35 mil pessoas por ano, alerta o Ministério da Saúde. Conforme o
Denatran, o volume chega a 50 mil.
A socióloga Alessandra Olivato, cuja tese de mestrado pela USP põe o dedo nesta
ferida exposta, sentencia: a falta de educação e a postura individualista ao
volante - não raramente convertida em agressividade - renitentes abastecem o
caos e a periculosidade crônica.
- Grande parte dos motoristas não tem noção de espaço público e de civilidade,
o que se transforma em alto índice agressões e acidentes - avalia a socióloga,
que, na elaboração da tese, analisou o comportamento de motoristas no trânsito
da capital paulista - pelo qual circula um sexto do total de veículos do país.
A pesquisa revelou, além da chuva de condutas imprudentes e deselegantes, um
jogo-de-empurra: motoboys, motoristas de carro, ônibus, táxi e van tendem a
acusar uns aos outros em vez assumir erros; e a se considerar vítimas das leis
e autoridades de trânsito. Clássica inversão de valores cujas conseqüências estampam
diariamente os jornais: brigas, infrações, acidentes a granel.
- O motorista se acha sempre mais preparado do que o vizinho, alimentando uma
auto-suficência ilusória e perigosa. E, em geral, não apresenta noção de
co-responsabilidade no trânsito - observa Alessandra.
O psicólogo Tomsé Amaral, especialista em reabilitação de motoristas, endossa a
carência de auto-crítica e senso de responsabilidade predominantes. Segundo
ele, entre 150 mil motoristas envolvidos em acidentes, e avaliados no processo
para reaver a habilitação, nenhum assumiu sequer parcela de culpa:
- Todos se dizem vítima da violência de outrem.
O GLOBO | O PAÍS | 03/12/2003
Cúpula do PT vai acompanhar apuração de perto
Bernardo de la Peña
BRASÍLIA. Preocupada com as acusações de envolvimento do governador de Roraima,
Flamarion Portela (PT), no esquema de contratação de funcionários fantasmas
revelado pela Operação Praga no Egito, da Polícia
Federal, a direção do PT vai mandar um representante para acompanhar
de perto as investigações. A ex-governadora do Amapá Dalva Figueiredo, que faz
parte da executiva nacional, vai para Boa Vista atuar como observadora.
— Ela vai conversar com os integrantes do PT no estado. Isto sempre acontece em
situações desse tipo — disse o presidente do PT, José Genoino.
Após participar de uma reunião com o chefe da Casa Civil, José Dirceu, no
Palácio do Planalto, na qual, segundo disse, o assunto não foi comentado, o
presidente do PT voltou a afirmar que não há provas contra o governador.
Segundo ele, o episódio não provocará desgastes na imagem do PT, pois Flamarion
apoiou as investigações, demitiu milhares de servidores fantasmas e todos os
funcionários do estado comprovadamente envolvidos no escândalo.
Embora esteja desde ontem em Brasília para se reunir com a cúpula petista,
Flamarion, segundo a assessoria da Casa Civil, até o fim da tarde de ontem não
havia sido recebido por Dirceu. Ele deve se encontrar hoje com o ministro para
dar explicações sobre as investigações.
Para Genoino, os depoimentos de envolvidos no esquema, como a ex-funcionária do
Departamento de Estradas de Rodagem (DER) Lia Ferro, não têm credibilidade, já
que foram feitos depois que os servidores haviam sido demitidos por Flamarion.
— Ele (Flamarion) fez tudo que foi necessário e não há reclamações em relação
ao governador nem da Polícia Federal,
nem do Ministério Público Federal ou tampouco do Ministério
da Justiça. Um processo de investigação pode acontecer com
qualquer pessoa que esteja num cargo de prefeito, governador ou ministro. Um
petista ser investigado faz parte da normalidade — afirmou o presidente do PT,
dizendo que o partido vai punir o governador caso sejam encontradas provas
contra ele.
O GLOBO | O PAÍS | 03/12/2003
PF: gafanhotos só aumentaram
Rodrigo França Taves
Enviado especial
BOA VISTA. A Polícia Federal tem
indícios de que a folha de pagamento dos gafanhotos em Roraima praticamente
dobrou de tamanho na gestão do atual governador Flamarion Portela (PT). O
inchaço teria ocorrido basicamente no período da campanha eleitoral de 2002,
quando Flamarion, que tinha assumido o cargo em abril em lugar de Neudo Campos
(PP), tentava se reeleger governador. O ex-deputado estadual Bernardino
Cirqueira, solto na última sexta-feira por colaborar com as investigações,
disse aos delegados que só começou a fazer parte do esquema dos gafanhotos
quando passou a apoiar Flamarion, às vésperas das eleições de 2002.
No depoimento, Bernardino disse que durante a gestão de Neudo Campos não
indicara candidatos à lista dos gafanhotos porque fazia oposição ao governador.
Ao passar a apoiar Flamarion, disseram-lhe que mandasse uma lista com o nome de
pessoas a serem empregadas no governo estadual. Bernardino não disse de quem
recebeu a sugestão. Ele admitiu que recebeu R$ 48 mil em nome dos gafanhotos
durante três meses de 2002 e só saiu do esquema porque pediu que o governo
retirasse seus indicados da lista.
Bernardino contou ter sido informado de que o esquema já existia há dez ou 12
anos e estava sendo utilizado na campanha de 2002 para patrocinar gastos dos
candidatos que apoiavam a reeleição do governador Flamarion e de sua equipe. O
depoimento de Bernardino foi passado à imprensa por pessoas ligadas ao
ex-governador Ottomar.
Desvio cresceu na campanha eleitoral
A PF já tinha o depoimento da engenheira Sônia Pereira Nattrodt, que foi
diretora da Folha de Pagamento na gestão de Flamarion em 2002. Ela disse que a
chamada Tabela Especial de Assessoria (TE-ASS), através da qual eram pagos os
salários dos gafanhotos, dobrou de tamanho às vésperas das últimas eleições.
Agora, a PF está fazendo uma perícia técnica em documentos apreendidos durante
a Operação Praga no Egito na casa de parte dos 50 presos.
Segundo um delegado que participa das investigações, os primeiros resultados da
perícia confirmam que o número de gafanhotos e os valores envolvidos no desvio
de verbas cresceram no período da campanha eleitoral do ano passado. Quando o
esquema começou, na gestão de Neudo, estavam na folha cerca de 1.500
gafanhotos. Às vésperas das eleições de 2002, recebiam do governo de Roraima
cerca de 5.500 gafanhotos.
Pelas informações já comprovadas, o atual deputado Jalser Renier Padilha, que
só não foi preso por ter imunidade parlamentar, começou recebendo de Neudo
apenas R$ 42 mil mensais de propina, no fim de 1999, e ultimamente, às vésperas
das eleições de 2002, já estava recebendo pelo esquema dos gafanhotos cerca de
R$ 270 mil mensais. Se o esquema tivesse prosperado, Jalser teria recebido algo
em torno de R$ 3 milhões por ano.
Testemunhas interrogadas pela PF disseram que Jalser obrigou o ex-governador
Neudo Campos a aumentar sua cota de propina algumas vezes. A PF vai iniciar
agora um levantamento de bens em nome do deputado e de seus procuradores, mas
já tem informações de que o parlamentar é dono de postos de gasolina, lojas,
imóveis e grande quantidade de outros estabelecimentos comerciais. Os bens
serão seqüestrados para as ações de ressarcimento ao patrimônio público.
Segundo o assessor de imprensa de Flamarion, Weber Negreiros, o governador foi
informado do teor do depoimento de Bernardino e preferiu não polemizar, por
entender a situação dos que estão em privação de liberdade, como ocorreu com o
ex-deputado.
O GLOBO | O PAÍS | 03/12/2003
O escândalo em Roraima
O escândalo que deixou o
governador petista de Roraima, Flamarion Portela, numa situação delicada foi
descoberto numa operação conjunta da Polícia
Federal e do Ministério Público. A fraude, que envolvia centenas de
funcionários públicos fantasmas, foi feita para desviar cerca de R$ 500 milhões
dos cofres do estado. A PF chamou a operação de Praga no Egito por causa dos
seis mil servidores fantasmas incluídos de maneira fraudulenta na folha de
pagamentos e usados como laranjas — os gafanhotos, que “comem” o dinheiro
público. Já foram presas 40 pessoas, entre elas o ex-governador Neudo Campos.
A PF e o Ministério Público reuniram provas e depoimentos que relacionam
Flamarion — que era vice de Neudo e assumiu o governo em abril de 2002, sendo
reeleito — e quatro secretários à quadrilha. Na lista de presos ou procurados
estavam parentes e funcionários de gabinetes de 18 dos 24 deputados estaduais.
Neudo é acusado de chefiar o grupo de parlamentares e funcionários que forjaram
contratações e estavam recebendo salários em nome dos servidores laranjas.
O GLOBO | O PAÍS | 03/12/2003
‘Eu sabia de forma superficial’
Jailton de Carvalho
BRASÍLIA
Uma semana depois de negar conhecer o esquema dos gafanhotos que desviaram
cerca de R$ 500 milhões do estado, o governador de Roraima, Flamarion Portela
(PT), reconheceu ontem, pela primeira vez, que sabia de parte das
irregularidades na folha de pagamento. O governador sustenta, no entanto, que
não foi beneficiário e nem tem vínculo com os crimes atribuídos ao
ex-governador Neudo Campos, de quem foi vice. Hoje Flamarion se reúne com o
presidente do PT, José Genoino, para apresentar sua versão dos fatos à cúpula
petista.
O governador admitiu que sabia das contratações suspeitas de servidores
laranjas, ou gafanhotos, como são chamados em Roraima, numa entrevista ao
GLOBO, pouco depois de chegar a Brasília.
— Eu sabia de forma superficial, como todo mundo lá do estado. Sabia que tinha
um número expressivo de servidores. Só não sabia da dimensão do problema. A
coisa não era tão aberta assim — disse.
Cortes começaram só neste ano
Flamarion assumiu a vaga de Neudo Campos em abril do ano passado, quando o
então governador deixou o cargo para disputar a eleição para o Senado. Ele diz
que, a partir daí, extinguiu o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), um
dos principais focos de gafanhotos, e que em setembro de 2002, em plena
campanha eleitoral, criou uma comissão de sindicância para averiguar as
contratações irregulares. Mas o governador reconhece que os primeiros cortes da
folha de pagamento só ocorreram em janeiro deste ano, quando a Polícia Federal e o Ministério Público já
estavam aprofundando as investigações sobre a devastação das finanças do estado
pelos gafanhotos.
Flamarion confirmou também que manteve o contrato com o Amazon Service Bank,
empresa privada encarregada de pagar os salários dos gafanhotos em nome do
estado, até maio deste ano. Segundo ele, o contrato com a empresa venceu em
fevereiro, mas teve que ser renovado por mais três meses porque o estado não
dispunha de alternativa para pagar a seus funcionários. O problema só teria
sido resolvido quando o Banco do Brasil ampliou seus serviços no estado e
assumiu as tarefas feitas até então pelo Service Bank.
O governador negou ainda que tenha feito vista grossa à compra de carros para a
polícia a preços supostamente superfaturados com recursos do Fundo Nacional de
Segurança Pública. Flamarion disse que há 40 dias, quando foi informado sobre o
possível desvio, mandou abrir uma sindicância sobre a denúncia. As
investigações não foram concluídas, mas na semana passada ele demitiu os
secretários de Administração, da Fazenda, o auditor-geral e mais três
servidores que teriam participado das compras.
— Eles foram exonerados não só por causa da questão dos gafanhotos, mas também
por causa dessa compra — disse o petista.
“Eu não vim para desonrar o PT”
São essas e outras explicações que o governador dará a José Genoino e ao
secretário de Organização do PT, Silvio Pereira. A partir daí, Flamarion espera
que a cúpula do PT se convença a continuar em sua defesa.
O governador, que se indispôs com o grupo político de seu antecessor, considera
fundamental o apoio do partido neste momento. Flamarion se filiou ao PT em
março deste ano, aceitando convite de Silvio Pereira.
— Eu não vim para desonrar, vim para honrar o PT. Quero aprender a fazer
política pública com o PT — afirmou.
O GLOBO | MERVAL PEREIRA | 03/12/2003
Tragédia brasileira
Os números da pesquisa do IBGE
sobre expectativa de vida dos brasileiros revelam, mais que uma melhora dos nossos
índices, os paradoxos da sociedade que estamos construindo. Aumentamos nossa
esperança de vida ao nascer para 71 anos, mas estamos ainda longe de países que
têm economias muito menores que a nossa, como Cuba e Chile (76,1 anos),
Argentina (74,2 anos) e até mesmo Colômbia (72,2 anos), com todo o seu problema
de violência.
A principal razão para a melhora é a drástica redução da mortalidade infantil,
que nos últimos 20 anos caiu de 69 óbitos por cada mil crianças nascidas vivas
para 28,4. Mesmo assim, estamos em posição literalmente medíocre entre os
países do mundo.
A meta do governo para 2007, de reduzir a mortalidade infantil em 11%, chegando
a 24 óbitos por mil, não nos garante uma melhoria relativa contínua. Os mesmos
países citados acima têm também um índice de mortalidade infantil menor que o
nosso. Cuba tem índice de 6,5 crianças mortas por cada mil nascidas vivas,
melhor que os Estados Unidos, cujo índice é de 7 crianças. O Chile tem 10,1 e a
Argentina 16,6.
Mas o mais grave de todos os paradoxos é que nossa média de expectativa de vida
não cresce mais por causa da violência urbana entre os jovens da faixa etária
entre 15 e 24 anos. As principais causas de morte dos jovens no mundo são os
acidentes de trânsito e homicídios, e a situação do Brasil no ranking mundial é
simplesmente catastrófica.
Na terceira edição do Mapa da Violência, pesquisa realizada pela Unesco, quando
se trata de homicídios e outras violências, o Brasil ocupa a 3 posição, só
superado por Colômbia e Venezuela.
A situação nas capitais é dramática. Em 1980, no Rio de Janeiro, os homicídios
de jovens entre 15 e 24 anos representav am 33,2% das mortes totais na capital.
No ano 2000, passou a representar 53,2%.
Em São Paulo, o índice era de 22,1% em 80 e passou a 61,8% em 2000. A situação
piorou em todas as capitais brasileiras, transformando-se em uma praga social:
a média brasileira era de 14% em 80 e mais que dobrou, passando a ser de 35,1%
em 2000.
Essa tragédia social faz com que o diretor-geral da Unesco no Brasil, Jorge
Werthein, se pergunte: por que não há uma política nacional em relação aos
jovens? Ele lembra que sempre que o governo estabelece um projeto nacional, os
resultados acabam aparecendo. A redução da mortalidade infantil é um exemplo
claro. A política de combate à Aids é outro exemplo de projeto nacional
bem-sucedido.
Diante desse quadro de atrocidade, tem sentido focar a discussão na redução da
idade para punição dos menores? Eles já estão sendo eliminados pelos subúrbios
e periferias do país. Sempre que há uma comoção como a que provocou o brutal
assassinato da estudante paulista Liana Friendenbach e de seu namorado, a
discussão começa pela pena de morte — que é defendida por pessoas tão díspares
quanto a apresentadora de televisão Hebe Camargo e o rabino Henry Sobel.
Embora os dois tenham se arrependido publicamente depois, fica a marca da
vingança predominando no debate. Apesar de o presidente Lula e o ministro da
Justiça, Márcio Thomaz Bastos,
terem se pronunciado prontamente contra a redução da idade, há poucos dias a
Fundação Perseu Abramo, órgão de estudos ligado ao PT, apresentou uma pesquisa
em que 70% da população apoiavam a medida. E com o agravante de que ela foi
feita antes dos assassinatos que comoveram o país.
É compreensível a reação, inclusive porque, no caso de Champinha, ele é um
reincidente que matou com requintes de crueldade. Mas é triste notar que a
violência do dia-a-dia nos fez perder a capacidade de vislumbrar soluções que,
mesmo utópicas, nasçam do desejo de recuperar esses jovens, em vez de apenas
pensar na repressão.
Uma história acontecida no Rio há 40 anos pode servir de inspiração para mudar
o rumo dessa discussão. O jornalista Odylo Costa, filho perdeu seu filho,
brutalmente assassinado por um Champinha da época. Foi o primeiro assassinato
de um jovem da classe média por um menor delinqüente, e chocou a cidade.
Pois Odylo, católico fervoroso, não apenas perdoou publicamente o assassino de
seu filho, como começou uma cruzada nacional para criação de um organismo que
substituísse o Serviço de Assistência ao Menor, o famigerado SAM, considerado
na época uma fábrica de bandidos.
Nasceu assim a Fundação Nacional de Assistência ao Menor, sem verbas e já
depois do golpe de 64. Transformou-se com o tempo na famigerada Funabem, outra
escola do crime, até que a Constituição de 88 passou aos estados a tarefa de
lidar com os menores infratores.
E, dois anos depois, nascia o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A
tentativa de Odylo não deu certo, mas sua origem foi generosa. Quem sabe não
encontramos hoje caminhos diferentes da simples repressão para atacarmos essa
tragédia nacional, e com melhores resultados?
O estado de São Paulo se mobiliza na tentativa de uma solução efetiva do
problema. Além de trabalhar a parte repressiva, sugerindo alterações no
Estatuto da Criança e do Adolescente que permitam aumentar a pena dos menores
criminosos, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, está fazendo uma
experiência nova, passando a Febem para a alçada da Secretaria de Educação.
O secretário Gabriel Chalita organizou um programa de empregabilidade dos
internos, na expectativa de dar a esses jovens uma perspectiva de futuro que
hoje simplesmente lhes é negada pela sociedade, que discrimina os jovens
infratores.
Hoje já são 700 jovens trabalhando, e outros tantos sendo treinados para
poderem assumir diversas funções em empresas que aderiram ao programa. Ao mesmo
tempo, a Secretaria de Educação está fazendo convênio com diversas fundações e
ONGs, que vão assumir a administração das unidades da Febem, numa tentativa de
acabar com os focos de banditismo que se enraízam nessas instituições.
São experiências no sentido da recuperação dos menores criminosos, que dão
sentido ao debate e esperança de solução dessa verdadeira tragédia brasileira.
O GLOBO | O PAÍS | 03/12/2003
Genoino critica reabertura de inquérito sobre o assassinato de Celso Daniel
Bernardo de La Peña e Flávio
Freire
SÃO PAULO. O presidente do PT, José Genoino, criticou ontem a reabertura das
investigações sobre o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel
(PT), ocorrido em janeiro de 2002. Apesar de dizer que apóia as investigações
do Ministério Público, Genoino atacou:
— O PT perdeu um de seus maiores quadros. A conclusão do inquérito foi da
Polícia Civil de São Paulo. Querem matar o prefeito Celso Daniel duas vezes. Já
mataram lá naquela estrada. Agora, querem matar de novo — afirmou Genoino.
Irmão diz que pediu ajuda a líderes nacionais do partido
Um dos irmãos de Daniel, o professor Bruno José Daniel Filho, acusou ontem o PT
de ter tentado abafar a investigação sobre a morte do prefeito. Bruno disse que
procurou líderes nacionais do partido para tentar convencê-los de que Daniel
fora vítima de conspiração política e se disse surpreso com a falta de apoio:
— Faltou empenho do PT, que fez de tudo para não continuar com as
investigações.
As suspeitas da família são baseadas no envolvimento de empresários e
ex-assessores da prefeitura com um esquema de cobrança de propinas de donos de
empresas de ônibus de Santo André. O Ministério Público de Santo André já teria
fortes indícios do envolvimento do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra,
no crime. Sombra, que trabalhou como motorista, assessor e segurança do
prefeito, deve ser acusado de ser o mandante da morte de Daniel, no fim do
inquérito, nos próximos dias.
— A posição do partido, de que foi crime comum, é inaceitável. As investigações
estão provando o contrário. Se houvesse interesse de integrantes do PT, o crime
já poderia estar solucionado — disse Bruno.
Empresário estava com prefeito no dia do seqüestro
Um dos indícios do envolvimento de Sombra é a relação dele com Dionizio de
Aquino Severo, que participou do seqüestro e, preso, confessou ser amigo do
empresário. Severo foi morto na prisão dias depois. Sombra acompanhava Daniel
no dia do seqüestro.
Também defensor da tese de que o prefeito foi morto por encomenda, o
vice-prefeito de São Paulo, Hélio Bicudo (PT), disse ontem que o governo
federal não respondeu à sugestão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos
das Organizações dos Estados Americanos (OEA) para que a Polícia Federal assumisse as investigações. O
pedido foi feito em fevereiro.
— O governo tinha cinco meses para responder, mas não responder é uma prática
comum para empurrar com a barriga e tentar abortar a denúncia — disse Bicudo,
que defendia a substituição da Polícia Civil pela PF no caso.
FOLHA DE S. PAULO | BRASIL | 03/12/2003
Lula foi do linchamento às ilusões
ELIO
GASPARI
Lula voltou a informar que é contra a redução da maioridade penal. Com isso, o
presidente da República alimenta seu estilo de cidadão das ilusões.
Defende todas as causas sem custo e todos os custos sem causa.
No caso da redução da maioridade dos bandidos que ainda não completaram 18
anos, pode-se ficar contra ou favor sem que isso afete o Orçamento. A segurança
pública é um dos únicos itens da agenda nacional em que se pode ser altruísta
sem que a banca, o FMI e o doutor Antonio Palocci ameacem a choldra com uma
retaliação do mercado. Pode-se defender um sistema penal finlandês sem que isso
custe um só centavo.
O governo diz que não se pode baixar a maioridade de um garoto de 16 anos
porque os menores de idade não podem ser colocados nas máquinas de formar
criminosos das penitenciárias brasileiras. Falso. Ninguém quer colocar os
delinquentes de 16 anos nas penitenciárias. Só os latrocidas. é forte? Então só
os latrocidas reincidentes.
A violência urbana já fez três vítimas no círculo próximo do atual presidente
da República. O primeiro marido de sua mulher foi assassinado. Depois
assassinaram o pai do morto. Isso quando Lula era um sindicalista. Como
presidente, mataram-lhe o segurança de um de seus filhos.
Afora Prudente de Moraes, cujo pai foi morto por um escravo, Lula é o
presidente brasileiro que esteve mais perto de uma cena de violência homicida.
é ele quem conta o caso, no excepcional livro "Lula, o Filho do
Brasil", da jornalista Denise Paraná, editado pela Fundação Perseu Abramo:
"Se não me engano, foi em 1962. Tinha uma fábrica na rua Vemag, uma
pequena tecelagem, uma fábrica de meia. Lá eu presenciei a cena mais violenta
de uma greve. O pessoal vinha numa passeata e tentou parar a fábrica, que era
pequena. Deveriam trabalhar umas oito ou nove pessoas, no máximo. Ficava num
sobrado. O pessoal entrou e foi subindo as escadarias. Então o dono da fábrica
atirou. Atirou e o tiro pegou na bexiga de um companheiro que estava na frente.
O pessoal ficou invocado e jogou pela janela o dono da fábrica; ele caiu do
segundo andar. O cidadão caiu no chão e lá embaixo o pessoal chutou ele,
agrediu. [...] Ele foi para o hospital, mas acho que ele morreu. A impressão
que eu tenho é que ele não sobreviveu [...] Eu achava que o pessoal estava
fazendo justiça".
Certamente Lula mudou de opinião a respeito da justiça dos linchamentos.
Lula, o ministro da Justiça e a torcida do Flamengo sabem que os estupradores
não temem os códigos. O que eles temem é a lei da massa, aquela que vigora nos
presídios infames do Estado brasileiro. Temem o pessoal que fica invocado.
Coisas de Lula: defende leis finlandesas, promete presídios americanos e não
libera as verbas necessárias para trancar os bandidos brasileiros.
A discussão politicamente correta é assim: quando interessa, passa-se o
adversário nas armas ou no pau. Fora da cena, muda-se de chapéu. O cidadão se
transforma num iluminista ambulante. Um estranho iluminista, pois em nome da
civilização interdita o debate. Fica a impressão de que todo bandido tem algo
de carente e todo defensor da redução da maioridade tem algo de bandido. Nesse
mundo politicamente correto, defender a convocação de um plebiscito para
decidir com quantos anos um assassino deve pagar integralmente pelo seu crime
parece coisa de selvagem.
Plebiscito? Reponde o general João Baptista Figueiredo, que governou o Brasil
de 1979 a 1985. Depois de ter sido sovado na eleição de 1974, concluiu:
"Povo de merda, que não sabe votar".
FOLHA DE S. PAULO | COTIDIANO | 03/12/2003
Polícia prende acusados de venda de órgãos
A Polícia Federal prendeu ontem, em Pernambuco, 11
pessoas acusadas de participarem de uma quadrilha de tráfico internacional de
órgãos humanos. Segundo a polícia, o grupo teria sido responsável pela retirada
e venda de cerca de 30 rins só neste ano.
Na investigação, os policiais descobriram que os acusados estavam aliciando
pessoas, mediante pagamento de US$ 6 mil a US$ 10 mil, para a retirada do
órgão. De acordo com a Polícia, nenhuma das vítimas morreu. (DA AGêNCIA FOLHA,
EM RECIFE)
FOLHA DE S. PAULO | BRASIL | 03/12/2003
Governador diz que exonerou o responsável
DA AGêNCIA FOLHA, EM BOA VISTA
Por meio de sua assessoria de imprensa, Flamarion Portela (PT) disse que
recebeu o documento do Ministério Público e o mandou para o procurador-geral do
Estado, Jorge Barroso.
O governador afirmou também que o ex-secretário Jorci Mendes foi o maior
responsável pelas irregularidades e, por isso, foi exonerado. Não informou por
que o ato demorou dois meses.
Em relação ao secretário Jander Guerreiro, Portela afirmou que espera a análise
de Barroso para tomar providências.
Mendes presta depoimento nesta semana na Polícia
Federal e se recusa a dar entrevistas. Guerreiro não foi localizado.
FOLHA DE S. PAULO | BRASIL | 03/12/2003
Flamarion
recebeu alerta sobre corrupção
Em outubro, Ministério
Público Federal enviou ofício sobre secretários a governador, que negou
irregularidades
JAIRO
MARQUES
DA AGêNCIA FOLHA, EM BOA VISTA
O governador Flamarion Portela (PT) foi alertado oficialmente pelo Ministério
Publico Federal de que seus secretários Jorci Mendes (Fazenda) e Jander Gerner
Guerreiro (Tesouro) estariam envolvidos em supostos desvios de recursos da
União.
O documento de caráter confidencial, ao qual a Agência Folha teve acesso, é
datado de 8 de outubro e sugeriu ao governador que tomasse medidas contra eles.
Dez dias depois, Flamarion respondeu aos procuradores por escrito, negando as
irregularidades.
Na semana passada, após as prisões efetuadas pela Polícia
Federal relacionadas ao "escândalo dos gafanhotos", o
governador exonerou Mendes. Justificou a medida como "prevenção", já
que o ex-secretário foi investigado pela PF. Guerreiro não responde a
sindicância interna e, até ontem, mantinha-se no cargo.
O ofício encaminhado a Flamarion pela Procuradoria diz: "Há evidências de
que atos administrativos teriam sido praticados de forma premeditada atuando em
curso de pessoas entre autoridades públicas e privadas para a prática de crimes
envolvendo desvios de recursos federais e estaduais de grande monta".
Era uma referência à forma com que os recursos públicos que supostamente seriam
para o pagamento de funcionários do Estado, cerca de 5.500 deles fantasmas,
estavam sendo geridos.
Por força de um contrato iniciado na gestão anterior, do ex-governador Neudo
Campos (PP), e mantido por Portela -conforme a Folha noticiou em setembro-, a
empresa NSAP (Norte Serviços de Arrecadação e Pagamentos) tinha poderes sobre
duas contas correntes do governo do Estado, com a justificativa de promover o
pagamento dos servidores.
Para as contas, que não sofreriam nenhum controle rígido de movimentação, eram
transferidos recursos da União, que serviriam para alimentar o "escândalo
dos gafanhotos".
A fraude, que teria o ex-governador como mentor, era baseada no uso de
funcionários fantasmas (os "gafanhotos", que roíam a folha de
pagamento) para o enriquecimento de cerca de 30 autoridades, incluindo
ex-deputados estaduais e atuais parlamentares. Em quatro anos, o esquema pode
ter desviado R$ 230 milhões.
A responsabilidade direta apontada pelo documento recaía sobre os secretários
da Fazenda e do Tesouro. Eles teriam deixado a NSAP administrar valores
públicos de forma "criminosa".
FOLHA DE S. PAULO | BRASIL | 03/12/2003
Empresa pode ter sonegado CPMF
DA
AGêNCIA FOLHA, EM BOA VISTA
As investigações que apuram supostos desvios de recursos públicos em Roraima no
chamado "escândalo dos gafanhotos" podem indicar também que a União
teria sido lesada com a falta de recolhimento de contribuição previdenciária e
da não-arrecadação da CPMF (o imposto do cheque).
Apenas em 2002, quando a fraude teria deixado um rombo de R$ 70 milhões aos
cofres públicos, o montante de CPMF que não teria sido repassado ao governo
federal pode ter atingido R$ 1 milhão, de acordo com a avaliação da perícia da Polícia Federal e que deverá ser repassada à
Receita Federal.
Na avaliação dos peritos, como a empresa NSAP (Norte Serviços de Arrecadação e
Pagamentos) é privada e pagava contas, inclusive até compra de
eletrodomésticos, com cheques emitidos por órgãos do governo de Roraima, não
havia o desconto da contribuição. Pela lei da CPMF, o desconto não incide sobre
contas públicas.
Os sócios da NSAP, que movimentaram, em dois anos, cerca de R$ 300 milhões,
tinham inclusive permissão oficial para emitir cheques (assinados por órgãos do
governo) e fazer transferências para as mais diversas finalidades.
A empresa, cujos sócios Oscar Maggi, Humberto Pereira e Edson Hispagnol não
foram localizados ontem em Boa Vista, emitia cheque sem demonstração de finalidade
de até R$ 500 mil e outros com valores de R$ 250 mil para a própria Secretaria
da Fazenda do Estado.
Já no caso da contribuição previdenciária, não há previsão ainda do montante
que deixou de chegar aos cofres do INSS.
O rombo na Previdência teria sido causado porque o pagamento dos
"gafanhotos" era feito pela NSAP, que não recolhia nenhum centavo
para o INSS. Como o pagamento de cerca de 5.500 funcionários era em dinheiro
vivo, não havia nem sequer um comprovante de recebimento que indicasse o desconto
à Previdência.
Entretanto, nos documentos obtidos pela força-tarefa que investiga as fraudes,
há a relação oficial de nomes e de salários que cada um dos funcionários
fantasmas, como se eles fossem funcionários comuns no governo.
Os valores dos vencimentos eram sempre redondos, variando de R$ 400 a R$ 4.000.
Para efeitos oficiais, os "gafanhotos" seriam prestadores de serviço,
sem concurso público, mas com direitos iguais a outros servidores que
efetivamente trabalhavam, inclusive recebimento de 13º salário e aposentadoria.
A maior parte do salário que era pago aos fantasmas iria, segundo as
investigações, parar no bolso de 30 autoridade de Roraima que comandariam 60
procuradores que receberiam o dinheiro em nome dos gafanhotos.
"Ainda não temos todos os elementos necessários para comprovar de forma
inquestionável os crimes contra a ordem tributária e contra a Previdência, mas
as investigações estão em curso", disse o procurador da República Carlos
Mazzocco. (JM)
FOLHA DE S. PAULO | BRASIL | 03/12/2003
PF investiga faixas contra deputado do PT
A Polícia Federal começou a investigar ontem a
origem de cerca de 150 faixas espalhadas nos principais bairros de Salvador
contendo acusações contra o líder do PT na Câmara, deputado Nelson Pellegrino,
um dos pré-candidatos à prefeitura da capital baiana.
"Chega de folga. Nem os aposentados você poupou", dizia uma das
faixas contra o petista, em referência à posição adotada por Pellegrino, que
votou a favor da reforma da Previdência.
Além de Nelson Pellegrino, outro pré-candidato à Prefeitura de Salvador, o
deputado estadual João Henrique Carneiro (PDT), teve o seu nome citado nas
faixas. "João Henrique é um traidor, foi comprado pelo senador Antonio
Carlos Magalhães."
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 03/12/2003
PF quer
investigação também para procuradores
Alvos seriam integrantes
do Ministério Público que atuaram perante juízes acusados pela Anaconda
FABIO
DIAMANTE e FAUSTO MACEDO
A Anaconda -- superinvestigação sobre suposto esquema de corrupção, tráfico de
influência e venda de sentenças na Justiça Federal em São Paulo - defendeu, por
meio de relatório secreto entregue ao Tribunal Regional Federal (TRF),
"necessidade de se apurar a conduta de membros do Ministério Público
Federal que tinham atuação perante os juízes investigados".
O documento tem 228 páginas e está de posse da desembargadora federal
Therezinha Cazerta, relatora do inquérito judicial acerca da atuação de
organização criminosa envolvendo policiais, advogados, empresários e
magistrados. O relatório foi preparado pela Diretoria de Inteligência da Polícia Federal.
Os delegados Elzio Vicente da Silva e Emanuel Henrique Balduino de Oliveira
argumentam que "várias decisões de arquivamento, absolvição, e condenações
com penas insignificantes foram prolatadas com o aval, requerimento ou cômoda
aquiescência do representante da instituição que tem o dever constitucional
zelar pela correta e fiel aplicação da lei".
A PF cita "especialmente o caso de João Carlos da Rocha Mattos, que não
possuía o que se pode chamar de 'boa fama' na Justiça". Rocha Mattos,
magistrado há 20 anos, está preso na Custódia da PF desde 7 de novembro,
acusado pela Procuradoria da República de ser o "mentor da
quadrilha".
Também são acusados os juízes Casem Mazloum e Ali Mazloum.
Os delegados da Anaconda sustentam que "a simples leitura das provas
produzidas e dos documentos arrecadados nas buscas é suficiente para se
verificar que o comprometimento do Estado sempre foi buscado pelos integrantes
da organização criminosa". Segundo a PF, "esse comprometimento, seja
pela ação ou pela omissão, ocorreu em vários momentos e em diversos
graus".
Estranheza - Ao destacar a importância de uma investigação sobre a atuação de
procuradores da República, os delegados que subscrevem o relatório de
inteligência ressalvam que não estão fazendo uma "alusão temerária a
envolvimento criminoso/financeiro".
Em outro trecho do documento enviado ao TRF, os federais anotam que "é
fato que a ocorrência desses atos processuais, muitos deles rumorosos, não
passaria despercebida aos membros do Ministério Público Federal (como em muitos
casos não passou)". Para os delegados da Anaconda, "o que causa
estranheza é a existência de várias decisões suspeitas - prolatadas por um juiz
que já fora até afastado por comportamento também suspeito -, que receberam o
silente 'ciente' do MPF, permitindo o crescimento da organização criminosa,
comprovando a tese de que o crime só grassa onde os órgãos encarregados de
combatê-lo (Polícia, Ministério Público e Justiça) não exerce com zelo suas
funções".
As autoridades federais informam que "a organização criminosa investigada
tentou e, por vezes conseguiu, lançar seus tentáculos em ocupantes de altos
cargos das três funções do Poder estatal". O relatório aponta que "na
análise dos bens encontrados na residência de Cesar Herman (agente da PF preso
por suposta ligação com a quadrilha) consta anotado em uma agenda encontro
marcado com o procurador da República Silvio Luiz Martins de Oliveira, dia 3 de
setembro".
Os delegados Elzio Vicente e Emanuel Balduino acrescentam que "Silvio é o
procurador responsável pela ação penal movida contra Roberto Eleutério, o
Lobão" - apontado como o maior contrabandista do País, Lobão foi preso
pela PF com base em minuciosa investigação de Silvio Luiz. O procurador também
comandou investigação sobre o doleiro Antonio Claramunt. O Estado tentou
contato com Silvio Luiz por três vezes, mas não houve retorno.
Segundo o relatório secreto da PF, na agenda de Herman estão anotados os
telefones de Lobão e do ex-senador Luiz Estevão. A Anaconda enumerou
"possíveis beneficiados com as decisões de Rocha Mattos, como Fausto
Solano, Enrico Piccioto e envolvidos no escândalo dos precatórios, Paulo Maluf
e Wagner Batista Ramos".
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 03/12/2003
Norma divide cela com traficante de droga em Brasília
MARIÂNGELA GALLUCCI
BRASÍLIA - Norma Regina Cunha, ex-mulher do juiz federal João Carlos da Rocha
Mattos, não recebeu visitas ontem, durante o primeiro dia de prisão na
Superintendência da Polícia Federal no
Distrito Federal.
De acordo com a assessoria de comunicação da PF, a auditora do Tesouro
aposentada teve um dia normal na cela que divide com uma acusada de tráfico de
drogas. Norma foi transferida na segunda-feira de São Paulo para Brasília.
Presa desde o fim de outubro, ela é acusada de integrar um esquema de venda de
decisões judiciais, assim como seu ex-marido.
Em operação de busca e apreensão realizada no apartamento da auditora do
Tesouro aposentada foram encontrados US$ 550 mil, barras de ouro, cópias de
processos, depósitos bancários no exterior e fitas. A transferência de Norma
para Brasília foi determinada pela desembargadora Therezinha Cazerta, do
Tribunal Regional Federal sediado em São Paulo. Para conseguir a remoção, a PF
e a Procuradoria da República argumentaram que ela corria riscos. A intenção,
agora, é tentar convencer Norma a colaborar com as investigações em troca de
algum benefício.
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 03/12/2003
Novo
depoimento liga Flamarion à 'folha gafanhoto'
Ex-deputado diz à PF que
ele sabia do esquema e pedia nomes para a lista; governador nega
EDSON LUIZ
Enviado especial
BOA VISTA - Novo depoimento obtido pela polícia Federal reforça a suspeita de
ligação do governador de Roraima, Flamarion Portela (PT), com o esquema da
folha de pagamentos fantasma, conhecida como "folha gafanhoto". O
ex-deputado estadual Bernardino Alves Cirqueira contou ontem aos investigadores
que trabalham no caso que não sabia nada sobre o assunto até a eleição passada,
quando começou a apoiar Flamarion e supostos emissários do candidato o teriam
contactado para que mandasse nomes a serem incluídos na folha.
"Quando me aproximei do governo o governador não era mais Neudo Campos, de
quem fui adversário", limitou-se a dizer Cirqueira ao Estado, recusando-se
a detalhar o depoimento. À PF, contou que um dos contatos foi feito pela
ex-chefe da folha de pagamento de Roraima Sônia Pereira Nattrodt. Ele explicou
que no início achava que as indicações seriam para pessoas que queriam
trabalhar no Estado.
Antigo - Segundo o ex-deputado, o esquema gafanhoto existia há 10 ou 12 anos e
foi usado na época da reeleição de Flamarion. Sua equipe teria criado o que
chamou de "emprego urgente".
Cirqueira disse que, ao saber como era o esquema, pediu para tirar seu nome da
lista, já que não havia lotações para seus indicados. Também contou que, no
período em que esteve na folha, uma assessora sua recebeu três parcelas de R$
48 mil. Ontem, em Brasília, Flamarion Portela voltou a negar envolvimento no
caso.
Investigadores da Operação Praga do Egito encontraram fortes indícios de
irregularidades também na folha oficial do funcionalismo estadual. A principal
linha de investigação é uma relação de servidores com nomes duplicados e os
dois últimos dígitos do CPF trocados. O documento revela que as mesmas pessoas
teriam recebido dois salários.
Os papéis apreendidos mostram que o problema já ocorria em julho do ano
passado, três meses depois da posse de Flamarion, que substituiu Neudo Campos,
de quem era vice. Um caso é da servidora C.M.L.H., que tinha o nome duplicado
na folha de pagamento, mas com diferentes CPFs - dois dígitos alterados. Na
folha de junho do ano passado, ela recebeu R$ 2 mil com um CPF e R$ 200 com o
segundo. Em outro caso, uma funcionária recebeu seu salário de R$ 2 mil
duplicado, também por ter o nome duas vezes na lista, com CPF trocado.
"É prematuro dizer que qualquer funcionário tem culpa ou se teve seu nome
usado duas vezes sem que soubesse", ressaltou um dos investigadores da PF.
"Por isso estamos levantando as duplicidades, para saber também se isso
era usado para fraudar os repasses públicos para a empresa encarregada pelos
pagamentos dos servidores."
NSAP - A Polícia Federal está
analisando as planilhas de desembolso do Estado para averiguar também se houve
repasses além do necessário para a Norte Serviços de Arrecadação e Pagamentos
(NSAP), encarregada de pagar os salários dos funcionários. que não tinham
contas bancárias.
Para isso, autorizou três sócios da empresa a movimentar várias contas
correntes no Banco do Brasil, uma medida ilegal, segundo os investigadores que
trabalham no caso. Além da folha de pagamento do Estado, a NSAP passou a
administrar a "folha gafanhoto", que tinha 5.500 fantasmas.
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 03/12/2003
No esquema, nem policial era autêntico
BOA VISTA - Em Roraima, a
falsificação de uma folha de pagamento, que desviou R$ 320 milhões dos cofres
públicos, não foi a única fraude descoberta pelas autoridades que investigam o
caso. A Justiça Federal determinou ontem a transferência do ex-deputado e
diretor de Polícia Judiciária do Estado Ângelo Paiva para a Cadeia Pública de
Boa Vista, depois de saber que ele era um funcionário público do antigo
território que foi transformado em policial e, na atual administração, passou a
exercer o segundo cargo na hierarquia da Secretaria de Segurança Pública, mesmo
sem ter o curso superior.
Paiva e a ex-chefe de Gabinete Civil de Flamarion Portela, Diva Briglia, serão
indiciados hoje por envolvimento com a "folha gafanhoto". Além de
deixar a prisão especial onde estava, na própria sede da Polícia Civil, Paiva
pode responder por crime de falsidade ideológica, por não ter informado sua
condição de funcionário público e não de carreira policial.
Primeiro - O ex-deputado é acusado de formar um dos subgrupos mantidos dentro
da folha de pagamento de funcionários fantasmas, que na verdade eram mantidos
por procuradores de políticos locais. O inquérito que apura o envolvimento de
Paiva no esquema será o primeiro a ser encerrado, possivelmente já na
sexta-feira.
Ex-secretária de Administração de Neudo Campos, Diva deve ser indiciada hoje
pela Polícia Federal, por ser
considerada uma das coordenadoras dos pagamentos dos fantasmas, relacionados em
listas por deputados locais. Ela retornou ao cargo quando Flamarion assumiu o
governo - em abril de 2002, com a desincompatibilização de Neudo -, passando a
exercer a chefia do gabinete Civil - cargo que manteve até sexta-feira, quando
foi exonerada.
Colaboração - A expectativa dos investigadores é que Diva, acusada de
participação fundamental nos pagamentos irregulares, ajude a indicar nomes de
novos envolvidos, como fizeram pelo menos 6 das 57 pessoas detidas na semana
passada. Todas foram liberadas por colaborar com a Justiça.
Os investigadores estudam a hipótese de pedir prisão preventiva de alguns
envolvidos, que estão em prisão temporária até o fim da semana. Entre eles,
vários ex-deputados e o ex-governador Neudo Campos. (E.L.)
O ESTADO DE S. PAULO | NACIONAL | 03/12/2003
PT envia 'olheiro' para acompanhar apuração
TÂNIA MONTEIRO
BRASÍLIA - Depois de se reunir ontem com o ministro-chefe da Casa Civil, José
Dirceu, o presidente do PT, José Genoino, voltou a defender o governador de
Roraima, Flamarion Portela (PT), alegando que não há denúncias concretas contra
ele. Genoino informou, no entanto, que o PT está enviando a Roraima uma
representante da executiva, Dalva de Figueiredo, ainda esta semana, para
"acompanhar tudo" e "manter o partido informado". Mas negou
que essa atitude represente uma intervenção branca no PT local. Hoje, ele
conversará com Flamarion, que está em Brasília em busca de apoio.
Genoino disse que em nenhum momento o partido pensou em expulsar o governador,
por causa da investigação. "Esse assunto não passa na cabeça de
ninguém", disse Genoino, ao esclarecer que "um petista ser
investigado faz parte da normalidade". Segundo ele, o PT está acompanhando
"com toda seriedade" as investigações e sempre apoiou, "de
maneira irrestrita", as apurações. "O governador fez tudo para que
houvesse um bom entrosamento na 'operação gafanhoto' e não há reclamação em
relação à colaboração dele", afirmou. Genoino assegurou ainda que "o
governador está cumprindo sua tarefa de investigar, demitiu as pessoas que
tinham comprovação de irregularidade e não há elementos para acusá-lo".
O ESTADO DE S. PAULO | ESPAÇO ABERTO | 03/12/2003
Pão zero; contas e algemas, dez
JOSÉ
NÊUMANNE
O Fome Zero não decolou; a prometida unificação dos programas sociais, com a
batuta nas mãos firmes da maestrina Ana Fonseca, ainda não deu as caras; o
desemprego não diminuiu; e a renda média do assalariado tem caído de forma
impressionante. A julgar por esses dados, a troca da promessa pela nota, quando
se trata do programa social por excelência de um governo cujo chefe considera
destino manifesto seu propiciar três refeições diárias a cada brasileiro, deixa
de ser considerada uma anedota e vira uma verdadeira tragédia: em vez de Fome
Zero, o Social Zero.
Então, teria sido justo o novo presidente do partido neo-oposicionista e tido
como neoliberal, o PSDB, professor José Serra, quando acusou, publicamente, a
atual gestão de nada ter feito de bom? Não, certamente o competente ministro da
Saúde do governo anterior, preocupado demais em recuperar o discurso que os
tucanos esqueceram na gaveta e os petistas resolveram executar, não tem
acompanhado os passos dos adversários no poder como deveria alguém que se
propõe a repetir no Brasil a prática do "gabinete-sombra", usada
pelos oposicionistas britânicos para atazanar a vida dos governantes e há pouco
tentada sem êxito aqui mesmo, nestes trópicos carnavalescos, pelo PT contra o
"carcará sanguinolento das Alagoas".
Primeiramente, o dr. Serra foi injusto com um companheiro de governo, o
economista Pedro Malan. Está certo que ele nunca foi de rezar pela cartilha que
o scholar trazido por Fernando Henrique de Washington adotou, mas, assim como
um general não se deve sentar sobre a própria baioneta, não convém a um
político abandonar sua estratégia, que deu certo, só porque o adversário dela
lançou mão. A verdade é que, queira ou não o tucanato desamparado, a política
macroeconômica do sanitarista Palocci é um sucesso inegável nas paradas
nacionais e, particularmente, nas internacionais. O risco Brasil caiu para
índices em torno dos 500 pontos, patamar impensável nos tempos da nervosa
transição de um governo para o outro. E os executivos das instituições do
mercado financeiro internacional - FMI, BID, Banco Mundial, etc. - estão
gastando todos os adjetivos positivos disponíveis para saudarem o clone que o
PT fez - e muito bem feitinho - do monstro que via antigamente na política adotada
pelo "terrível" dr. Malan.
Outro setor que desmente categoricamente o grasnido exagerado do tucano em
chefe é a Polícia Federal (PF), cujo
diretor, Paulo Lacerda, foi homenageado em entrevista publicada na edição de
domingo deste jornal. A homenagem é duplamente justa: a PF tem sacudido a
modorra nas páginas da imprensa e na mídia em geral com notícias espetaculares,
e essas notícias representam a supuração de uma ferida que vem fazendo muito
mal aos tecidos do organismo democrático brasileiro. Os subordinados do
delegado Lacerda estão lancetando esse tumor com persistência e competência
inigualáveis na História da República. De forma que hoje já é possível dizer,
ao contrário do que afirmou o neopresidente do ninho dos afastados do poder,
que a administração petista já fez mais pela moralização dos costumes
republicanos brasileiros em 11 meses que a turma dele, com toda a sua alta
plumagem, em oito anos.
Anaconda, Praga do Egito, a patota do Silveirinha e outros casos apurados,
levados a cabo e, no último caso, já sentenciados pela Justiça são signos de
uma eficiência inédita. E inesperada, por serem obra de uma instituição que até
recentemente só sabia queixar-se de falta de recursos para cumprir suas tarefas
- difíceis, reconheça-se, mas, pelo que acaba de ser demonstrado, nunca
impossíveis - de evitar que o contrabando de drogas e armas torne nosso
território uma versão ainda mais violenta do Velho Oeste, sem lei e sem alma, e
que os larápios reduzam o erário a cinzas pós-carnavalescas.
A piada de Serra do "bolchevismo sem utopia" é enganosa: nem os
petistas chegaram ao poder pelo golpe nem abriram mão de sonhos expressos em
exageros do gênero "espetáculo do crescimento", ao gosto do
marqueteiro-mor Duda Mendonça. Mais preciso teria sido ele se tivesse chamado a
atenção para a ironia histórica de estar o PT malogrando no que mais aprecia, o
social, e sendo bem-sucedido em setores que temeu ou pelos quais foi temido: o
sistema financeiro internacional e a Polícia
Federal.
Se tem pretensões a desalojá-los de onde estes os desalojaram, o PSDB prestaria
melhor serviço ao País e ainda faria a oposição construtiva anunciada com sua
empáfia habitual se mantivesse a ética acadêmica e atribuísse notas justas ao
trabalho dos adversários. De fato, o espetáculo do crescimento é uma utopia
distante - e nada bolchevista. Mas, por outro lado, se o show "Algemas nos
pulsos e custos no chão" não põe mais pão na mesa do trabalhador, bem que
lava a alma da Nação, que estava mesmo necessitada de um bom banho.
José Nêumanne, jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde
VALOR ECONÔMICO | LEGISLAÇÃO&TRIBUTOS | 03/12/2003
Combate à pirataria: ainda há muito a fazer
Por
Antonio Murta Filho
O termo pirataria constitui expressão vulgar designativa de expressão jurídica
contida no antigo Código Civil sob a forma de reprodução fraudulenta (artigo
669) e nas leis de direito autoral sob o nome de contrafação, como se depreende
das definições constantes da Lei nº 5.988/73 e da atual Lei nº 9.610/98, nos
artigos 4º, inciso V e 5º, inciso VII, respectivamente.
O ato de pirataria se configura na reprodução não autorizada de obras e
criações intelectuais, como se colhe da análise atenta das normas inseridas na
legislação específica. A reprodução sempre foi uma das modalidades mais
relevantes de utilização de obras intelectuais, motivo pelo qual o artigo 1.346
do antigo Código Civil já previa o direito do editor de reproduzir
mecanicamente a obra para fins de publicação e exploração.
A proteção internacional do direito de autor se deu com a Conferência
Diplomática ocorrida em 1886 em Paris, quando se instituiu a Convenção de Berna
para a proteção de obras literárias e artísticas. A última revisão desse
tratado internacional foi em Paris em 1971, tendo esse texto sido aprovado no
Brasil pelo Decreto Legislativo nº 94, de 4 de dezembro de 1974 e promulgado
pelo Decreto nº 75.699, de 6 de maio de 1975.
Cumpre ressaltar que o direito de reprodução já sofria restrição importante,
conforme mostra o artigo 9.2 da Convenção de Berna, que permitia a reprodução
das obras, desde que não afetasse a reprodução normal da obra e não causasse
injustificados prejuízos aos interesses do autor. Trata-se de norma que não diz
respeito diretamente ao fenômeno da pirataria, mas sim tendente a, em caráter
excepcional, permitir a cópia privada.
A aplicação de sanções apenas na esfera cível revelou-se insatisfatória para
debelar um mal tão complexo como a pirataria
Na esfera dos direitos conexos, a Convenção para a Proteção dos Artistas
Intérpretes ou Executantes, dos produtores de Fonogramas e dos Organismos de
Radiodifusão foi firmada em Roma em 1961. Com a crescente utilização dos meios
insidiosos de reprodução fraudulenta de direitos autorais, além do número
tímido de adesões à Convenção de Roma, nova Convenção Internacional foi
aprovada em Genebra em 1971 (Convenção para Proteção aos Produtores de
Fonogramas contra a Reprodução não Autorizada) para reprimir na esfera
internacional o delito da pirataria.
Todavia, a aplicação de sanções apenas na esfera cível revelou-se
insatisfatória para debelar um mal tão complexo como a pirataria, não obstante
algumas decisões relevantes na condenação em pagamento vultoso de verba
indenizatória e desnecessidade de prova do prejuízo para fins de indenização. O
emprego dos instrumentos jurídicos na esfera criminal deve ser cada vez mais
aprimorado como forma de enfrentar a epidemia denominada pirataria, que afeta
setores relevantes da nossa economia.
Os números da pirataria são alarmantes e os mercados mais atingidos são os de
software e dos produtores de fonogramas. Segundo o presidente da Associação
Brasileira de Empresa de Software, a perda anual do setor é de US$ 1,360 bilhão
com a pirataria, sendo que o governo perde US$ 324 milhões em impostos. A
Associação Brasileira dos Produtores de Discos sustenta que os CDs piratas já
representam 59% do mercado.
Diante desse quadro devastador, a nova Lei nº 10.695, sancionada pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho de 2003, deve ser recebida de
forma alvissareira como um passo importante no combate da pirataria. Essa lei
altera os artigos 184 e 186 do Código Penal e acrescenta parágrafos ao artigo
525 do Código de Processo Penal. Os delitos de reprodução total ou parcial, nas
diversas modalidades e meios de utilização, incluindo o ambiente digital, serão
punidos com pena de reclusão de dois a quatro anos, devendo se processar, nos
termos do artigo 186, como ação penal pública incondicionada.
Além disso, a nova lei introduz novos procedimentos de busca e apreensão e
destruição de produtos contrafeitos, a fim de tornar mais eficaz o combate às
violações de direito de autor e conexos; a apreensão pela autoridade policial
de produtos ilícitos e de suportes; a possibilidade de destruição, mediante
ordem judicial, da produção ou reprodução apreendida e a manutenção dos bens
apreendidos com titulares dos direitos autorais, na condição de fiéis
depositários são as principais inovações no campo processual penal.
Resta, por fim, advertir que a nova lei, apesar de representar uma evolução
significativa, deve ser acompanhada de outras medidas, como a criação de um
plano nacional de combate à pirataria e a capacitação de agentes públicos na
fiscalização de fronteiras, portos, aeroportos e estradas. É necessária ainda
uma possível reformulação no Comitê de Internacional de Combate à Pirataria,
criado em março de 2001.
A data de hoje, Dia Nacional de Combate à Pirataria, é uma boa oportunidade
para conclamar a participação cada vez mais intensa do Estado, como parceiro
indissociável dos titulares de direitos autorais, na aplicação de medidas
capazes de minorar os efeitos deletérios dessa moléstia coletiva chamada
pirataria.
Antonio Murta Filho é advogado, sócio do escritório Veirano Advogados e mestre
em direito da propriedade intelectual
CORREIO BRAZILIENSE | POLÍTICA | 03/12/2003
PF entra em greve a partir de hoje no DF
Tentar tirar passaporte na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília poderá se tornar, a partir de hoje, uma tarefa árdua. Policiais federais do Distrito Federal pretendem entrar em greve para pressionar o governo a pagar um reajuste salarial que poderá representar um custo anual de cerca de R$ 500 milhões na folha. Eles sustentam que desempenham funções de nível superior, mas têm remuneração de nível médio. O presidente do Sindicato dos Policiais Federais do DF, Fernando Honorato, disse ontem que a idéia é paralisar quase todos os serviços da PF da capital federal. ‘‘A gente quer parar tudo’’, afirmou. Apenas algumas funções essenciais, como a guarda de presos na superintendência, deverão funcionar em esquema de plantão. A greve foi aprovada na última segunda-feira.
JORNAL DE BRASÍLIA | BRASIL | 03/12/2003
Ex-deputado faz nova acusação
A Polícia Federal obteve o primeiro depoimento que
pode ligar o governador de Roraima, Flamarion Portela (PT), com o esquema da
folha de pagamentos fantasma, conhecida como folha gafanhoto. O ex-deputado
estadual Bernardino Alves Cirqueira (PSDB) contou ontem aos investigadores que
trabalham no caso que não sabia nada sobre o assunto até a eleição passada,
quando começou a apoiar Portela e supostos emissários do candidato o teriam
procurado para que mandasse nomes a serem incluídos na folha.
JORNAL DE BRASÍLIA | BRASIL | 03/12/2003
Governador
petista nega envolvimento em escândalo
Flamarion relata ao PT
providências para combater fraudes em Roraima
O
governador de Roraima, Flamarion Portella (PT), está em Brasília para resolver
questões de interesse do governo e para relatar ao comando do PT as
providências que tomou desde o ano passado, relativas ao escândalo no qual
tentam envolvê-lo, que levou à prisão o ex-governador Neudo Campos, além de
outras personalidades do estado.
Flamarion defende-se com veemência e nega envolvimento nas roubalheiras
denunciadas pela Polícia Federal.
"As acusações contra mim são vagas, sem provas e feitas por pessoas que
são desafetas, que foram demitidas por mim", declara o governador. Lembra
que está sendo acusado por Carlos Levischi, que dirigia o Departamento de
Estradas de Rodagem (DER), órgão que ele extinguiu no seu primeiro dia de
governo, quando abriu investigações sobre a corrupção nessa instituição,
chamando o Ministério Público para acompanhar tudo de perto. E por uma
servidora, Sônia Narttrodt, que afirma sem provas que ele sabia de tudo, e que
também foi demitida por ele da diretoria das folhas de pagamento.
"Em abril de 2002, sentei-me na cadeira de governador às 7 horas da manhã
do dia 5, e às 9 horas já estava na Assembléia Legislativa levando em mãos um
projeto extinguindo o DER", conta ele.
Por isso, segundo Flamarion Portela, o ex-diretor Carlos Levischi tem dado
declarações sem provas tentando confundir o seu nome com a chamada Operação
Gafanhoto, na qual se detectou a existência de milhares de servidores-fantasmas
no estado. "Na verdade, com a extinção do DER foi que a Operação Gafanhoto
começou a ser desvendada", esclarece.