
O ESTADO DE S. PAULO
02/08/2006
Luiz Vedoin depõe hoje em sessão reservada
02/08/2006 PF não consegue ouvir ministro da Justiça
02/08/2006 Invasores da Câmara viram réus pela LSN
02/08/2006 CPI avalia se Waldomiro tinha ligação com esquema
02/08/2006 Na lista da CPI, provas contra 84 parlamentares
02/08/2006 Corregedoria do Senado investiga Suassuna, Magno e Serys
02/08/2006 Dora Kramer
O GLOBO
02/08/2006 Garotos acham R$ 420 mil numa casa
02/08/2006 Merval Pereira
02/08/2006 Panorama Político :: Tereza
Cruvinel
02/08/2006 Rigor necessário
FOLHA DE S. PAULO
02/08/2006 Meninos acham mais de R$ 80 mil no RN
02/08/2006
Vedoin diz que tentou contratar filho de ex-presidente do STF
02/08/2006
Diretor de banco estatal faz arrecadação para eleger
Ciro
02/08/2006
PT testará discurso ético de Lula antes de colocá-lo
na TV
02/08/2006 PAINEL
CORREIO BRAZILIENSE
02/08/2006 Notas
02/08/2006 TCU cancela licitação suspeita
02/08/2006 Justiça abre ação penal contra MLST
02/08/2006 Divisão em momento decisivo
02/08/2006 Abadia pressiona distritais
02/08/2006 Mais dois deputados na lista
02/08/2006 Um “negócio” de R$ 30 milhões
02/08/2006 É coisa de cinema
02/08/2006 Visto, Lido e Ouvido :: Circe Cunha
O ESTADO DE SÃO PAULO
Luiz Vedoin depõe hoje em sessão reservada
Sete integrantes da CPI dos Sanguessugas interrogarão hoje o empresário Luiz Antônio Vedoin, da Planam. Para evitar pressões, o presidente da CPI, Antonio Carlos Biscaia, decidiu que o depoimento será reservado e na Polícia Federal de Brasília.
PF não consegue ouvir ministro da Justiça
Rosa Costa
A Polícia Federal (PF) está tentando descobrir um jeito de ouvir seu próprio chefe, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, no caso da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo. O episódio já causou a queda de Antonio Palocci do Ministério da Fazenda e de Jorge Mattoso da presidência da Caixa Econômica Federal.
Com dois meses de atraso, o inquérito, a cujos autos o Estado teve acesso, está inconcluso por causa de alguns pontos obscuros que o Ministério Público Federal quer esclarecer. Um deles é a confusa participação de dois assessores de Bastos na violação da conta - Cláudio Alencar, chefe de gabinete, e Daniel Goldberg, secretário de Direito Econômico. O relatório final está praticamente pronto, mas a recusa do ministro em depor espontaneamente está deixando de saia-justa o delegado Rodrigo Carneiro Gomes, encarregado do inquérito.
Por meio da assessoria, Bastos disse que nunca recebeu pedido da PF para depor e, se isso ocorrer, irá sem problema. Afirmou também que enviou ao delegado cópia do depoimento que prestou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
Os assessores se reuniram com Palocci e Mattoso na casa do ministro, em 16 de março, logo após a violação do sigilo, e duas vezes no dia 17, mas esconderam o fato da Polícia. Os dois prestaram depoimento em 2 de abril, quase três semanas após o episódio, e disseram que Palocci queria saber se poderia acionar a PF para investigar suspeita de que Nildo receberia suborno para atacá-lo.
Invasores da Câmara viram réus pela LSN
Juiz acolhe denúncia do MP e abre ação contra 116 ativistas do MLST
O juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, aceitou denúncia do Ministério Público Federal e abriu ação penal contra 116 integrantes do Movimento pela Libertação dos Sem-Terra (MLST) acusados de invadir e depredar dependências da Câmara em 6 de junho. Em sua decisão, Leite disse que, em tese, as condutas relatadas pelo MPF são "típicas, antijurídicas e culpáveis".
A invasão deixou 38 feridos e causou à Câmara um prejuízo de R$ 106 mil. A Polícia Federal chegou a prender 545 militantes que participaram dela, mas a maioria foi solta. Em 15 de julho, a Justiça mandou soltar os últimos 32, que estavam no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, incluindo o líder Bruno Maranhão, considerado o mentor intelectual da ação.
Na denúncia, apresentada em 11 de julho, o MPF dividiu os invasores em dois grupos. Todos são acusados de lesões corporais leves e graves, danos ao patrimônio público e resistência qualificada. Os 80 que planejaram a ação, segundo os promotores, são denunciados também por formação de quadrilha e enquadrados na Lei de Segurança Nacional, criada pelo regime militar. As penas vão de 3 a 9 anos de prisão e ressarcimento dos danos.
Além de aceitar a denúncia, o juiz Leite determinou o atendimento de vários pedidos feitos pelo MPF, entre eles o de que o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), informe se atividades da Casa tiveram de ser suspensas por causa da invasão do MLST. Também foi requisitada pelo Ministério Público Federal a realização de diversos exames periciais, não especificados na decisão.
A invasão da Câmara pelos militantes do MLST foi um episódio de selvageria inédito na história da instituição. Depois de forçar a entrada em um prédio anexo da Câmara, manifestantes passaram a destruir tudo à sua volta e a agredir seguranças. Atingido por uma pedra, um diretor da Casa chegou a ser internado na UTI de um hospital com traumatismo craniano.
CPI avalia se Waldomiro tinha ligação com esquema
Darci Vedoin relata que aprovação de emendas passava pela Casa Civil
Parlamentares da CPI dos Sanguessugas pretendem com as investigações trazer de volta à cena o ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz, hoje recolhido e afastado do governo. Em seu depoimento reservado à CPI, o empresário Darci Vedoin, dono da Planam, apontou que o centro nervoso da liberação de emendas parlamentares que alimentavam o esquema dos sanguessugas era a Casa Civil.
Depois de ter sido presidente da Loterj, autarquia do governo do Rio responsável pela administração, gerenciamento e fiscalização do jogo no Estado, Waldomiro foi designado, no início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, na gestão José Dirceu. Ali, ele administrava o atendimento de emendas a parlamentares. "Quando se iniciou o governo do PT, a Casa Civil mandava as listas que têm (sic) que ser pagas. Todas as emendas são pagas com as listas que saem da Casa Civil. Todas!", disse Vedoin.
O fato de Waldomiro ter sido pivô na liberação das emendas não significa que ele conhecesse o esquema. No entanto, há pistas que a CPI não pode desprezar. Personagem central no esquema, o ex-deputado Bispo Rodrigues mantinha uma relação estreita com Waldomiro. Quando o ex-assessor da Casa Civil serviu ao governo de Benedita da Silva, no Rio, ambos se aproximaram. Deslocado do Rio para Brasília, Waldomiro e Bispo Rodrigues mantiveram contato. Assim, por força do cargo e das amizades, o ex-braço direito de José Dirceu tornou-se o elo entre as emendas parlamentares e a máfia dos sanguessugas. O ex-deputado, que chegou a ser preso pela Polícia Federal, possuía tal importância no esquema que foi ao mesmo tempo beneficiário e credor dos donos da Planam.
Waldomiro já foi protagonista de outro escândalo. Em fevereiro de 2004, foi forçado a deixar o governo porque apareceu numa gravação em que pedia propina ao empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. No vídeo exibido pelas emissoras de TV, Waldomiro, então um dos principais assessores de Dirceu, aparecia extorquindo Cachoeira para arrecadar fundos para a campanha eleitoral do PT e do PSB no Rio.
Contra Waldomiro pesou ainda a acusação de que ele teria influenciado na renovação de contratos entre a Caixa Econômica Federal e a empresa que gerencia loterias federais Gtech. Depois dele, o controle da liberação das emendas ainda ficou sob responsabilidade de Marcelo Sereno. Atualmente a Casa Civil não cuida da liberação de emendas, de acordo com sua assessoria.
Na lista da CPI, provas contra 84 parlamentares
Dividida em sete grupos, pelo grau de envolvimento, a lista deverá ser acrescida de outros seis nomes, que ainda estão sendo investigados
Fausto Macedo
A CPI dos Sanguessugas relacionou os nomes de 84 parlamentares que teriam envolvimento com o esquema de apresentação de emendas e uso de verbas do Ministério da Saúde para compra de ambulâncias superfaturadas em quase 500 prefeituras. A lista é oficial.
A base da acusação que abalou o Congresso é o depoimento do empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin. A partir do relato de Vedoin, a CPI fez o mapa dos deputados sob suspeita. "O depoimento de Vedoin é o memorial da corrupção no Brasil", declarou o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), vice-presidente da comissão.
Outros seis congressistas estão sob investigação a partir de interceptações telefônicas e documentos apreendidos pela Polícia Federal. Seus nomes não foram divulgados.
Reforçam as denúncias de Luiz Vedoin os depoimentos de seu pai, Darci Vedoin, e do empresário Ronildo Pereira. Eles acrescentaram dois nomes à rede sob investigação, Salvador Zimbaldi (PSB-SP) e Philemon Rodrigues (PTB-PB). Esses nomes ainda não estão incluídos na relação da CPI.
A lista é dividida em 7 grupos, definidos pelo maior ou menor grau de envolvimento dos parlamentares. No grupo 1 (casos em que teria havido depósitos em conta corrente do próprio parlamentar ou de parente) estão situados 15 deputados, sendo 2 do PL, 1 do PMDB, 7 do PTB, 3 do PP, 1 do PSDB e 1 do PRB.
DEPÓSITOS
No grupo 2 (depósitos em conta corrente de auxiliares vinculados a parlamentares,
como chefe de gabinete, assessor parlamentar e assistente técnico) estão
25, sendo 7 do PTB, 6 do PL, 1 do PFL, 4 do PP, 2 do PSDB, 2 do PMDB, 1 do PT,
1 do PSB e 1 do PRB.
No grupo 3 (depósitos em conta corrente de terceiros, pessoas físicas ou jurídicas indicadas pelos deputados ou por assessores), mais 6 parlamentares, 2 do PP, 1 do PTB, 1 do PSB, 1 do PSC e 1 do PFL.
O grupo 4 é o que relaciona os casos em que dinheiro foi recebido em espécie pelo próprio parlamentar e/ou por auxiliar.
São 21 deputados nessa lista, 5 deles do PMDB, 3 do PFL, 7 do PL, 2 do PP, 2 do PSB, 1 do PT e 1 do PTB. O grupo 5 (casos de outros benefícios recebidos direta ou indiretamente pelo parlamentar, como bens móveis, prestação de serviços) tem 8 nomes, 2 do PP, 1 do PFL, 1 do PTB, 3 do PL e 1 do PSB.
EVIDÊNCIAS
No grupo 6 (sem menção por Luiz Vedoin a pagamentos ou benefícios
recebidos direta ou indiretamente pelo parlamentar) são elencados 9 nomes,
1 do PSC, 1 do PSDB, 1 do PPS, 3 do PMDB, 2 do PFL, 1 do PP.
A lista da CPI dos Sanguessugas agrupa 54 parlamentares (60% do total) contra os quais existem "evidências documentais", como cópias de recibos bancários e transferências.
Contra outros 21 parlamentares (23%) existem evidências testemunhais e papéis que indicam pagamentos em dinheiro vivo.
Corregedoria do Senado investiga Suassuna, Magno e Serys
Romeu Tuma afirma que, em 30 dias, os 3 parlamentares vão saber se terão de responder ao Conselho de Ética
Eugênia Lopes
O corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), decidiu abrir hoje investigação para apurar o suposto envolvimento de três senadores - Magno Malta (PL-ES), Ney Suassuna (PMDB-PB) e Serys Slhessarenko (PT-MT) - com a máfia dos sanguessugas. Os três foram notificados pela CPI dos Sanguessugas e voltaram ontem a garantir sua inocência.
Tuma tem o prazo de 30 dias para fazer as investigações. Se considerá-los culpados, a corregedoria deverá sugerir ao Conselho de Ética do Senado a cassação de seus mandatos.
"Vou pedir todo o material sobre os três na CPI e na Polícia Federal e analisar tudo antes de chamar os senadores", afirmou Tuma, um dos integrantes da comissão. Marcelo Cardoso de Carvalho, ex-assessor de Suassuna, deverá ser um dos primeiros convocados para depor na corregedoria. Marcelo negociaria com a Planam, principal empresa da máfia, propina de 10% em cima dos valores das emendas apresentadas ao orçamento para compra superfaturada de ambulâncias. O assessor teria recebido R$ 237 mil.
Na avaliação de Tuma, o caso do líder do PMDB é o mais grave. "No caso do senador Suassuna as circunstâncias são mais graves." O corregedor observou que será preciso fazer uma perícia para verificar se a assinatura de Suassuna em emendas orçamentárias é realmente falsa, conforme alega o peemedebista. Suassuna reafirmou ontem que não conhece ninguém da família Vedoin, dona da Planam, e disse que está sendo perseguido "por pessoas do Sul-Sudeste" por ser nordestino e apoiar o governo.
Magno Malta teria feito um acordo com a Planam, pelo qual receberia 10% se destinasse emenda de R$ 1 milhão à empresa. Como adiantamento, Magno teria ganho um Fiat Ducato. O senador não apresentou a emenda. Magno admitiu que usou o Fiat Ducato do deputado licenciado Lino Rossi (PP-MT), mas como empréstimo e o devolveu há um ano. Da tribuna do Senado, Magno disse que o carro estava em nome de José Luís Cardoso e não de alguma empresa e chegou a pagar o IPVA. Tuma vai estudar se fará acareação entre Rossi e Magno.
O genro de Serys, Paulo, teria pedido R$ 35 mil à Planam para pagar dívidas de campanha. Em troca, a senadora apresentou emenda de R$ 700 mil que favoreceria a empresa. "A senadora entregou documentos mostrando que não tem envolvimento com o esquema. Mas pretendo convocar seu genro à corregedoria", disse Tuma.
Impávidos colossos
O silêncio de Renan e Aldo Rebelo é inversamente proporcional ao barulho do escândalo
O Congresso anda quase ateando fogo às vestes por causa do conjunto da obra, agora em fase de "grand finale" com o escândalo dos sanguessugas, e os presidentes da Câmara, Aldo Rebelo, e do Senado, Renan Calheiros, seguem impávidos colossos, silentes como se o problema não fosse com eles.
O deputado Aldo Rebelo ainda falou um pouco mais. Na semana passada deu para ouvir sua voz defendendo "apuração rápida e rigorosa". O senador Calheiros, entretanto, nem a indignação de praxe demonstrou.
Exímio na movimentação de bastidor, atento à atuação do relator da CPI dos Sanguessugas, seu companheiro de PMDB Amir Lando, o presidente do Senado não exibiu ainda a mesma presteza para comentar, e quem sabe até avaliar, a maior crise moral em que já se viu envolvido o Parlamento na sua conexão mais direta com o Poder Executivo: o Orçamento da União.
A retomada dos trabalhos normais esquentou o clima, sobretudo no Senado, onde parlamentares da tribuna, do plenário e até ocupantes ocasionais da presidência abandonaram a habitual fidalguia no trato e estranharam-se vigorosamente, indo aos limites da troca de desaforos.
Para se ter uma idéia, o senador João Alberto presidia a sessão quando acusou o senador Almeida Lima, que cobrava providências da corregedoria da Casa, de "jogar para a platéia"; o senador Tasso Jereissati irritou-se com o senador Eduardo Suplicy a ponto de lhe negar um aparte, caso pretendesse "dizer bobagens".
A ferida se esgarça, o escândalo provoca cada vez mais barulho, mas os presidentes das duas Casas do Congresso, na proporção inversa, calam-se, encolhem-se. Ambos estão a dever pronunciamentos institucionais a respeito do tema e, não demora, serão cobrados por seus pares explicitamente.
Renan e Aldo Rebelo são os únicos até agora a aparentemente não se darem conta da gravidade dos episódios em cartaz, como se habitassem outro país.
Ontem, os plenários das duas Casas ouviram pronunciamentos o dia todo: ora de acusados buscando defesa, ora de parlamentares não citados pedindo alguma providência, pois, percebem, o barco afunda com todos juntos.
Inclusive suas excelências, os comandantes.
Uma posição firme e clara de Aldo Rebelo e Renan Calheiros seria indispensável, mais não fosse para que se redimam de atitudes anteriores.
O presidente do Senado, como se sabe, tentou impedir a instalação da CPI alegando motivo fútil - um defeito técnico na elaboração do texto do requerimento de criação da comissão de inquérito - e invocando o fato de ser desnecessária a ação do Parlamento, pois o caso já estava com a Polícia, a Justiça e o Ministério Público.
Se prevalecesse sua posição, os fraudadores do orçamento ainda estariam protegidos pelo segredo de Justiça ou, no máximo, tendo seus nomes divulgados pela imprensa por conta de "vazamentos" que estariam sendo, estes sim, condenados como crimes de lesa-pátria.
Embora não tivesse atuação contrária tão ativa, o presidente da Câmara num primeiro momento rendeu-se ao corporativismo. Quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Sanguessuga, e com ela saíram as primeiras informações sobre pagamento de propina a deputados, dois integrantes da Mesa já constavam da lista.
Ainda assim, não foram sequer admoestados. João Caldas e Nilton Capixaba só pediram afastamento dos postos depois que a CPI passou a existir e assim exigiu. Aí o presidente da Câmara deixou de reunir a Mesa até que os dois denunciados tomassem a iniciativa de se afastar.
Tivesse prevalecido a decisão do arquivamento da CPI, João Caldas e Nilton Capixaba ainda estariam no exercício da direção da Câmara dos Deputados, não obstante a suspeição fosse de pleno conhecimento das Casas e de suas direções.
Fala-se em esperar a conclusão das investigações a fim de não cometer injustiças. Mas até lá avilta-se a paciência do eleitor, enxovalha-se a instituição e, com ela, o exercício da política e a reputação de todos os políticos, muitos dos quais homens e mulheres de bem.
Com sua omissão, os comandantes do Congresso não contribuem para melhorar as coisas. Ao contrário, só acentuam a desmoralização do Poder quando - por covardia ou precisão - ficam quietos sem dizer o que pensam, recolhidos como quem espera embaixo da cama a tempestade passar.
Atraso providencial
O fracasso da tentativa do presidente do Conselho de Ética de mudar os prazos do regimento para apressar os processos dos acusados pela CPI dos Sanguessugas pode não ter sido um mau negócio do ponto de vista da punição.
Se os acusados fossem enviados ao julgamento do plenário nos próximos meses, a expectativa seria de absolvição.
Por falta de quórum ou por coleguismo. São tantos os envolvidos que se cada um conseguisse o voto de dois amigos a cassação ficaria matematicamente impossível. Melhor, então, deixar uma primeira triagem a cargo das urnas e levar o restante a julgamento na próxima legislatura.
O GLOBO
Garotos acham R$ 420 mil numa casa
NATAL. A curiosidade de três garotos de 13 a 15 anos, que jogavam bola em frente a uma casa abandonada no conjunto Santa Catarina, em Natal, levou a Polícia a descobrir cerca de R$ 420 mil em notas de R$ 50, que podem ser do roubo da sede no Banco Central do Ceará, em 6 de agosto do ano passado. No assalto ao BC, os assaltantes levaram R$ 164 milhões.
O dinheiro estava numa bolsa e num isopor enterrado num dos três quartos da casa. Segundo moradores, a casa está no nome do motorista Francisco Pereira de Lima, que a teria vendido em dezembro a um casal, que obrigou os então inquilinos a saírem com urgência.
O delegado de Furtos e Roubos de Natal, Graciliano Lordão, informou que a Polícia recuperou R$ 418 mil, mas não soube informar quanto havia na casa. Segundo moradores, após a descoberta do dinheiro, sábado passado, pelo menos 20 pessoas estiveram na casa, além dos meninos e de um policial militar, irmão de um deles.
Um dos meninos que achou a sacola contou que chegou a levar um saco plástico com dinheiro para casa, mas sua mãe mandou devolver.
— Ela disse que era dinheiro sujo e me mandou devolver — disse o menor de 14 anos.
Segundo ele, o outro amigo levou dinheiro para casa e contou ao irmão, que é soldado da PM, sobre o achado.
O delegado da Polícia Federal de Brasília, Antônio Celso, que acompanha as investigações do roubo do Ceará, chegou ontem a Natal e foi até a casa em busca de pistas. Como o dinheiro estava em maços de R$ 5 mil e notas de R$ 50, a Polícia acredita que os assaltantes do BC usavam a casa como esconderijo.
Embalagem de isopor estava violada
Segundo depoimentos de moradores, outras pessoas entraram na casa sábado à tarde. Um policial civil que chegou na casa sábado à noite e viu o buraco no piso semi-aberto, como se alguém tivesse retornado às pressas para retirar o isopor do esconderijo. A Polícia encontrou a embalagem violada.
Segundo o investigador Marcos de Castro, no isopor foram encontrados R$ 336.650. Outros R$ 82 mil estavam com as crianças e o soldado da PM.
Copa da corrupção
À medida que as investigações do escândalo das sanguessugas chegam mais perto do Poder Executivo, com a possibilidade de convocação dos ex-ministros da Saúde envolvidos diretamente no esquema de superfaturamento das ambulâncias, a disputa entre a CPI e o governo Federal pelo controle das investigações fica mais evidente. Informações que chegaram a membros da CPI dão conta de que o governo estaria empenhado em desarticular as ações da comissão e a aumentar o papel da Controladoria Geral da União, para assumir a paternidade das investigações como demonstração de que combate a corrupção, e não compactua com ela.
Já a apresentação dos dados feita semana passada pelo ministro Jorge Hage, da Controladoria Geral da União, e pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que critiquei aqui como evidência do uso da máquina pública a favor da candidatura de reeleição de Lula, faria parte dessa estratégia. O corregedor Jorge Hage não desmente a intenção de defender a posição do governo, conforme declarou na entrevista coletiva em que divulgou a atuação da CGU, afirmando que “o atual governo sente-se no dever de fazer esta prestação de contas à sociedade brasileira e mostrar que está cumprindo com o seu dever”.
Em mensagem enviada a mim, ele garante que os números da empresa Planam que usei em minhas críticas foram divulgados de forma incompleta, “intencionalmente ou não”, porque revelavam apenas a movimentação da empresa-matriz, e não do Grupo Planam, que inclui as demais participantes da fraude: a Klass, a Sta. Maria e a Enir EPP. Ao contrário do que escrevi, diz Hage que os números divulgados não demonstram crescimento da movimentação financeira do Grupo Planam no governo Lula. “Pelo contrário, o que se observa é uma queda significativa no ano de 2005 e relativa estabilidade nos demais anos”.
Para fazer a afirmativa, o corregedor se utiliza de um artifício: pelos números que me enviou, a movimentação do grupo Planam foi em 2000 de R$ 721.723,28; em 2001, de R$ 6.079.648,28; em 2002, de R$ 23.563.329,72; em 2003, de R$ 27.756.347,49; em 2004, de R$ 24.828.273,75; e em 2005, de R$ 14.713.913,96. Como se vê, é preciso muito boa vontade para negar que a Planam movimentou mais dinheiro no governo Lula do que no anterior. Bastaria somar as parcelas para chegar-se à conclusão de que o que afirmei, com base na CPI, é verdade.
Errei, sim, ao afirmar que a CGU não divulgara o montante em dinheiro envolvido nas transações, mas apenas as percentagens dos convênios, com a intenção de fazer crer que as fraudes seriam menores no governo Lula. Segundo a Controladoria Geral da União, a Planam teve a ver em 2000 com 28% dos convênios firmados com prefeituras para a compra de ambulâncias, e esse percentual subiu para 51% em 2002. No governo Lula, a participação da Planam em convênios caiu para 24,39% em 2003 e 16,17% em 2004.
Como as cifras citadas acima, e divulgadas na ocasião, mostram que o montante de dinheiro ficou estável a partir de 2002, fica claro que a divulgação das percentagens não tem nenhum sentido, a não ser que se queira confundir a informação. O corregedor Jorge Hage alega também que no governo Lula foram quitados R$ 19.488.927,00 de restos a pagar de convênios de ambulâncias celebrados em 2002, “o que explica o incremento verificado em 2003”.
Essa conta eu não entendi. Como lembra o deputado Raul Jungmann, um dos membros da CPI, “quem tem a responsabilidade sobre o pagamento é o governo que faz o processo de liquidação da dívida”. O esquema fez o empenho no governo Fernando Henrique, em 2002, e liquidou a dívida no governo seguinte, no primeiro ano da administração Lula.
Portanto, de duas, uma: ou retira-se da conta de 2002 a dívida não paga e acrescenta-se a quantia no ano de 2003, quando ela foi liquidada, ou, como está no quadro divulgado pela CGU, se mantém os empenhos nos anos em que foram feitos, e não se alega os “restos a pagar” como desculpa.
O ministro Jorge Hage também reclama da minha afirmação de que a ação da CGU nas investigações teria sido “secundária e tardia”. Segundo ele, as primeiras constatações de irregularidades na aquisição de ambulâncias foram apontadas pela CGU no segundo sorteio de municípios, ocorrido em maio de 2003. “A sucessão de constatações de irregularidades me levou a pedir pessoalmente à PF a abertura do inquérito, em novembro de 2004”.
Ele admite que o Ministério Público de Mato Grosso já estava, antes disso, em 2002, investigando o grupo Planam com a Receita Federal, a partir de questões tributárias, mas argumenta que não era do seu conhecimento. Afirma também que as ações da Polícia Federal e da CGU não foram “secundárias”, e pergunta: quem traçou a estratégia de investigação? Quem analisou as informações colhidas nas escutas? Quem analisou os documentos apreendidos? Quem demonstrou documentalmente as irregularidades nas licitações vencidas pela Planam? “Todas as ações de investigação foram desenvolvidas em articulação entre a Polícia Federal e a CGU”, afirma.
Admito que usei o termo errado ao chamar a atuação da CGU de “secundária”, embora reafirme, com base no depoimento de membros da CPI, que o papel fundamental na investigação foi do Ministério Público de Mato Grosso e da Justiça Federal daquele estado. A atuação da CGU não foi nem desprezível como dei a entender, nem a Corregedoria teve a primazia das investigações, como o governo quer passar a idéia. Mas, como diz o deputado Fernando Gabeira, outro membro da CPI, essa é uma discussão bizantina: “Não estamos na Copa Brasil da Corrupção. Levar o debate para esse lado interessa muito à sucessão presidencial, mas na verdade não esclarece muito”.
Panorama Político :: Tereza Cruvinel
Outros perigos
Até bem pouco tempo atrás, soavam como hipérbole, conversa
de bicho-papão, os avisos de que neste ritmo o crime organizado e o narcotráfico
ainda teriam bancadas na Câmara e nas assembléias legislativas
de alguns estados. Depois do mensalão, com os sanguessugas de agora e
diante da sofisticação das organizações criminosas,
deixou de soar e de ser um exagero.
E, se isso acontecer, terá sido por leniência mas não por cegueira ou falta de aviso, pois as condições para o colapso da representação democrática estão aí, à vista de todos. Nisso reside a importância maior da consulta do deputado Miro Teixeira ao TSE sobre a possibilidade de impugnação dos mandatos conquistados por pessoas sobre as quais existam investigações, suspeitas graves e indícios de envolvimento em atos criminosos. Sob o impacto da conjuntura, todos pensamos imediatamente em deputados que aparecem nas listas de mensaleiros e sanguessugas e nos esquecemos de que o pior pode ainda estar a caminho nesta eleição. A vedação da posse poderá ser um grande instrumento de defesa da democracia. Poderá impedir que tomem assento no Congresso outros tantos candidatos que tentarão se aproveitar da desmoralização da política e das carências dos eleitores para conquistar a impunidade e as vantagens propiciadas pelo mandato popular.
O deputado Luiz Antonio Fleury, ex-promotor, voltou muito impressionado de Presidente Prudente, onde se reuniu com promotores, delegados e procuradores que atuam no combate àquela organização criminosa que domina os presídios paulistas. Para começar, a organização é chamada de “partido” pelos criminosos, nas fitas que Fleury ouviu. De dentro dos presídios eles “soltam um salve”, comunicado que em minutos atinge toda a cadeia da organização. E o “salve”, expressão que lembra antigos comunicados de partidos clandestinos, vai por celular. Num recente, avisaram que a paz acabou e o “braço armado” atuará sempre que for preciso.
— Não tenho dúvida de que eles estão chegando aonde nunca chegaram, e que pensam em ir muito mais longe, infiltrando-se no poder político — diz o deputado Fleury.
Em outras metrópoles é conhecida a conexão entre líderes comunitários de favelas (que têm influência eleitoral), os traficantes e políticos que exploram o voto das comunidades. No Rio há uma verdadeira indústria de centros sociais nos morros e favelas, aparentemente mantidos por políticos mas dominados por chefes do crime.
Para o presidente da CPI dos Sanguessugas, Antonio Carlos Biscaia, pesam indícios sólidos contra pelo menos 75 deputados. Mas, mesmo diante da amplitude do esquema e da desfaçatez dos que venderam o mandato a uma máfia, os partidos não se dispuseram ainda a impedir a recandidatura de deputados envolvidos. E há os outros, os que poderão querer entrar agora, na eleição, o que torna ainda mais importante e necessária a atuação da própria Justiça Eleitoral.
A consulta que a assessoria técnica do TSE apresentou ontem ao ministro-relator José Gerardo Grossi não deixou Miro desanimado. Os técnicos rejeitaram a consulta na sua totalidade, acrescentando: “ao tempo que faz vislumbrar questões que no momento oportuno serão objeto de jurisdição da Justiça Eleitoral”. Para Miro, nesta ressalva está admitida a possibilidade que o TSE venha a se manifestar, sempre que provocado, sobre a posse de eleitos sobre os quais pesem processos e provas, e não só de corrupção, ainda que sentença não tenha transitado em julgado.
— Se está “vislumbrada” a possibilidade de manifestação do TSE, estou satisfeito. A luta apenas começou. Tenho convicção de que milhares de pedidos de impugnação serão apresentados aos TREs, de preferência pelo Ministério Público Federal, que tem a confiança da nação.
É bom que venham e que a Justiça Eleitoral aceite a tarefa, porque o perigo vai além dos sanguessugas.
De um velho e insuspeito membro da Comissão Mista de Orçamento: ambulância é esquema do baixo clero. Se o véu for levantado, aparecerão os grandes e antigos elefantes.
Que não se repita. Nem como farsa.
O governo deveria garantir a segurança da senadora Heloísa Helena. Ela faltou dizer, ou disse com meias palavras, que teme sofrer um atentado do PT. Ao rebater críticas do ministro Tarso Genro, disse temer porque no PT “há todo tipo de gente” e pediu: “Só não mandem me matar”.
A Polícia Federal deveria lhe dar segurança porque a senadora pode estar tendo premonição. Em 1996, candidata a prefeita de Maceió pelo PT, contra Katia Born, do PSB, ela falou em atentados e acabou sofrendo um. Sua casa foi metralhada de madrugada. Por sorte, tinha mandado os filhos para a casa de parentes.
Com tanta denúncia de corrupção e tanta lambança ética, só o que nos faltava era uma nova rua Toneleros. Nesta rua de Copacabana, em 1954, Carlos Lacerda sofreu o atentado que levou à crise do governo Vargas encerrada com o suicídio do presidente.
Fim da linha
Nunca uma legislatura da Câmara acabou tão antes de seu final como esta que aí está, desmoralizada ao ponto de os deputados tirarem o broche em locais movimentados para não serem identificados. Por ora, está prevalecendo a incapacidade para deliberar. Ontem mais uma vez não foi possível votar a MP que dá aumento de 5% aos aposentados. A oposição insiste nos 16,5%.
— Estou sugerindo que o candidato Geraldo Alckmin se comprometa a dar este aumento e registre a promessa em cartório — diz o líder do PT, Henrique Fontana.
A oposição é eleitoreira e o governo teme o voto. Os governistas frustraram o quórum ontem, para não se exporem numa votação nominal. Vai terminar assim: a MP caduca no dia 10 e o governo edita outra, dando um aumento de 5,1%. Quando for votada, a eleição já passou.
Se a crise do mensalão demonstrou que o compadrio e o corporativismo existentes na Câmara dos Deputados são capazes de inocentar mensaleiros comprovados, o escândalo dos sanguessugas começa a revelar o alcance da imprevidência dos partidos, o descaso com que tratam a opinião pública.
A decisão de alguns deles de não fechar as portas a acusados de receber propinas do esquema de fraude no Orçamento, que assim poderão tentar se reeleger e preservar a imunidade parlamentar, indica a distância que certos partidos têm do eleitor. Mais uma vez ouvem-se as clássicas justificativas de que “não podemos prejulgar” ou de que “tudo precisa ser confirmado”.
Ressurgem os clichês usados para preservar apaniguados e militantes quando eles são pilhados ao cometer algum delito ético. Os partidos se esquecem de que o caso dos sanguessugas não é um escândalo qualquer. Pela dimensão e pelas provas. Com a investigação empreendida pela Polícia Federal e a Justiça de Mato Grosso, a CPI dos Sanguessugas já montou uma lista com 87 deputados e três senadores, todos acusados de apresentar emendas para viabilizar a compra, por prefeituras, de ambulâncias e outros equipamentos criminosamente superfaturados. Em troca, consta, recebiam dinheiro, carros e passagens aéreas de Darci e Luiz Antônio Vedoin, gerentes do golpe.
Um caso que, de alguma maneira, envolve cerca de 15% do Congresso atinge de forma grave a imagem do Poder Legislativo, e por isso requer um tratamento de choque para preservar a instituição. Os partidos deveriam ser os primeiros a tomar a iniciativa de afastar acusados de seus quadros. Bom exemplo darão o PPS e o PRB se de fato impedirem que denunciados tentem reeleger-se pelas legendas.
A reação leniente de alguns partidos reforça a necessidade de a Justiça eleitoral acolher a interpretação dada pelo deputado Miro Teixeira ao artigo 14 da Constituição, segundo a qual parlamentar contra quem existam provas consistentes de práticas de “abuso do poder econômico, fraude ou corrupção” pode ser impedido de tomar posse pelo próprio TSE.
Cargo público de representação política, bem argumenta o deputado Chico Alencar, não pode estar sob a proteção dos direitos individuais.
FOLHA DE SÃO PAULO
Meninos acham mais de R$ 80 mil no RN
Dinheiro, que estava em uma sacola, pode fazer parte da quantia furtada do Banco Central em Fortaleza no ano passado
No total, foram resgatados R$ 418.650 em dois quartos do imóvel, na periferia de Natal; jovens estavam atrás de uma bola de futebol
KAMILA FERNANDES
DA AGÊNCIA FOLHA, EM NATAL
PAULO FRANCISCO
COLABORAÇÃO PARA A AGÊNCIA FOLHA, EM NATAL
Ao tentar resgatar uma bola de futebol caída no quintal
de uma casa vazia na periferia de Natal (RN), três adolescentes -de 13,
14 e 15 anos- e uma criança de quatro anos encontraram, na tarde do último
sábado, uma bolsa com dinheiro que pode ter sido furtado do Banco Central
em Fortaleza (CE) em agosto do ano passado.
O furto foi o maior da história do país. Foram levados R$ 164,8
milhões da caixa-forte, por um túnel. Até agora, foram
recuperados R$ 18 milhões.
O dinheiro estava em uma bolsa preta, num cômodo destrancado nos fundos
da casa. Até agora a Polícia Civil não confirmou se a casa
é abandonada nem a quem pertence.
A Polícia, ao ser avisada, não encontrou a bolsa, mas achou ainda
mais dinheiro, escondido em uma caixa de isopor enterrada em outro quarto.
Ao todo, foram achados R$ 418.650. Desse total, R$ 336 mil estavam no isopor,
e o restante (R$ 82.650), com as crianças, que levaram parte do que estava
na bolsa. O que ficou na bolsa teria desaparecido.
Assim como o dinheiro furtado do BC, as notas achadas pelas crianças
eram de R$ 50, antigas e não seriadas. As que estavam no isopor estavam
divididas em montes de R$ 5.000. As da bolsa estavam soltas.
Apesar da semelhança, apenas hoje o delegado da Polícia Federal
que chefia as investigações, Antônio Celso dos Santos, de
Brasília, deve anunciar se as notas eram mesmo parte do lote furtado
em Fortaleza.
Vedoin diz que tentou contratar filho de ex-presidente do STF
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Darci Vedoin, um dos donos da Planam, disse em depoimento à
Justiça Federal de Mato Grosso que procurou o advogado Alexandre Jobim,
filho de Nelson Jobim, ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), para
contratá-lo porque teria um processo no Supremo.
A negociação não avançou porque o processo estava
com o próprio Nelson Jobim. Segundo Vedoin, Alexandre disse que não
poderia atuar no caso por ser filho do então ministro.
O empresário não deixa claro do que tratava a ação.
Cita apenas ser "um pedido de reclamação". "Pelo
fato de Alexandre ser filho do presidente do tribunal, informou que não
poderia atuar no caso", relata Vedoin.
Em seguida, complementa: "Nada foi oferecido a Alexandre para que ajudasse
a família Vedoin. (...) O reinterrogando não esteve mais com Alexandre".
O nome do advogado é citado no trecho em que o dono da Planam contou
que buscava contatos com escritórios de Brasília para defender
casos ligados a sua família.
A Folha não localizou Alexandre ontem à noite para falar sobre
o assunto.
Vedoin disse também que os advogados em Cuiabá, Roberto Cavalcanti
e Joaquim Spadoni, sabiam do envolvimento da Planam em licitações
direcionadas e do pagamento a deputados. Porém, disse Vedoin, não
tentaram dissuadi-lo.
O próprio Darci Vedoin afirma que o escritório de Cavalcanti renunciou
à defesa do empresário e de sua família sete dias após
a operação da Polícia Federal "em razão da
interceptação dos diálogos" narrados. Cavalcanti e
Spadoni também não foram localizados ontem à noite para
falar do caso.
Diretor de banco estatal faz arrecadação para eleger Ciro
Dirigente do BNB apresenta carta assinada por ex-ministro e candidato a deputado
Ciro afirma que empresas abordadas não têm negócio com Banco do Nordeste do Brasil, um dos principais financiadores no Estado
RUBENS VALENTE
ENVIADO ESPECIAL A FORTALEZA
O ex-ministro da Integração Nacional e candidato
a deputado Federal Ciro Gomes (PSB-CE), 49, distribuiu cartas a empresários
do Ceará pelas quais autoriza um diretor do BNB (Banco do Nordeste do
Brasil), estatal do governo Lula e um dos principais financiadores da economia
no Estado, a arrecadar dinheiro para sua campanha e de seu irmão, Cid
Gomes (PSB), 43, candidato ao governo do Estado.
Ciro Gomes e o diretor administrativo do banco, Victor Samuel Cavalcante Ponte,
confirmaram o trabalho de arrecadação. Ponte não integra
o comitê financeiro do candidato. A legislação eleitoral
prevê que as contribuição de campanha deve ser dirigida
ao comitê e ao candidato. "Ele é meu amigo de cem anos, e
me ajuda nesse trabalho que é chato, que é desagradável",
disse Ciro à Folha. Segundo ele, Ponte parou de captar os recursos.
O diretor do BNB disse ter feito "um trabalho voluntário".
"Eu sou filiado ao partido, e como cidadão eu me sinto na obrigação
de dar a minha colaboração", disse Ponte. Ele atribuiu o
vazamento da informação aos adversários de Cid Gomes. "Isso
é desespero, esse pessoal está desesperado. Eles vão perder
a eleição e estão desesperados", afirmou o diretor.
Ciro alegou que a captação era específica para a pré-convenção
partidária (até 30 de junho último), mas não é
o que diz o texto da carta entregue aos empresários e assinada pelo próprio
candidato, que disse ter subscrito 30 cartas.
"Apresento-lhe meu amigo Victor Samuel que lhe falará em meu nome,
de Cid Gomes e de nosso partido politico, o PSB, acerca de uma contribuição
para a campanha que o partido desenvolverá nas eleições
próximas de outubro do corrente ano", diz o papel, ao qual a reportagem
teve acesso.
Ponte atuou no governo de Ciro no Ceará (1991-1994) e é filiado
ao PSB. Antes de assumir a área administrativa, foi diretor de Promoção
de Investimentos do BNB (2004 e 2005). O banco é um dos principais financiadores
de crédito no Nordeste. Fechou 2005 com R$ 6 bilhões de investimentos
na economia nordestina, dos quais R$ 1 bilhão para a agricultura familiar.
Ponte, o presidente do banco, Roberto Smith, e mais três diretores do
BNB foram incluídos pelo Ministério Público Federal na
denúncia do "caso da cueca" por terem autorizado um empréstimo
de R$ 300 milhões para o consórcio de energia elétrica
STN (Sistema de Transmissão Nordeste). O grupo de empresas teria pago
a propina ao ex-assessor petista José Adalberto Vieira, preso pela Polícia
Federal em julho de 2005 ao tentar embarcar num avião em São Paulo
com R$ 209 mil numa maleta e US$ 100 mil presos ao corpo. A ação
contra os diretores e Roberto Smith foi suspensa por decisão do TRF (Tribunal
Regional Federal) da 5ª Região. O Ministério Público
recorreu.
Apoio do PT
Ciro é candidato a deputado na coligação PSB-PT-PMDB-PP.
O PT deixou de lançar candidato a governador para apoiar o irmão
de Ciro, Cid Gomes, na coligação "Ceará Vota Para
Crescer", formada por PSB, PT, PC do B, PMDB, PRB, PP, PHS, PMN e PV. Ciro
declarou uma previsão de gastos de R$ 1,2 milhão para sua campanha.
Cid, R$ 20 milhões
A Folha apurou que Ponte usou a carta para procurar empresas instaladas na região
metropolitana de Fortaleza. Ciro disse que as empresas foram escolhidas por
ele, que teria tido o cuidado de verificar se elas não teriam negócios
ou dívidas com o BNB. O diretor do banco, contudo, ficou em dúvida
sobre esse ponto: "Quase certeza que não. Se bem que é o
seguinte: o banco é muito atuante, no Estado e no Nordeste. Se têm
ou se não têm, nem foi objeto de conversas com nenhum deles. Não
tenho certeza".
PT testará discurso ético de Lula antes de colocá-lo na TV
Gravações do candidato passarão por pesquisas qualitativas na tentativa de avaliar o tom ideal para tratar tema polêmico
Marqueteiro de petista crê que combate à corrupção deva ser tratado de forma secundária; destaque será dado às realizações de Lula
VALDO CRUZ
DIRETOR-EXECUTIVO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O PT vai submeter a pesquisas qualitativas cerca de 30 minutos
de gravações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da
Silva para seu programa de TV, com o objetivo de testar, entre outros pontos,
o tom e o formato do discurso sobre a ética na campanha pela reeleição.
A dosagem exata de como Lula abordará o assunto é um tema delicado
para a campanha petista. Segundo a Folha apurou, o marqueteiro do petista, João
Santana, tem defendido que o tema seja tratado de forma secundária, mas
sem ficar escondido. A abordagem deve ser feita "no atacado", de acordo
com Santana. Ou seja, sem referências específicas ao escândalo
do mensalão.
O comando de campanha realizará as pesquisas a partir da semana que vem,
para avaliar essa tese a tempo de corrigir a rota, caso necessário, antes
da estréia do programa de TV, em 15 de agosto.
O presidente gravou os trechos na última quinta-feira, em um estúdio
alugado por Santana em Brasília. O tema da ética é minoritário
na fala de Lula e ocupa cerca de cinco minutos.
O restante das gravações (cerca de 25 minutos) trata do assunto
com o qual os petistas hoje se sentem mais confortáveis: as realizações
do governo, com ênfase na comparação com os dois mandatos
de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB (1995-2002).
As pesquisas analisam também como a apresentação das realizações
do governo repercute entre eleitores de diferentes segmentos. Existem ainda
cinco horas de material bruto à disposição do marqueteiro
de Lula, entre imagens do presidente no cargo e de eventos de campanha. A edição
final só ficará pronta no último momento, após os
resultados das pesquisa serem conhecidos.
O PT está gastando R$ 3 milhões com a contratação
de dois institutos de pesquisas, o Vox Populi e o Criterium. O pacote inclui
qualitativas feitas simultaneamente em diferentes regiões do país,
além de um "tracking" (acompanhamento) domiciliar diário
para avaliar a qualidade dos programas.
Ao tratar da ética "no atacado", o presidente, conforme relatos
obtidos pela Folha, segue duas linhas básicas. Cita dados para dizer
que nunca a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União trabalharam
tanto, e com tanta liberdade, para desbaratar esquemas de corrupção
-caso da Operação Sanguessuga. Além disso, faz uma crítica
sutil à oposição. Diz que nenhum adversário tem
"moral" para criticar o compromisso do seu governo com a ética,
porque historicamente essa sempre foi uma bandeira empunhada pelo PT.
Figuras-símbolo do escândalo, como o ex-tesoureiro do PT Delúbio
Soares e o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, ou a revelação
de quem "traiu" o presidente durante o mensalão, passam longe
do discurso petista. As pesquisas dirão se isso basta, ou se será
preciso Lula se explicar durante mais tempo e com mais ênfase.
Santana, segundo apurou a Folha, aposta que está próximo do tom
ideal. Na avaliação dos lulistas, a tônica deve ser a prestação
de contas do governo, com a promessa de manutenção e ampliação
de programas sociais na próxima gestão.
Renata Lo Prete @ - painel@uol.com.br
Memória seletiva
Até agora tratados como verdade absoluta, os depoimentos
de Darci e Luiz Antonio Vedoin começam a ser colocados em dúvida
pela cúpula da CPI dos Sanguessugas. O cruzamento de informações
levou a comissão a concluir que os donos da Planam, beneficiados pela
delação premiada, pouparam parlamentares contra os quais há
claras evidências. Ao mesmo tempo, carregaram nas tintas contra nomes
que não aparecem em outros braços da investigação.
A CPI suspeita que os Vedoin tenham feito acordo com alguns deputados e implicado
gente que não aceitou participar da quadrilha. Por isso, cresceu o bloco
dos que defendem a importância do novo depoimento de Luiz Antonio, marcado
para hoje na PF.
Freio. A oposição baixou o tom na CPI. Antes defensora de apuração imediata do braço do esquema no Executivo, quer agora ouvir ex-ministros da Saúde só depois do dia 10.
Por partes. Raul Jungmann (PPS-PE) e Fernando Gabeira (PV-RJ) defendem que o relatório parcial da CPI centre fogo nos nomes já notificados, deixando para depois quem for surgindo a partir de novos depoimentos.
Rebelião. Parlamentares que não integram sub-relatorias ameaçam votar contra o relatório parcial da comissão. Alegam não ter acesso a todas as informações da apuração.
Bate-cabeça. Sub-relator de sistematização, Carlos Sampaio (PSDB-SP) se queixa da Polícia Federal. Segundo ele, a instituição prometeu enviar cerca de 50 depoimentos de assessores parlamentares, mas, agora, afirma que o material não está disponível.
Geral. Dos 15 parlamentares da bancada da Paraíba, 13, entre senadores e deputados, figuram na lista de acusados da máfia dos sanguessugas.
Vale de lágrimas. A sala do Congresso onde a CPI guarda documentação das fraudes nas ambulâncias foi tomada ontem pelos parlamentares sanguessugas. Havia fila de acusados, às vezes se acotovelando, para checar o que pesa contra eles. "Essa CPI virou o muro das lamentações", reclamava um ponta-de-lança da comissão.
W.O. O representante da campanha de Lula não apareceu ontem na reunião de negociação de regras para o debate da Rede Record.
Em alta. Jader Barbalho (PMDB-PA), que chegou a pleitear lugar na coordenação de campanha de Lula e foi desencorajado pelos correligionários Renan Calheiros (AL) e José Sarney (AP), participou na segunda, juntamente com o ex-presidente, de reunião do comando reeleitoral.
Genérico. Quem espera propostas objetivas, com destinação de recursos e prazo de execução, vai se decepcionar com o programa "O Novo Nordeste", que Geraldo Alckmin apresenta sexta em Recife. O documento tucano elenca grandes temas regionais, sem mencionar obras nem Estados específicos.
Wally. Material de campanha dos irmãos Tatto -Jilmar, que tenta vaga na Câmara, e Ênio, líder do PT na Assembléia- traz foto de ambos com a ex-prefeita Marta Suplicy e slogan com referência a Lula. A única menção a Aloizio Mercadante, candidato ao governo, é feita no pé do folheto, em letra bem miúda.
Peso-pesado. O jornal da campanha de Antonio Palocci (PT) a deputado, que sai na semana que vem, trará texto de Abílio Diniz, dono do grupo Pão de Açúcar, manifestando apoio ao ex-ministro.
Onipresente. Candidato ao governo do Maranhão, Anderson Lago (PSDB) pediu à Justiça que cubra o nome do Tribunal de Contas. O edifício, situado em uma movimentada avenida de São Luís, chama-se Roseana Sarney. A pefelista lidera a disputa.
Tiroteio
Estou me sentindo no hemocentro. Acabaram de passar três
sanguessugas.
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Comentário feito pelo deputado Federal MOREIRA FRANCO (PMDB-RJ) a um
amigo, na tarde de ontem, no Salão Verde da Câmara.
CORREIO BRAZILIENSE
Caso Francenildo
PF tenta ouvir Bastos
A Polícia Federal está tentando descobrir um jeito de ouvir seu próprio chefe, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, no caso da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo. O episódio já causou a queda do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, do presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso e de três assessores. Com dois meses de atraso, o inquérito está inconcluso por causa de alguns pontos obscuros que o Ministério Público Federal insiste em esclarecer. Um deles é a participação de dois assessores de Bastos na violação da conta do caseiro. Os assessores são Cláudio Alencar, chefe de gabinete de Bastos e Daniel Goldberg, secretário de Direito Econômico. Eles se reuniram secretamente com Palocci e Mattoso na casa do ministro, às 23h do dia 16, instantes após a violação do sigilo do caseiro e também duas vezes no dia seguinte, mas esconderam o fato da Polícia até serem revelados pela imprensa.
TCU cancela licitação suspeita
Tribunal suspende concorrência em órgão
ligado à Presidência da República por indícios de
direcionamento. Brasília Informática, acusada pela PF de formação
de cartel, disputava o contrato
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Marcelo Rocha
Da equipe do Correio
Carlos Vieira/CB - 26/7/06
Márcio Pontes Veloso, dono da Brasília Informática, continua
preso: empresa é investigada por fraudes em pelo menos 12 licitações
Mais um órgão da administração pública Federal
está na mira das autoridades por indícios de irregularidades na
contratação de prestadores de serviços. O Tribunal de Contas
da União (TCU) suspendeu ontem a concorrência pública do
Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), órgão
ligado à Presidência da República, para escolher empresa
terceirizada para auxiliar em serviços de informática. Os auditores
do TCU detectaram indícios de direcionamento no processo.
A suspensão do edital, lançado em maio, ocorre uma semana depois da operação Mão-de-obra, articulada pela Polícia Federal para desbaratar esquema de fraudes em licitações na administração pública. As irregularidades são investigadas em pelo menos cinco órgãos: nos ministérios da Justiça, dos Transportes e da Ciência e Tecnologia, no Departamento Nacional de Produção Mineral, na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), também ligada à Presidência da República, e no Senado Federal.
Um dos alvos da operação Mão-de-obra, a Brasília Informática, também participou da concorrência no ITI. Mas foi retirada do processo pela comissão interna do instituto, que detectou inconsistências na proposta apresentada. A Polícia Federal, no entanto, suspeita que a Brasília Informática e as empresas Conservo e Ipanema façam parte de um cartel para ganhar licitações realizadas pelo governo.
Servidor solto
Juntas, as três empresas detêm 25 contratos com órgãos
públicos federais para a prestação de serviços em
diversas áreas, mas principalmente em vigilância e conservação.
Seus donos — Victor João Cugóla (Conservo), José
Carvalho Araújo (Ipanema) e Márcio Pontes Veloso (Brasília
Informática) continuam presos desde a semana passada, além de
dois funcionários a elas ligadas. Um servidor da Abin — Geraldo
Luiz Ferreira dos Santos — que foi preso durante a operação
Mão-de-obra foi liberado da prisão no último fim de semana.
Os demais continuam detidos (leia matéria ao lado).
No caso do edital do ITI, o Tribunal de Contas recebeu denúncia que apontou indícios de restrição à competitividade da licitação para contratação de empresa especializada em tecnologia da informação. Segundo o relatório do TCU, há 16 itens de exigências no edital que comprometem o caráter competitivo da concorrência.
O ministro Marcos Bemquerer, relator do caso no TCU, considerou
que os procedimentos adotados no edital de licitação podem, ainda,
comprometer a escolha da melhor proposta e causar prejuízos ao erário.
O tribunal determinou prazo de 15 dias para que o ITI apresente justificativas
sobre as irregularidades. Cópias dos autos foram encaminhadas ao Ministério
Público da União.
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Inquérito até fim da semana
A Polícia Federal pretende concluir até o fim da semana o inquérito da operação Mão-de-obra. Até lá, cerca de 20 pessoas, entre donos e funcionários de empresas prestadoras de serviços a órgãos públicos federais e servidores, deverão ser indiciadas por crimes de fraude em licitações, formação de cartel, formação de quadrilha e corrupção, entre outros. Depois de relatado, o caso será enviado à Justiça Federal, e analisado pelo Ministério Público Federal.
Para conseguir os contratos milionários, a quadrilha atuava nos órgãos com pagamento de propinas a funcionários públicos, que atendiam aos interesses dos empresários na elaboração dos editais ou mesmo na alteração de dados. Mesmo órgãos de controle como o Tribunal de Contas da União — que fiscaliza a licitude dos contratos firmados pelo governo e faz auditorias — estão sujeitos a fraudes. Em 2004, quatro funcionários do tribunal e seis donos de empresas de segurança e conservação foram presos, acusados de comandar um esquema de cartelização. (MR)
Justiça abre ação penal contra MLST
Da Redação
Hiram Vargas/Especial para o CB - 18/7/06
Bruno Maranhão, líder do MLST: ele e mais 115 sem-terra responderão
pela invasão à Câmara
Duas semanas depois de libertar 32 sem-terra acusados de invadir e depredar
a Câmara dos Deputados, o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª
Vara Federal de Brasília, decidiu abrir ação penal contra
116 integrantes do Movimento pela Libertação dos Sem-Terra (MLST)
pelos atos de vandalismo ocorridos no início de junho.
O juiz aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público Federal, na qual sustenta que os sem-terra cometeram crime político, lesão corporal, dano contra o patrimônio público e desobediência a ato legal de funcionário público. Os cinco procuradores que atuam no caso usaram até a Lei de Segurança Nacional (LSN) para denunciar os integrantes do MLST.
Na decisão, Leite entendeu que, em tese, as condutas dos sem-terra relatadas pelo Ministério Público são “típicas, antijurídicas e culpáveis”. O juiz também determinou que sejam atendidos vários pedidos dos procuradores. Um deles determina que o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), informe sobre eventuais suspensões de atividades na Casa decorrentes da invasão. O MP pediu ainda a realização de diversos exames periciais. Na decisão, esses exames não são especificados.
Depois da invasão à Câmara, em que 32 seguranças ficaram feridos, 539 integrantes do MLST foram presos e levados para o Complexo Penitenciário da Papuda. Em julho, porém, o próprio juiz da 10ª Vara Federal determinou que os 32 invasores que permaneciam presos fossem soltos, entre eles o líder do movimento, Bruno Maranhão. Ao decidir de libertar os sem-terra, Leite considerou que o presidente da Câmara também teve responsabilidade no incidente.
Interferência
Baseado em uma pauta de reivindicações e um pedido de audiências
apresentados pelo MLST a Aldo Rebelo, ambos enviados pelo Ouvidor Agrário
Nacional, Gercino José da Silva Filho, o juiz entendeu que a direção
da Câmara havia sido avisada da ida dos sem-terra ao Congresso e que deveria
ter reforçado a segurança. “Esta situação
de prévio agendamento enfraquece a tese de que os representantes do MLST
foram à Casa Legislativa com o intuito de cometer crimes”, escreveu
Leite, na época.
A decisão provocou uma reação imediata
do Ministério Público Federal, que reclamou de “interferência”
da Ouvidoria Agrária Nacional no processo. Os procuradores cogitaram
a possibilidade de processar a União e Gercino de Oliveira por terem
exercido suposta pressão indevida em favor dos sem-terra. Por causa da
decisão, o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) enviou reclamação
contra o juiz ao Conselho Nacional de Justiça.
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Memória
Prisões em massa
Logo depois de invadirem e promoverem uma baderna nas dependências da Câmara dos Deputados, no dia 6 de junho, 582 integrantes do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) foram presos. Primeiro, os sem-terra foram levados ao ginásio Nilson Nelson. Depois, os adultos seguiram para o Complexo Penitenciário da Papuda. Um dia depois, a Polícia Federal assumiu as investigações e 42 invasores continuaram presos porque havia contra eles indícios de participação individualizada no quebra-quebra. Ao final das investigações, a PF indiciou 115 sem-terra pelos crimes de lesão corporal simples e grave, formação de quadrilha e danos materiais e ao patrimônio público.
Depois de analisar a documentação reunida pela PF, a Procuradoria da República em Brasília decidiu denunciar 116 manifestantes, incriminando 80 deles também por crime contra a segurança nacional. Os procuradores entenderam que os sem-terra ameaçaram o funcionamento do Congresso. Em meados de julho, o juiz Ricardo Soares Augusto Leite, da 10ª Vara Federal, decidiu soltar os 32 sem-terra que continuavam presos.
A nove dias de apresentar o relatório com o resultado
das investigações, comissão diverge quanto à divulgação
dos nomes dos envolvidos e das convocações de ex-ministros do
governo Lula
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Leonel Rocha
Da equipe do Correio
Paulo H. Carvalho/CB
Gabeira (E) foi ao Supremo pedir o fim do segredo de Justiça e Biscaia
não quer ex-ministros depondo antes do dia 10 para não transformar
CPI em “palco de disputa política”
Os integrantes da CPI dos Sanguessugas voltaram a divergir ontem quanto aos
métodos de investigação da máfia das ambulâncias.
Enquanto o presidente da comissão, deputado Antônio Carlos Biscaia
(PT-RJ), defendia a apresentação, no próximo dia 10, de
um relatório preliminar com os nomes dos parlamentares aos quais há
provas concretas de envolvimento com o esquema e o adiamento da convocação
dos ex-ministros da Saúde, o deputado Júlio Redecker (PSDB-RS)
aceitou o convite para a sub-relatoria criada para investigar a participação
do Executivo no esquema.
Biscaia afirmou que não era contra a criação de uma sub-relatoria para investigar o Executivo, e aproveitou a divergência na comissão para criticar os partidos que não negaram legenda para que os suspeitos se candidatem. “Sou contra convocar (os ministros) agora, antes do relatório do dia 10, senão tumultua essa fase de investigação dos parlamentares”, disse o presidente da CPI. “Minha posição é contrária à convocação. Não quero transformar a CPI num palco de disputa política”, afirmou Biscaia.
Lentidão
O relator da comissão, senador Amir Lando (PMDB-RO), defende, por sua
vez, um ritmo mais lento para as investigações com o objetivo
de confrontar os oito depoimentos dos dois empresários, da ex-assessora
do ministério da Saúde Maria da Penha Lino, e dos funcionários
do grupo Planam. O temor de Lando é que parlamentares que não
são culpados pela fraude, por terem sido enganados pelos assessores,
sejam incriminados injustamente. Ele acredita que a confrontação
dos depoimentos e a análise das emendas apresentadas pelos parlamentares
vão possibilitar a identificação precisa do número
de congressistas culpados.
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) esteve ontem com o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF) e responsável pelo inquérito contra as autoridades, solicitando informalmente que a Justiça suspenda o sigilo processual imposto aos depoimentos dos donos da Planam. O ministro não respondeu ao deputado. Gabeira vai esperar uma manifestação do Supremo e, em caso negativo, vai entrar com um recurso judicial para tentar retirar a condição de segredo de Justiça do caso.
O argumento de Gabeira é que a manutenção do segredo de Justiça não se justifica, já que os parlamentares, empresários, prefeitos e funcionários públicos envolvidos são suspeitos de fraude contra o Orçamento da União. “O interesse público se sobrepõe ao interesse particular de cada empresário ou de cada parlamentar. A sociedade tem o direito de saber o que aconteceu com o dinheiro público”, argumentou o deputado. O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) também defende a liberação dos depoimentos.
Sete integrantes da CPI dos Sanguessugas vão interrogar
hoje o empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, um dos donos da
Planam. Para evitar pressões dos 90 parlamentares notificados pela comissão,
o presidente da CPI, deputado Biscaia, decidiu que o depoimento será
reservado e na Polícia Federal de Brasília.
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Cassações vão demorar
Ugo Braga e Helayne Boaventura
Da equipe do Correio
O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), articulou ontem o início do processo de cassação dos mandatos de 40 deputados envolvidos com a máfia das ambulâncias no próximo dia 10, quando deve ser divulgado o relatório parcial da CPI com informações detalhadas sobre a ramificação da quadrilha dentro do Congresso. Esses 40 parlamentares terão o pescoço posto na guilhotina primeiro porque foram achados depósitos da Planam ou das outras empresas do esquema nas contas bancárias deles mesmos, de familiares ou assessores — dos 90 investigados, 35 serão mandados para o Ministério Público para mais investigações e 15, inocentados.
Izar disse ao Correio que nenhum processo de cassação será votado antes das eleições de outubro. Segundo ele, isso não significa que os deputados-sanguessugas que, porventura, consigam se reeleger ficarão impunes. “O processo continua na próxima legislatura, isso é ponto pacífico”, afirmou. O Conselho de Ética é composto por 15 membros titulares e 15 suplentes. Como serão 40 processos, haverá mais réus do que relatores. Significa que um mesmo deputado terá que relatar dois casos. Izar tem dúvidas se isso é possível. Já encomendou um parecer à Procuradoria Jurídica da Câmara.
Mesmo começando o quanto antes, o trâmite dos processos é demorado. Os movidos contra os mensaleiros, por exemplo, levaram em média quatro meses e 27 dias cada. Se isso se repetir, os primeiros sanguessugas só começarão a ser julgados no plenário da Câmara em janeiro de 2007, a menos de um mês para o fim do mandato. Isso se o processo for rápido. Em alguns casos, como do mensaleiro José Janene (PP-PR), o processo não foi julgado até hoje, um ano e três meses depois da eclosão do escândalo.
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O processo continua na próxima legislatura, isso é ponto pacífico
Ricardo Izar (PTB-SP), presidente do Conselho de Ética
da Câmara
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Corregedor investiga três senadores
Paulo H. Carvalho/CB
Romeu Tuma destaca a situação do peemedebista: “No caso
do senador Suassuna as circunstâncias são mais graves”
O corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), vai abrir hoje investigação para apurar o suposto envolvimento de três senadores — Magno Malta (PL-ES), Ney Suassuna (PMDB-PB) e Serys Slhessarenko (PT-MT) — com a máfia das ambulâncias. Os três já foram notificados pela CPI dos Sanguessugas e voltaram ontem a garantir sua inocência. Tuma tem o prazo de 30 dias para fazer as investigações. Se os considerar culpados, a Corregedoria deverá sugerir ao Conselho de Ética do Senado a cassação de seus mandatos.
“Vou pedir todo o material que tem sobre os três na CPI e na Polícia Federal e analisar tudo antes de chamar os senadores”, afirmou Tuma, que é um dos integrantes da comissão de inquérito. Marcelo Cardoso de Carvalho, ex-assessor de Suassuna, deverá ser um dos primeiros convocados para depor na Corregedoria. Marcelo teria negociaido com a Planam, principal empresa do esquema dos sanguessugas, uma propina de 10% em cima dos valores das emendas apresentadas ao Orçamento para compra superfaturada de ambulâncias. O assessor teria recebido, no total, R$ 237 mil.
Na avaliação de Tuma, a situação do líder do PMDB é a mais delicada. “No caso do senador Suassuna as circunstâncias são mais graves.” O corregedor observou que será preciso fazer uma perícia para verificar se a assinatura de Suassuna em emendas orçamentárias é realmente falsa, conforme alega o peemedebista. Suassuna reafirmou ontem que não conhece ninguém da família Vedoin, dona da Planam, e disse que está sendo perseguido “por pessoas do Sul-Sudeste” por ser nordestino e apoiar o governo.
Empréstimo
O senador Magno Malta teria feito um acordo com a Planam, pelo qual receberia
10% se destinasse uma emenda de R$ 1 milhão para a empresa. Como adiantamento,
Magno teria ganho um Fiat Ducato. O senador não apresentou, no entanto,
a emenda. Magno já admitiu que realmente usou o carro Fiat Ducato do
deputado licenciado Lino Rossi (PP-MT), mas como empréstimo de um amigo
e que o devolveu há um ano e um mês, em Cuiabá.
Ao subir à tribuna do Senado para se defender, Magno Malta disse que o carro estava em nome de José Luís Cardoso e não em nome de qualquer empresa e que chegou a pagar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
Serys teria usado seu genro, Paulo, para negociar com a Planam. O genro teria pedido R$ 35 mil à empresa para pagar dívidas de campanha. Em troca, a senadora apresentou uma emenda de R$ 700 mil para favorecer a empresa de ambulâncias. “A senadora me entregou documentos mostrando que não tem envolvimento com o esquema. Vou estudar essa documentação, mas pretendo convocar seu genro para vir à Corregedoria”, disse Tuma.
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Tentativa de punição
Após reunir sua comissão executiva nacional, o PSDB anunciou ontem no início da noite a abertura de processo disciplinar contra seus parlamentares envolvidos com a máfia das ambulâncias. Paulo Feijó (RJ) será chamado a explicar os depósitos do grupo Planam encontrados na conta bancária de seu chefe de gabinete. Helenildo Ribeiro (AL) e Itamar Serpa (RJ) ganharam 48 horas. Caso não forneçam uma justificativa convincente, os três serão expulsos e não terão como concorrer a novo mandato na eleição de outubro. Contra Eduardo Gomes (TO) não há indícios consistentes de envolvimento nas fraudes.
O PFL, que tem nove de seus deputados sob investigação, reunirá hoje sua comissão executiva para decidir o que fazer. O presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), defende a negação da legenda para aqueles que estiveram realmente implicados. A palavra final ficará a cargo dos diretórios regionais.
Após passar o vexame de levar à TV uma série de comerciais em que se gabava de ser o único partido sem nenhum membro entre os sanguessugas, o PPS suspendeu o deputado Fernando Estima (SP). PP, PL e PT não pretendem tomar qualquer iniciativa até que a investigação acabe. O PTB avisou que esperará um pouco mais, até o julgamento do caso pelo Supremo Tribunal Federal. (UB)
Governadora-candidata espera votações de projetos do Executivo e promete usar estratégias para constranger a Câmara Legislativa
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Fernanda Odilla e Mário Coelho
Da equipe do Correio
Hiram Vargas/Especial para o CB
Abadia: “Eles não votam o pagamento? (Vou) mandar servidores pedir
aprovação”
Sem uma bancada majoritária e fiel na Câmara Legislativa, a governadora
Maria de Lourdes Abadia (PSDB) conta com a colaboração dos deputados
distritais, seja por bem ou por mal. Ela espera que os parlamentares agilizem
a votação de projetos encaminhados pelo Executivo, em especial
o Orçamento 2007, previsto para chegar à Câmara Legislativa
no dia 15 de setembro. Caso contrário promete usar estratégias
que certamente vão tumultuar o parlamento.
“Eles não votam o pagamento dos funcionários. O que acha que vou fazer? Mandar os mais de 100 mil servidores pedir a aprovação lá”, exemplifica Abadia. Ela diz que, na Câmara, enfrentará um jogo político. Por isso, orientou a nova líder de governo Ivelise Longhi (PMDB) a pedir ajuda aos deputados que têm compromisso com a cidade. E espera poder contar com o PT, que não faz “oposição apenas por oposição”. Abadia assegura que não está preocupada com desavenças entre os parlamentares.
Na Câmara Legislativa, os pefelistas juram que não vão adotar uma postura de oposição ao governo da tucana. A distrital Eliana Pedrosa, que exerceu o cargo de líder do GDF até 3 de julho, promete que o Executivo não terá dificuldades para ver seus projetos aprovados. “Pressão é o que mais recebemos. Nunca nos recusamos a votar um projeto sequer”, disse Eliana.
Ivelise Longhi, com a missão espinhosa de administrar uma base rachada em período de eleições, disse que “não sofre por antecipação”. Questionada sobre a possibilidade de os pefelistas engrossarem a oposição, Ivelise deu o recado: “Vamos dialogar, a função do líder de governo é conciliar”, completou. Se não puder contar com os pefelistas, o plano B da governadora não é seguro. “Vamos votar aqueles projetos que forem de interesse da cidade. Os que não forem, vamos votar contra”, disparou Paulo Tadeu, líder do PT.
A queda-de-braço com o PFL teve mais um capítulo
ontem. A governadora exonerou cinco administradores ligados à campanha
do adversário José Roberto Arruda. Ontem mesmo ela já nomeou
os novos responsáveis por Arapoanga (Júlio César Menegoto),
Guará (Paulo Roberto Cavalcante) e Setor P Sul (João Batista Corrêa).
Ainda falta definir quem administrará Águas Claras e Sudoeste.
A administradora do Lago Sul, Natanry Osório, será poupada, por
ora. Ela se desfiliou do PFL e pediu para organizar festa em homenagem a Dom
Bosco.
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Arruda e as faixas
Os advogados do candidato ao Palácio do Buriti José Roberto Arruda entraram com uma queixa-crime para que a Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal descubra quem foram os autores de faixas contra o pefelista. Em uma delas, recolhida pelo próprio Arruda, estava escrita “traidor” com a logomarca da campanha. Outras traziam xingamentos e palavras de baixo calão. A peça judicial foi redigida pelo advogado Geraldo Majela.
A delação criminal, similar a uma queixa-crime, é usada em crimes de ação penal privada, como calúnia, injúria e difamação, onde a investigação depende do impulso da própria pessoa ofendida. As faixas foram descobertas pelo próprio Arruda, quando passava pela Candangolândia. “Como as seis que retirei do viaduto da Estrada Parque de Taguatinga (EPTG), hoje (ontem), às 6h, quando ia me encontrar com os funcionários da Coca-Cola. Em toda a cidade há isso: nomes feios com o A de Arruda. Isso é desespero de quem está atrás nas pesquisas”, afirmou.
Encontros
Depois de se encontrar com funcionários da fábrica de refrigerante
em Taguatinga, Arruda participou de outras duas reuniões pela manhã.
A primeira, ainda na cidade, com trabalhadores de uma concessionária
de automóveis. Mais tarde, no Plano Piloto, esteve com servidores do
Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF). “O que eu defendo claramente
é que o Detran, como autarquia que é, tenha autonomia financeira,
administrativa e de gestão”, disse Arruda.
Arruda voltou a defender a proposta de estabelecer critérios
para a instalação de pardais. Na opinião do pefelista,
os redutores de velocidade devem ter velocidade única. “Onde a
engenharia de trânsito exigir uma velocidade menor, os pardais serão
trocados pelas barreiras eletrônicas”, expôs. Além
disso, ele defendeu que o Detran seja o responsável pelos controladores.
(Mário Coelho)
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Trabalho à tarde
Iano Andrade/CB
Em época de baixa umidade relativa do ar, os deputados
distritais decidiram que vão trabalhar na Câmara Legislativa no
horário previsto pelo regimento. Ou seja, de terça à quinta-feira,
a partir das 14h. No primeiro semestre, os parlamentares inovaram e fizeram
sessões plenárias somente na parte da manhã. Na época,
a justificativa era de que eles teriam mais tempo para se dedicarem às
suas campanhas e que assim não prejudicariam o andamento de projetos
na Casa. “Não funcionou bem (o horário pela manhã).
É mais prático ficar na rua pela manhã. E à tarde
o trabalho como parlamentar terá prioridade”, afirmou o distrital
Peniel Pacheco (PDT). Os deputados definiram ontem, na reabertura do semestre
legislativo, que na sessão de hoje serão votados apenas projetos
de iniciativa do próprio Legislativo, e que textos polêmicos ficarão
para o ano que vem. A pauta do Executivo será encaminhada hoje pela líder
do Governo do Distrito Federal na Casa, Ivelise Longhi (PMDB). “Os PDLs
do Guará e de Planaltina, as prestações de contas e convênios
da Secretaria de Fazenda são prioridades”, disse Ivelise.
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PFL mantém neta de JK
O pefelista José Roberto Arruda assegura que apóia Joaquim Roriz (PMDB) ao Senado, mas o PFL ainda mantém um nome forte na vaga. A candidatura de Anna Christina Kubitschek Pereira, que no dia 7 de julho escreveu uma carta renunciando à disputa, ainda não foi substituída no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF). Mulher de Paulo Octávio e neta do ex-presidente Juscelino Kubitschek, ela pode dificultar a eleição do ex-governador Joaquim Roriz (PMDB), na visão dos rorizistas.
A carta de Anna Christina ainda não foi protocolada no TRE. O advogado do PFL, Flávio Couri, diz que o partido fará isso até hoje, data-limite para as coligações substituírem os candidatos a deputado Federal e distrital. Contudo, aliados de Roriz, que abraçaram a candidatura de Abadia, temem que o PFL tenha traçado um plano B para prejudicar o ex-governador. Anna Christina é considerada uma candidata com potencial de crescimento, por ser mulher, jovem e carregar o sobrenome Kubitschek.
Numa carta, enviada de Roma no início de julho, Anna Christina decidiu sair da disputa, alegando que não gostaria de provocar uma “infindável discussão judicial” sobre a viabilidade de sua candidatura. A mulher do senador Paulo Octávio é presidente do Memorial JK, sociedade civil sem fins lucrativos que recebeu R$ 1,4 milhão do Ministério da Cultura nos últimos cinco anos. Arruda diz que a coligação registrou um nome ao Senado para garantir tempo de TV. (Fernanda Odilla)
Philemon Rodrigues e Salvador Zimbaldi serão investigados pela comissão de inquérito. De acordo com Biscaia, os parlamentares devem ser citados no relatório parcial da CPI previsto para o dia 10
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Leonel Rocha
Da equipe do Correio
Mais dois parlamentares passaram a ser investigados pela CPI dos Sanguessugas
como suspeitos de participação na máfia das ambulâncias.
Trata-se de Philemon Rodrigues (PTB-PB) e Salvador Zimbaldi (PSB-SP). Os dois
foram citados no depoimento prestado na semana passada à Justiça
Federal do Mato Grosso pelo empresário Darci Vedoin, principal sócio
da empresa Planam, que vendeu ambulâncias com valores superfaturados às
prefeituras e pagas com dinheiro de emendas apresentadas pelos parlamentares
ao Orçamento da União.
Segundo integrantes da CPI, os dois deputados teriam apresentado emendas para a compra de ônibus com gabinete dentário destinado a entidades de assistência social do interior de São Paulo. Philemon teria recebido 10% do valor de uma ambulância montada pela Planam. Zimbaldi, segundo o depoimento de Vedoin, teria sido beneficiado com a concessão de um ônibus para uma fundação de saúde. Os dois devem ser notificados para apresentar a defesa somente em fase posterior, após a divulgação do relatório das investigações contra 90 parlamentares citados inicialmente.
O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) defendeu ontem que os dois parlamentares, que não faziam parte das listas de investigados divulgadas até agora, sejam notificados formalmente pela CPI e sejam citados no relatório final da comissão. Mas o presidente da CPI, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), disse que os dois congressistas sejam apenas citados no relatório parcial que ele pretende ver aprovado no próximo dia 10 e deixar para o relatório final a tipificação em que se enquadram Zinbaldi e Rodrigues. “Os dois deputados foram citados por Darci Vedoin nas mesmas circunstâncias em que o empresário se referiu aos demais já investigados”, disse Gabeira.
Grampos
Os nomes de Zinbaldi e Rodrigues já tinham aparecido nas transcrição
de telefonemas grampeados legalmente pela Polícia Federal ao longo da
investigação da máfia dos sanguessugas. Mas as referências
nos telefonemas eram pouco convincentes ou reveladoras para serem incluídos
na lista de 57 investigados pelo Ministério Público Federal e
enviada à CPI pelo procurador-geral da República, Antônio
Fernando de Souza.
Além de Darci e Luiz Antônio Vedoin, a CPI está analisando os depoimentos da ex-assessora do Ministério da Saúde Maria da Penha, e dos funcionários da Planam Ronildo Pereira Medeiros, Maria Estela, Rogério Medeiros e Ricardo Walman. Biscaia disse ontem que os oito depoimentos que estão sendo analisados pela CPI são complementares. “É um conjunto testemunhal completo. Agora não é só o depoimento de Luiz Antônio. Nesses novos depoimentos já vi casos que reforçam a prova testemunhal”, disse.
Zimbaldi afirmou ontem que o seu nome foi incluído na
lista de colaboradores por “vingança” da máfia, que
teria sido denunciada por ele no ano passado. O deputado afirmou ter sido informado
por prefeitos, no ano passado, que um representante da Planam, de nome Alessandro,
teria percorrido os municípios afirmando que o grupo seria atendido por
emendas suas. Alessandro teria apresentado o nome das empresas que deveriam
participar das licitações, todas vencidas pela Planam. O deputado
apresentou cópias de ofícios que enviou aos prefeitos, em 15 de
abril de 2005, alertando que Alessandro nunca trabalhou como seu assessor. Mostrou
também cópia do ofício encaminhado à presidência
da Câmara com as mesmas informações.
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Colaborou Lúcio Vaz
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Procura-se dono
Valério Goncalvez/AE
Sete ambulâncias negociadas pela máfia dos sanguessugas estão paradas há seis meses num galpão no interior de São Paulo e ninguém quer saber de tirá-las dali. Fazem parte de um pacote de 25 ambulâncias cuja origem foram duas emendas do deputado Neuton Lima (PTB-SP), investigado por envolvimento no esquema fraudulento criado pela Planam. Um veículo ficaria com a Instituição Filantrópica e Educacional Parábola e o restante seria repassado por ela a outras entidades assistencialistas, indicadas pelo parlamentar. O galpão é da Rio Vale Veículos Especiais, de Capela do Alto, que há 10 anos trabalha na transformação de carros normais em ambulâncias, unidades de saúde ou o que o cliente pedir.
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Banco é envolvido
O empresário Darci Vedoin, dono da Planam, envolveu o Banco Schahin na máfia dos sanguessugas. No depoimento prestado à Justiça Federal e entregue à CPI dos Sanguessugas, ele contou que foi obrigado pela diretoria do Banco do Nordeste (BNB) a comprar do Banco Schahin uma carta de fiança, como exigência para a tomada de R$ 25 milhões emprestados pelo banco Federal para a construção de uma fábrica de ônibus na Bahia. O empréstimo terminou não saindo.
No depoimento do dono da Planam, segundo parlamentares da CPI dos Sanguessugas, o empresário teria revelado que a exigência do BNB teria sido uma determinação da direção do PT do Ceará, supostamente interessado em receber comissão pela operação de empréstimo. O Banco Schahin foi investigado pela CPI dos Correios por evasão de divisas.
A direção do BNB confirmou o pedido de empréstimo
feito por carta-consulta, mas posteriormente a instituição indeferiu
o pedido de financiamento por razões técnicas. ”Os técnicos
do BNB avaliaram a viabilidade do empreendimento”, diz nota da instituição
divulgada ontem. “O Banco Schahin informa que não recebeu nenhuma
informação oficial sobre o assunto mencionado. Portanto, a instituição
não tem como se manifestar a respeito”, diz a nota do banco.
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Darci Vedoin livra congressistas
Lúcio Vaz
Da equipe do Correio
Paulo H. Carvalho/CB - 19/7/06
Itamar Serpa: dono da Planam disse à Justiça Federal que nunca
chegou a conversar com o deputado
O dono da Planam, Darci Vedoin, apresentou à Justiça Federal o nome de 82 parlamentares e ex-parlamentares que não teriam qualquer envolvimento com a máfia das ambulâncias, embora seus nomes tenham sido citados por testemunha em algum momento. No caso de nove parlamentares que estão sendo investigados, Darci apresentou detalhadamente as razões que o levaram a excluir os seus nomes da lista de colaboradores.
Darci disse que nunca chegou a conversar pessoalmente com Itamar Serpa (PSDB-RJ) para tratar de emendas ou de pagamento de comissão. Afirmou que todo contato se deu por intermédio da assessora Maria José, que teria escolhido os municípios a serem beneficiados e recebido a comissão de 10% sobre o valor das emendas. Disse desconhecer o acordo existente entre a assessora e o parlamentar. Maria José também ajudava o grupo no contato com prefeitos da região para acertar licitações.
Emendas
O empresário afirmou que conheceu o deputado Paulo Magalhães (PFL-BA)
quando teve início o projeto da Vedobus, fábrica que faria a adaptação
de veículos para ônibus escolares na Bahia. Mas disse que nunca
tratou com o parlamentar sobre o direcionamento de emendas, licitações
e comissões. Afirmou que foi ele mesmo (o empresário) que pegou
a relação de emendas do parlamentar na página da Câmara
para acompanhamento.
Darci relatou que conhece o deputado Josias Quintal (PSB-RJ) de vista, mas que nunca conversou com o parlamentar sobre o direcionamento de emendas, licitações ou comissões. Afirmou que não recorda de ter antecipado uma ambulância para a Santa Casa de Santa Rita a título de comissão. Também negou ter feito qualquer acordo com a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ). Disse não saber informar se Luiz Antônio Vedoin e Ronildo Medeiros teriam feito acordo com a parlamentar.
Sobre o deputado Wellington Roberto (PTB-PB), disse que Ronildo
deve ter se equivocado ao declarar, em depoimento, que o mesmo teria colaborado
com o grupo. Disse que o assessor Mello, referido por Ronildo, seria um ex-assessor
do deputado Marcondes Gadelha (PSB-PB). Também negou ter feito qualquer
acordo com o deputado Elimar Damasceno (Prona-SP). Darci disse que seus funcionários
colheram informações sobre emendas do deputado João Almeida
(PSDB-BA) no site da Câmara, sem o seu conhecimento. O parlamentar não
tem qualquer envolvimento com o grupo, assegurou.
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Agenor é confirmado
Sandro Lima
Da equipe do Correio
O Palácio do Planalto confirmou ontem a permanência do ministro da Saúde, José Agenor Álvares da Silva, no cargo. Agenor, que assumiu a pasta no final de março em meio a última reforma ministerial do governo, até ontem era ministro interino.
Um assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a efetivação de Agenor na Saúde ocorreu “porque não havia mais disputa e o PMDB parou de reivindicar”. O PMDB governista pressionou o governo para indicar Paulo Lustosa para o cargo, mas o nome não foi aceito pelo Palácio do Planalto. Com o início da campanha, o PMDB optou por cobrar a fatura em um eventual segundo mandato de Lula.
Segundo o assessor do presidente, a efetivação visa ainda dar tranqüilidade a Agenor. O Ministério da Saúde, até agora, foi o mais afetado pelo o escândalo das sanguessugas. O governo teme que o escândalo possa prejudicar o desempenho do PT e do presidente Lula na campanha eleitoral. O presidente também efetivou no cargo o secretário de Aqüicultura e Pesca, Altemir Gregolin. Com status de ministro, Gregolin substituiu José Fritsch (PT), que disputa o governo de Santa Catarina.
Dono da Planam diz que tinha um “acerto prévio”
com Humberto Costa para liberar recursos fora do Orçamento destinados
aos governos petistas do Piauí e do Mato Grosso do Sul. Ministro nega
envolvimento
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Lúcio Vaz e Marcelo Rocha
Da equipe do Correio
Ronaldo de Oliveira/CB - 20/10/05
Zeca do PT: citado por Ronildo em depoimento à Justiça
José Varella/CB - 30/3/05
Wellington Dias: licitação por meio de pregão eletrônico
O empresário Darci Vedoin, um dos líderes da máfia das
ambulâncias, afirmou à Justiça Federal que o petista José
Airton Cirilo teria fechado um “acerto prévio” com o então
ministro da Saúde, Humberto Costa, prevendo a liberação
de cerca de R$ 30 milhões de recursos extra-orçamentários
para a aquisição de unidades móveis e equipamentos médico-hospitalares,
mediante o pagamento de uma comissão de 15% das licitações
executadas. Teriam sido destinados R$ 6 milhões para municípios
e entidades do Ceará, R$ 14 milhões para o governo do Piauí
e R$ 10 milhões para o governo do Mato Grosso do Sul. O empresário
Ronildo Medeiros confirmou a existência desses acordos e acrescentou que
também teria sido feito um acerto com a prefeitura de Campinas.
Darci afirmou que o dinheiro do Piauí chegou a ser empenhado (reservado no Orçamento) e disse que esteve com o governador Wellington Dias, junto com José Diniz, Raimundo Lacerda, Luiz Antônio Vedoin e Ronildo Medeiros. Segundo ele, nessa reunião, ficou acertado que as empresas do grupo iriam realizar os projetos e as licitações para a Secretaria de Saúde, mas não se teria falado em comissão. Teriam ocorrido outras reuniões com o governador, mas sem a sua presença. Disse que o grupo teria vencido uma licitação para a venda de algumas unidades móveis.
Ronildo confirmou que o governador participou da reunião em que conversaram sobre a liberação de recursos “acima de R$ 10 milhões”. Disse que “o governador tinha conhecimento de que a licitação seria direcionada”. Ele afirmou que esteve no gabinete do governador por duas ou três vezes para tratar dos projetos e das licitações. O assessor do grupo, conhecido como Noriaque, teria permanecido por 30 dias na Secretaria de Saúde para elaborar os projetos.
Chefe de gabinete
No Mato Grosso do Sul, os recursos se destinariam a aquisição
de ambulâncias e equipamentos médico-hospitalares, mas que ainda
não teriam ocorrido o empenho, afirmou Darci. Noriaque também
teria permanecido em Campo Grande por alguns dias, trabalhando na Secretaria
de Saúde, mas o negócio não teria ido à frente.
O empresário afirmou que as comissões eram pagas a Airton, Diniz
e Lacerda. Algumas despesas de viagem teriam sido pagas para o chefe de gabinete
do ministro, identificado como Antônio, quando o servidor esteve em Fortaleza
no carnaval fora de época.
Ronildo disse que esteve no Mato Grosso do Sul acompanhado de Luiz Antônio, para tratar de projetos no valor de R$ 5 milhões, para equipamentos médicos e ambulâncias. Teriam chegado ao secretário de Saúde por intermédio de uma pessoa conhecida como Alemão, indicada por José Diniz. Na conversa com o secretário, teriam acertado a elaboração dos projetos, o direcionamento da licitação e a liberação dos recursos, que estariam “garantidos” pelo ministro. Ronildo não soube dizer se houve empenho, mas afirmou que nenhuma licitação foi executada.
Diniz também teria levado Ronildo, Darci e Luiz Antônio a Campinas (SP), para acertarem detalhes de licitações no município, governado pelo petista Dr. Hélio. Teriam se reunido com o secretário de Finanças para acertar a venda de medicamentos. A empresa Romed, que estava em nome de Rogério e Ivo Marcelo, mas que pertenceria a Luiz Antônio, faria as vendas. Diniz teria cobrado 20% de comissão. Ele teria afirmado que fez o caixa de campanha do PT no município, tendo injetado R$ 8 milhões na campanha de Hélio, por intermédio do Banco Schahin.
Ronildo descreveu com detalhes a venda de equipamentos hospitalares
para municípios do Ceará, no valor de R$ 2 milhões. Ele
disse que estava hospedado no hotel Caesar Park, em Fortaleza, com Luiz Antônio,
Diniz e Lacerda, para tratar das licitações com os prefeitos,
quando ficou sabendo que José Airton e Antônio, servidor do Ministério
da Saúde ligado ao ministro Humberto Costa, também estavam no
hotel. O encontro teria ocorrido durante o carnaval fora de época. Vários
municípios, além da Fundação São Judas Tadeu,
teriam sido beneficiados. Um dirigente da fundação teria recebido
5% de comissão. Airton, Diniz e Lacerda teriam ficado com uma comissão
de 20% nesse negócio.
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O governador (Wellington Dias) tinha conhecimento de que a licitação
seria direcionada
Ronildo Medeiros, empresário acusado de participar da
máfia das ambulâncias
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O número
15%
é o valor da propina que seria paga ao petista José Airton Cirilo,
segundo Darci Vedoin
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Costa contra-ataca
A assessoria do ex-ministro da Saúde Humberto Costa afirmou ontem que o petista não foi informado sobre o conteúdo dos novos depoimentos recebidos pela CPI dos Sanguessugas. Reiterou declarações anteriores de que ele não tem qualquer envolvimento com o escândalo e que está à disposição da comissão para prestar os esclarecimentos necessários, mas defendeu que todos os ex-ministros dos últimos cinco anos sejam convocados, o que incluiria seu antecessor Saraiva Felipe (PMDB-MG), o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, José Serra, e Barjas Negri, também do PSDB.
Humberto Costa ressaltou ainda que as irregularidades atribuídas à máfia dos sanguessugas tiveram início durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e que a investigação da Polícia Federal que desbaratou o esquema ocorreu na administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sobre José Aírton Cirilo, afirmou que encontrou com ele apenas para tratar de questões político-partidárias e que “o dirigente petista nunca esteve autorizado a falar em meu nome ou do ministério”.
A Coordenadoria de Comunicação do Piauí garantiu que o governador Wellington Dias não participou de qualquer acordo para direcionamento de licitações com vistas à compra de ambulâncias. Informou ainda que a licitação realizada para a aquisição do objeto ambulância durante a atual gestão estadual ocorreu por meio de pregão eletrônico. “Os procedimentos relacionados a licitações fazem parte de processos públicos que estão disponíveis a qualquer pessoa. A secretária de Saúde do Piauí, Tatiana Chaves, está à disposição para qualquer outra informação”, informou a nota.
O Correio procurou o governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, também citado no depoimento em poder da CPI. O ajudante de ordens, major Tolentino, atendeu a ligação e ficou de retornar com contatos da assessoria do governador, que estaria em missão oficial em Brasília, mas até 21h30 não ligou de volta. No escritório do estado na capital do país, não foram encontrados funcionários. O prefeito de Campinas (SP), Hélio de Oliveira Santos, também não foi localizado pela reportagem.
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O dirigente petista (José Airton Cirilo), nunca esteve autorizado a falar
em meu nome ou do ministério
Humberto Costa, ex-ministro da Saúde
Crianças encontram R$ 89 mil numa casa em Natal (RN),
quando jogavam bola, e Polícia descobre mais R$ 329.650 no local. Suspeita-se
que o dinheiro seja parte dos R$ 164,7 milhões levados há um ano
do BC
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Da Redação
Às vésperas de completar um ano, o assalto ao Banco Central de Fortaleza teve mais um lance digno de roteiro cinematográfico. Três crianças que jogavam bola numa rua da Zona Norte de Natal (RN) encontraram numa casa desocupada uma maleta contendo R$ 89 mil. Ao lado, no quintal, havia um buraco contendo uma caixa de isopor com mais dinheiro. Num dos quatros, o piso era falso e havia mais caixas e sacos plásticos contendo outro lote de dinheiro. No total, foram encontrados R$ 418.650,00 em notas de R$ 50, fora de seqüência. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que o dinheiro seja parte dos R$ 164,7 milhões levados em agosto do ano passado do BC.
De acordo com os investigadores, após encontrar a maleta, uma das crianças chamou o irmão mais velho, que é policial militar. Ele comunicou o episódio aos colegas. Mais tarde, numa revista no interior da casa, policiais civis descobriram que um dos quartos tinha um piso falso. Sob a estrutura, foi encontrada uma caixa de isopor onde estavam R$ 329.650, que somados ao dinheiro achado pelas crianças, totalizam R$ 418.650. Na casa, que foi alugada entre os meses de fevereiro e março deste ano, não havia móveis.
A suspeita de que o dinheiro faça parte do valor levado do BC é reforçada por três motivos. Primeiro, porque o dinheiro furtado do BC estava em notas de R$ 50, não-seqüenciais, a exemplo das encontradas na casa, em Natal. Segundo, porque dois dos acusados de participação no furto, ambos foragidos, são justamente do Rio Grande do Norte. “Aparentemente, o dinheiro é do mesmo lote”, ressalta um delegado da PF que não pode se identificar.
A terceira suspeita vem dos depoimentos dos vizinhos da casa, relatando que é comum carros luxuosos, com placas do Ceará, rondando o local, sempre de madrugada. Conta ainda a aparência das cédulas, que estariam mofadas e com aspecto envelhecido. Agora, poucos querem falar sobre os proprietários do imóvel. O medo é que os “donos” da fortuna queiram se vingar.
Denúncia
Depois que o dinheiro foi encontrado, houve uma festa. Moradores, crianças
e adultos corriam para a casa. Cada um recolhia o que podia, segundo relatos
de um policial que acompanhou a cena. A história correu a cidade. Os
“donos” do dinheiro teriam tomado conhecimento e ido ao local tentar
pegar parte do dinheiro. Mas um telefonema anônimo avisou os policiais
que havia uma dupla recolhendo alguma coisa na casa abandonada. Os dois haviam
cavado um buraco no quarto onde os meninos encontraram a primeira quantia. Assim
que a Polícia chegou, fugiram pelos fundos da casa e deixaram uma caixa
de isopor com R$ 336 mil.
Na segunda-feira, a PF do Ceará enviou a Natal um delegado para acompanhar as investigações. A Polícia Federal já pediu à Justiça Federal que o dinheiro encontrado seja encaminhado para o Ceará, onde será examinado para comprovar se as cédulas fazem parte do lote roubado do BC. Em seguida, o dinheiro será depositado numa conta indicada pela Justiça. “As investigações continuam, e a quantia será depositada em uma conta especial, para ficar à disposição da Justiça”, informou o delegado-geral-adjunto da Delegacia de Furtos e Roubos, Ben-Hur Medeiros.
A PF também já identificou o dono da casa, localizada na Rua Praia Grande, no Conjunto Santa Catarina, bairro pobre de Natal. Nos próximos dias, ele deverá prestar depoimento. Segundo policiais civis, a casa já vinha sendo monitorada por investigadores. A idéia era flagrar os responsáveis pelo dinheiro dentro da residência à noite. Mas as três crianças acabaram encontrando o dinheiro antes, frustrando o plano.
Para roubar o BC do Ceará, a quadrilha também
alugou uma casa, localizada a poucos metros do prédio do banco. Outro
fato que reforça a suspeita de que se trata do mesmo dinheiro é
que os bandidos dividiram os R$ 164,7 milhões em vários lotes
e despacharam para vários estados em vôos comerciais, ônibus
interestaduais e até em lataria de veículos novos transportados
por cegonhas. “Já sabemos que o dinheiro é ilícito.
Mas só depois das investigações poderemos afirmar se é
ou não parte do roubo do BC”, assegura Ben-Hur Medeiros.
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Já sabemos que o dinheiro é ilícito. Mas só depois
das investigações poderemos afirmar se é ou não
parte do roubo do Banco Central
Ben-Hur Medeiros, delegado-geral-adjunto da Delegacia de Furtos
e Roubos
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O número
R$ 418.650,00 é o total localizado pela Polícia escondido na casa
desocupada, na capital potiguar
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Memória
Ousadia e planejamento
O furto ao Banco Central de Fortaleza (CE) vai ficar marcado na memória dos brasileiros pela ousadia dos bandidos. Considerado o golpe do século, o assalto teve lances cinematográficos que lembram o clássico Onze homens e um segredo, que trata do roubo ao cofre de um cassino em Las Vegas. Na versão tupiniquim, os ladrões levaram R$ 164,7 milhões por um túnel cavado de uma casa até a sede do BC.
Os bandidos gastaram três meses para cavar o túnel, que tinha iluminação, ventilação e espaço suficiente para o escoamento de 3,5 toneladas de dinheiro. Para se ter uma noção do volume de dinheiro levado do banco, seriam necessárias duas carretas para carregar todo o dinheiro do prédio. A operação levou uma noite inteira.
Até hoje a Polícia cearense desconfia que a quadrilha teve ajuda de dentro do banco porque nenhum alarme disparou na hora do furto. Mas essa suspeita nunca foi comprovada.
O assalto ao BC na capital cearense foi resultado de um plano bem elaborado. O primeiro passo da quadrilha foi alugar uma casa a duas ruas do banco. O túnel começou a ser escavado a partir de um quarto, que ficava no fundo do quintal da casa. Desse ponto, eram levados água, eletricidade e até ar para os ladrões conseguirem trabalhar dentro do buraco.
Visto, Lido e Ouvido :: Circe Cunha
Circe Cunha (interina)
ari.cunha@correioweb.com.br
circe.cunha@correioweb.com.br
Denúncia
Traficantes de órgãos atuam com total liberdade
na fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. A Polícia Federal entrou
no caso depois que Salima Valdívieso, da Universidade Nacional da Colômbia,
apresentou tese afirmando que esse tipo de crime é comum na região.
Estrangeiros tiram órgãos de indígenas e pescadores nativos.
O trabalho acadêmico foi parar nas mãos de Marcos Vinícius
Lima, delegado da PF em Tabatinga.